Rodas de Conversa e Távolas

Programação do 14º Congresso Internacional Rede Unida

Para acessar os detalhes da programação clique no nome da atividade






Távola - Educação
Residências multiprofissionais no âmbito da Atenção Básica
Facilitador: ELAINE FRANCO DOS SANTOS ARAUJO    Data: 31/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 08:00 - 10:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
6087 - RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE COLETIVA E FORMAÇÃO DE SANITARISTAS: A QUALIFICAÇÃO DA OBSERVAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE A PARTIR DO USO DE CENAS

Autores: Neide Emy Kurokawa e Silva, Fernanda Vecchi Alzuguir

RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE COLETIVA E FORMAÇÃO DE SANITARISTAS: A QUALIFICAÇÃO DA OBSERVAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE A PARTIR DO USO DE CENAS

Autores: Neide Emy Kurokawa e Silva, Fernanda Vecchi Alzuguir

Apresentação: O Instituto de Estudos em Saúde Coletiva – IESC/UFRJ promove o curso de residência multiprofissional em Saúde Coletiva desde 1996. Os campos de práticas são unidades de atenção primária e hospitais do Rio de Janeiro. Considerando que uma das capacidades do profissional de saúde e particularmente do sanitarista é a escuta, a observação e a análise de contextos locais, sociais, culturais, há 4 anos investimos na qualificação do olhar nos campos de práticas, na disciplina de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS). Ela é ofertada no 2o. ano do curso com duração de 60 horas e coordenada por duas professoras. Objetivo: Compartilhar a experiência metodológica que visou desenvolver a capacidade de observação, sistematização e análise dos contextos direta e indiretamente afetos aos campos de práticas da residência multiprofissional em Saúde Coletiva. Desenvolvimento: A construção da proposta metodológica teve duas versões. (2016-2017). Recorreu-se inicialmente ao aporte teórico-conceitual da observação participante, Adaptando-se a técnica, os estudantes registraram em diários as observações em seus respectivos campos de práticas, durante aproximadamente um mês, buscando captar a “carne”, o “sangue” e o “espírito” desses espaços, conforme proposto pelo antropólogo precursor dessa metodologia, Bronislaw Malinowsky. Nas aulas os diários foram compartilhados e buscávamos orientar tanto o conteúdo dos registros quanto o modo de realizá-los. Alem disso, os residentes levantaram temas-problemas, para serem analisados a partir do aporte das CSHS. Não obstante os alunos terem conseguido captar a estrutura e a dinâmica de funcionamento dos campos de práticas, alem de elegerem temas que foram analisados segundo referenciais abordados em sala de aula, avaliou-se a instabilidade na qualidade dos registros diários, justificado pela falta de tempo, posto que deveriam ser confeccionados pelo grupo de dois ou três residentes que atuavam no mesmo campo. Alem disso, o material oriundo dos registros, geralmente volumoso, dificultava a identificação e escolha de um tema para análise. (2018-2019). Para fazer face a essas dificuldades, acoplou-se ao aporte da observação participante o uso de cenas, método baseado no psicodrama e na pedagogia de Paulo Freire e desenvolvido pela professora e pesquisadora da USP, Vera Paiva. Considera-se que ao reconstituir e decodificar uma cena do cotidiano das práticas de saúde é possível compreender não apenas a especificidade da mesma mas o contexto mais amplo que a conforma. Primeiramente propôs-se um ‘treino’ que consistiu em assistir o episódio de um seriado nacional cujo enredo se passa em um hospital público. Desse episódio os alunos elegeram uma cena para realizar uma descrição densa, contemplando os elementos da observação participante (carne, sangue, espírito). Tal atividade permitiu aprofundar a problematização e a compreensão das situações apresentadas, passando-se então para a escolha de uma cena concreta dos campos de práticas dos residentes. Para a análise os alunos contaram com uma seleção de conteúdos e referencias previamente identificados pelas professoras, mas com possibilidades de substituição, dependendo das necessidades dos subgrupos. Assim, além dos aportes sobre o método etnográfico e o uso de cenas, foram apresentados e discutidos temas como o processo saúde, doença, cuidado; vulnerabilidade e direitos humanos; gênero e sexualidade; violência e saúde; processo de trabalho em saúde e equipe multiprofissional; educação em saúde, dentre outros. Resultado: Foram contempladas cenas cotidianas, para as quais nem sempre se dedica alguma atenção, como reuniões internas e capacitação de profissionais, atividades de educação em saúde, como o planejamento familiar, reuniões de accountability, encontros casuais entre residentes e preceptores. Ao decodificar os elementos das cenas, foi possível problematizar algumas situações que se reproduzem nos serviços e transcender a perspectiva estereotipada em relação a algumas atividades. A qualidade das fichas de notificação de agravos é um exemplo típico, que sempre é pautada por algum grupo de residentes. Para aqueles que atuam em setores de vigilância em saúde, a incompletude ou erros no preenchimento dessas fichas são muitas vezes tomados como desleixo dos profissionais responsáveis ou mesmo como falta de conhecimento dos mesmos acerca da importância dessa ação. Dentre as ‘soluções’ mais comuns, tanto para os responsáveis pela vigilância quanto para os próprios residentes, o treinamento/capacitação dos profissionais figura como o mais citado e praticado. Quando se decodifica a cena e se problematiza todos os outros elementos envolvidos, outras questões são levantadas como, por exemplo, o próprio significado dos dados. O que é feito com esses dados? Quem os utiliza? Qual o sentido do preenchimento para os trabalhadores do nível local? Que outras atividades (muitas vezes assistenciais) concorrem com o preenchimento de uma ficha? Sendo a vigilância em saúde um típico trabalho do sanitarista, a qualificação da observação e o exercício da problematização permitiu transcender velhos problemas e velhas soluções, ao menos no modo de ver os mesmos. Em uma outra vertente mais relacional, também vale registrar as cenas referentes a reuniões. Para alem de uma vaga avaliação de que  elas são improdutivas, vislumbrou-se a possibilidade de compreender a dinâmica das interações envolvidas, os diferentes interesses em jogo, as hierarquias de poder, as estratégias dos atores para a manutenção do status quo ou mesmo dos postos de trabalho. A decodificação dos elementos de uma simples reunião pode mostrar o quanto não são claros os seus objetivos, o quanto é difícil trabalhar em grupo, o quanto se reproduz padrões de comunicação violentos e o quanto as soluções dadas não são respeitadas. Uma terceira vertente bastante explorada pelas cenas são as atividades envolvendo práticas pedagógicas. No pais de Paulo Freire e da Educação Popular em Saúde, é digno de nota o modelo pedagógico verticalizado e conteudista que domina as práticas educativas e de comunicacionais em geral. É grande ainda a aposta na transmissão de informações e na mudança de comportamento, pouco se problematizando contextos mais gerais que vulnerabilizam a população aos agravos de saúde. Uma atividade de planejamento familiar que se ancora fundamentalmente na anatomia e fisiologia dos órgãos reprodutivos (em geral feminino) e nas informações técnicas sobre os principais métodos contraceptivos, ou que alardeia a chamada gravidez na adolescência, pode perder a oportunidade de superar o crivo moral por trás desse alardeio e indagar o por quê das jovens pobres estarem engravidando e não indo para a escola, como talvez seja o horizonte almejado para as filhas dos profissionais de saúde. Seria uma questão de escolha ou exatamente de falta de escolhas, de restrição de horizontes? O uso das cenas e a sua decodificação e sistematização permitiram levantar e debater questões como as apontadas, evidenciando a complexidade e a importância de se compreender as situações, e que elas comportam diferentes perspectivas de análise. Considerações finais: O processo relatado é fruto da preocupação com os interesses práticos que justificam um curso de residência multiprofissional e também da busca de referenciais das CSHS que possam contribuir com tais interesses. Alem dos temas tradicionalmente abordados no campo da saúde coletiva, investiu-se em uma abordagem metodológica que lidasse diretamente com uma das habilidades requeridas para o sanitarista, que lhe permita um olhar critico sobre a realidade e, sobretudo, instigue o residente a buscar propostas inovadoras no campo da saúde ou, conforme Paulo Freire, que provoque a construção de ‘inéditos viáveis’.

6914 - PSE – Programa Saúde na Escola, como forma de promoção da saúde. Um relato de experiência das residentes em Saúde da Família ENSP Fiocruz.

Autores: Maria Carolina Rezende Simonsen, Andresa Barbosa Candido, Geisa Moreira de Jesus, Laís Soares Faria de Souza, Larissa Borlin Ladeira Ontiveros, Mariana Espíndola Robin, Natasha de Jesus de Carvalho

PSE – Programa Saúde na Escola, como forma de promoção da saúde. Um relato de experiência das residentes em Saúde da Família ENSP Fiocruz.

Autores: Maria Carolina Rezende Simonsen, Andresa Barbosa Candido, Geisa Moreira de Jesus, Laís Soares Faria de Souza, Larissa Borlin Ladeira Ontiveros, Mariana Espíndola Robin, Natasha de Jesus de Carvalho

Apresentação: O PSE - Programa de Saúde na Escola (política intersetorial da Saúde e da Educação, instituído em 2007, com o objetivo de promover saúde e educação integral dos estudantes da rede pública de ensino) é também um dos programas que compõem a carteira de serviços da Atenção Primária. Ao iniciarmos nossa imersão enquanto residentes multiprofissionais do programa de residência em Saúde da Família da Escola Nacional de Saúde Pública, no processo de trabalho desenvolvido pela Clinica da Família Anthidio Dias da Silveira, e da Equipe Viúva Cláudio, a qual estamos inseridas, entendemos que seria importante conhecer o trabalho realizado pelos profissionais na escola pertencente ao território de abrangência da equipe, o Colégio Estadual Horácio Macedo. O presente trabalho tem por sua vez o objetivo então, de apresentar a experiência desenvolvida por nós residentes neste colégio, durante o segundo semestre de 2019. A fim então de nos aproximarmos das três séries que cursam o ensino médio do Colégio Estadual Horácio de Macedo, inicialmente nos apresentamos para cada turma dos três anos letivos nos diferentes encontros, por meio de uma dinâmica. Com um barbante, pedimos para que cada aluno se apresentasse e dividisse conosco uma coisa que gosta de fazer. A partir disso, pedimos que jogasse o barbante para quem tiver distante, com a intenção de criar uma teia entre eles. Por fim, colocamos uma caneta no centro da teia de barbante e os desafiamos a encaixá-la dentro de uma garrafa A ideia foi poder tanto conhecê-los e nos apresentarmos, como levantar o debate sobre a importância do trabalho coletivo para conclusão de uma tarefa, de escutar um ao outro, fortalecimento da união de um grupo, da integração entre os alunos e da relevância de cada um nos processo final. Também trouxemos a tona neste primeiro momento, uma caixa lúdica para que eles pudessem colocar sugestões de ideias para os próximos encontros. Com essa ferramenta, embasamos nossos discursos sobre o que significa o trabalho desenvolvido pelo PSE e o que buscamos construir junto com eles durante a realização destas atividades, ressaltando sempre a centralidade da construção conjunta entre nós e eles, fugindo do modelo tradicional apenas de transmissão de conhecimentos, A partir destas ideias estruturamos então um cronograma de atividades para serem realizadas ao longo do próximo semestre. Dentre os vários conteúdos que surgiram, observamos que o que apareceu com mais prevalência foi o debate sobre saúde sexual e reprodutiva. Diante disso, trouxemos este tema para três turmas de primeiro ano nos nossos próximos encontros. Foi muito interessante, nas duas salas que desenvolvemos a dinâmica, perceber as dúvidas que eles têm sobre o tema, os posicionamentos que possuem, e como debatem de maneira livre tais questões. Surgiam dúvidas relacionadas a tanto a métodos contraceptivos, como pro exemplo o de emergência, e a infecções sexualmente transmissíveis, como também a “idade certa” para se relacionar, as questões éticas envolvidas no atendimento na clínica para abordar a sexualidade dos adolescentes. Meninas se colocaram falando muito do quanto o desejo delas deve ser respeitado marcando a importância de se falar sobre consentimento, sobre sexo seguro e sobre respeito. Os meninos também fizeram perguntas, relacionadas à probabilidade de algum método não ser eficaz, e sobre o respeito ao desejo do outro quanto ao sexo. Alguns jovens levantaram a questão da gravidez, questionando-se sobre o melhor momento para engravidar: “com um emprego estável e uma vida digna” (sic). Mediamos à conversa algumas vezes falando sobre a importância de separar a prática do sexo com o a gravidez. Pautamos também o debate sobre moralismo – entendemos como necessário não passar por cima da vontade do outro, respeitando caso essa seja diferente, e ainda da importância de se atentar a idades muito discrepantes entre os parceiros, pois meninas ou meninos muito mais jovens possuem autoconhecimento sobre o corpo e processo de tomada de decisão ainda em processo de desenvolvimento. Por fim, concluímos a atividade com um jogo de ligar pontos – material desenvolvido na clinica – com perguntas e respostas a cerca de três infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, gonorreia e HIV), a respeito das formas de transmissão, sintomas e do tratamento. Entendemos o PSE como forma de promoção da saúde, visto que por meio do desenvolvimento das atividades construídas na escola Horácio de Macedo, pudemos nos aproximar de um público que tem seu acesso muito restrito as clínicas da família, e aos espaços de produção de saúde como um todo, onde acessam e entendem a unidade de saúde a partir de uma condição de doença ou problema. Pudemos participar de debates muito enriquecidos a respeito de temas bastante presentes no desenvolvimento da saúde do adolescentes, construindo um espaço de liberdade de conversa, expressão, respeito, diálogo e construção coletiva. Potencializando as atividades desenvolvidas no programa saúde na escola com atividades além do que já é tradicional do programa, muitas vezes focado na saúde bucal e prevenção de doenças, mas também trazendo outras possibilidades através da música, desenhos, jogos e artes. Sempre utilizando-se de metodologias dialógicas e participativas, com  objetivo de construir junto com eles e não para eles. Sendo assim, concluímos que a participação no desenvolvimento do Programa Saúde na Escola, foi potente não apenas para a escola e a aproximação da saúde com a educação, mas para o nosso processo de trabalho e aprendizagem. A Residência Multiprofissional em Saúde da Família é um programa de aprendizagem também através da prática no trabalho, e construir em conjunto entre nós residentes e os alunos atividades e metodologias ativas para a discussão e debate de temas relacionados a saúde, desenvolvimento e cidadania foi muito enriquecedor. Acreditamos que a troca de saberes e experiências, valorizando o saber de cada um, exercer a escuta e as falas de todos e todas só contribui para o fortalecimento de práticas de saúde e educação. Compreendemos a importância de um olhar diferenciado a saúde do adolescente, uma vez que este está em um processo de transição da vida infantil para a adulta e pode apresentar questões que permeiam os dois lado. Faz-se importante para isso, o uso de uma linguagem próxima a deles é uma escuta qualificada, para compreender as suas principais demandas e promover saúde.

7024 - A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE FLUVIAL COMO INSTRUMENTO DE ATENÇÃO À SAÚDE RIBEIRINHA EM TEFÉ (AM): UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Anna Carolina de Souza Nóbrega, Eduardo Fernandes Felix de Lima, Thaysa Pereira Marinho

A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE FLUVIAL COMO INSTRUMENTO DE ATENÇÃO À SAÚDE RIBEIRINHA EM TEFÉ (AM): UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Anna Carolina de Souza Nóbrega, Eduardo Fernandes Felix de Lima, Thaysa Pereira Marinho

Apresentação: Trata-se do relato de um estágio eletivo de três residentes, desenvolvido no âmbito do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ). Tal experiência se deu no período de 30 de junho a 16 de agosto de 2019, e teve como objetivo principal o acompanhamento da rotina de trabalho de uma Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) no atendimento às comunidades ribeirinhas do município de Tefé, no Amazonas. Desenvolvimento: O município de Tefé, localizado no centro da Amazônia Internacional, possui cerca de 59.849 habitantes, com uma área territorial de 23.692 km². Cerca de 20% da população do município está distribuída em 131 comunidades ribeirinhas. Considerando a dificuldade acesso da população ribeirinha ao serviços públicos na cidade, uma das formas de assistência à saúde desta população é através da Unidade Básica de Saúde Fluvial, utilizada para atender às comunidades mais distantes do território fixo do município. As comunidades são divididas por áreas e possuem equipes de saúde fluvial específicas. A equipe de saúde acompanhada durante o período do estágio é responsável pela assistência da área 21, que abrange 20 comunidades distribuídas ao longo do Rio Tefé e Curumitá. A UBSF conta com uma equipe multiprofissional composta por dois enfermeiros (responsáveis pela gerência da unidade de saúde), uma médica (esta área não tem um médico fixo, há um revezamento durante o ano), uma dentista, dois técnicos de saúde bucal, uma técnica de laboratório, uma assistente social e cinco técnicos de enfermagem (distribuídos entre recepção, coleta de exames e procedimentos, imunização e farmácia). Além disso, uma pessoa responsável pela cozinha e uma pela limpeza. Quatro pontos de apoio, que contam com um(a) técnico(a) de enfermagem cada, dão suporte e facilitação nas questões de saúde das comunidades, além de doze microscopistas. A UBSF era estruturada em três níveis. O primeiro, submerso, onde se localizava a sala de máquinas da balsa. O segundo, onde se encontrava a unidade de saúde, composta de recepção com um banheiro para os usuários e um para os funcionários; uma sala de atendimento odontológico; uma sala de atendimento médico; uma sala de atendimento de enfermagem; uma sala de procedimentos; um laboratório; uma sala de vacina; uma farmácia. No terceiro nível se localizava a sala de comando, dois banheiros, seis camarotes, cozinha, refeitório e lavanderia, além de um terraço onde se localizava o reservatório de água. As viagens acontecem a cada dois meses, com exceção do período de vazante devido a dificuldade do acesso às comunidades com a balsa. Durante o período da viagem, acompanhamos as ações da equipe no território, envolvendo imunização e educação em saúde, e nos atendimentos de enfermagem e médico. Resultado: Encontraram-se comunidades esvaziadas por conta do deslocamento dos moradores à cidade. As primeiras ações da equipe se dão dentro da escola comunitária (imunização e educação em saúde). Observou-se um padrão semelhante de agravos (ITU e parasitoses) entre as comunidades, associado ao saneamento deficitário e práticas de higiene, e de saúde bucal (extração dentária). O tamanho populacional e territorial/espacial é discrepante entre as  comunidades. Nesse sentido, pensar o olhar para o território significa considerar diversos pequenos territórios, cada um com suas singularidades. E não um planejamento em saúde que generalize tais comunidades. Nesse sentido, os três residentes se empenharam na elaboração de mapas para cada comunidade visitada, destacando as moradias, aspectos geográficos, ambientais, sociais e todos os equipamentos comunitários (recursos) existentes, bem como marcando os problemas identificados em cada comunidade e áreas de risco, como forma de auxiliar a equipe  no que seria um processo inicial de territorialização. Para o acesso a algumas comunidades e localidades, fez-se necessário o uso de uma embarcação menor (voadeira) visto que a balsa da UBSF não consegue atracar ou trafegar em afluentes estreitos ou de baixa profundidade. As atividades de atendimento aos comunitários não seguem o horário comercial estabelecido nas unidades urbanas, sendo comum a realização de horários estendidos de atendimentos, sem folgas semanais ou em possíveis feriados. Não há um horário pré-estabelecido para chegada da UBSF às comunidades, o que implica no atracamento da unidade também no período noturno, configurando um risco potencial já que à noite a visualização de animais é dificultada. O planejamento das viagens da UBSF é limitado pelo regime de cheias e vazantes, contrariando a rigidez da recomendação de uma viagem a cada dois meses. Nesse caso, o “território líquido” surge como um componente que conecta pessoas, serviços e instituições e não como uma barreira geográfica, como geralmente é tratado  pela geografia física e quando se fala em acesso à saúde. Além disso, o acesso à saúde prestado esbarra na dinâmica comunitária, que nem sempre favorece o comparecimento à UBSF, tendo em vista as atividades rotineiras dos comunitários como caça e pesca. Visto que a inserção nas comunidades foi pontual, não foi possível estabelecer vínculo com os comunitários que permitisse obter informações acerca das práticas tradicionais de saúde ou práticas alternativas de cuidado. Destaca-se nesse trabalho da UBSF os membros da tripulação, composto por dois responsáveis pela condução da balsa e voadeira (sendo um deles o comandante) e dois  responsáveis pela casa de máquinas. Aqui verificou-se um importante corpo de conhecimentos que extrapolam a assistência à saúde, pois era a leitura do rio, feita pelo comandante, que avaliava as condições que favoreciam ou não o tráfego da presente e futuras viagens da UBSF. A adaptação na UBSF envolve um processo de desterritorialização, caracterizado pelo encontro entre práticas previamente naturalizadas em nossas “instituições de origem” com as práticas do local onde estávamos inseridos, sendo responsável por rupturas de conceitos já enraizados em nossa atuação como sanitaristas. Considerações finais: Planejar ações de saúde para um território complexo e influenciado pela dinâmica do rio é um desafio para a atenção básica de Tefé. Compreender as relações da população ribeirinha com a saúde implica no conhecimento do território, parte essencial no processo saúde-doença dessas comunidades, que precisa ser enxergado em sua complexidade particular, não como um território de ausências. Ao criar novos modos de atenção à saúde, o SUS utiliza-se da potência desse território líquido, fortalecendo, legitimando e dignificando os modos de vida dessa população, que ainda resiste de certa forma ao processo de urbanização e globalização dos modos de vida contemporâneos. Portanto, a UBSF é um instrumento de acesso à saúde importante na perspectiva do cumprimento dos atributos da atenção primária. Compreendendo a complexidade do trabalho executado pela equipe de saúde fluvial, faz-se necessário que uma política específica para a assistência das comunidades ribeirinhas exista de forma a subsidiar ações de saúde que contemplem as particularidades em seus modos de vida e na relação com o território. Sob o risco de que um trabalho que necessita de uma natureza flexível, que se adeque às condições do meio em que atua, fosse influenciado por uma lógica de um território fixo, evitando que “aquilo que flutua também pudesse estar amarrado”.

7061 - A EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃO NO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA DA ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SÉRGIO AROUCA

Autores: marcelo pereira gonçalves, beatriz farias do nascimento, CAROLINE GRADIM MORAES, HANNAH CAROLINA TAVARES DOMINGOS, CLARA DA SILVA CAMATTA, SILVANA AMARAL DOS REIS, TATIANA WARGAS DE FARIAS BAPTISTA, VANESSA COSTA E SILVA

A EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃO NO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA DA ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SÉRGIO AROUCA

Autores: marcelo pereira gonçalves, beatriz farias do nascimento, CAROLINE GRADIM MORAES, HANNAH CAROLINA TAVARES DOMINGOS, CLARA DA SILVA CAMATTA, SILVANA AMARAL DOS REIS, TATIANA WARGAS DE FARIAS BAPTISTA, VANESSA COSTA E SILVA

Apresentação: Este trabalho se propõe a colocar em análise a experiência formativa no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família (PRMS) da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, no município do Rio de Janeiro. É um marco do final de uma trajetória de dois anos e, portanto, conta uma história, a nossa. Somos seis profissionais com o desafio de produzir uma escrita comum e que escolhemos originalmente abordar o tema da formação, utilizando nossa experiência no PRMSF como caso a ser analisado. A temática da formação apareceu para nós como elemento integrador daquilo que fomos reconhecendo, entre nós seis, como desconfortos, inquietações e interrogações nesses dois anos. Neste sentido, ao abordarmos o tema da formação, o trabalharemos a partir de múltiplas perspectivas, de modo que para melhor expressar essa nossa multiplicidade, só poderíamos, também, trabalhar com uma variedade de metodologias, escritas e formas de análise. Tomaremos a formação, aqui, portanto, sob as perspectivas apresentadas ora por Ricardo Ceccim e Emerson Merhy no que diz respeito a suas contribuições para uma perspectiva de formação em saúde a partir de uma lógica da Educação Permanente em Saúde, e ao Quadrilátero da formação Ceccim e à aposta metodológica Merhy; ora por Paulo Freire, que nos convida a reflexões sobre as hegemonias na nossa formação e o nosso lugar de protagonismo no processo de aprendizagem; ora por Jorge Larrosa, trabalhando a partir das produções de sentido que essa experiência de formação construiu e constrói para nós. A proposta é ir costurando uma colcha de retalhos com nossas diferentes perspectivas de uma formação em saúde, desenhando um contorno para o que vivemos que será sempre aberto e capaz de compor as nossas diferenças e engendrá-las em sentidos sempre temporários. Nesse sentido, trabalhar com saúde no Brasil implica em trabalhar com diferentes abordagens, técnicas e olhares, se propondo a produzir saúde em seu sentido ampliado. Como criar essa mudança de prática em saúde de historicidade tão biomédica se as formações em saúde modelam os profissionais a trabalharem de modo fragmentado? Ampliando as profissões do escopo da saúde e oferecendo uma formação voltada para a efetivação desses princípios que coloca diferentes categorias e abordagens em contato desde cedo, a fim de construir um trabalho comum. Essa é a proposta de uma formação multiprofissional em saúde: formar profissionais que façam operar a integralidade do cuidado como princípio de suas práticas. Na residência multiprofissional, é preciso realizar um deslocamento de núcleo no processo formativo. Vários de nós vêm de uma formação com uma herança bastante técnica e biologicista, que pouco abordou aspectos das ciências sociais e humanas em seus currículos. Todavia, outros são formados com um olhar mais voltado para as ciências humanas e sociais, tendo menos contato com questões biológicas propriamente ditas. É nesta mistura de categorias que se compõe o encontro dos diferentes núcleos de saber, a fim de produzir uma formação comum e crítica aos modos vigentes de produção de cuidado. Considerando as afirmações acima, sustentamos fazer aqui uma discussão, construída em equipe multiprofissional, sobre o nosso próprio formar-se em saúde, a partir daquilo que nos afetou e nos fez produzir um deslocamento sobre como atuávamos e pensávamos as nossas formas de agir no mundo e no cuidado em saúde. Nos debruçamos coletivamente sobre nosso processo formativo para colocá-lo em análise nos forçando a, ao longo da própria escrita, irmos considerando esses modos de formar. Foi no próprio escrever que pudemos nos conectar, entre nós, com uma posição de protagonismo na invenção dessa história que iremos contar. Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa foi analisar a experiência da formação no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da ENSP/Fiocruz durante o período de formação da turma 2017-2019. Tecemos uma escrita em primeira pessoa, assumindo nossas experiências como fonte de reflexão e de transformação, para colocarmos em análise alguns desafios que encontramos pelo caminho. Para tanto, realizamos uma abordagem qualitativa exploratória, em função do caráter reflexivo deste estudo, que não pretende desvincular-se do pesquisador em relação ao objeto estudado, senão a sua aproximação por se tratar de uma experiência vivenciada. Quando há uma identificação entre o objeto e o pesquisador, ele se envolve e se compromete não conseguindo se distanciar. Assim, para podermos dar contorno a objetos que se confundem conosco, utilizamos de variadas metodologias, trazendo a cena a perspectiva de outros atores presentes em nossas vivências, somando-a às nossas, sem, no entanto, negá-las ou subordiná-la uma a outra. Quando necessário, afirmamos paradoxos e contradições presentes, como elementos compositores de uma experiência múltipla. A fim de atender aos objetivos do estudo, foram utilizadas fontes primárias para a coleta de dados, tais como: diários reflexivos, grupo focal, entrevistas, bem como fontes secundárias por meio de revisão bibliográfica e de análise documental para construção do referencial teórico. Por fim, encerramos com uma reflexão sobre os sentidos que essa experiência de formação desenhou para nós, fazendo aparecer a nossa grupalidade como elemento potencial de transformação. O trabalho em saúde exige uma abertura à diferença, estamos sempre entre muitos, seja com o paciente seja com outro profissional. Formar-se em bando é uma potência de construção de sensibilidade ao outro, de não colonização e de afirmação da vida em suas mais variadas formas. Experimentamos, em bando, um modo ético de produzirmos saúde, a partir dos múltiplos sentidos que nosso encontro operou em cada um de nós. Neste sentido a ética é antes de tudo uma atitude, um modo de nos conduzirmos sempre em aberto, que busca escapar aos caminhos da dominação e da colonização de si e do outro. Implica um certo desconforto, uma inquietude constante que faz emergir o pensamento, a problematização e a crítica; tudo o que faz o nosso modo naturalizado de se deixar de ser e tornar-se a vir a ser. Trata-se de permitir-se afetar e ser afetado e alterar o modo como nos conduzimos eticamente, tanto num plano profissional quanto pessoal. Existe um comum entre a produção de cuidado e a produção pedagógica que se faz pela dimensão subjetiva e relacional contida em ambas: só é possível cuidar e formar quando assumimos o outro como sujeito e nos deixamos afetar e transformar por esse encontro com a alteridade. Em nosso caso, nos (trans) formamos no exercício de construção de uma grupalidade que sustentou e cuidou do diferir que fomos criando singular e coletivamente. A residência possibilitou para nós a construção de muitos espaços de encontro. Espaços que são diferentes entre si, mas que ao mesmo tempo tem algo de comum que os circunda. Para nós, este comum foi precisamente a possibilidade de coletivização, um esforço de crítica aos nossos modos acostumados de ser a partir dos encontros entre nós. Foi a experimentação de uma potência do grupo na possibilidade de abrirmo-nos a afetarmo-nos uns com os outros, deixando de ser aquilo que se era experimentar estar juntos em desassossego: No limite do que já sabíamos nos encontramos para descobrir o que ainda não sabíamos, para conhecer outros modos de existência, nos interrogarmos, estabelecermos novas relações com o trabalho, uns com os outros, com nós próprios e com a vida. Nossos nós enovelados e em fios soltos, disponíveis a costurar novas tessituras em uma vida incorporada, vivida, que encontra os meios de sua própria afirmação.


Távola - Educação
Educação Popular e Comunidades Tradicionais
Facilitador: Silvio Yasui    Data: 30/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 10:30 - 12:30
Trabalhos nesta Távola: 3 (clique para ver todos)
11819 - PARTEIRAS TRADICIONAIS NOS TERRITÓRIOS DA AMAZÔNIA: UMA EXPERIÊNCIA DE EMPODERAMENTO

Autores: Raquel Jarquín, Júlio Cesar Schweickardt, Marluce Mineiro Pereira

PARTEIRAS TRADICIONAIS NOS TERRITÓRIOS DA AMAZÔNIA: UMA EXPERIÊNCIA DE EMPODERAMENTO

Autores: Raquel Jarquín, Júlio Cesar Schweickardt, Marluce Mineiro Pereira

Apresentação: O projeto “Redes Vivas e Práticas Populares de Saúde: Conhecimento Tradicional das Parteiras e a Educação Permanente em Saúde para o fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde da Mulher no Estado do Amazonas”, financiado pelo Ministério da Saúde, e executado pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia – LAHPSA//FIOCRUZ Amazônia, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas – SUSAM, tem desenvolvido ações de educação popular com as parteiras tradicionais. Dentre as atividades, destacamos a realização das oficinas de troca de saberes que buscam o diálogo entre os profissionais de saúde e o conhecimento das parteiras.  Desenvolvimento: As oficinas utilizaram metodologias participativas que tem como princípio o reconhecimento do saber das parteiras sobre o processo do parto e nascimento. Desde, sua vigência iniciada em 2016 o projeto realizou diversas oficinas de trocas de saberes nos seguintes municípios: em Vila Lindóia em Itacoatiara foi realizada uma oficina com 19 pessoas, sendo 09 parteiras; em Tefé foram realizadas duas oficinas em 2017, com 33 pessoas, sendo 18 parteiras, e em 2019 com 31 pessoas sendo 26 parteiras; em Maués foi realizada  uma oficina em 2017, com 30 pessoas, sendo 05 parteiras; em  Parintins foi realizada uma oficina em 2017, com 31 pessoas, sendo 20 parteiras; em Nova Olinda foi realizada uma oficina em 2018, com 27 pessoas, sendo 17 parteiras; em Tabatinga foram realizadas três oficinas em 2018, totalizando 123 pessoas, sendo 82 parteiras; em Borba foi realizada uma oficina em 2018 com 24 pessoas, sendo 11 parteiras; em Boa Vista dos Ramos foi realizada uma oficina em 2019 com 23 pessoas, sendo 14 parteiras; em Jutaí foi realizada uma oficina em 2019 com 36 pessoas, sendo 17 parteiras; no Distrito de Iauaretê em São Gabriel da Cachoeira foi realizada uma oficina com 60 pessoas, sendo 32 parteiras; em Maraã foi realizada uma oficina em 2019 com 48 pessoas, sendo 14 parteiras; em Carauarí foi realizada uma oficina em 2020 com 17 pessoas, sendo 08 parteiras e em Manaus foi realizada uma oficina em 2017, com 31 pessoas, sendo 20 parteiras. Os instrumentos e técnicas utilizadas nas oficinas foram os Mapas do Cuidado, que possuem por finalidade identificar em seus territórios de atuação as principais dificuldades vivenciadas pelas parteiras; vídeos-debate, que possuem por finalidade estimular a participação das parteiras a falarem sobre suas experiências, relatando sobre os instrumentos e as técnicas utilizadas durante o parto, bem como a importância da utilização das plantas medicinais. O Cenário Parteira é uma abordagem também utilizada nas oficinas, e consiste em dramatizações da situações-problema apresentada em breves histórias contadas pelos integrantes do projeto e possui como finalidades: identificar as experiências de articulação entre o trabalho da parteira e a gestão; como se dá a assistência ao parto e pós-parto; como se dá assistência dentro da maternidade e a ainda, como se dá a relação das parteiras tradicionais com a equipe de saúde, em cada território de atuação. Em cada oficina foram elaboradas Cartas de Demandas, documento que apresentava os itens necessários para a realização dos partos (kit da parteira), além da solicitação de apoio financeiro para a logística de deslocamento às comunidades longícuas. Ademais, nestas cartas as parteiras manifestaram a necessidade de reconhecimento e valorização de seu trabalho, feito na maioria das vezes de forma voluntária, sem qualquer apoio ou ajuda de custo. Neste espaço compartilhado de saberes tradicionais, as parteiras mais experientes ensinaram sobre a arte do partejar às mais novas e outras parteiras que desejavam aprimorar ou retomar a prática. Deste modo, as oficinas de Troca de Saberes foram utilizadas como importante estratégia para o comprometimento dos municípios em realizar o mapeamento das parteiras em sua área de abrangência, bem como apoiá-las no desenvolvimento de suas atividades, disponibilizando matérias e na vinculação das mesmas às unidades Básicas de Saúde, bem como, pactos e encaminhamentos para o apoio e fortalecimento do parto domiciliar assistidos pelas parteiras participantes das oficinas, e o resgate de parteiras que habitam nas muitas comunidades do município por meio do recadastramento de todas. Dentre os resultados alcançados podemos citar a realização da I Mostra Estadual de Parteiras Tradicionais do Estado do Amazonas, em 2018, no 13° Congresso Internacional da Rede Unida. Neste espaço, atendendo à demanda de mais de 100 parteiras presentes, e com o apoio dos integrantes do projeto, foi fundada a Associação de Pateiras Tradicionais do Estado do Amazonas – Algodão Roxo (APTAM), entidade representativa que vem configurando-se como ferramenta de empoderamento político e social deste segmento. Em fase de organização, encontra-se um livro sobre as produções das parteiras e a experiência dos integrantes do projeto, bem como a produção de um documentário sobre a arte do partejar e do uso de plantas medicinais. Destacamos ainda a efetiva participação das parteiras na conferência para a definição de políticas tanto para os municipais quanto para o Estado. Considerações finais: As discussões sobre o saber tradicional e ações e serviços ofertados, considerando as limitações na oferta pela rede, estimulou maior e efetiva participação das Parteiras Tradicionais na luta pelo seu reconhecimento e valorização, bem como a inclusão das mesmas no SUS, em especial na rede de atenção e cuidados à saúde da mulher antes, durante e após o parto. Possibilitou ainda, colocar em pauta a discussão sobre a necessidade de distintos modelos de atenção ao parto e ao nascimento, sobretudo em regiões econômica e cultural diferenciadas, e geograficamente distantes e/ou isoladas, (onde a oferta de serviços de atenção à saúde da mulher é escasseou de difícil acesso), permitindo assim um repensar sobre políticas públicas locais que atendam as especificidades e necessidades da zona rural, ribeirinha, das populações e indígenas do contexto amazônico. À guisa de conclusão, destacamos que as ações desenvolvidas pelo projeto reforçam a necessidade de continuidade destas ações por se desenvolverem na perspectiva de valorização do trabalho das parteiras nos diferentes territórios da Amazônia. Além disso, entendemos que o projeto tem uma opção política pelo empoderamento das parteiras tradicionais na relação com os serviços e com a gestão municipal para participarem das cenas do cuidado à gestante.

8361 - O SISTEMA TRADICIONAL DE SAÚDE INDÍGENA: PRÁTICAS E RELAÇÕES

Autores: Maria do Socorro Litaiff Rodrigues Dantas, Andrea Caprara, Eliane Mara Viana Henriques, Meire de Souza Soares Fontes

O SISTEMA TRADICIONAL DE SAÚDE INDÍGENA: PRÁTICAS E RELAÇÕES

Autores: Maria do Socorro Litaiff Rodrigues Dantas, Andrea Caprara, Eliane Mara Viana Henriques, Meire de Souza Soares Fontes

Apresentação: Estudo etnográfico procura compreender as práticas da medicina tradicional indígena, na perspectiva de interpretações das culturas, em seus diversos saberes e mapear suas especialidades em duas aldeias no nordeste do Brasil. As práticas de cura tradicionais passam por processos de mudanças ao longo do tempo, e no caso dos índios do nordeste, como parte da cultura, a tradição vai se modificando sem perder sua essência, a parte significativa que se revitaliza e se reflete como resultado de diversas relações, quer seja com a sociedade, com a natureza, com o cosmos. A identificação dos cuidadores praticantes da medicina tradicional indígena e suas especialidades na contemporaneidade apresenta-se como um caminho para viabilizar a compreensão das práticas de saúde e do processo de adoecimento da comunidade indígena. Embora os povos indígenas no nordeste do Brasil seja por muitos consideradas “aculturados” ou “mestiços”, há um consenso entre os pesquisadores, historiadores e antropólogos que a tradição, como um dos elementos da cultura são reelaboradas e revitalizadas, num processo onde os sujeitos coletivos transformam sua realidade de modo ativamente participativo, inaugurando um processo chamado de reemergência, revitalização, visibilidade, etnogênese. O estado de saúde se reflete como resultado de diversas relações, quer seja com a sociedade, com a natureza, com o cosmos e o próprio exercício do poder. A abordagem das práticas médicas tradicionais nos povos indígenas do Nordeste, procura valorizar as práticas médicas indígenas no sentido de compreender sua lógica de adoecimento e cura, na perspectiva de um trabalho associado à medicina convencional. Há uma fragilidade nos preceitos da medicina tradicional indígena e por isso é necessário apontar caminhos para a continuidade das práticas e praticantes dessa medicina tradicional, bem como, a sustentabilidade de suas plantas nativas, da preservação de seus costumes e de suas práticas de cura, para o fortalecimento das práticas e saberes tradicionais. A noção de medicina tradicional indígena são diversos e constantemente revisados e/ou criados em situações dialógicas concretas, o que lhes confere caráter emergente. Se os discursos oficiais usam o poder de nomear para conceituar as medicinas tradicionais, as falas indígenas remetem a saberes e a práticas de auto atenção inscritos em contextos locais particulares. Há diversas características e classificações de cuidadores, detentores de saberes ou, ainda, praticantes tradicionais indígenas, tais como pajé, rezadeiras, parteiras, benzedeiras, com características específicas, onde cada um apresenta e cuida de saberes diferentes entre si mas que se complementam, no pilar da espiritualidade. Os tratamentos são de acordo com sua causa, como o quebrante, o vento-caído, o mal-olhado. No entanto, pouco temos extraído quanto ao seu papel e suas atividades e especialmente sua determinação num sistema ou numa rede de atenção em saúde “invisível” que tem grande credibilidade no meio da comunidade, mas não é valorizada e nem inserida ou articulada com a atenção em saúde convencional. A identificação desses cuidadores tradicionais indígenas demonstra que essas práticas e seu sistema na adversidade da contemporaneidade, pode materializar meios e mecanismos para um trabalho colaborativo entre as duas medicinas, de modo a potencializar saberes e melhorar a qualidade de vida da comunidade e promover a convivência entre populações de origens culturais e étnicas diferentes numa análise aprofundada de fenômenos particulares na observação cuidadosa das práticas realizadas, compreender as práticas da medicina tradicional indígena, em seus diversos saberes e mapear suas especialidades. Metodologia Estudo qualitativo, de abordagem etnográfica das práticas tradicionais de adoecimento e cura e sua articulação com o sistema de saúde biomédico dos índios Potiguara em duas aldeias nordestinas, a partir da abordagem interpretativa hermenêutica de Geertz. Cuidadores tradicionais forma identificados numa abordagem não probabilística de “Bola de Neve”, forma aberta. Os dados de identificação foram coletados por lideranças das comunidades, mediante a indicação por seus pares, totalizando uma amostra inicial de 234 cuidadores tradicionais indígenas em todo o estado no projeto Árvore da Vida, do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará. Mediante a indicação de lideranças comunitárias foram selecionados 10 daqueles cuidadores tradicionais indígenas identificados das etnias Potyguara, Tabajara, Tapuia-Kariri e Gavião, sendo 5 rezadeiras, 3 pajés e 2 menzinheiras de duas aldeias no semiárido do estado. Mapeados, os cuidadores foram entrevistados, mediante temário contendo questões norteadoras acerca de como o cuidador iniciou suas atividades, quais os cuidados que presta a comunidade e sua especialidade, durante o período de 1 ano. O tratamento dos dados quantitativos extraídos da amostra inicial utilizou uma tabela em Excel® com as variáveis: aldeia, nome, idade, o tipo de tratamento prestado e aldeia(s). Foi aplicado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme preconizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Ceará. As entrevistas foram gravadas e fotografadas. Utilizamos o programa Word® para a transcrição das entrevistas e procedemos a análise dos conteúdos das entrevistas, por categorias. Resultado: Identificados e mapeados os cuidadores tradicionais, por especialidade, formam uma rede de cuidados informal, reconhecida e identificada pela comunidade. Na categoria dos cuidados, são utilizadas orações e materiais naturais, como folhas, ervas, pedras, argila e raízes, preparadas, benzidas e aplicadas no paciente dependendo da causa, da intensidade e da intenção do próprio paciente. Os preparos são especialmente produzidos pelo próprio rezador-benzedor-curador com materiais são extraídos de hortos medicinais nos quintais das residências nos casos “simples” ou, nos casos complexos, são retirados da mata, sob rezas e cantos, em determinado dia e horário, quando daí já se inicia o tratamento. Concernente a espiritualidade, aquele que procura o tratamento tem fé na cura e se segue as orientações e as orações prescritas, podendo ser proferidas através de falas ou cantos e até mesmo sob pensamentos à distância, dependendo do caso, alcança a cura.  Os tratamentos incluem orientações de alimentação e de regras a serem seguidas durante determinado tempo. Os horários das curas e rezas devem ser rigorosamente seguidos, sendo as curas e rezas do bendito pela manhã ou final da tarde. Meio-dia não se reza para o bem, mas para o mal. Há rezas que não podem ser citadas, só oradas mesmo, a não ser que se trate de um treinamento de outro rezador. As doenças tratadas são de acordo com sua causa. Quanto a complexidade as doenças tratadas nas aldeias são aquelas causadas independente do contato com os não indígenas como: vento-caído, mal-olhado, vermelha e quebrante. O tratamento inclui além do uso correto da mistura indicada, a obediência às regras e respeito à natureza e aos costumes, sendo a sua desobediência a punição com a piora da doença. Quanto a relação com a biomedicina, ainda que alguns profissionais conversam e procuram seguir um tratamento conjuntamente. os cuidadores tradicionais percebem distanciamento e pouca valorização do conhecimento pelas Equipes de Saúde Indígena, reportando que a discussão dos casos poderia melhorar a compreensão da doença e sua cura. Considerações finais Os cuidadores tradicionais indígenas são pessoas da própria comunidade que tem dons especiais de cura sobre as doenças tradicionais nas aldeias indígenas, formando um sistema em rede de saúde que atua de modo ainda dissociado da biomedicina, a depender da percepção tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde acerca da importância do trabalho numa abordagem de perspectiva intercultural.  

8383 - EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: A HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO ATRAVÉS DE ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA MORADORES DE BRUMADINHO (MG)

Autores: Dayane Jhenifer Ribeiro Silva, Ana Luiza Marques Teixeira, Jacqueline do Carmo Reis, Hiago Daniel Herédia Luz, Luiz Claudio dos Santos de Paula, Carolina Aguiar Faria, Grasiele Cristine Ferreira, Maria Clara Botelho Vieira Amorim

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: A HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO ATRAVÉS DE ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA MORADORES DE BRUMADINHO (MG)

Autores: Dayane Jhenifer Ribeiro Silva, Ana Luiza Marques Teixeira, Jacqueline do Carmo Reis, Hiago Daniel Herédia Luz, Luiz Claudio dos Santos de Paula, Carolina Aguiar Faria, Grasiele Cristine Ferreira, Maria Clara Botelho Vieira Amorim

Apresentação: Defende-se a extensão universitária como uma via de mão-dupla em que, por um lado, a comunidade acadêmica encontra na atividade prática a produção do conhecimento, e por outro a comunidade/população alvo das ações, se beneficia dessa troca de saberes, tornando-se mais ativa na manutenção do bem-estar pessoal e comunitário. Atualmente a extensão universitária tem sido amplamente difundida na sociedade, pois, leva em consideração as divergências regionais e respeita a cultura local. Dessa forma, suas ações permitem o intercâmbio entre saberes acadêmicos sistematizados e saberes populares, que culminam na produção de novas teorias ancoradas na interlocução destes dois universos. O presente estudo relata a experiência de alunos participantes do “Projeto Integrado de Educação em Saúde”, que teve por principal objetivo desenvolver atividades de educação em saúde para moradores atingidos direta ou indiretamente pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. Foram selecionados para esse projeto alunos dos cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Medicina, Biomedicina e Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), campus Betim. As atividades foram desenvolvidas em três localidades distintas, sendo elas: comunidade quilombola do Sapé, reserva indígena Naô Xohã do povo Pataxó Hã-hã-hãe e acampamento “Pátria Livre” do Movimento Sem Terra (MST). Participaram das ações cerca de 24 alunos, que ficaram responsáveis, juntamente com professores orientadores de planejar e executar atividades de educação em saúde nas comunidades alvo no período de agosto a dezembro de 2019. No mês de junho, houve um primeiro encontro entre a PUC e a população de Brumadinho, onde foi firmada a parceria com as três comunidades supracitadas. A partir desse primeiro contato deu-se início ao projeto com a seleção dos extensionistas e divisão dos grupos de trabalho por comunidade. A divisão foi realizada de forma homogênea a fim garantir uma ação multiprofissional, contendo pelo menos um estudante de cada curso descrito. Então, no decorrer do planejamento das ações, cada grupo teve autonomia para elaborar e executar metodologias de educação em saúde de acordo com as demandas de cada região. Na comunidade quilombola do Sapé, as atividades foram realizadas em conjunto com os projetos do curso de Psicologia e Economia e as reuniões aconteceram aos sábados durante a tarde. Inicialmente, foi realizada uma roda de conversa com um grupo de mulheres, onde foram levantadas as principais demandas da comunidade e proposto trabalho com os jovens através de atividades de lazer como: futebol, piquenique, visita a um museu, dentre outras. Além disso, a equipe elaborou e aplicou um questionário para conhecer as condições sociodemográficas e de saúde da comunidade, a fim de entendê-la melhor e planejar futuras atividades. Na reserva indígena Naô Xohã, os encontros também ocorreram aos sábados à tarde e inicialmente foram realizadas visitas de aproximação para conhecer a aldeia e estabelecer vínculo com os indígenas. Após alguns encontros foi definido três eixos de atuação, em conjunto com a comunidade, sendo eles: o fortalecimento da comunidade com redes de apoio social, o cadastramento das famílias da aldeia para favorecer o controle demográfico e oficinas de educação em saúde com temáticas relevantes às necessidades dos indígenas. Foram realizadas duas oficinas com as mulheres sobre métodos contraceptivos e descarte correto e reaproveitamento do lixo reciclável; e uma com as crianças, com objetivo de proporcionar momento de recreação e trabalhar conceitos de amizades e amor através do conto de história. Para a efetivação das atividades no "Pátria Livre", inicialmente foram realizadas visitas para a construção do diagnóstico situacional da comunidade junto aos seus representantes, a fim de escutá-los e levantar as principais demandas dos moradores do acampamento. Dentre os diversos problemas sociais e estruturais encontrados, a comissão de saúde do acampamento levantou a necessidade de treinamentos aos seus cuidadores de saúde para que os mesmos pudessem aperfeiçoar as estratégias de cuidado e os conhecimentos que já possuíam, ampliando alternativas que proporcionariam à comunidade uma melhor oferta de cuidados. Após o planejamento das ações, foram definidos dois dias de oficinas que abordaram temas relevantes para o contexto sócio cultural do acampamento, tais como: como primeiros socorros, doenças crônicas, acidentes com animais peçonhentos, fluxo de encaminhamentos para a rede pública de saúde, entre outros. As atividades ocorreram no Centro de Simulação Avançada em Saúde da PUC Minas em Betim o que possibilitou uma prática realística, participativa e consequentemente mais efetiva. Em relação aos efeitos percebidos através da experiência, na Comunidade Quilombola, os extensionistas e professores participantes do projeto, perceberam no início um certo receio e distanciamento da população, o que foi um grande dificultador. Sabe-se que o contexto das comunidades quilombolas no Brasil é muito amplo e diversificado, e a experiência permitiu aos extensionistas a compreensão da história daquele povo e o aprendizado sobre suas raízes, manifestações religiosas e culturais, sendo esse um momento de grande crescimento humanístico e acadêmico para os envolvidos. O trabalho realizado com o povo Pataxó Hã-hã-Hãe, possibilitou aos alunos quebrar paradigmas, conhecer melhor a cultura indígena, como o processo de construção da equipe de lideranças da aldeia, além de possibilitar a compreensão sobre a relação desse povo com a natureza e de como este vínculo é importante. Em contrapartida, a oficina com recicláveis possibilitou um caminho para nova geração de renda, através de puffs feitos com garrafas plásticas e as crianças puderam ter momentos de recreação, visto que sua principal fonte de lazer que era nadar no rio não pode mais ser praticada. Ainda sobre a educação em saúde, ela preencheu vazios e forneceu ocupações para aqueles que já não tinham o que fazer, de acordo com relatos de alguns indígenas. No acampamento “Pátria Livre”, os extensionistas e professores puderam conhecer a história e a forma como os cuidadores e moradores constroem alternativas para o cuidado em saúde da população local. Os alunos aprenderam e colocaram em prática novas metodologias ativas de ensino/aprendizagem em saúde, além da experiência do planejamento das atividades com alunos de outros cursos, propiciando o trabalho em equipe multidisciplinar. Na avaliação final, os cuidadores relataram estar mais seguros e preparados para contribuir com os problemas de saúde que ocorrem no acampamento, e satisfeitos por receberem um caderno elaborado pelos alunos com o conteúdo ministrado nas oficinas, de forma simples e de fácil leitura. Além disso, a troca de conhecimentos entre os professores, os alunos e os moradores foi relevante, pois levaram o conhecimento acadêmico e retornaram com o aprendizado sobre as plantas medicinais, as experiências vividas por trabalhadores rurais do MST e as consequências sociais e de saúde da destruição do rio Paraopeba. Diante disso, conclui-se que a vivência da extensão universitária possibilita a construção de experiências profissionais sólidas, estreitando os laços entre a universidade e a população, o que promove a humanização do cuidado em saúde, essa que torna o aluno mais sensível às necessidades do outro e principalmente permite por esses a exploração de realidades antes nunca vivenciadas.


Távola - Educação
Educação Permanente como ferramenta de gestão nos processos de trabalho no cotidiano
Facilitador: ELAINE FRANCO DOS SANTOS ARAUJO    Data: 29/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 13:30 - 15:30
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
10000 - PLANO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE DE PERNAMBUCO 2019-2022: DA CONSTRUÇÃO AO MONITORAMENTO

Autores: Juliana Siqueira Santos, Célia Maria Borges da Silva Santana, Emmanuelly Correia de Lemos, Gustavo Rego Muller de Campos Dantas, Luisa Macedo Cavalcante, Luciana Camêlo de Albuquerque, Neuza Buarque de Macêdo, Bruno Costa de Macedo

PLANO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE DE PERNAMBUCO 2019-2022: DA CONSTRUÇÃO AO MONITORAMENTO

Autores: Juliana Siqueira Santos, Célia Maria Borges da Silva Santana, Emmanuelly Correia de Lemos, Gustavo Rego Muller de Campos Dantas, Luisa Macedo Cavalcante, Luciana Camêlo de Albuquerque, Neuza Buarque de Macêdo, Bruno Costa de Macedo

Apresentação: A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco tem desenvolvido diversas estratégias para implementar a Política de Educação Permanente em Saúde desde a sua criação pelo Ministério da Saúde. Mas foi a partir da Portaria GM/MS nº 1996/2007 que a política estadual se estruturou por meio da implantação de doze Comissões de Integração Ensino Serviço (Cies) regionais e uma Cies estadual, regulamentada por meio da portaria SES-PE nº 541/2014. Entre 2008 e 2017 foram elaborados Planos de Ação Regionais (PAREPS) e cinco Planos Estaduais de Educação Permanente em Saúde. Um dos grandes avanços da PNEPS, além de afirmar o lugar estratégico da educação permanente como política de estado, foi a previsão de financiamento específico e regular. No entanto, a partir de 2012, o financiamento, que, de alguma forma auxiliava na indução da implementação da política nos estados e municípios, é interrompido. No período mais recente é importante destacar a tentativa de retomada da Política Nacional por meio do Programa de Fortalecimento das Práticas de Educação Permanente em Saúde – PRO EPS-SUS (Portaria GM/MS nº 3.164/2017), que apesar de não definir novos repasses regulares, incentivou a construção dos Planos Estaduais de Educação Permanente em saúde nos estados. O objetivo deste relato foi descrever a experiência de construção e monitoramento do plano de educação permanente em saúde em Pernambuco – PEEPS 2019-202Desenvolvimento: A construção do PEEPS iniciou em 2018 com a realização do IV Seminário Estadual de Educação Permanente em Saúde. O encontro debateu o histórico, a conjuntura e as perspectivas da PNEPS, em torno do tema principal O SUS e a Política de Gestão da Educação na Saúde: conjuntura e estratégias de SUStentabilidade. As etapas da construção do plano foram: I- Seminário Estadual de Educação Permanente em Saúde; II- Oficina Estadual de Elaboração do Plano Estadual de Educação Permanente em Saúde; III- Pactuação na CIB (Resolução CIB/PE nº 5036/2018) e no Conselho Estadual de Saúde (Resolução CES/PE nº 772/2018); IV- Oficinas Regionais para consolidação dos Planos Regionais de Educação Permanente em Saúde; V - Oficina de consolidação do Plano Estadual de Educação Permanente em Saúde. Esse processo foi coordenador pela Diretoria Geral de Educação na Saúde e Escola de saúde Pública de Pernambuco (ESPPE) junto à grupo de trabalho estruturado a partir da Cies estadual, e realizado de forma descentralizada e regionalizada. O monitoramento foi realizado nos meses de novembro e dezembro de 2019 por meio de duas oficinas regionais (I e II; III e IV macrorregião de saúde). Participaram das referidas etapas gestores municipais e estaduais, trabalhadores da saúde, controle social, Instituições de Ensino, áreas técnicas da SES, movimentos sociais e atores estratégicos da política de educação permanente no âmbito estadual e nacional. Para cada etapa de construção do Plano foi produzido um relatório com os debates realizados e encaminhamentos pactuados entre os atores participantes, o que posteriormente seria utilizado para orientar a implantação de ações estratégicas e para o monitoramento das mesmas de acordo com cada especificidade regional. Para execução/desenvolvimento do PEPS-PE, foram realizadas as seguintes ações estratégicas: I- mobilização dos atores nas regionais de saúde para realização de oficinas por região de saúde com o objetivo de capilarizar as vivências da construção do Plano com os municípios. II- realização de oficinas por região de saúde para implantação das ações do Plano; III- realização de oficina macrorregional para monitoramento das ações realizadas e debate sobre as ações planejadas pelas regionais de saúde e municípios, por meio da Cies Regional. O PEPS-PE foi organizado em seis eixos: 1) governança da política estadual de educação permanente em saúde em Pernambuco; 2) desenvolvimento da gestão e do controle social no SUS; 3) desenvolvimento e disseminação de capacidade pedagógica no SUS; 4) SUS Escola; 5) Desenvolvimento da atenção - Redes integradas e linhas de cuidado 6) Comunicação e gestão do conhecimento aplicado ao SUS.  Resultado: Foram realizados 1 seminário estadual (91 participantes), 3 oficinas com as equipes técnicas das áreas e políticas estratégicas da Secretaria Estadual de Saúde, 2 reuniões do grupo de trabalho, 2 Oficinas Estaduais (Cies estadual ampliada), 5 oficinas regionais (548 participantes), 2 encontros de monitoramento e planejamento das ações regionais e municipais (95 participantes). Todo o processo foi planejado, monitorado e avaliado nas reuniões ordinárias da Cies estadual. Os produtos foram 8 relatórios, 1 plano estadual quadrienal de educação permanente em saúde (EPS), 12 planejamentos regionais. Os Planos de Ação regionais tiveram sua construção iniciada nas oficinas de planejamento que ocorreram no final de 2019, para acompanhamento e apoio da Secretaria Estadual de Saúde ao longo de 2020. Foram definidas as seguintes ações estratégicas para o ano de 2020: reestruturação das Cies regionais, realização de oficinas para implantação de núcleo de EPS municipal e regional; Qualificação dos Núcleos hospitalares de educação permanente em saúde; qualificação da integração ensino serviço regionais. Resultado: para gestão: qualificação do trabalho colaborativo com as áreas técnicas da SES; promoção de formação em EPS de forma transversal para os evolvidos; maior aproximação/reconhecimento das necessidades/demandas de acordo com as realidades regionais. Inclusão da EPS como pauta transversal nas ações/colegiados/instancias gestoras no nível central da Secretaria Estadual de saúde, nas regiões de saúde e municípios.  Considerações finais: O PEPS de Pernambuco foi construído de forma colaborativa por meio de espaços técnicos e pedagógicos com diferentes sujeitos/atores da educação na saúde, entendendo que a educação permanente em saúde deve ser a estratégia ordenadora da formação e desenvolvimento de trabalhadores e das interações ensino-atenção-gestão-participação. Seguiu-se da mesma forma para a realização do monitoramento, incluindo já nesse processo o assessoramento e a EPS aos trabalhadores e gestores das áreas técnicas da SES. Esse movimento possibilitou ainda a discussão sobre o papel e importância das Cies regionais e os desafios para sua consolidação. Sobre o financiamento, destaca-se que o Plano de Educação Permanente em Saúde apresentado demanda recursos federais, estaduais e municipais para o seu desenvolvimento. Trata-se de uma política pública estratégica para o desenvolvimento dos trabalhadores da saúde, tendo como foco a necessidade de saúde da população e o fortalecimento do SUS. Dessa forma, incluiu-se no PEPS –PE  a previsão  de captação de recursos federais para complementar o financiamento estadual, como uma responsabilidade tripartite.

7967 - OS EFEITOS DA EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE NO COTIDIANO DO TRABALHO E NA VIDA DOS TRABALHADORES

Autores: Renata Figueiró, Maria Adriana Moreira, Thayana Oliveira Miranda, Fabiana Mânica Martins, Antônia Naida Pereira do Nascimento, Josiane de Souza Medeiros, Gabriela Duan Farias Costa

OS EFEITOS DA EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE NO COTIDIANO DO TRABALHO E NA VIDA DOS TRABALHADORES

Autores: Renata Figueiró, Maria Adriana Moreira, Thayana Oliveira Miranda, Fabiana Mânica Martins, Antônia Naida Pereira do Nascimento, Josiane de Souza Medeiros, Gabriela Duan Farias Costa

Apresentação: O objetivo deste trabalho é apresentar os impactos positivos que a Educação Permanente em Saúde – (EPS) têm proporcionado na vida e nos corpos dos trabalhadores da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) de Tefé (AM), bem como na melhoria do processo de trabalho, com ênfase na valorização profissional. O projeto de Educação Permanente em Saúde que tem como tema “A Educação Permanente como Eixo norteador no agir dos trabalhadores da SEMSA Tefé”, desde 2017, após sua implementação ganhou destaque no município, através de seus inúmeros feitos e efeitos. Entre estes, podemos destacar a maior participação e interação dos profissionais de saúde em seus setores e até mesmo junto às equipes de trabalho. Participação esta que permitiu que esses trabalhadores tivessem voz, fossem protagonistas das suas histórias no trabalho, tivessem autonomia para decidir e opinar quando solicitado, favorecendo seu desempenho profissional e consequentemente melhorando o relacionamento e contato com o outro. O processo de escuta permitiu que a gestão pudesse ter um olhar diferenciado para esses profissionais que no dia a dia apresentam necessidades que muitas das vezes vão além das problemáticas de materiais e equipamentos, mas que também apresentam fragilidades tanto pessoais quanto profissionais que interferem diretamente nos resultados do trabalho. Dessa forma, trabalhar a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde - PNEPS é sempre um grande desafio para a gestão e para os trabalhadores, uma vez que não é fácil mudar hábitos corriqueiros que não beneficiam o trabalho, tais como ideias e pensamentos fragmentados e individualistas. Sendo assim, o grupo de facilitadores de EPS da SEMSA Tefé, procurou desenvolver ao longo destes dois anos, um trabalho de excelência voltado ao cuidado, à participação dos trabalhadores, da comunidade e da gestão participativa contribuindo no processo de formação e qualificação dos profissionais de saúde, investimento em materiais, equipamentos e estrutura, bem como incentivos para o crescimento profissional, beneficiando principalmente os usuários do Sistema Único de Saúde. Desenvolvimento: O trabalho de EPS em Tefé, após o prêmio conquistado em 2018 na Mostra Brasil aqui Tem SUS no CONASEMS em Belém (PA), deu um salto quanto as ações desenvolvidas. Foi a partir do reconhecimento desse trabalho que os facilitadores de EPS conseguiram organizar-se através do Fórum de Facilitadores que periodicamente passou a acontecer, assim como as oficinas de EPS com todos os setores da SEMSA que foram realizadas em 2018 e continuam até hoje sendo desenvolvidas pelos facilitadores. Cada subgrupo de facilitadores ficava encarregado de desenvolver as atividades com esses trabalhadores, mantendo assim um elo de confiança e afeto junto a eles. O “tempo protegido” é também umas das conquistas desses trabalhadores, que é justamente por meio desse tempo estabelecido em portaria à partir de janeiro/2019 que se concretizou e reforçou a importância e o papel de cada trabalhador para realizar EPS em seu setor. O tempo protegido é um espaço conquistado pelos trabalhadores que semanalmente durante quatro horas, tem a oportunidade de sentar e participar de momentos de escuta sobre suas maiores problemáticas encontradas no trabalho, mas, destacamos ainda que esse tempo protegido é usado ainda para a realização de cursos/qualificações onde os trabalhadores são liberados e respaldados através desta portaria para se aperfeiçoar e assim melhorar o serviço. Resultado: Vale lembrar ainda, a 1ª Mostra Municipal de EPS com a apresentação de trabalhos exitosos no município, onde foram inscritos 20 trabalhos de profissionais de saúde e alunos de cursos técnicos de saúde. Outro ponto importantíssimo é o investimento e incentivo da Gestão na participação em Congressos e eventos fora do estado para os trabalhadores de saúde, afim de aprimorar seus conhecimentos e incentivá-los a melhoria do trabalho, além da conquista de um espaço físico – o Auditório para as atividades de EPS da secretaria. Entre tantos fatores positivos, é importante frisar o investimento da gestão em qualificar e formar trabalhadores em outras habilidades, como foi o caso do Curso de Auriculoterapia ofertado pelo Ministério da Saúde através da Universidade Federal de Santa Catarina, onde pôde contar com 10 profissionais da SEMSA Tefé em 04 estados brasileiros, garantindo a certificação destes como Auriculoterapeutas, fator este que têm ganhado cada vez mais destaque em Tefé em virtude da implantação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde ­- PICS que vêm transformando a vida não somente dos trabalhadores envolvidos, como também dos cidadãos assistidos. A SEMSA Tefé investiu em capacitações e oficinas de escrita para os trabalhadores, afim de contribuir na escrita de trabalhos realizados na secretaria, como forma de mostrar para o Brasil e para o mundo as experiências exitosas que Tefé tem desenvolvido no âmbito da saúde, como é o caso do livro produzido pelos trabalhadores da saúde de Tefé, com o Título: Educação Permanente em Saúde em Tefé: Qualificação do trabalho no balanço do banzeiro, livro este que destacou ainda mais o trabalho de Tefé e de seus profissionais, mostrando suas peculiaridades, a saúde ribeirinha como é trabalhadas, as oficinas de EPS, a metodologia utilizada para fazer a EPS acontecer, os grandes relatos de experiências dos trabalhadores enquanto facilitadores e protagonistas de um cenário tão cheio de encantos e surpresas e desafios.  Outro ponto importante é o quanto a gestão tem oportunizado os trabalhadores a se qualificarem através de cursos de atualização por exemplo para agentes de saúde que possibilitou mais de 150 agentes de saúde e endemias a realizarem, melhorando o trabalho e dando ferramentas para um serviço de qualidade. A especialização em Vigilância em Saúde também tem causado um grande contentamento e motivação para 45 trabalhadores de nível superior que encontram-se realizando esta pós graduação ofertada pela FIOCRUZ-AM. Considerações finais: Assim, percebe-se  que para ter um trabalho de qualidade é preciso ter profissionais motivados, esforçados e preparados para fazer o melhor. A Educação Permanente vêm conseguindo dia a dia se inserir na vida desses trabalhadores que fazem a missão árdua que é promover saúde, com um olhar de cuidado, de motivação e de valorização. É importante toda essa atenção que a gestão municipal têm dado para a saúde do município, em especial para esses trabalhadores, efetivando e garantindo assim um dos principais objetivos da PNEPS que é a valorização do trabalho e do trabalhador, oportunizando não somente aos trabalhadores, como a toda população essas conquistas que a Saúde de Tefé tem alcançado.

9954 - A CAMPANHA "2018: PRIMARY HEALTH CARE NOW OR NEVER", UMA EXPERIÊNCIA ITALIANA NA PROMOÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Autores: Sara Bontempo Scavo, Mirian Ribeiro Conceição, Martina Belluto, Alienor Ferroni, Ardigò Martino

A CAMPANHA "2018: PRIMARY HEALTH CARE NOW OR NEVER", UMA EXPERIÊNCIA ITALIANA NA PROMOÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Autores: Sara Bontempo Scavo, Mirian Ribeiro Conceição, Martina Belluto, Alienor Ferroni, Ardigò Martino

Apresentação: Em um cenário caracterizado por uma transição epidemiológica, demográfica e social que está colocando em crise os sistemas de saúde num nível global, há a necessidade crescente de um modelo de cuidados de tipo comprehensive que vise superar a fragmentação e seja capaz de realizar uma abordagem integrada, proximal e life-long. O progressivo envelhecimento da população e a crescente incidência de doenças crônicas impulsionou, no contexto italiano, o desenvolvimento deste tipo de modelo, porém em modo desigual e com algumas dificuldades. É neste cenário que nasceu "2018: Primary Health Care Now or Never", uma Campanha nacional, formada por jovens estudantes e profissionais das profissões sociossanitárias, para promover atividades de sensibilização, promoção e autoformação sobre o tema da Comprehensive Primary Health Care (C-PHC). Este trabalho visa, portanto, apresentar a experiência da Campanha e os pressupostos que levaram à sua constituição, ressaltando os passos que levaram à progressiva sensibilização dos jovens profissionais, até à elaboração de uma real proposta de reforma da assistência territorial. Desenvolvimento: O sistema italiano, baseado no paradigma biomédico, apresenta modelo de assistência centrado no hospital com forte fragmentação das práticas profissionais e da rede de serviços. Tais configurações não respondem às necessidades atuais do contexto epidemiólogico-demográfico-social, que possuem o aumento das doenças crônicas e condições de fragilidade e vulnerabilidade social. A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1978, com a Declaração de Alma Ata, recomendou a importância de desenvolver sistemas de Atenção Primária fortes e de tipo comprehensive, ou seja, uma concepção de cuidados primários como essenciais ao acesso universal de indivíduos e famílias, sendo esses realizados de modo participativo, próximo aos lugares de vida. Em 2008, há 30 anos de publicação da primeira recomendação, a OMS reafirma e propõe a renovação do modelo da Primary Health Care (PHC), por meio do documento "Primary Health Care Now More Than Ever". Tal renovação é proposta a partir da análise dos efeitos da globalização em tensionamento à coesão social e consequentemente aos sistemas de saúde, exigindo, portanto, a inovação de respostas às atuais necessidades. No contexto italiano, em 2006, foram implementadas as Casas de Saúde (CdS), que são estruturas com referência territorial, com potencial para se desenvolverem segundo o modelo da PHC, em ótica de integração entre serviços e profissionais. O modelo das CdS está sendo desenvolvido em modo muito diversificado em âmbito nacional, mas na Região Emilia-Romagna sua implementação constituiu realidades muito próximas do modelo da Primary Health Care de tipo comprehensive. É neste contexto que o Centro de Saúde Internacional e Intercultural (CSI) da Universidade de Bolonha realizou uma pesquisa-formação-intervenção sobre o desenvolvimento das CdS no distrito de Ferrara. O estudo envolveu muitos estudantes e profissionais que aprofundaram o debate sobre a Atenção Primária e as estratégias de assistência da CdS e posteriormente se questionaram sobre seu potencial e desenvolvimento, suas deficiências estruturais e organizacionais, a importância de um modelo de C-PHC, bem como a falta de formação neste âmbito. Em novembro de 2017, estes atores da área da saúde e de outras áreas, em discussão e análise sobre a Atenção Primária e as competências necessárias para seu desenvolvimento, sentiram a necessidade de organizar eventos de formação e autoformação. Em fevereiro de 2018, em Bolonha, na ocasião do 7º Workshop Internacional do Laboratório Ítalo-Brasileiro de Formação, Pesquisa e Práticas em Saúde Coletiva, foi organizado um encontro de formação e reflexão, que deu origem à Campanha "2018: Primary Health Care Now or Never". O nome é inspirado no documento da OMS de 2008 que reafirmou sua importância 40 anos após a Declaração de Alma Ata. A partir deste momento, a Campanha começou a se auto constituir, definir seus objetivos, tais como: definição do posicionamento ético e político; exploração e formação entre pares e no campo sobre os modelos de Primary Health Care já adotados (no nível nacional e internacional); estudo e desenvolvimento de ferramentas concretas para melhorar o trabalho do Médico de Família na Itália e torná-lo mais eficaz, de qualidade, resolutivo e sustentável. Em dois anos foram realizados dez workshops em todo o território nacional como objetivos de formação e auto formação para o fortalecimento e difusão do modelo C-PHC, de promoção e difusão da própria Campanha, bem como a autorreflexão e organização de suas atividades. Estes encontros também contaram com a participação de convidados internacionais brasileiros e portugueses promovendo, a partir do intercâmbio entre os sistemas de saúde que desenvolveram o mesmo modelo, trocas de boas práticas e de estratégias inovadoras. Resultado: Nos últimos anos a Campanha em movimento ativo de seus membros, mantém sua característica independente, e se fortalece organizando e participando em numerosos eventos. Tais esforços contribuíram para o desenvolvimento teórico e prático da Atenção Primária, publicação de artigos e um livro com difusão nacional. Ainda, em amadurecimento das discussões produzidas ao longo dos anos foram criados temáticos, que trabalham de forma independente tanto a nível local como nacional: (in)formação e autoformação; envolvimento das outras profissões sociossanitárias, em modo a superar a hegemonia da representação da profissão médica e ampliar o diálogo interprofissional e multidisciplinar; estruturação de consultórios experimentais de Medicina da Família; gestão e reorganização dos materiais produzidos e experiências da Campanha; produção do Livro Azul (inspirado pelo Livro Azul português), que presenta uma proposta concreta sobre o desenvolvimento do nosso sistema de Atenção Primária. As atividades destes grupos temáticos são realizadas de forma autónoma, numa base voluntária, tendo em conta os principais interesses de cada participante, e são subsequentemente compartilhadas com o grupo nacional. Na Global Conference on Primary Health Care da OMS (2019) em Astana, a Campanha foi apresentada no contexto do PHC Young Leaders Network. Considerações finais: A Campanha "2018: Primary Health Care Now or Never" é ainda uma experiência recente, que está se fortalecendo no cenário italiano. Contexto este que apresenta ainda uma política que opera em oposição ao desenvolvimento de um sistema universalista e de luta contra as desigualdades, e que promove prioritariamente modelos de privatização dos cuidados, fragmentados, e favorece o aumento das desigualdades e da vulnerabilidade social, minando os fundamentos do direito à saúde para todos. Deste modo, torna-se evidente a importância de discussões e realidades como as da Campanha "2018: Primary Health Care Now or Never", especialmente dirigidas a estudantes e jovens profissionais, que propõem reflexões e estímulos sobre o futuro do nosso sistema sociosanitario. Por fim, vale ressaltar a necessidade de que espaços e movimentos como estes se tornem operacionais, ou seja, que consigam produzir impactos políticos, éticos e práticos promovendo mudanças concretas nos sistemas.

10565 - A FORMAÇÃO EM GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EDUCAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA

Autores: MÍRIAM THAIS GUTERRES DIAS, Aline Blaya Martins de Santa Helena, Carolina da Silva Buno, Geisa Neutzling de Moraes, Márcio Hoff, Ágatha Cunha dos Santos, André Phylippe Dantas

A FORMAÇÃO EM GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE: A EXPERIÊNCIA DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EDUCAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA

Autores: MÍRIAM THAIS GUTERRES DIAS, Aline Blaya Martins de Santa Helena, Carolina da Silva Buno, Geisa Neutzling de Moraes, Márcio Hoff, Ágatha Cunha dos Santos, André Phylippe Dantas

Apresentação: O curso de Especialização Educação em Saúde Coletiva: Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde foi elaborado e executado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com o COSEMS (RS), com financiamento do Ministério da Saúde. Projetou-se sobre a necessidade de pessoal capaz de adequada interpretação do processo saúde-doença-cuidado para compor propostas de intervenção na direção da integralidade, em sintonia com o controle social, competentes para o planejamento, gestão de processos, organização e avaliação de sistemas e serviços, identificação dos recursos técnicos, financeiros e intersetoriais mais eficazes e eficientes para fazer frente às realidades encontradas. Além disso, pessoal que seja capaz de compreender e valorizar as ações pactuadas entre entes governamentais, ampliar as suas responsabilidades e dar existência a processos organizacionais, grupais e de liderança inovadores. Desenvolvimento: As condições materiais para a execução das ações e serviços de saúde no âmbito municipal sofrem o impacto do ajuste fiscal do Estado brasileiro, provocando subfinanciamento das políticas sociais, como informam os dados de Mendes (2015): 45% do Orçamento Geral da União executado em 2014 foram comprometidos com o pagamento da dívida pública, e na Saúde, foram 3,98%. Associada a esse fator, a Lei da Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar nº 101/2000, um dos instrumentos criados pela reforma do Estado, obriga os entes federados a limitarem o gasto público, principalmente na despesa de custeio da força de trabalho do Estado, priorizando o superávit primário em detrimento dos gastos sociais e dos investimentos em infraestrutura, e consequentemente, desregulamentando e flexibilizado o trabalho e a gestão no setor público. Esta situação reflete-se na ausência de uma política de recursos humanos no SUS, com suas diferenças estruturais entre as esferas de governo, e a multiplicidade de relações de trabalho nos serviços, agravando as condições de trabalho, com “uma grande desestruturação do serviço público, devido às práticas de terceirização sem critério e por muitas vezes ilegal (MACHADO; KOSTER, 2011, p. 197). A consequência está no prejuízo para os cidadãos brasileiros no acesso aos serviços e ações de atenção na saúde. Esta realidade provoca a Universidade pública, no seu compromisso de participar ativamente nas respostas qualificadas às demandas que a sociedade produz, a contribuir no alcance dos propósitos da saúde universal e cidadã, como aliada ao SUS na sua responsabilidade pela formação dos profissionais que atuam diretamente no sistema de atenção à saúde da população (CECCIM, 2016). O Curso de Lato Sensu em Educação em Saúde Coletiva: Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde teve como foco a formação de dois grupos de trabalhadores específicos: Cursistas= os profissionais da saúde em atividades de gestão, das diversas áreas de formações, atuantes nas Secretarias de Saúde de 12 municípios da região metropolitana de Porto Alegre e Apoiadores Institucionais do COSEMS (RS); Cursistas Bolsistas= profissionais egressos de residências em saúde com Bacharelado em Saúde Coletiva e demais profissões da área da saúde, para a vivência e experimentação em intervenção crítico-colaborativa, realizada na rede de gestão do SUS, acompanhados por preceptores. Foram destinadas 27 vagas aos Cursistas e 13 para os Cursistas Bolsistas, totalizando 40 vagas no Curso. A carga-horária total foi de 720 horas distribuídas igualmente entre atividades teóricas e teórico-práticas (360 horas), e nas atividades de ensino e serviço com preceptoria (360 horas) desenvolvidas nos cenários da gestão dos municípios parceiros. As atividades do curso iniciaram-se em setembro de 2018 com término em dezembro de 2019. As 360 horas de atividades teóricas e teórico-práticas se realizaram de forma semipresencial, com aulas presenciais e atividades em Ambiente Virtual de Aprendizado (AVA-Moodle) a cada quinze dias. As atividades práticas de ensino e serviço foram realizadas nos municípios de atuação dos profissionais, com a participação de um cursista-bolsista responsável por ativar processos de educação e gestão do trabalho, buscando propiciar a participação de todos e o aprendizado em grupo, pautando práticas proativas, colaborativas e interprofissionais. Este processo foi acompanhado e dinamizado pela preceptoria, que também buscou a valorização do cotidiano do trabalho dos cursistas, considerando o seu conhecimento conquistado durante sua trajetória de trabalhador do SUS. A preceptoria foi realizada por duas mestrandas de Saúde Coletiva, que foram selecionadas a partir de edital público, junto com os cursistas bolsistas. Os Cursistas participantes foram indicados pelos gestores dos municípios participantes, com a mediação do COSEMS (RS). Resultado: A distribuição da carga horária presencial e via a plataforma Moodle valorizaram as especificidades dos trabalhadores do SUS e a complexa relação de ensino-serviço. Foram adotadas estratégias de apoio e incentivo à participação integral dos trabalhadores, e entre elas se destaca a atividade da preceptoria em saúde coletiva. Esta teve como foco a temática da Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde, e as preceptoras acompanharam e deram suporte aos cursistas na realização das atividades EAD e demais propostas do curso. O acompanhamento da realidade dos municípios por meio da preceptoria permitiu que os cursistas realizassem o diagnóstico situacional dos cenários de práticas e a busca por ferramentas de intervenção para a promoção de ações pedagógicas compatíveis às peculiaridades dos cursistas e o manejo de situações inerentes ao trabalho em saúde. As preceptoras promoveram a prevenção de evasões em atividades em ambiente EAD, através de espaços de escuta e acolhimento das demandas, nas plataformas digitais (software de mensagens instantâneas, e-mail, moodle) e de forma presencial. As condições de trabalho dos cursistas revelou sobrecarga de atividades, responsabilidade por variados processos de gestão do cuidado, permanente necessidade de adequação às frequentes alterações nos fluxos municipais e sistemas do SUS, alterações nas composições políticas interferindo no quadro de gestão e, ainda, municípios passaram por situações de ilegalidades, com interferência da polícia federal. Este quadro influenciou sobremaneira a permanência dos cursistas, pois provocou demissões e trocas de posições no trabalho, e consequentemente, desistências de cursistas. Dos 40 matriculados, 28 concluíram o curso, sendo 17 trabalhadores e 11 bolsistas, em um percentual de 70% aprovados e concluintes. Os concluintes realizaram Trabalhos de Conclusão de Curso, cujos temas de estudo ou pesquisa evidenciaram o aproveitamento qualificado da formação realizada. Considerações finais: A experiência do curso traz em discussão a necessária formação profissional em gestão do trabalho e educação na saúde e o uso de ferramentas digitais em Ensino à Distância, permitindo a constituição de grupos heterogêneos e desenvolvendo diferentes conhecimentos na área. Esta formação está em consonância com os propósitos da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, aproximando conteúdos éticos e técnicos complementares ao conhecimento prático e que valorizam o perfil dos cursistas, pautado na interprofissionalidade e na atuação da gestão voltada ao Sistema Único de Saúde. A equipe condutora do Curso foi um elemento diferencial para o aprendizado presencial e de ensino a distância, facilitando as relações entre alunos bolsistas, gestores e curso, propiciando ambientes de cooperação mútua entre os grupos, compartilhamento de responsabilidades e coordenação dos esforços, visto as diferentes formações e vivências dos cursistas. Os 15 meses de encontros, estudos, trocas proporcionou aprendizagem significativa com muitos processos colaborativos, em um contexto adverso para a saúde e a educação públicas e de direito da população brasileira.


Távola - Educação
A preceptoria na formação em saúde: experiências do cotidiano
Facilitador: REGINA LUCIA NAPOLITANO FELÍCIO FELIX BATISTA    Data: 29/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 10:30 - 12:30
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
6518 - O EXERCÍCIO DA PRECEPTORIA NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE: VIVÊNCIAS NO USO DAS METODOLOGIAS ATIVAS

Autores: Fábio Batista Miranda, Adriane das Neves Silva, Patrick Leonardo Nogueira da Silva, Ana Patrícia Fonseca Coelho Galvão, Albert Lengruber de Azevedo, Francisca da Silva Garcia, Sônia Maria Alves da Silva, Antônia Evilânnia Cavalcante Maciel

O EXERCÍCIO DA PRECEPTORIA NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE: VIVÊNCIAS NO USO DAS METODOLOGIAS ATIVAS

Autores: Fábio Batista Miranda, Adriane das Neves Silva, Patrick Leonardo Nogueira da Silva, Ana Patrícia Fonseca Coelho Galvão, Albert Lengruber de Azevedo, Francisca da Silva Garcia, Sônia Maria Alves da Silva, Antônia Evilânnia Cavalcante Maciel

Apresentação: O tema abordado nasce a partir das profundas mudanças na educação superior para acompanhar as correntes de pensamento que norteiam a formação do profissional e do docente. Assim, novas tendências pedagógicas apontam a necessidade da formação de um profissional crítico-reflexivo-propositivo, capaz de transformar sua realidade social a partir do uso de metodologias ativas. Objetivo: analisar a atuação da preceptoria desenvolvida no âmbito do sistema municipal de saúde na cidade de Manaus, Amazonas. Desenvolvimento da experiência: A inquietação recai da necessidade de compreender melhor o que significava ser preceptor, e a noção sobre metodologia ativa. O passo seguinte seria contribuir para o seu devido exercício. Trata-se de estudo com abordagem qualitativa que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções (Minayo, 2014). A coleta de dados ocorreu no mês de setembro 2019 nas dependências das Unidades Básicas de Saúde da Família com a aplicação da Entrevista semiestruturada dividida em três momentos: a) perfil do preceptor, b) significados atribuídos ao processo de trabalho na preceptoria e c) entraves/e ou desafios na função exercida. O universo contou com a participação de n (6) preceptores da Escola de Saúde Pública de Manaus (ESAP). No total, foram realizadas seis entrevistas, com uma duração média de 50 minutos após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os sete sujeitos foram identificados como PRECEPT1, PRECEPT2, PRECEPT3, até PRECEPT6, seguindo a ordem de realização das entrevistas.  Para interpretação dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo temática de Bardin. Resultado: Após a leitura flutuante e em profundidade das entrevistas realizadas, elas foram categorizadas em duas grandes áreas: perfil do preceptor e processo de trabalho, construídas através dos relatos dos preceptores e comparadas às leituras pertinentes ao assunto, abordado com o intuito de alcançar o objetivo proposto pelo estudo.  O grupo de respondentes era formado por profissionais com faixa etária entre 30 e 42 anos, com distribuição desequilibrada entre os sexos. Dos 6 participantes, 2 possuíam mestrado acadêmico e 1 mestrado profissional. O restante do grupo eram especialistas:  1 na área de saúde da família, 1 na área da obstetrícia, 1 na saúde mental e enfermagem do trabalho. Quanto ao tempo de formação, a maioria dos participantes concluiu a graduação em até 10 anos. A maioria dos participantes da pesquisa tinham no máximo 8 anos de experiência na atividade de preceptoria. No que concerne sobre o processo de trabalho, os entrevistados referiram à falta de espaço físico/estrutura física para realizar as atividades nos cenários de prática como segue os depoimentos: (...) estava tão acostumado em levar os meus alunos para um grande hospital, e hoje estou aqui nessa casinha pequena (Preceptor 2). Outros depoentes revelam a dificuldade de pôr em prática o plano de progressão para o especializando, devido à escassez estrutural do local (...) eu não consigo me mexer aqui dentro, meus especializados ficaram espantados com a falta de espaço para acolher a demanda do território (Preceptor 1,4,5). Outro discurso emergiu sobre a prática entre o ensino em serviço e a necessidade da implementação da metodologia de ensino ativa no cenário: tenho tido muita ideia boa para implantar aqui, pois venho de outra lugar que trabalhava com metodologia ativa, sinto a necessidade de agir com os meus alunos aqui, entendo por permitir a troca de conhecimento, pois para eles, essa inserção possibilita o educando ser o ator principal da sua formação (Preceptor 3). Isso vai de encontro no estudo com o olhar dos preceptores na formação de cirurgiões-dentistas no Sistema Único de Saúde, ao acreditar que o estudante potencializa as ações da unidade de saúde da família, dos profissionais pela diversificação de práticas. No entanto, outro relato manifestou a necessidade de encontros de educação permanente para o aprimoramento e qualificação das ações em serviço, visto que, para alguns, esse contato com a metodologia é algo novo na sua trajetória profissional (...) eu necessito estudar sobre metodologia ativa, nunca trabalhei com essa abordagem (Preceptor 6). Considerações finais:  Os relatos aqui descritos devem servir como base para reflexão  das equipes preceptoras na atenção primária saúde, a fim de possibilitar um espaço de troca potencializador na formação pedagógica de novos profissionais ao utilizarem a metodologia ativa a partir da integração ensino - serviço - comunidade.

9320 - PRECEPTORIA ATIVA: A IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO EXTRACURRICULAR NA FORMAÇÃO DO EU PROFISSIONAL EM ENFERMAGEM

Autores: Maíza Silva de Sousa, Alda Maria Lagoia Valente, José Henrique Santos Silva, Luciana Duarte Rodrigues Nascimento, Poliana dos Santos Alves, Fernanda Lima de Almeida, Armando Sequeira Penela

PRECEPTORIA ATIVA: A IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO EXTRACURRICULAR NA FORMAÇÃO DO EU PROFISSIONAL EM ENFERMAGEM

Autores: Maíza Silva de Sousa, Alda Maria Lagoia Valente, José Henrique Santos Silva, Luciana Duarte Rodrigues Nascimento, Poliana dos Santos Alves, Fernanda Lima de Almeida, Armando Sequeira Penela

Apresentação: Durante a graduação os acadêmicos de enfermagem são apresentados a uma série de disciplinas que se complementam, visando uma formação holística e humanizada. Entretanto, geralmente é feita uma abordagem teórica que por vezes se distancia da realidade vivenciada na prática. Em decorrência disso, quando o acadêmico chega no estágio sente-se inseguro e com medo de realizar algumas das atividades propostas. Um exemplo é a punção venosa periférica, algo rotineiro dentro de uma unidade de saúde, no entanto, treinar na universidade entre os seus colegas de classe não é a mesma coisa que realizar o procedimento em um paciente debilitado, com várias comorbidades e redes venosas de difícil acesso. Além disso, há fragilidades no desenvolvimento do cuidado como um todo, desde a admissão do paciente até sua alta, pois tal execução requer segurança e prática, algo que o acadêmico geralmente não tem. Nesse momento, ter ao lado a figura do preceptor como alguém experiente, seguro e motivador faz toda a diferença. Ainda assim, apenas os estágios da universidade são insuficientes para desenvolver as competências e habilidades que o futuro enfermeiro necessita. Dentro desse contexto, os estágios extracurriculares compreendem uma estratégia e ferramenta de suma importância para a formação de um eu-profissional seguro, crítico-reflexivo, responsável e com competências e habilidades necessárias para o desenvolvimento de uma assistência de qualidade e humanizada. Assim, o objetivo desse estudo é relatar a experiência de uma acadêmica de enfermagem sobre o estágio extracurricular voluntário realizado em uma clínica de referência em tratamento oncológico e a importância do preceptor ativo na formação do eu-profissional, como membro da equipe multiprofissional. Desenvolvimento: Trata-se de um relato de experiência vivenciado no estágio de uma clínica oncológica em Belém do Pará, iniciado em dezembro de 2019, com carga horária semanal de 12 horas (sendo 8 horas dedicadas ao ensino prático e 4 horas ao desenvolvimento de pesquisa científica). O estágio busca aliar, prática junto ao ensino, a pesquisa e a extensão de forma integrada e inovadora. Inicialmente nos foi apresentado o relatório parcial e final dos estagiários (turma 2019) a fim de nos familiarizar com as atividades desenvolvidas. Em seguida, nós da turma 2020 tivemos a primeira semana de estágio no ambulatório, que consistiu na observação da rotina, de alguns procedimentos e o contato com o sistema de registro dos pacientes. Na segunda semana já foi possível realizar visitas diárias com os pacientes, investigando o estado geral de saúde e as possíveis reações à quimioterapia, como hipersensibilidade, algo que precisa ser monitorado constantemente; realizou-se preparação de suporte (solução fisiológica 0,9% + vitamina B + vitamina C), punção venosa periférica, curativo de cateter central de inserção periférica (PICC), e a tentativa de punção de Port-a-cath (cateter totalmente implantado). Na terceira semana, a punção de Port-a-cath saiu da tentativa para a execução exitosa. O PICC e Port-a-cath são cateteres de longa permanência que podem ser utilizados na administração de dietas parenterais, medicamentos e outras soluções, sendo extremamente importantes no tratamento de pacientes oncológicos, uma vez que ajudam a preservar as redes venosas periféricas da ação irritante dos quimioterápicos antineoplásicos. Todas as atividades foram realizadas sob supervisão e intervenção (quando necessária) dos preceptores. Vale ressaltar que o enfermeiro oncológico é responsável por todas as atividades de enfermagem no que tange ao tratamento com quimioterápicos antineoplásicos, bem como o manejo dos seus efeitos colaterais. Assim, o estágio tem proporcionado muito aprendizado e espero conhecer ainda mais sobre os protocolos de quimioterapia, o manejo de suas possíveis reações e construir um eu-profissional crítico-reflexivo, responsável com o cuidado dispensado aos pacientes. Resultado: O estágio realizado se diferencia dos demais pelo fato do estagiário ser realmente notado como um profissional em formação que necessita de subsídios para adequar os conhecimentos teóricos à realidade vivenciada na prática de forma crítica-reflexiva. E uma peça chave desse cenário é a participação ativa dos preceptores que se comprometem com a formação dos estagiários. Assim, desde o início do estágio os preceptores nos repassaram a rotina do local, as atividades desenvolvidas, desde os processos gerenciais (do registro de pacientes, relatório diário) até os procedimentos práticos realizados. Na segunda semana a preceptora já nos ensinou a realizar a visita diária, destacando a importância de investigarmos a presença de sinais e sintomas como alopécia, inapetência, diarréia, obstipação e insônia associados ao tratamento, visto que são efeitos colaterais comuns no perfil de pacientes atendidos no ambulatório, sendo de extrema relevância o registro dessas informações. Quanto a realização de procedimentos, ela explicou detalhadamente quais os materiais necessários, bem como a finalidade de cada um, quando desconhecidos. Em seguida, explicou o passo a passo dos mesmos, o que nos repassou muita segurança, autocontrole e confiança, nos permitindo realizar os procedimentos satisfatoriamente. Um deles me chamou bastante a atenção para a importância do papel do preceptor ativo na construção de um eu-profissional qualificado e responsável – a tentativa de puncionar um Port-a-cath. O fato de não ter conseguido realizar a punção na primeira tentativa me deixou frustrada e sem vontade de realizá-la novamente. Porém, os preceptores me instigaram a treinar o procedimento em uma peça anatômica, o que fiz no restante da manhã. No dia seguinte, ao chegar no estágio a preceptora informou que tinha várias punções para realizar e perguntou se eu queria tentar. Respondi que não sabia e ela insistiu que eu precisava tentar, pois só assim poderia aprender. Um outro preceptor me acompanhou e eu consgui realizar o procedimento com sucesso. Isso me deixou muito feliz e mudou totalmente minha perspectiva anterior quanto a realização do procedimento. Agora consigo realizar esse e outros com segurança, destreza e autocontrole e destaco a importância desses preceptores na minha formação. Além das atividades desenvolvidas no ambulatório, o estágio conta com a atividade de pesquisa e esse método de aliar o ensino-serviço à pesquisa (teoria) é extremamente importante, porque temos a oportunidade de fazer o processo inverso do que é realizado na universidade. E isso ajuda a consolidar e inovar o conhecimento, pois nem sempre observamos na teoria o que encontramos na prática, o que gera um confronto de ideias e permite criar o novo. No que se refere a extensão, o estágio desenvolve atividades em datas alusivas ao câncer, destacando-se medidas de prevenção, controle e combate à doença. Considerações finais: A experiência vivenciada no estágio vai de encontro a alguns estudos da literatura, como o de Souza et al. (2017) que colocam o preceptor num papel passivo e as vezes até omisso quanto a formação dos seus educandos. Tal fato despertou o interesse de relatar essa experiência para mostrar o quão importante é o preceptor ativo na vida de um estagiário e como ele pode fazer a diferença na sua formação. Além disso, a estratégia utilizada de integrar ensino-serviço e pesquisa, nessa ordem, modifica a perspectiva do estagiário, despertando seu interesse em se aprofundar no que é encontrado na prática, tornando-o mais experiente, seguro, autoconfiante e inovador nas atividades que desenvolve. Referência: SOUZA, D.J.; FARIA, M. F.; CARDOSO, R.J.; CONTIM, D. Estágio curricular supervisionado sob a ótica dos enfermeiros supervisores. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde; v. 6, n. 1, pp. 39-51, 2017.

10314 - UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE OBSERVAÇÃO PARA CONTRIBUIR NA FORMAÇÃO INTERPROFISSIONAL DE PRECEPTORIA

Autores: Joceli Duarte Fiamoncini, Allyson Mikael Alves, Gabryel Cordeiro de Lima, Jéssica Sá Furtado, Jéssica Soares Miranda, Leiliane Morais de Carvalho, Luiza de Marilac Meireles Barbosa, Clélia Maria de Sousa Ferreira Parreira

UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE OBSERVAÇÃO PARA CONTRIBUIR NA FORMAÇÃO INTERPROFISSIONAL DE PRECEPTORIA

Autores: Joceli Duarte Fiamoncini, Allyson Mikael Alves, Gabryel Cordeiro de Lima, Jéssica Sá Furtado, Jéssica Soares Miranda, Leiliane Morais de Carvalho, Luiza de Marilac Meireles Barbosa, Clélia Maria de Sousa Ferreira Parreira

Apresentação: Está consagrado o entendimento de que a educação interprofissional consiste na circunstância em que os profissionais e estudantes interagem entre si, valorizam as outras profissões, aprendem sobre as dinâmicas de trabalho das diferentes áreas e reconhecem a interdependência entre os membros da equipe, fornecendo subsídios teóricos e metodológicos para proporcionar a formação de profissionais mais colaborativos e preparados para o efetivo trabalho em equipe. Em 2019, no Distrito Federal (DF), foi iniciado o Projeto PET/Interpfosissionalidade em Saúde: Produzindo Saberes e Saúde em Ceilândia/Distrito Federal, aprovado em Edital específico do Ministério da Saúde e cuja submissão exigiu a concordância e sua proposição formal feita pela Faculdade de Ceilândia da Universidade de Brasília (FCE/UnB), Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) e Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). O referido projeto propõe-se a promover a qualificação dos processos de integração ensino-serviço-comunidade por meio dos princípios da interprofissionalidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade de modo a impulsionar a educação interprofissional e as práticas colaborativas em saúde voltadas para a atenção primária e de forma articulada com a Estratégia Saúde da Família. O PET-Interprofissionalidade é constituído de quatro grupos tutoriais, dentre os quais o de número 1 intitula-se “A formação interprofissional de preceptores em saúde: o serviço como lócus privilegiado para o ensino e a aprendizagem em práticas colaborativas”. Um dos produtos esperado desse grupo consiste na oferta e na realização do Curso de Especialização em Preceptoria. O curso pretende suprir as necessidades de desenvolvimento da didática, do trabalho em equipe e da educação interprofissional para o papel do preceptor. O grupo 1 é composto por uma coordenadora da FCE, uma tutora da FCE, cinco preceptoras da SES e doze estudantes de seis cursos de graduação (enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, terapia ocupacional e saúde coletiva), oriundos da FCE e ESCS. Este relato de experiência descreve as vivências de campo dos estudantes do grupo tutorial 1, junto às preceptoras do projeto, nos cenários de ensino que contam com preceptoria de estágio em graduação em unidades básicas de saúde da cidade satélite de Ceilândia no DF. Assim para atender a finalidade do grupo 1 que é de formar especialistas em preceptoria em saúde, os objetivos principais das vivências dos discentes foram observar as práticas colaborativas nos serviços de saúde e levantar possíveis necessidades de aprendizagem  para instrumentalizar os profissionais no exercício da preceptoria. De posse de um roteiro, em campo, buscou-se observar: 1) as práticas colaborativas promotoras de ambiente favorável à aprendizagem; 2) as relações entre preceptores e estudantes, buscando identificar as limitações, as fragilidades e os facilitadores dessas relações; 3) as atividades realizadas na preceptoria; 4) as manifestações dos alunos e dos preceptores, quando da abordagem sobre o aprendizado e ensino na preceptoria. Os pontos tocados estavam relacionadas ao trabalho em equipe, ao ato da preceptoria, formatos e estratégias de aprendizagem utilizadas pelos preceptores, barreiras ou facilitadores ao ensino e aprendizado, interesse em curso de formação de preceptores e a satisfação em relação às habilidades e conhecimentos para manter as atividades docentes. A partir dos relatos de observação, foram identificadas que as diferentes relações entre preceptores e alunos não seguem princípios preestabelecidos, mas sim dependem da experiência pessoal e da forma de trabalho dos preceptores que associam o desenvolvimento da didática à experiência empírica. Ademais, é consenso entre os preceptores que o estudante deve ser incentivado a buscar ativamente o conhecimento. Logo, a estratégia de questionar aos alunos, comumente utilizada pelos preceptores, os incita à construção de novos aprendizados. Observou-se também que o momento de interação entre os preceptores e os discentes é de aprendizagem mútua, na qual o aluno tem a oportunidade de expressar seus conhecimentos internalizados e o preceptor por meio das suas práticas em saúde, instrui o aluno a construir o raciocínio clínico. Desse modo, o convívio entre os preceptores e estudantes não é hierarquizado. As principais limitações evidenciadas pelos preceptores foram a elevada quantidade de alunos por grupo, alta demanda de pacientes, quantidade insuficiente de salas e indisponibilidade de materiais. Além disso, os preceptores apontaram que reconhecem a falta de capacitações específicas para o ato da preceptoria. Já em relação às barreiras relacionadas ao ensino, os estudantes relataram que não são utilizados muitos formatos e estratégias diferentes de aprendizagem, tais como a indicação de referencial bibliográfico e o uso de tecnologias. Acrescentaram ainda que o conteúdo raramente é abordado de forma mais dinâmica. Os fatores relatados pelos alunos que promovem a facilitação ao ensino foram a boa comunicação entre a equipe, preceptores atentos, prestativos e organizados, além do preparo e do auxílio dado ao estudante para que ele alcance as competências necessárias ao atendimento ao paciente, identifique falhas de conhecimento e busque instruir-se em  pontos a melhorar. No que se refere às atividades desenvolvidas pela preceptoria foram observados os atendimentos realizados pelos estagiários sob a supervisão dos preceptores, inclusive como é feito o matriciamento, que é um modo de promover a atenção em saúde de forma compartilhada, visando à assistência integral e à resolubilidade da atenção. Nesse sentido, o apoio matricial é composto por diversos atores, como agentes comunitários, nutricionistas, enfermeiros, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e médicos. Os referidos profissionais têm como que objetivos discutir os casos clínicos em conjunto e elaborar projeto terapêutico singular. Trata-se de uma atividade que exemplifica o exercício de práticas colaborativas. Ressalta-se que foi expresso, durante as observações, o interesse dos preceptores e dos demais profissionais de saúde por um curso de especialização em preceptoria, diante da expectativa de necessidade de aprendizagem do preceptor sobre a forma de recepcionar alunos, justificada pela falta de embasamento teórico para a construção da função que não é abordada em curso de graduação. Portanto, muitos preceptores afirmaram não ter realizado nenhum curso ou especialização para exercerem essa modalidade de docência. No entanto, apesar das limitações e das dificuldades no tocante ao ato da preceptoria, esses profissionais procuraram desenvolver competências promotoras do trabalho em equipe e da educação interprofissional, ao buscarem implementar ações que levem à comunicação efetiva, às trocas de experiências e ao olhar centralizado no paciente. Conclui-se, por fim, terem sido válidos os resultados obtidos na observação de campo descrita, oportunizando a visão dos observadores, de forma mais clara, de que a educação interprofissional poderá contribuir para que os trabalhadores de saúde possam ofertar serviços mais coerentes com as necessidades sociais e de saúde. Isso sem perder de vista que o esforço para vencer os obstáculos e as adversidades deve ser em conjunto, ou seja, com a participação do Estado, população, trabalhadores e instituições de ensino, garantindo, assim, o direito inalienável à saúde.

12042 - O PROFISSIONAL DE SAÚDE DA APS COMO PRECEPTOR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SAÚDE COLETIVA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Francine Ramos de Oliveira Moura Autonomo, Ana Caroline Alves da Silva, Isadora Therezinha Neves do Couto Varga

O PROFISSIONAL DE SAÚDE DA APS COMO PRECEPTOR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SAÚDE COLETIVA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Francine Ramos de Oliveira Moura Autonomo, Ana Caroline Alves da Silva, Isadora Therezinha Neves do Couto Varga

Apresentação: O conceito de saúde e a visão do processo saúde-doença sofreram transformações norteadas, principalmente, pelas discussões da Conferência de Alma Ata. Essas transformações possibilitaram a introdução de outro modelo de Atenção em saúde: integral, focado na promoção da saúde, organizado a partir do nível primário, que pressupõe um profissional crítico, capaz de lidar com a realidade e a diversidade que compõem os sujeitos. A Constituição Federal (CF) de 1988, por meio do artigo 200 inciso III, explicita  que  o Sistema Único de Saúde (SUS) tem a incumbencia de ordenar a formação de recursos na área da saúde. Complementando a CF, a Lei Orgânica de Saúde nº 8.080, estabeleceu que todas as esferas de governo devem participar da formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde, organizar um sistema de formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, elaborar programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal, além de determinar que os serviços públicos que integram o SUS sejam campo de práticas para ensino e pesquisa. Introduz-se, assim, um conjunto de programas e ações de indução dessa mudança como as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN); o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes); e mais recentemente, o Programa de Incentivo às Mudanças Curriculares das Escolas Médicas (Prómed), o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) e o Programa de Educação pelo Trabalho na Saúde (Pet-saúde). As DCN propõem diferentes cenários, incluindo a Atenção Primária em Saúde (APS) como campo de prática para os estudantes de graduação na área de saúde. Desenvolvimento: O presente estudo é um relato de experiência que tem como objetivo descrever a vivência da preceptoria de duas dentistas que atuam na Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município de Niterói-RJ a partir da inserção dos alunos de graduação do Estágio Supervisionado em Saúde Coletiva (ESC) da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). O ESC constitui-se como uma das iniciativas dos docentes do Núcleo de Saúde Coletiva da UFF a partir das discussões da Reforma Curricular exigida pelas novas DCN de 2001; pretende a aproximação entre teoria e prática, oportunizando formar um profissional crítico, reflexivo, capaz de lidar com as necessidades a partir do conceito ampliado de saúde e apto para atuar no SUS; são precedidos de disciplinas teórico-práticas; oportuniza aos alunos escolher os campos de estágio; se divide em ECS1 (em que os alunos do oitavo período da graduação são inseridos em unidades de APS) e ECS2 (destinado aos alunos do nono período e acontece em unidades de média e alta complexidade em saúde bucal, gestão e vigilância). Este trabalho deter-se-á a vivência do ECS1, especificamente, na Clínica Comunitária da Família Doutor Antônio Peçanha. As duas dentistas que compõem as quatro Equipes de Saúde da Família iniciaram a experiência da preceptoria no ESC após o primeiro ano de implantação da unidade de saúde. A primeira atividade da preceptoria foi uma reunião com as docentes do ESC (professoras da faculdade de odontologia da UFF); a coordenadora do PMF e os preceptores indicados, onde foi realizada a apresentação do programa e objetivos do estágio. Optamos por montar um cronograma que permitisse alcançar os objetivos, metas e produtos pretendidos pela disciplina. O trabalho foi desenvolvido a partir de conceitos entendidos por nós como sendo pilares fundamentais da ESF: 1)Trabalho em equipe, interprofissional e colaborativo: fez-se necessário, inicialmente, apresentar o ESC aos demais integrantes das equipes, além de pactuarmos atividades que extrapolassem o núcleo da saúde bucal, visto que consideramos que o trabalho do dentista de família não se limita ao atendimento clínico individual, e de suma importância esse entendimento por parte dos alunos. Para tal, no primeiro dia do estágio os alunos são apresentados aos profissionais das equipes, conhecem a clínica e constroem conosco o cronograma do estágio, no qual propomos para as primeiras semanas que os discentes atuem como observador participante de atividades na recepção/acolhimento; consultas (médicas, de enfermagem e odontológicas); pré-consultas; na farmácia; vacina; de educação em saúde; reuniões e visitas domiciliares, com todos os profissionais e com alguns usuários, o que permite identificar como é organizado o processo de trabalho e os fluxos formais e informais que se estabeleceram no cotidiano; 2) Reconhecimento do território e Diagnostico Situacional: afim de garantir que os alunos aproximem-se da realidade do território em que foram inseridos os estimulamos a participar do recadastramento (supervisionado pelas preceptoras, pelos Agentes Comunitários de Saúde ou por outros membros da equipe) de uma micro-área previamente escolhida pelos profissionais. Tal atividade permite ao aluno além do reconhecer alguns conceitos como universalidade e igualdade do acesso, equidade, abordagem familiar; experimentar práticas como visitas domiciliares; preenchimento das fichas de cadastro; preenchimento de ferramenta de classificação de vulnerabilidade familiar, e identificação de famílias em situação de vulnerabilidade; verificação do interesse da família em participar da elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS) e do atendimento odontológico. 3) Integralidade do cuidado e Clínica Ampliada, através de ações de promoção à saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação: a partir do desejo da família, inicia-se  o levantamento das condições de saúde; planejamento e execução de ações que possibilitem garantir o cuidado integral (de acordo com as necessidades e potencialidades identificadas pela equipe e família; com garantia do cuidado longitudinal, em todos os níveis de atenção à saúde e através de ações intersetoriais), visando melhorar a qualidade de vida dos usuários em questão. Todas as atividades são avaliadas e reestruturadas, se necessário, ao final do turno de estágio, assim como são elencados temas que nós e/ou os discentes carecemos de conhecimento teórico, estímulo à busca de referências para discussão e aprofundamento no próximo encontro. Os docentes nos visitam em momentos específicos e nos ajudam com a condução e adequação das atividades. Efeitos percebidos: Nesse contexto ao iniciarem-se na prática da preceptoria os profissionais de saúde atuam não somente no cuidado em saúde, mas como educador no processo de formação. Sendo assim nos vimos no desafio de inserir em nossa prática atividades de supervisão e orientação de alunos, que pressupõe conhecimentos distintos dos técnicos aprendidos na graduação; além de somar as atividades de preceptoria às que já desempenhamos em nosso cotidiano. Associar práticas de assistência às de ensino não é tarefa fácil, pois exige tempo com os alunos, assim como perceber as necesidades e potencialidade de aprendizagem de cada um. Por essas e outras razões muitas vezes nos questionamos sobre o quanto estamos contribuindo com o processo formativo. Por outro lado o aluno nos impulsiona a buscar conhecimento, já que exige de nós respostas e nos contrastam com técnicas e aprendizado por vezes diferentes dos que nos foi oferecido ao longo de nossa formação. Logo, a presença dos alunos do ESC1 em nosso serviço também transforma todos que nele trabalhamos. Considerações finais: O fato de os alunos enxergarem o cotidiano do trabalho por outra lente, e questionarem a organização do processo de trabalho e a qualidade do serviço prestado, pode levar o profissional refletir sua prática, reconhecer limites e desafios de seu agir, abrir-se a mudanças, e assim levar à transformação da práxis.


Távola - Educação
A saúde dos estudantes e os processos de adoecimento mental
Facilitador: Fernando Lopes Tavares de Lima    Data: 29/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 08:00 - 10:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
5870 - NÍVEL DE ESTRESSE EM UNIVERSITÁRIOS

Autores: Juliana Farias Vieira, Lenara da Silva Carvalho, Andressa Regielly Sousa Araújo, Yago dos Santos Quintas, Irineia de Oliveira Bacelar Simplício

NÍVEL DE ESTRESSE EM UNIVERSITÁRIOS

Autores: Juliana Farias Vieira, Lenara da Silva Carvalho, Andressa Regielly Sousa Araújo, Yago dos Santos Quintas, Irineia de Oliveira Bacelar Simplício

Apresentação: O estresse se caracteriza como um mecanismo fisiológico do organismo que libera mediadores químicos frente a situações que provocam determinada tensão. Ele pode prejudicar a qualidade de vida, o bem-estar e a saúde do ser humano, uma vez que exige esforço máximo, e algumas vezes, pode ultrapassar os limites suportáveis do indivíduo). A carga horária exaustiva, o curto período para entrega de tarefas, o estudo de conteúdos extensos, a auto cobrança e outros fatores podem afetar a saúde do acadêmico, causando exaustão e ameaçando a saúde biopsicossocial e espiritual do estudante. Objetivo: Mostrar os níveis de estresse em acadêmicos de enfermagem de uma Universidade pública no Estado do Pará. Método: Constitui-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, de abordagem quantitativa. Realizado no primeiro semestre de 2019, a amostra foi obtida através da aplicação de questionário semiestruturado composto por 19 questões para identificação de dados sócio demográficos e aplicação do Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL), com acadêmicos do 1° ao 10° semestre. Os dados foram tabulados e processados em uma planilha do Microsoft Office Excel Resultado: Dos 135 acadêmicos matriculados regularmente no curso de enfermagem na instituição onde foi realizado o estudo, 105 responderam ao questionário. Desses, 82% eram do sexo feminino, com idade entre 16 e 59 anos; 96% declararam-se solteiros; 40% declararam renda familiar de 3 salários mínimos ou mais; 89% não trabalham; 62% afirmam participar de atividades de extensão promovidas pela universidade; 79% não se sentem bem repousados quando acordam pela manhã; 66% classificam seu sono como pior do que se possa imaginar; 58% realiza alguma atividade física; 62% declararam já ter utilizado algum recurso com o objetivo de tentar reduzir o estresse e 61% já pensaram em abandonar o curso. Em se tratando das fases do estresse mensuradas pelo Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL) observou-se que dos acadêmicos estressados a maioria encontra-se na fase de resistência (47%), seguido pela fase de exaustão (29%), e o restante dos alunos (25%) não foram classificados, ou seja, não se encontram em fase de alerta, resistência ou exaustão. Ressaltando que os acadêmicos cursando o primeiro semestre do curso de Enfermagem apresentaram maior percentual de estresse (28%) em relação as demais turmas. O estudante encontra na universidade uma realidade nova e diferente, que exige do mesmo maior dedicação. Os cursos da área da saúde contribuem para ocorrência do estresse, pois a cada período surgem novas exigências, habilidades e competências que necessitam ser desenvolvidas e, consequentemente, elas vêm em ordem crescente, o que pode ser um dos fatores que demarcam as diferenças apresentadas entre o primeiro ano e os demais. Nesse contexto, observou-se no presente estudo que os universitários buscam aliviar o estresse por meio de recursos externos a universidade, dentre os quais destacamos a atividade física como sendo o meio mais citado pelos alunos, correspondendo a um percentual de 67%. A prática de atividade física tem sido indicada como possível modo de minimizar o estresse e suas reações negativas ao organismo, uma vez que é comprovado fisiologicamente que determinados exercícios estimulam a liberação de endorfinas e proporcionam uma sensação de bem-estar físico e mental. No estudo realizado por Lemes et al relata-se que o exercício físico como hábito de cuidado em saúde, tem se mostrado tão efetivo quanto as técnicas mais tradicionais na redução dos níveis de estresse. Na pesquisa, verificou-se também o uso de drogas lícitas ou ilícitas correspondendo a um percentual de 34% como meio utilizado para reduzir o estresse. Sabe-se que ao ingressar na universidade o estudante encontra-se em um período de mudanças e adaptações, porém alguns acadêmicos não conseguem se adaptar bem as exigências que essa nova fase impõe, ficando suscetíveis ao início do uso de álcool e de outras drogas. Dessa forma, a população universitária encontra-se em um grupo de risco para o uso de tais substâncias. O estudo realizado por Trindade, Diniz e Júnior caracteriza o consumo de drogas como forma de fugir do estresse imposto pela graduação, entre os quais verificou-se em comum com o presente estudo a autonomia forçada que os recém universitários são obrigados a ter, pois muitos saem da casa de seus pais para morar sozinhos ou com amigos levando-os a enfrentar situações que testam seus próprios limites. Considerações finais: O estudo evidenciou os níveis de estresse na rotina do acadêmico de enfermagem, mostrando como o desejo de fuga da realidade pode levar o indivíduo a buscar meios que funcionem como “válvula de escape” e como esse comportamento pode ocasionar prejuízos diretamente na saúde biopsicossocial e espiritual. Nota-se que a grande maioria dos entrevistados tem qualidade de vida afetada, o que é evidenciado pelo sono prejudicado, ausência de bem estar ao acordar, pensamento de desistência, entre outros. Com isso, pelo menos metade dos entrevistados busca algum recurso saudável para melhoria do quadro de estresse, desse modo, constatou-se no estudo que o recurso mais utilizado pelos acadêmicos para combater o estresse é a prática de atividade física. O uso de drogas lícitas ou ilícitas apresentou um percentual de 34% como meio utilizado para reduzir o estresse, hábito considerado arriscado uma vez que tem grande capacidade de comprometer ainda mais o quadro de estresse do acadêmico. O inventário de sintomas de stress de Lipp (ISSL) evidenciou as fases de estresse nas quais os acadêmicos estão classificados, onde a maioria encontra-se na fase de Resistência e outra grande parcela em Exaustão. Isso mostra a necessidade que os estudantes têm de gozar de um acompanhamento profissional efetivo a fim de melhorar a qualidade de vida e o rendimento acadêmico. O objetivo de um enfermeiro assim como de todo e qualquer profissional da saúde é ofertar qualidade de vida aos seus pacientes, no entanto, este profissional deve considerar em primeiro plano sua própria saúde, para então prestar assistência à comunidade. Ressalta-se que o cuidado com a devida saúde deve ser incentivado desde a formação acadêmica, buscando assim, evitar futuros profissionais doentes, frustrados e insatisfeitos.

11871 - ESTRESSE E DEPRESSÃO EM ACADÊMICOS DA SAÚDE DE UM CAMPUS DO INTERIOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Autores: Elane da Silva Barbosa, Sabrina Macely Souza dos Santos, Tarcia Alfaia de Almeida, Rodrigo da Silva Pereira, Eliana Rodrigues Tiago

ESTRESSE E DEPRESSÃO EM ACADÊMICOS DA SAÚDE DE UM CAMPUS DO INTERIOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Autores: Elane da Silva Barbosa, Sabrina Macely Souza dos Santos, Tarcia Alfaia de Almeida, Rodrigo da Silva Pereira, Eliana Rodrigues Tiago

Apresentação: Muitos transtornos psiquiátricos atualmente são considerados “doenças do século” ou “doenças da geração Y/Z” por sua maior visibilidade na era contemporânea, entretanto pode-se afirmar que essa denominação provém da maior busca e conscientização populacional acerca da importância da saúde mental, muito além e concomitante à saúde e integridade física do ser humano. Com diversas causas, a depressão é um transtorno psiquiátrico conhecido como “mal do século” com dados epidemiológicos preocupantes e estimativa de milhões de pessoas mundialmente acometidas, principalmente entre 15 e 29 anos. Enquanto o estresse, estudado por Hans Seyle, consiste numa síndrome de adaptação geral aos fatores, subdividido em três fases (Alerta, Luta e Exaustão) pode ser fator predisponente a outros transtornos quando não há reversão. O presente trabalho aborda um projeto de pesquisa intitulado por “A relação entre depressão e estresse em acadêmicos da área da saúde do Instituto de Saúde e Biotecnologia (ISB) de Coari-AM” realizado em 2017 por acadêmicas de medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) ao longo do módulo de Dimensões Psicológicas de uma disciplina da grade curricular no campus supracitado, no município de Coari – localizado há cerca de 367km em linha reta da capital amazonense. O projeto buscou relacionar os transtornos psíquicos de estresse e depressão – que embora comuns, especialmente em acadêmicos e profissionais da saúde, ainda são negligenciado não somente por instituições, mas também no próprio convívio social, tendo em vista a diversidade de fatores contribuintes para o desencadeamento deles, incluindo a transição do ensino médio para a o ensino superior, a vida fora de casa e a busca por uma carreira profissional com muitas cobranças da vida adulta em jovens procedentes da adolescência – além de traçar um perfil psicológico entre os acadêmicos de diferentes cursos da saúde do campus, comparar os resultados e relacioná-los entre os transtornos estudados. Desenvolvimento: O estudo realizado no ISB/UFAM em 2017, de caráter exploratório-descritivo, foi feito com um total de 24 acadêmicos selecionados ao acaso, sendo o único critério de seleção ser aluno da área da saúde do campus – entre 18 e 28 anos e um de 47, a maioria do sexo feminino – dos cursos de Medicina (5), Fisioterapia (9), Nutrição (5) e Enfermagem (5) do Instituto de Saúde e Biotecnologia (ISB/UFAM), no campus de Coari. Foram utilizados dois instrumentos de coleta de dados, ambos com questões fechadas, sendo o Teste de Lipp (ISS) – Inventário de Sintomas de Stress – com as três fases do estresse, 35 sintomas somáticos e 10 sintomas psicológicos, e o Inventário de Depressão de Beck (IDB) que consiste em um questionário com 21 itens para usar entre adolescentes e adultos. Resultado: Do total de participantes, 18 deles são mais acometidos e encontram-se no início da graduação. A maioria apresenta resultado pertinente à Fase de Luta/Resistência (Fase II) do Estresse, sendo unanime nos discentes de Medicina, maioria na Fisioterapia e o maior equilíbrio foi entre os de Enfermagem. Já os graus de Depressão destacaram-se acadêmicos do curso de Fisioterapia, porém sem níveis expressivos quantitativamente para o teste, bem como grande parte dos entrevistados nos cursos de Enfermagem e Nutrição que se classificam em Depressão Leve. Quase 71% (17) dos entrevistados apresentam algum nível de estresse e 54% (13) de depressão e, com isso, foi possível observar que, conforme dados bibliográficos, quem possui esse transtorno tende sempre a desenvolver ansiedade ou depressão, além de gastrite ou qualquer outro sintoma não psicológico; da mesma forma, pessoas com quaisquer níveis de depressão diagnosticados apresentam algum nível de estresse, todavia vale ressaltar que a recíproca não é obrigatória, funcionando o estresse apenas como uma predisposição à depressão. Assim, após análise dos dados do estudo, foi constatado, por curso, que os entrevistados do curso de nutrição sem níveis de estresse não desenvolveram nenhum grau de depressão; na fisioterapia comprova-se pelos acadêmicos sem índices depressivos, mas com estágios intermediários de estresse e predisposição à desenvolvê-la, bem como os demais também em fase intermediária que apresentam grau de Depressão Moderada. Dentre os discentes do curso de medicina – uma peculiaridade dentre os demais cursos, pois nesse caso só havia uma turma de 11 alunos no campus no período e ano da pesquisa, assim sendo todos os acadêmicos da primeira turma, que além das dificuldades ao longo da graduação, se deparam com o pioneirismo do curso no campus no interior do Amazonas – todos os 5 participantes encontraram-se na segunda Fase de Estresse (Luta) com algum grau de Depressão associado, desde o Leve ao Grave que, inclusive, esse último manifestava predisposição à Fase de Exaustão/Esgotamento do Estresse. Considerações finais: Diante dos dados expostos e, levando em consideração que a formação profissional na vida desses alunos é de fundamental importância, com seus percalços e singularidades, o surgimento de transtornos psicológicos como estresse e depressão são comuns. O estudo pode comprovar que as pontuações de estresse acompanharam gradativamente os escores de depressão, correlacionando o objetivo esperado e reafirmando diversos outros estudos na literatura. Os níveis encontrados na pesquisa são superiores ao da população em geral e podem ser explicados pela necessidade de adaptação da nova rotina – seja de estudos conciliando ou não com inserção no mercado de trabalho, a temática da vida adulta, muitas vezes longe da família e do antigo convívio social – com desgastes emocionais, ambientes competitivos, grande carga de novas informações a serem assimiladas, além da vivência em centros de saúde nos seus diversos níveis de complexidade e da pressão pela responsabilidade diante da vida de seu futuro paciente. O curso que ganha destaque no estudo é o de Medicina com os maiores níveis de estresse e depressão associados entre si, explicado na literatura pelo elevado conteúdo de estudo, exigências das disciplinas, ritmo exorbitante das avaliações, aprendizado voltado para memorização a curto prazo contrapondo gestão de tempos livres para lazer. Os impactos do estudo mostraram a necessidade, não somente no Instituto de Saúde e Biotecnologia mas em todas as instituições de ensino, especialmente de saúde que visam formar profissionais para cuidarem da saúde dos seres humanos, mas no decorrer do processo negligenciam a própria, a implementação de programas efetivos a fim de diagnosticar quadros depressivos e reduzir fatores estressantes no meio acadêmico, com criação de projetos de combate ao estresse pelos órgãos/departamentos sociopsicológicos da Universidade, como sugerido ao final do estudo, a fim de proporcionar  lazer, relaxamento e novas vivências ao discentes durante a própria rotina das atividades acadêmicas.

12242 - VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL: UMA PESQUISA-AÇÃO ACERCA DO CURSO DE MEDICINA DA UFF

Autores: Larissa Helena Marineli Pereira, Sônia Maria Dantas Berger, Larissa da Silva Gonçalves, Lucas Caetano de Oliveira, Guilherme Andrade Campos, Ana Luiza Jacob Veríssimo, Mirian Teresa de Sá Leitão Martins

VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL: UMA PESQUISA-AÇÃO ACERCA DO CURSO DE MEDICINA DA UFF

Autores: Larissa Helena Marineli Pereira, Sônia Maria Dantas Berger, Larissa da Silva Gonçalves, Lucas Caetano de Oliveira, Guilherme Andrade Campos, Ana Luiza Jacob Veríssimo, Mirian Teresa de Sá Leitão Martins

Apresentação: A violência institucional, presente no cotidiano da graduação de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), pode assumir múltiplos significados e formas. Tal violência é entendida como aquela que, independente do tipo, é exercida no contexto de uma instituição, apresentando-se nos diversos níveis de relações interpessoais – como entre professor-aluno ou entre colegas de turma. Em grande parte, no ambiente da faculdade, ocorre por meio de práticas sem coerção física, o que acarreta em danos morais e psicológicos para o estudante de medicina em geral. Conforme resultados de revisão de literatura realizada, em publicações que possuem a saúde do estudante de Medicina como temática central, essa problemática é ilustrada pelos índices de suicídio referentes a esse grupo, bem como pela suscetibilidade destes discentes aos sintomas de ansiedade, depressão e síndrome de Burnout. Ademais, é observado que recortes socioeconômico, de gênero e de etnia possuem relevância no estudo sobre a violência institucional no curso de Medicina, haja vista que esse meio acadêmico historicamente é caracterizado como elitista e majoritariamente branco. A importância de que os pesquisadores atentem para os diferentes recortes é corroborada pela modificação do perfil de aluno nas universidades desde instituição da Lei 12.711/2012, na qual 50% das matrículas federais estão reservadas para alunos do sistema público de ensino, sendo uma parte reservadas aos alunos negros (pretos e pardos). Valendo-se das evidências obtidas durante uma pesquisa-ação, estratégia metodológica de pesquisa qualitativa utilizada para problematizar e demarcar conceitual e metodologicamente a violência no curso de Medicina da UFF e viabilizar mudanças, foi possibilitada a reflexão e a melhor compreensão das percepções e vivências de alunos e professores envolvidos nesse contexto. A pesquisa-ação prevê uso de técnicas e estratégias onde os sujeitos possam se incluir como indivíduos e coletividades, sendo os tradicionais objetos de pesquisa alçados à posição de sujeitos do conhecimento, com potencial para problematizar, investigar e transformar a própria realidade. Desse modo, o estudo suscitará o desenvolvimento de estratégias em prol da saúde desses estudantes, além do aprimoramento das abordagens adotadas no modelo atual para o enfrentamento das situações que tangenciam a questão da violência institucional, caracterizadas até então como não resolutivas ou insuficientes. Para compreensão do contexto da violência, foram estudados textos de Pierre Bourdieu, Marilena Chauí e Lilia Schraiber para domínio dos aspectos da violência simbólica, dos conflitos entre violência e ética e dos aspectos metodológicos, éticos e epistemológicos no campo da violência, gênero e saúde, o que proporcionou um debate muito rico, com a quebra de pré-conceitos sobre o tema. Já para a compreensão inicial do contexto institucional, foi realizada a análise documental das atas das reuniões de colegiado e dos relatórios das conferências curriculares,  eventos em que são estabelecidas demandas por parte do corpo discente para toda a comunidade acadêmica que se relaciona com a medicina. Na análise das reuniões de colegiado, o direcionamento dos objetivos se fez pela leitura dos textos das atas e prospecção das pautas e temáticas relacionadas às situações de violência e às situações em que se discutiu a formação de mecanismos de apoio ao estudante em situação de violência e sofrimento mental. Em adendo, analisou-se os momentos em que a necessidade de construção de programas de apoio ao estudante em sofrimento mental foi pautada. No estudo das atas foi possível entender um pouco mais sobre o funcionamento da faculdade de medicina, verificando-se que o colegiado é visto pelos alunos como um lugar onde podem levar queixas a respeito de violências sofridas do âmbito da formação, esperando uma solução. No entanto, em nenhuma das situações o apoio sistemático à pessoa em situação de violência foi identificado. Acerca das conferências curriculares, foi observada dificuldade no cumprimento do currículo da Faculdade de Medicina da UFF e as demandas apresentadas pelos alunos, em sua maioria, são itens já presentes nas Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Medicina, elaboradas pelo MEC em 2014. Questões como necessidade de integração, articulação e interdisciplinaridade, maior enfoque no que realmente é importante para o curso de medicina - e não para o que o/a professor/a entende ser importante a partir de sua formação, cobranças inadequadas em avaliações, respeito ao horário de aula e maior articulação do colegiado e coordenação de curso para verificação do seguimento do currículo se repetem segundo registros e documentos das conferências. O processo de pesquisa-ação seguiu por meio de seminários de pesquisa e/ou rodas de conversa com a rede de atenção a pessoas em situação de violência para levantamento de informações necessárias à formação da equipe de pesquisa, construção de questionários, roteiros de entrevistas e grupos focais e produção de material educativo. A roda  com o “SOS Mulher HUAP”, programa que apoia vítimas de violência sexual e doméstica e com os próprios pesquisadores do projeto, que vivenciam a universidade diariamente, foi uma intervenção processual potente. A abertura de um espaço de reflexão e expressão para os alunos-pesquisadores (sujeitos-objetos da pesquisa) colocou em cena diversas situações vivenciadas pelos mesmos e/ou  que tinham conhecimento de ter ocorrido com colegas. Foi possível observar que mesmo passando na prática por essas situações, os alunos não têm acesso a informações acerca da definição de violência, os tipos de violência e quais as ações possíveis diantes desses casos dentro e fora da universidade. Dessa forma, ao longo do processo da pesquisa, foi elaborada uma cartilha, que permitiu a aquisição de novos conhecimentos sobre o assunto entre o grupo de pesquisadores e que em breve será disponibilizada para todos os alunos da universidade. Essa pesquisa-ação tem contribuído, através do incremento de conteúdos técnico-cognitivos sobre a violência institucional, para fornecer aos discentes ferramentas que viabilizem uma melhor compreensão e identificação de situações nas quais essa violência se faz presente, tanto durante o curso da graduação em Medicina, como após sua formação no cotidiano prático, possibilitando uma atuação crítica, o que permite que esses tenham um olhar diferenciado sobre a violência. No seguimento do campo estão ainda previstas entrevistas estruturadas com docentes e alunos representantes de turma, além de grupos focais com discentes. A pesquisa já ganhou reconhecimento da comunidade acadêmica e recebeu menção honrosa. Conclui-se, portanto, a necessidade de que os resultados obtidos na construção e execução da pesquisa sejam repassados para os demais alunos de medicina, visto que houve uma ampliação da noção de violência entre os alunos, um maior engajamento com as questões da universidade e uma melhoria no entendimento do sofrimento mental consequente dessa violência, bem como estratégias e dispositivos a serem utilizadas para combater esse sofrimento.

7005 - AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO ESTUDANTE DE MEDICINA E SUA INFLUÊNCIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA NO PRIMEIRO ANO DO CURSO DE MEDICINA

Autores: Joyce Fernandes Costa, Eleazar Sidney Maillard Oliveira, Raiza da Silva Pereira, Ana Maria Florentino

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DO ESTUDANTE DE MEDICINA E SUA INFLUÊNCIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA NO PRIMEIRO ANO DO CURSO DE MEDICINA

Autores: Joyce Fernandes Costa, Eleazar Sidney Maillard Oliveira, Raiza da Silva Pereira, Ana Maria Florentino

Apresentação: A Qualidade de Vida foi escolhida como eixo temático de pesquisa com o propósito de reduzir o abismo existente entre o desenvolvimento científico e tecnológico e, o autocuidado do profissional de saúde. Entende-se, portanto que com o ingresso no curso de medicina o estudante enfrenta uma carga horária por vezes exaustiva, e que pode ocasionar um decréscimo de atividade física, o sedentarismo, sendo este um dos fatores predisponentes da depressão. Ao longo da vida acadêmica no curso de medicina e até mesmo depois como profissional da área médica, é necessário haver um planejamento do tempo, abrangendo tanto as atividades acadêmicas/profissionais quanto as sociais como, prática de atividades físicas, acesso à cultura, arte e lazer. Além disso, é importante que desde a academia o aluno se perceba vulnerável, buscando cuidados com a própria saúde, e dessa forma elevando a qualidade de vida e promovendo a saúde do acadêmico e futuro médico, para que seja formado um profissional com estabilidade emocional para lidar com vulnerabilidades de si e de outrem. O objetivo foi avaliar a influência da qualidade de vida na formação acadêmica do curso de medicina, além de conhecer a influência da formação acadêmica na qualidade de vida dos estudantes de uma Universidade privada no município do Rio de Janeiro. Desenvolvimento: O método inicial utilizado foi a revisão integrativa, utilizando bases de dados, como SciELO, portal de periódicos da CAPES e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) priorizando os últimos cinco anos. Termos descritores utilizados: Medicina, Depressão, Estudante, Estresse, Rendimento Acadêmico e Qualidade de Vida. Critérios de inclusão na pesquisa foram os alunos que estejam no primeiro ano do curso de medicina da Instituição de Ensino Superior (IES) em questão, estejam na sua primeira formação de nível superior e o de exclusão aqueles que não iniciaram o curso nesta IES. O estudo de campo será longitudinal, porém, os dados ora apresentados são de natureza descritiva e exploratória, e compreende como um estudo preliminar se caracterizando como um estudo transversal numa abordagem quantitativa, com aplicação de um questionário já validado na literatura com o objeto semelhante. O universo amostral foi de 60 (sessenta) discentes do primeiro ano da faculdade. A coleta de dados constou da aplicação do questionário WHOQOL – ABREVIADO. As análises foram interpretadas no sentido positivo, fazendo-se a inversão dos valores da escala Likert para aquelas afirmações com sentido negativo para uma boa qualidade de vida. Desta forma, cada item foi analisado em porcentagem que poderá chegar ao total de 100% de qualidade (positiva). A pesquisa foi submetida à aprovação do Comitê de Ética da Universidade, sob o número do CAAE, 12550919.2.0000.5284. Todos os procedimentos propostos e aprovados foram seguidos, garantindo confidencialidade e direito de não aceitar participar da pesquisa. Resultado: Participaram desta primeira etapa 60 alunos do primeiro ano do curso de medicina da referida IES. Dois estudantes foram excluídos por não preencherem o critério de cursar medicina nesta instituição desde o primeiro período. A idade média dos estudantes que participaram da pesquisa foi de 33 anos (18-48 anos), destes, 40% estavam entre 21-23 anos, sendo a faixa etária mais expressiva, seguida da faixa dos 18-20 anos, com 30% dos estudantes. Em relação ao sexo, foram 32 (56,7%) mulheres e 25 (41,7%) homens, 1 estudante preferiu não informar o sexo. Quanto à questão – como os acadêmicos se autoavaliam em relação à qualidade de vida como estudante de medicina – 32 alunos (53,3%) apresentaram resultados classificados como de 7-9, em uma escala de 0-10. Não houve alunos que avaliaram em 0 ou 1 sua qualidade de vida como estudante de medicina. Em relação à qualidade de vida geral, 40 alunos (66,6%) apresentaram resultados classificados como de 7-10, em uma escala de 0-10, apenas 1 aluno (1,7%) avalia sua qualidade de vida geral em 0. Quando perguntados sobre sua saúde, 35% sentem-se satisfeitos ou muito satisfeitos, os que responderam muito insatisfeitos ou insatisfeitos, totalizam também 35%. Em relação à necessidade de tratamento médico para levar a vida diária apenas 20%, respectivamente como extremamente (5%) e bastante (15%). Quando perguntados em relação a frequência de sentimentos negativos como mau humor, desespero, ansiedade e depressão, 1,7% responderam nunca, 33,3% algumas vezes, 21,7% dos indivíduos relataram sempre ter sentimentos negativos e 18,3% muito frequentemente. Em relação ao quanto acham que a vida tem sentido, uma parcela importante, 38,3% respondeu bastante, 36,7% respondeu extremamente e 1,7% respondeu nada, ou seja, a vida não tem nenhum sentido. Sobre as oportunidades de realizar atividades de lazer, apenas 2% responderam completamente, e cerca de 90% relataram muito pouco ou médio. Quando se trata da qualidade do sono, apenas 17% estão muito satisfeitos ou satisfeitos. Aliado a isso, aparece o quanto você consegue se concentrar, 2% relatam extremamente, e 36,7% bastante. Discussão: A percepção de qualidade de vida dos universitários do curso médico pode ou não ser afetada pela graduação em seu decorrer quando ele não se percebe como sujeito e a parte importante para o seu cuidado. Nesse caso, o estresse, decorre então da dificuldade em administrar o tempo exigido pelas diferentes disciplinas e o lazer. Soma-se a isso a grande valorização do desempenho acadêmico durante a graduação, que é diminuído com fatores como falta de sono e atividades de lazer durante o período de aulas. Todos esses fatores contribuem para o esgotamento do estudante, caracterizando a Síndrome de Burnout, um distúrbio emocional ocasionado por excesso de pressão no ambiente acadêmico/profissional e que cursa com sintomas relacionados ao próprio esgotamento tanto físico quanto emocional. Os desafios que o novo universitário precisa enfrentar e que envolvem desde a  imaturidade (X̅=18 anos)  comum  para  encarar o meio acadêmico, a  competitividade  que  se  mantém  e  se  acentua, tal  como  a  experiência  de  sair  de  casa para morar próximo à faculdade, vivendo um processo de separação da família, e viver sozinho com pessoas de diferentes criações e comportamentos até as dificuldades para organizar o tempo de estudo, o novo ritmo de aulas, os afazeres domésticos do dia a dia e a frustração ao entrar em  contato  com  as  cadeiras  básicas  que,  no  currículo  tradicional, além de apresentarem pouca relação com a  medicina prática, possuem conteúdos extensos. Considerações finais: Ao estudante do primeiro ano é exigido uma dedicação tanto para o estudo de estruturas anatômicas, quanto para o conhecimento de comportamentos fisiológicos na saúde e na doença, aliados a problemas na didática e na forma de ensino predominantemente bancária. Neste sentido, a formação acadêmica parece ainda estar voltada para o desempenho intelectual. Apesar de disciplinas como Orientação Psicopedagógica e Saúde da Família já estarem presentes na maioria dos currículos médicos, parece haver ainda certa negligência com a inteligência emocional e as habilidades sociais necessárias ao crescimento profissional e ao bem-estar psicológico do indivíduo no decorrer da formação médica. Dessa forma, o treinamento de habilidades sociais e criação de espaços de lazer na Universidade surgem como possibilidades de intervenção para atuar nesse contexto, a fim de colaborar com a formação humana, social e emocional dos acadêmicos.


Távola - Educação
Singularidades e experiências na formação em saúde
Facilitador: Maxneli da Cruz Neves    Data: 31/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 13:30 - 15:30
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
10193 - CONTRIBUYENDO A LA MEJORA DE LA SALUD DE LA COMUNIDAD SORDA: EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS DE GRADO Y POSTGRADO DE CIENCIAS DE LA SALUD, DESDE DOS ORILLAS DEL ATLÁNTICO.

Autores: Dolors Rodríguez-Martín, Neuma Chaveiro, Eva Gómez Rodríguez, Maria Alves Barbosa, Soraya Bianca Reis Duarte, Elena Maestre González, Anna Falcó-Pegueroles

CONTRIBUYENDO A LA MEJORA DE LA SALUD DE LA COMUNIDAD SORDA: EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS DE GRADO Y POSTGRADO DE CIENCIAS DE LA SALUD, DESDE DOS ORILLAS DEL ATLÁNTICO.

Autores: Dolors Rodríguez-Martín, Neuma Chaveiro, Eva Gómez Rodríguez, Maria Alves Barbosa, Soraya Bianca Reis Duarte, Elena Maestre González, Anna Falcó-Pegueroles

Presentación: Dentro de la gran heterogeneidad que coexiste en las personas con pérdida auditiva, queremos mencionar el caso de las personas con sordera que son usuarias de las lenguas de signos —autodenominadas como Comunidad Sorda—. La Comunidad Sorda puede ser conceptualizada desde dos perspectivas o modelos dicotómicos: la perspectiva biomédica y la sociolinguística-cultural. Desde el modelo biomédico se conceptualiza y entiende la sordera como un déficit en la persona que debe ser “reparado”, por lo tanto diagnosticarse, tratarse y rehabilitarse con el fin de que la persona devenga “normal” o sea que “hable”. Para ello se aplicarán todo un conjunto de prácticas rehabilitadoras, por medio audífonos, implantes cocleares, junto con la terapia logopédica. Por otro lado el modelo sociolinguístico-cultural, el adoptado por la Comunidad Sorda, que reconoce la pérdida de audición pero no desde una vertiente patologizadora/estigmatizadora sino como peculiaridad, que hace que la persona perciba y organice el mundo a partir del rasgo visual. Desde esta perspectiva surgen conceptos como el de identidad Sorda, cultura y Comunidad Sorda, siendo la lengua de signos su rasgo identitario primordial. Según la OMS, en el mundo existen más de 366 millones de personas con algún tipo de sordera que resulta discapacitante —5% población mundial—. De éstos, alrededor de 70 millones son sordos/as usuarios/as de las lenguas de signos. En Brasil existen entre 200.000-1.000.000 de personas usuarias de la Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS); en España entre 45.000-75.000 usuarias de la Lengua de Signos Española (LSE); entre 9.000-15.000 usuarias de la Llengua de Signes Catalana (LSC) en Cataluña.La Comunidad Sorda, resulta ser un colectivo en especial riesgo de exclusión y situación de vulnerabilidad debido a la multitud de situaciones que viven diariamente en SUS interacciones sociales con oyente mayoritaria. Entre éstas se encuentran las ocasionadas en SUS interacciones con el sistema y servicios de salud, que además de vulnerar derechos básicos de ciudadanía pueden generar problemas de salud, ya que el sistema se encuentra concebido, diseñado, proyectado y ejecutado, en función del patrón de ciudadano/a “normal”. Si nos centramos en los/as profesionales sanitarios vemos que en éstos operan los mismos estereotipos y prejuicios, con respecto a las personas sordas usuarias de las lenguas de signos, que en el resto de la sociedad oyente mayoritaria: el uso del término de sordomudez —altamente peyorativo para la persona sorda—; el desconocimiento de que conforman una comunidad minoritaria con identidad y cultura propias; desconocimiento de las lenguas de signos; la creencia de que todas las personas sordas tienen alta competencia en lectura labial para comunicarse sin problemas en la consulta; que el uso de notas escritas es suficiente para establecer una comunicación efectiva; que ante cualquier dificultad son de gran utilidad la familia y amistades para hacer de intérpretes; etc. El objetivo del presente trabajo es presentar unas experiências en el campo de la educación superior universitaria (Grado y Postgrado) en ciencias de la salud en la Universidad Federal de Goiás (UFG) Brasil y en la Universitat de Barcelona (UB) España, en la enseñanza específica de la atención a las personas sordas en el ámbito sanitario y con la participación en las metodologías docentes, de miembros de la Comunidad Sorda. Se decide presentar estas experiências ya que tanto la UFG como la UB, que se encuentran conveniadas, tienen profesorado en el campo de la salud que trabaja conjuntamente tanto en el ámbito docente como investigador en esta área temática. Desarollo: La UFG en su curso de Pós-Graduação en Ciências da Saúde, imparte una asignatura desde 2017 bajo el título “Libras e saúde”. Los objetivos son contribuir a la accesibilidad e inclusión de las personas sordas en el área de la salud y capacitar a los/as profesionales de la salud para proponer-desarrollar-evaluar prácticas relacionadas con la atención médica a personas sordas. Durante el curso 2019/2 el alumnado matriculado fue de 16, provenientes de diferentes áreas en ciencias de la salud: enfermería, fonoaudiología, nutrición, especialista en educación física, farmacia, bioquímica, fisioterapia, especialidades médicas —otorrinolarigología, oftalmología, psiquiatría, anestesia—. Como se organiza la asignatura:-       Programa: Aspectos históricos y socioculturales de la sordera; Definiciones y conceptos relacionados con la persona sorda, su idioma y cultura; Políticas y legislación sobre Libras y la salud de las personas sordas; Calidad de vida y sordera; Comprensión, técnicas y estrategias de producción en Libras; Resumen aspectos linguísticos de Libras.-       Evaluación: elaboración final de artículo/informe sobre asistencia a pacientes sordos/as en SUS diferentes áreas de especialización.La UB en el Grado de Enfermería inicia en el curso 2018/2019 la asignatura optativa “Llengua de Signes Catalana (LSC) per a l’entorn sanitari”. Los objetivos son contribuir a la accesibilidad e inclusión de las personas sordas en el área de la salud y capacitar a las futuras enfermeras en la atención  a personas sordas.-       Programa: Sordera desde perspectiva biomédica; sordera desde perspectiva sociolinguística-cultural; Comunidad Sorda e interacción con el sistema sanirario —barreras y aspectos facilitadores—; Estrategias comunicativas; Nociones básicas LSC y vocabulario específico en salud y ámbito clínico —impartido por docente sordo/a—.-       Evaluación: trabajo grupal sobre aspectos de salud y Comunidad Sorda: simulación de una situación clínica con personas sordas que hacen de pacientes; examen práctico de LSC. Como aspecto característico del alumnado tanto de la UFG como de la UB, es que tenían un conocimiento limitado o casi inexistente de la Comunidad Sorda y las lenguas de signos, a pesar de haber tenido pacientes sordos/as en la consulta. Al finalizar el curso se pidió al alumnado que hicieran una valoración escrita sobre lo que había supuesto, a nivel personal y profesional, la participación en estas asignaturas. Resultado: Tanto en los trabajos realizados durante la asignatura como en los trabajos evaluativos, el alumnado puso de manifiesto las dificultades con las que a diario se encuentran en su atención a los/as pacientes sordos/as. Por otro lado, gracias a la participación en esta asignatura plantearon estrategias concretas y trabajos concretos para poder mejorar la comunicación y como aspecto final la atención con las personas sordas. El hecho de poder interaccionar en situaciones clínicas simuladas con personas sordas, les ayudó a integrar los conocimientos adquiridos junto con la práctica de habilidades necesarias en la atención sanitaria. Por último, el alumnado manifestó la gran experiencia que había supuesto tanto a nivel personal como a nivel profesional y clínico la participación en estas asignaturas. Conclusiones A pesar de que diferentes países tengan reconocidas las lenguas de signos y que exista legislación específica para reconocer SUS derechos de uso, así como los medios de apoyo a la comunicación, nos encontramos, que en Brasil y España, que estas normativas no se cumplen adecuadamente.Tanto el sistema sanitario, como SUS profesionales, sobre todo aquellos/as con interacción directa con la Comunidad Sorda, han de estar formados adecuadamente sobre: Comunidad Sorda; barreras comunicativas y acceso a la salud; como solventar o revertir estas situaciones que ponen en riesgo la salud de esta minoría. Se ha evidenciado el impacto directo que tiene la formación sobre las lenguas de signos y Comunidad Sorda en la enseñanza superior universitaria, en los futuros profesionales de la salud así como en los profesionales ya ejercientes en el ámbito clínico.

7148 - PERCEPÇÃO ACERCA DO PROGRAMA ACESSO NÃO DISCRIMINATÓRIO À SAÚDE DA IFMSA BRAZIL

Autores: JULIANA VIEIRA SARAIVA, ERICK VINÍCIUS FERNANDES PACHECO, VICENTE MENDES DA SILVA JUNIOR, NEYDE ALEGRE DE SOUZA CAVALCANTE, PEDRO THIAGO DE CRISTO ROJAS CABRAL, ANDRÉ LUIS E SILVA EVANGELISTA, ANA FRANCISCA FERREIRA DA SILVA

PERCEPÇÃO ACERCA DO PROGRAMA ACESSO NÃO DISCRIMINATÓRIO À SAÚDE DA IFMSA BRAZIL

Autores: JULIANA VIEIRA SARAIVA, ERICK VINÍCIUS FERNANDES PACHECO, VICENTE MENDES DA SILVA JUNIOR, NEYDE ALEGRE DE SOUZA CAVALCANTE, PEDRO THIAGO DE CRISTO ROJAS CABRAL, ANDRÉ LUIS E SILVA EVANGELISTA, ANA FRANCISCA FERREIRA DA SILVA

Apresentação: O programa “Acesso Não Discriminatório à Saúde” da IFMSA Brazil tem como objetivo possibilitar acesso igualitário à saúde, além de promover um sistema de saúde mais direcionado à equidade das diversas populações, promover atendimento mais humanizado dos estudantes de medicina e reduzir o estigma e a discriminação dirigida às populações vulneráveis ou marginalizadas, tanto na saúde quanto na sociedade. Dessa forma, tem como público-alvo populações vulneráveis (como população em situação de rua, população privada de liberdade, população LGBTQIA+, população negra, população indígena, população refugiada), população não vulnerável, estudantes de medicina e organizações (governamentais ou não). O objetivo geral do projeto é disponibilizar o acesso equitário à saúde, além de promover saúde para os grupos vulneráveis, educar em saúde e criar no sistema de saúde o respeito às especificidades socioculturais, através de debates da temática ampliando o “olhar sobre” as populações-alvo, sempre conectando conceitos de Saúde Coletiva, relacionados aos determinantes sociais de saúde como algo intrínseco à condição de saúde. Assim, este trabalho objetiva analisar características essenciais das atividades que foram submetidas a esse programa, como: número de atividades, tipo de atividade, formas de avaliação de impacto, principais parceiros, crescimento da temática no ano de 2019 e número de atividades concluídas. Desenvolvimento: para composição deste trabalho realizou-se análise dos relatórios submetidos em 2019 na plataforma Sistema Online de Atividades e Relatório 2.0 da IFMSA Brazil, responsável por receber os planejamento pré ação e feedback pós-ação de todas as atividades realizadas pelos Comitês Locais (LC). Resultado: As ações foram realizadas por LC divididos em regionais, conforme a divisão de oito regionais estabelecida pela IFMSA Brazil (Norte 1, Norte 2, Nordeste 1, Nordeste 2, Leste, Oeste, Sul e Paulista). Destaca-se a realização de atividades envolvendo o programa em todas as regionais. Esse processo não correu de forma igualitária entre as regiões, podendo-se observar discrepâncias na quantidade de atividades realizada por regional, o que pode ser explicado por uma maior necessidade de se trabalhar as temáticas do programa em alguns locais do Brasil e pela proporção do número de comitês existentes em cada regional. Foram executadas diversos tipos de atividades, com predomínio da realização de campanhas e projetos, responsáveis respectivamente por 46,9% e 16,7% das atividades. Outras atividades bastante expressivas foram rodas de conversa, CineMED e palestras. Com relação ao número de relatórios de atividade recebidos, o programa teve um total de 96, sendo que apenas 22%  das ações foram concluídas, demonstrando que o número de atividades enviadas foi bastante significativa, porém uma minoria obteve êxito, o que nos faz pensar se a campanha ocorreu, se houveram problemas na execução ou se o LC optou por abandoná-la. A quantidade de pessoas atingidas foi levantada com base na quantidade de ações concluídas, utilizando-se para tanto, os meios de mensuração de impacto, propagação de informação ou atendimento durante as atividades, descritas nos relatórios pós-ação submetidos ao Sistema Online de Atividades e Relatórios 2.0. Dessa forma, constatou-se que a maioria das atividades teve como público atingido até 30 pessoas, 25% atingiu entre 31 e 60 pessoas e uma menor taxa foi verificada no público maior que 60 pessoas, constituindo menos de 15%. A maioria dos LC não informou em seus relatórios as parcerias que foram conseguidas, trazendo prejuízo na mensuração de parcerias que são utilizadas nas atividades realizadas pela Federação. Das parcerias especificadas, houve predominância de Ligas Acadêmicas, ONGs e Unidades de Saúde (com destaque para as Unidades Básicas de Saúde). Houveram muitas parcerias entre setores e departamentos das universidades, o que pode significar o aumento de vínculos que os LC estão criando dentro de suas universidades, fazendo jus ao lema da IFMSA Brazil “pensar globalmente, mas agir localmente!”. Com relação ao tipo de público atingido, destaca-se a população em situação de rua, população privada de liberdade, refugiados, imigrantes e população negra. Há ainda os métodos de avaliação que são utilizados para mensurar se a ação, de fato, atingiu os objetivos propostos. Para isso, a mensuração de impacto pode ser feita de diversas maneiras. Nota-se a grande predominância de aplicação de questionários para avaliar a efetividade da ação, frente a outros meios, como dinâmicas interativas e relatórios, feedback e roda de conversa. Com relação à “atividades destaque” merecem atenção as iniciativas de Chamadas Multicêntricas, como o Projeto Heart for the Homeless que proporcionou rastreamento de pessoas em situação de rua com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), bem com a promoção de saúde e prevenção de agravos; Projeto Esperanza que consistiu na realização de ações voltadas à saúde da população refugiada e imigrante (como haitianos e venezuelanos) e a de Saúde da População Negra, que contou com a participação de comitês de todas as regionais e proporcionou amplo debate acerca do racismo e suas consequências. Outra iniciativa muito importante foi o Projeto Amparar realizado pelo LC UFMT - Sinop que proporcionou doação de roupas e kits de higiene básica, serviço de documentação social, alimentação aos participantes, além de serviços de triagem médica para a população em situação de rua de Sinop. Considerações finais: O ato de segregar, negligenciar e excluir, servem como meio de barreira à prestação do cuidado de qualidade em saúde, permitindo que a defesa aos direitos humanos fundamentais seja falha e iniquidades do sistema de saúde aumentem. Frente a isso, o direito ao acesso à saúde é necessário para que haja promoção desta para populações vulneráveis ou marginalizadas bem como promoção da qualidade de vida, inserindo-as em diversos meios, incluindo o social. Seja por meio de saúde pública, direitos humanos, saúde sexual e reprodutiva ou educação médica, vários são as possibilidades de intervir na sociedade e proporcionar acesso igualitário à saúde. Conforme demonstrado anteriormente, houve relevante impacto neste programa, devido a uma grande quantidade de temas abordados, diversidade de população alvo, populações atingidas de maneira satisfatória e, acima de tudo, métodos de avaliação de impacto sendo colocados em prática. Aliado a isso, as parcerias estabelecidas nas mais diversas formas e nas maiorias das ações levantam uma maior efetividade, com maior impacto e abrangência de população beneficiária. Contudo, não podemos deixar de negar que ainda há um subaproveitamento deste no que tange à efetivação das ações realizadas, na qual se observa um grande número de submissões de relatórios e baixo contingente de atividades concluídas. Isso, nos traz um alerta para que seja pensado em estratégias que possam intervir nessa problemática e aumentar o impacto das ações realizadas. A estrutura do presente programa ainda precisa de muita discussão, para, então, resultar em atividades mais efetivas, avaliação de impacto bem aplicada e mais exata, dados efetivos para publicações e resultados para as populações vulneráveis mais abrangentes.

9680 - CUIDAR DE SI” RELAÇÃO ENTRE A EDUCAÇÃO E A PROMOÇÃO DE SAÚDE EM CRECHE PÚBLICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Eliane Mara Viana Henriques, Fátima Ariely de Souza, Virginia Maria da Costa Costa Oliveira, Maria Soraia Pinto, MARIA DO SOCORRO LITAIFF RODRIGUES DANTAS, Ravena Viana Ximenes

CUIDAR DE SI” RELAÇÃO ENTRE A EDUCAÇÃO E A PROMOÇÃO DE SAÚDE EM CRECHE PÚBLICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Eliane Mara Viana Henriques, Fátima Ariely de Souza, Virginia Maria da Costa Costa Oliveira, Maria Soraia Pinto, MARIA DO SOCORRO LITAIFF RODRIGUES DANTAS, Ravena Viana Ximenes

Apresentação: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (2017) é um comprovativo de referência para todas as escolas de rede pública. A mesma estabelece normas de aprendizagem fundamentais que todos os alunos devem desenvolver durante o período de educação básica, de forma que os estudantes estejam assegurados do direito de aprender e desenvolver. Assim no decorrer do ensino básico desses alunos é de extrema importância assegura o direito às dez competências gerais propostos pela BNCC. No primeiro período da Educação básica os alunos do infantil tem a garantia de seis direitos de aprendizagem sendo eles conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhece-se. Dessa forma as crianças terão habilidades para se desenvolver e articula-se com o meio social. Dessa forma a escola torna-se um campo de experiência que na qual os estudantes tem o contato com o outro, consegue se expressar, fala, pensa e agir. Dessa forma todas essas competências irão ajudar na educação e valores desses alunos. Refletindo diretamente não ações da mesma, tornando assim mais humano e socialmente justo e também respeitando a preservação da natureza. A escola é um espaço privilegiado para práticas de promoção de saúde e de prevenção de agravos das doenças (BRASÍLIA, 2011), e também de experiências, relações e desenvolvimento das opiniões críticas e politicas de forma que ajudem na construção de valor pessoais, crenças e conceitos. A política de saúde é de extrema importância para auxiliar nas intervenções com o objetivo de diminuir as consequências de ações sobre o efeito de adoecer, e favorecer a ampliação de escolhas saudáveis pelos indivíduos e coletividade (BRASÍLIA, 2010). O Programa Saúde na Escola (PSE) (2011), afirma que para o desenvolvimento de praticas educativas em saúde na escola é necessário que seja considerado as diversidade culturais, e sociais seja ela na coletividade ou individuais, para que se tenha um melhor proveito do compartilhamento de saberes. Para realizar a promoção de saúde nas escolas é necessário uma relação e apoio entre os profissionais da equipe de saúde da família (ESF) com os educadores escolares e os pais dos alunos para que possam capacitar e habilitar esse público (BRASÍLIA, 2011). A promoção de saúde, como um método de produção da saúde, ou seja, uma maneira de pensar e se articular com outras politicas objetivando promover ações estratégicas transversais que permitem atender as necessidades de saúde do indivíduo e coletividade (BRASÍLIA, 2010; CARVALHO, 2015). Esse relato tem como objetivo descrever a experiência vivenciada na atividade educativa promotora de autocuidado e higiene pessoal em crianças de uma creche de um bairro na cidade de Fortaleza (CE)   Método: Trata-se de um relato de experiência de uma atividade educativa sobre o autocuidado, realizada em setembro de 2019, em uma creche com crianças do ensino infantil 3 na cidade de Fortaleza (CE). Essa instituição faz parte de um equipamento social na área adstrita de Unidade Basica de Saúde pertencente a regional VI. Este estudo é parte integrante das atividades desenvolvidas por uma turma de alunos do estágio de Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza. Utilizou-se uma atividade lúdica e teve duração de 90 minutos, destinada para as crianças do infantil III, com faixa etária de 4 à 5 anos de idade. No primeiro momento realizou-se uma avaliação nutricional com todos os alunos que estavam cursando o ensino infantil III. Cerca de 70% das crianças encontrava-se com o peso adequado para idade, 20% estava com o peso acima do que se recomenda para a idade, e 10% estando assim com o peso baixo para idade.  Dessa forma observou-se a necessidade de uma atividade educativa que envolvesse a higienização das mãos, uma vez que esses alunos antes de realizar as refeições utilizavam apenas álcool gel como fonte de limpeza, não sendo assim uma forma eficaz de eliminação de microrganismo patogênicos. Posteriormente elaborou-se um plano de aula na qual foi relatada a de que forma que iria ocorrer à atividade, tendo como objeto estimular o hábito de higienização das mãos pelas crianças, com o intuito de promover a saúde. Os materiais utilizados para o decorrer da atividade foram: glitter, creme corporal, papel toalha, álcool em gel, sabão e água. O resgate da memória foi utilizado com técnica, com o intuito de estimular os conhecimentos prévios das crianças. Após demonstrar todas as maneiras possíveis da lavagem das mãos e eliminação das sujeiras, as crianças foram orientadas a sentar em círculo e cada um recebeu a imagem dos materiais que foram utilizados na atividade. Posteriormente realizou-se o momento de avalição. Dessa forma ao final da atividade as crianças deveriam identificar nas fotos a forma mais eficaz de eliminar os germes e colar no mural. Assim foi considerada uma margem de acerto sendo 20 a 35% como objetivo não atingido, 40 a 60% bom desempenho e acima de 65% ótimo desempenho. Resultado: Participaram da atividade um total de vinte e três crianças do infantil III. Utilizou-se o lúdico no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Jean Paget a interação entre o indivíduo e a comunicação é sem dúvidas consequência mais evidente da linguagem verbal e não verbal, que irá acarretar modificação no meio intelectual, social e afetivo dessas crianças (BOCK, 2005). Do total de crianças participantes 82% delas, ou seja, a maioria dos alunos conseguiu alcançar o objetivo da atividade proposta pelas estagiárias, e apenas 18% das mesmas não conseguiram atingir a meta estabelecida. Assim a atividade proporciona a essas crianças diretamente a sua habilidade de cuida-se de sim e identificar os riscos que pode correr caso não tenha hábitos básicos de lavar as mãos. Relacionando assim a atividade com a Política Nacional de Promoção da Saúde (2010), pode se perceber que foi atingido objetivo proposto pela mesma, como executar ações de promoção de saúde dentro do espaço escolar, ampliando assim a autonomia e responsabilidade do individuo e coletividade, contribuindo para o desenvolvimento do auto cuidado. Se a maior parte das crianças conseguirem aplicar no seu dia a dia o hábito de higienização das mãos nos momentos corretos, posteriormente, de forma indireta esse aprendizado irá refletir no que diz a Política Nacional de Alimentação e Nutrição em sua sétima diretriz controle e regulação dos alimentos, que o planejamento das ações de saúde, fazendo se presente à promoção da alimentação adequada e saudável (BRASILIA, 2013).  Considerações finais: Pode-se concluir que a atividade realizada com as crianças da Creche contribuiu para o aprendizado. É possível afirmar que a escola em si é um equipamento social ideal para que posteriormente possam desenvolver atividades de promoção da saúde e prevenção de agravos, uma vez que as crianças nesse período de crescimento e desenvolvimento têm um papel fundamental de reproduzir em casa para a família o que se aprende na escola. Considera-se a importância do Programa Saúde na Escola (PSE), além de ser uma ação intersetorial, integra diferentes contextos de saúde, proporcionando uma maior abrangência dos cuidados de saúde e possibilitando os alunos serem (co) participantes na promoção e prevenção de saúde.

10862 - ETSUS CARIRI EM AÇÃO SOLIDÁRIA PARA CRIANÇAS EM TRATAMENTOS DE CÂNCER ATRAVÉS DA SUSTENTABILIDADE

Autores: Ana Paula Agostinho Alencar, Petrúcya Frazão Lira, Aline Filgueira Cruz, Édylla Monteiro Grangeiro da Silva, Nayara Luiza Rodrigues, Pollyanna Callou de Morais Dantas, Ana Paula de Oliveira Ribeiro Oliveira, Daniela Cavalcante e Silva de Novais Carvalho

ETSUS CARIRI EM AÇÃO SOLIDÁRIA PARA CRIANÇAS EM TRATAMENTOS DE CÂNCER ATRAVÉS DA SUSTENTABILIDADE

Autores: Ana Paula Agostinho Alencar, Petrúcya Frazão Lira, Aline Filgueira Cruz, Édylla Monteiro Grangeiro da Silva, Nayara Luiza Rodrigues, Pollyanna Callou de Morais Dantas, Ana Paula de Oliveira Ribeiro Oliveira, Daniela Cavalcante e Silva de Novais Carvalho

Apresentação: Este trabalho tem como relato uma ação solidaria, realizada por uma escola técnica do Sistema Único de Saúde (SUSS), a escola Antônio Marchet Callou, para divulgar um ponto de coleta de óleo de cozinha usado, coletar quantidades de óleo na oportunidade e sensibilizar a população a participar dessa coleta do óleo de cozinha usado para direcionar a uma empresa de sabão e reverter em recurso para casa de apoio a crianças em tratamento de câncer. O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Seguindo o raciocínio descritivo, todo o processo de solidariedade foi oferecido dando ênfase a sustentabilidade conceituada como a capacidade de sustentação ou conservação de um processo ou sistema, que significa sustentar, apoiar, conservar e cuidar da natureza além do direcionamento final deste produto coletado na ação. As escolas técnicas do SUS que operam na rede educacional atuam por meio dos colaboradores e alunos a oportunidade de contribuir ativamente com o Sistema Único de Saúde, por meio de parcerias, projetos e atividades realizadas para melhoria da qualidade de vida das pessoas. A Escola Técnica do SUS ao conhecer o projeto, firmou parceria com a Secretaria de Vigilância Sanitária do Município e a empresa de sabão, inserindo nesse trabalho os alunos do Curso Técnico em Vigilância em Saúde, tornando-se assim, um posto de coleta de óleo de cozinha utilizado. O interesse em realizar a coleta de óleo de cozinha usado surgiu durante a apresentação do projeto de uma empresa de sabão no I Simpósio de Vigilância em Saúde no município de Barbalha-CE a partir do aprofundamento perante o projeto. O trabalho teve como objetivo realizar coleta de óleo de cozinha usado e direcioná-lo para uma empresa de sabão que reverte parte de sua renda para uma casa de apoio a crianças em tratamento de Câncer. Sensibilizar a população acerca da importância do projeto de sustentabilidade tanto para o meio ambiente, como para as crianças em tratamento de câncer. Desenvolvimento: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, caracterizado como um relato de experiência, vivenciado pela equipe e alunos de uma escola técnica do SUS, composta por: uma enfermeira doutoranda em enfermagem na assistência à saúde, Coordenadora de estágio, juntamente com a equipe de trabalho (coordenador geral, coordenador de curso, secretária e Coordenadora pedagógica) e 39 alunos do curso técnico em Vigilância em Saúde, em uma instituição de escola Técnica do SUS,  localizada na cidade de Barbalha-Ceará, região metropolitana do Cariri, Mesorregião Sul cearense estando a 504 Km da capital, Brasil, buscando se solidarizar com crianças com câncer assistidas pela casa de apoio de um hospital de Referência através de parceria com uma empresa pública de sabão. Desde o período dos anos 2019 e 2020. Resultado: e ou impactos Os alunos do Curso Técnico em Vigilância em Saúde, e equipe da ETSU em parceria com a Vigilância Sanitária do município, por meio de ações educativas realizadas em estágio curricular e em ações do setor, realizaram a divulgação do projeto e intensificam as orientações, como forma de sensibilizar a população acerca da importância do projeto para as crianças com câncer bem como para o meio ambiente. Durante os estágios, os alunos coletam o óleo doado e divulgam o posto de coleta (ETSUS Cariri). Dessa forma o óleo recebido, é direcionado para a empresa de sabão a qual foi firmado parceria que reverte parte de sua renda para o Instituto de Apoio a crianças com Câncer (IACC). Também é recebido o óleo na escola pela população. Foram realizadas as atividades educativas sendo a primeira na escola para planejamento e organização para com os alunos e iniciarem a coletas, sensibilizando incialmente a equipe e os alunos, em sequência foram realizadas atividades na comunidade com palestras e conversas pelos envolvidos no projeto explicando a população o intuito do mesmo e estimulando a contribuição da população com a coleta do óleo utilizado no dia a dia, além da abordagem que era feita enfatizando a essência da sustentabilidade. Nessas atividades foram sendo informados o ponto de coleta que é a Escola Técnica do SUS de Barbalha. Uma das atividades aconteceu na maior festa da cidade, conhecida como festa de Santo Antônio, as coletas foram realizadas nas barracas que vendiam alimentos e os proprietários receberam as informações da coleta de forma prévia pelos alunos. Surpreendentemente a população se sensibilizou e vem em crescente interesse pela ação, realizando suas entregas na escola, onde já foram coletados em média  65L. O óleo é entregue a empresa para a fabricação do sabão, com a venda do produto destina-se  em média um percentual de 2% para a casa de apoio ao tratamento das crianças com câncer. O impacto dessas atividades foi significativo, pois aumentou o número de coleta e população envolvida, consequentemente aumentado o direcionamento de recurso financeiro ao hospital, para o cuidado com as crianças com câncer. Vislumbrando o crescimento e impacto do projeto mãe que contam com outros pontos de coleta, como:  domicílios, empresas dentre outros, além do significativo retorno  que pelo senso realizado internamente mostra a quantidade em litros de óleo arrecadado durante a festa de Santo Antônio em 2018 foi de 36L, já em 2019, foram arrecadados 184L, o que garantiu o repasse ao IACC de R$ 13.988,60. Destes foram conseguidos através da ação da escola em média 48 L em 2019, que pode garantir ao IACC uma média no seu arrecadamento em média de 4 mil reais. Considerações finais: O município de Barbalha conta com esse projeto durante todo o ano com posto de coleto/arrecadação na Escola Técnica do SUS Dr. Antônio Marchet Callou (ETSUS Cariri), e também com outros pontos de coleta. É visto que por meio de ação educativa conseguiu sensibilizar a população para a separação do óleo e direciona ló a coleta para o ponto referenciado, fazendo com que fossem beneficiados as crianças e o meio ambiente. Conclui que estas atividades devem ser continuas e direcionadas, visto que a coleta do óleo de cozinha usado tem importância fundamental na melhoria da qualidade de vida dessas crianças e contribui diretamente para o cuidado ao meio ambiente.


Távola - Eixo Saúde, Cultura e Arte
Saúde, Cultura e Arte - Arte no Cuidado
Facilitador: Mariangela Rebelo Maia    Data: 28/10/2020    Local: Sala 16 - Távolas de trabalhos    Horário: 16:00 - 18:00
Trabalhos nesta Távola: 3 (clique para ver todos)
11541 - POEMÉTICA E PRO-SI-SOMOS

Autores: Monica Rocha, Denise Mattos

POEMÉTICA E PRO-SI-SOMOS

Autores: Monica Rocha, Denise Mattos

Apresentação: Laboratório de Sensibilidades e Devires – LSD Poemética e Pro -si- somos. Arte, experimentação sensível, formação sensível. O Laboratório de Sensibilidades e Devires (LSD) — projeto de extensão interdepartamental da Faculdade de Medicina da UFRJ — vem nesta oportunidade apresentar duas ações distintas, mas articuladas, a saber: a) Poemética e b) Pro-si-somos, respectivamente uma instalação e uma ação/interferência para ser realizada nos espaço de conivência do congresso e/ou nos espaços de circulação dos congressistas. O Laboratório de Sensibilidades e Devires - LSD tem como objetivo reunir experiências sensíveis na formação de corpos inclinados ao encontro. Visa constituir-se um espaço-tempo no qual se possa experimentar coletivamente, discutir sobre as experiências e produzir interferências que se manifestem em ondas para fora do Laboratório, ruídos, pedregulhos que façam desacelerar as passagens de automatização do conhecimento a-significante e massificado do discurso de cientificidade, para (e) provocar brechas de permanência, insurgência, novos modos de existência: re-existência. Propõe, como recurso metodológico, a realização de atividades de experimentação artística e reflexão sobre suas possibilidades. A instalação Poemética e a ação Pro-si-somos são desdobramentos de duas das cinco ações/projetos do LSD, respectivamente Encontro com pessoas – quem chegar primeiro vai embora, e Corpo e Aura, apresentadas resumidamente a seguir. (Projeto) Encontro com Pessoas (quem chegar primeiro vai embora) — Espaço para leitura, plasticização, elaboração, desconstrução e múltiplas experimentações com poesia através de exercícios com o plágio e a licença poética; autoria, coautoria, autor/multidão; anonimato, cognato, alcunha; a entrega de si como eixo fundante para o encontro com o poeta; Pessoa (quantas pessoas?); oficinas de varal de não‐poesia, de vide-bula, de corpos possíveis. ‐ (Projeto) Corpo e Aura – Projeto voltado para experimentações sensíveis em dinâmicas de grupo tomando como dispositivos: intervenções de dinâmicas corporais, dança, oficinas de palhaço, performances, artes plásticas, cine/experiência, oferta de materiais gráficos para desenho, experimentações com instrumentos musicais, áudios e vídeos. Há também a possibilidade de se produzirem semanas temáticas, com interferência nos corpos da universidade, dos participantes, da cidade para além dos muros da universidade. Se propõe a realizar a experimentação de dinâmicas de sensibilização e oferecer um espaço para a realização de atividades expressivas através de materiais de modelagem, pintura, som, fotografia, filmagem, etc., além de contato com obras/reproduções de artes plásticas, artesanato, literatura e música de diferentes âmbitos da cultura e universos simbólicos. a) POEMÉTICA [i] Tomado de empréstimo a ideia de um penetrável de Hélio Oiticica, a instalação d”A Poemética”consiste de uma cabine de estrutura de canos de PVC com as seguintes dimensões: base e teto de 0,90 x0,90 e 4 hastes de 1,90. Essa estrutura é revestida por dois panos – tafetá transparente e filo ambos de cor vermelha. Na base há uma cobertura no piso com um tecido de pelúcia de cor vermelha. No interior da cabine haverá uma caixa com diversos poemas e um Alto falante mega fone. A instalação convida o público a se apossar de um poema aleatoriamente e a lê-lo em alto e bom som! Olá! Poemética é um convite! Tire seus sapatos Entre Sinta-se à vontade Pegue um poema RECITE! GRITE! Se desejar, use o alto falante Vomite seus afetos com poemas “A Poemética” surge como uma ação política que se preocupa em gerar um espaço de libertação usando poesia como dispositivo de escape. A partir dela, o leitor pode apreender de diversas maneiras o poema, criando problematizações ou achando nas palavras novo sentido para suas afetações. A poesia tanto permite expressar o nosso mundo existencial quanto nos transporta para outros mundos. A ação proposta atuará como o que Deligny (2018) chama de “vômito do afogado”, um grito de resistência e de vida ante a opressão que tenta calar a poesia. Daí o nome “Poemética”: a poesia como um vômito necessário para a própria existência num momento de afogamento das vozes artísticas-políticas. A partir dessas ideias, propomos a criação de um espaço que ao mesmo tempo acolhe o participante e o faz experimentar uma possibilidade de deslocamento. A cabine revestida com um pano translúcido de cor vermelha atua como uma cortina de fumaça, dando a sensação de um lugar privado e acolhedor, mas que acessa e é acessível ao exterior. Tomando a ideia de "devoração" das realidades brasileiras, tal como apropriada pelo artista Hélio Oiticica. b) PRO-SI-SOMOS A partir da instalação “A Poemética”, logo após a sua primeira interferência para a 10ª Semana de Integração Acadêmica - SIAC/UFRJ, tem se consolidado uma agenda de eventos com a participação do LSD com a referida instalação. Já tivemos a oportunidade de levar a instalação para o evento Políticas e Poéticas de contágio — ensaios — _de_viver_entre_muitxs, que ocorreu na UREJ, em 31-10 a 1/11. Participamos também do I Encontro do Observatório de Macaé da Faculdade de Medicina – Campus Macaé. Além de outros convites em curso. A instalação ganha vida própria e errância em visita a muitos coletivos promotores desses eventos. A partir dessas experiências/convites/acontecimentos é que em breve alusão à tradição católica de visita domiciliária da Capelinha de Nossa Senhora, cujo objetivo é atrair diretamente sobre as famílias as bênçãos e graças do Coração de Maria por meio da oração em comum, surgi o dispositivo da ação PRO-SI- SOMOS. A ideia da ação/intervenção Pro-si-somos é realizar, um cortejo, aos moldes de uma procissão – que provém de procedere – ir adiante, avançar, caminhar, levando “A Poemética” como andor, como afirmação política e estética de um comum que fará reverberar em polifonia a potência e contágio da poesia. Pro-si-somos, ganha aqui, a força convocatória de que somos multidão e (RE)Existência, essa é a aposta da interferência nos corpos. Descrição da ação. O cortejo será composto pelo coletivo do LSD, bem como por todos os coletivos, os quais receberam ou receberão até a oportunidade do Congresso “A Poemética” em seus espaços. O público em geral e os congressistas também serão convidados a participarem. Cada participante escolherá uma poesia, que será afixada nas costas do participante que estará a sua frente, de modo que seja possível lê-la e recitá-la de forma continuada. Deste modo ecoará uma polifonia poética – a vozes de que somos em si já multidão. Cada participante também poderá se situar dentro do andor – Poemética (passando por de baixo da base) e, com o auto-falante fazer sobressaltar o escape vibracional do corpo multidão reverberando em sua voz. Articulação das ações – Poemética e Pro-si-somos. A instalação “A Poemética” deverá ser montada em um espaço de circulação, onde se realizará o Congresso e deverá ficar disponível a experimentação dos congressistas e público em geral nos dias de realização do mesmo. ”A Poemética”servirá de andor para a desempenho Pro-si-somos, o cortejo será organizado no espaço em que “A Poemética” estiver instalada e de lá percorrerá os espaços de circulação do congresso, sugere-se que este desempenho possa ser prevista na grade de atividades do Congresso nos intervalos, na hora do almoço ou nas atividades ao ar livre de encontro ou convivência dos congressistas. [i] A instalação d”A Poemética”foi desenvolvida em 2018/2019 pelo coletivo do LSD, para a 10ª Semana de Integração Científica - SIAC/UFRJ realizada de 21-27 de outubro de 2019, no qual participam estudantes extensionistas de diversos cursos de graduação e pós graduação da UFRJ, bem como de outras Instituições de Ensino Superior - IES, membros da comunidade externa e professores da Faculdade de Medicina dos departamentos de Fonoaudiologia e de Medicina de Família e Comunidade.

7789 - A CULTURA DE PERIFERIA PARA O EMPODERAMENTO E O AUTOCUIDADO EM SAÚDE UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Marcus Cristian Muniz Conde, Luís César de Castro, Maurício Fernando Nunes Teixeira, Andreas Rucks Varvaki Rados, Laura Faleiro Kirchheim, Magali Quevedo Grave

A CULTURA DE PERIFERIA PARA O EMPODERAMENTO E O AUTOCUIDADO EM SAÚDE UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Marcus Cristian Muniz Conde, Luís César de Castro, Maurício Fernando Nunes Teixeira, Andreas Rucks Varvaki Rados, Laura Faleiro Kirchheim, Magali Quevedo Grave

Apresentação: A Semana de Arte Moderna da Periferia compreende um marco da insurreição cultural das populações periféricas, desmentindo os estereótipos que reduzem favela a violência. Nesse evento se revelou uma produção cultural refinada, não panfletária, capaz questionar a injustiça dentro de um espectro emancipatório, associado à diminuição da posição de subalternidade, à valorização das formas de ser das populações periféricas dissolvendo os estigmas que sempre acompanharam a condição de pobreza no Brasil. O evento reuniu uma enorme diversidade de coletivos de artistas que se identificavam com o movimento que viria a ser conhecido como “Cultura de Periferia”. Nesse contexto, o Manifesto da Antropofagia Periférica, de autoria do poeta Sérgio Vaz, conclama por igualdade e legitimidade diante das produções marginalizadas no quadro cultural do país. Não mais entendida como local de privação e sofrimento passível de compaixão, a periferia passa a ser um termo utilizado como marcador da resistência popular em tempos de ameaça a nossa frágil democracia. Dessa forma, uma nova subjetividade se forma na periferia, sobretudo entre os jovens, enfatizando o orgulho de sua condição e as potencialidades dessa condição. A promoção da autonomia de jovens da periferia, relacionada ao autocuidado em saúde, no cerne da atenção integral e conceito ampliado de saúde considera de extrema importância a utilização de diferentes manifestações da ‘Cultura de Periferia”. Nesse contexto, a saúde de cada indivíduo existe, também, a partir de valores e concepções construídos culturalmente desde o nascimento. Nessa perspectiva, fica evidente o desafio imposto para a implementação de modelos integrais de atenção à saúde. Para isso, os profissionais de saúde devem articular suas ações aliando o saber técnico, direcionado aos determinantes biológicos de saúde, com os desejos e interesses de cada sujeito, os quais são revelados pelos valores culturais de cada comunidade. Este trabalho tem como objetivo relatar as atividades realizadas  no Projeto de Extensão “A Cultura de Periferia para o Empoderamento e Autocuidado em Saúde”, uma das ramificações do Programa Saúde e Qualidade de Vida, da Universidade do Vale do Taquari – UNIVATES. Desenvolvimento: Visando agregar ideais que busquem trabalhar e identificar os conceitos ampliados em saúde, o Projeto de Extensão A Cultura de Periferia para o Empoderamento e Autocuidado em Saúde considera as questões sociais, culturais, ambientais e de qualidade de vida, partindo de uma abordagem dialógica e relacional, para atender a jovens entre 11 a 15 anos, previamente matriculados na Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio, em Lajeado- RS, tendo como premissas a interdisciplinaridade e multiprofissionalidade. Objetiva promover ações de cuidado em saúde, utilizando manifestações culturais da comunidade como linguagem para promoção do empoderamento e do autoconhecimento dos sujeitos envolvidos. As ações são realizadas por estudantes voluntários de diferentes cursos de graduação, acompanhados por dois professores coordenadores da Univates seguindo, como base, os métodos do Arco de Maguerez, para a efetivação das intervenções, considerando os princípios de etapas de observação da realidade, definição dos pontos-chave, teorização e elaboração de pressupostas soluções para a execução de um plano estruturado de ação. As atividades realizadas foram propostas a partir de vínculos desenvolvidos com os adolescentes, criando, deste modo, uma demanda a ser seguida com os princípios elencados por eles, a partir de uma manifestação de identidades e cultura que pôde ser concretizada e compartilhada. Foram propostas, inicialmente, atividades de criação de poesia e desenhos para o reconhecimento subjetivo dos alunos, seguindo com oficinas de atividades artísticas, como a composição da música “Meu Respeito”. Também uma caixa para questões foi instalada no pátio da escola para identificar os temas sobre saúde que seriam de interesse dos adolescentes. Após cada atividade, a equipes interdisciplinares se reunia nas dependências da escola, mediante supervisão dos tutores, e registraram os dados relevantes no diário de campo, a fim de avaliar os resultados das ações realizadas e acompanhar a evolução de suas estratégias, bem como realizar o planejamento de futuras propostas de intervenção. Resultado: Os adolescentes puderam elencar obstáculos sociais e oficializar o respeito pela vida de cada indivíduo. Os adolescentes tiveram contato com variados instrumentos para a musicalização; partindo para oficinas de criação de coreografia, usando conceitos e ideias de alunos para a montagem da mesma; oficinas de atividades físicas elencando a importância da cooperatividade nas comunidades; oficinas de grafite feito em muros da escola, com a presença de uma profissional voluntária para auxílio, onde os alunos expuseram suas artes e pensamentos; e rodas de conversa, a partir de música, para debater sobre o conceito ampliado de vida e sociedade. Percebeu-se a grande aspiração, pelos alunos da escola, em transmitirem suas artes no ambiente escolar gerando um ambiente livre para criar, fluir e imaginar e, assim sendo, de um lugar de aprendizagem, como é enxergado a escola, surge, também um local de espaço público de arte. Observa-se que o grafite é uma forma de acessível e sem formas e regras, o que, deste modo, despertou nas crianças o desejo de expressão, e de experimentação pelo novo, tendo grande anseio em deixar sua marca e identidade nos espaços dos quais fazem parte, criando-se, desse modo, uma rede de empoderamento e autodescobrimento. As rodas de conversa permitiram o fortalecimento de vinculo com os adolescentes e se caracterizaram como o ponto de partida para a discussão das temáticas de autocuidado em saúde. No final do ano de 2019 os adolescentes participantes do projeto apresentaram a coreografia ensaiada e a musica que por eles foi composta durante o III Simpósio Justiça Sociedade e Direitos Humanos. Considerações finais: Durante a realização das atividades pudemos identificar o processo de alienação dos sujeitos no que concerne a “cultura de periferia”. Além disso pudemos aproximar as realidades da Academia e da Comunidade através do exercício da empatia, vivenciando entre os sujeitos do projeto experiências que permitiram a compreensão da realidade social na qual estão inseridos. Fundamentado na Política Nacional de Extensão Universitária (2012) e na Política de Extensão da Univates, com vistas a atender o perfil do egresso, a Extensão Universitária constitui um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre a Universidade e os outros setores da sociedade sob o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Ainda o projeto estimulou ações interdisciplinares por meio da integração dos cursos da área da saúde, vinculados ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS): Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Estética e Cosmética, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição e Psicologia, podendo integrar demais cursos da Universidade. O projeto de extensão tornou-se de grande importância para a sua comunidade foco, pois trouxe a concretização acerca das teorias aprendidas pelos acadêmicos em sala de aula. Neste sentido, a comunidade foco recebe o aprendizado e é beneficiada por usufruir deste aprendizado, provocando assim, mudanças sociais


Távola - Educação
Potencialidades e desafios das Residências Multiprofissionais
Facilitador: Júlio Cesar Nicodemos     Data: 30/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 16:00 - 18:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
7744 - DA REDEMOCRATIZAÇÃO ÀS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS: POR UMA PSICOLOGIA COMO PRÁTICA DO ENCONTRO E CONSTRUÇÃO DO COMUM

Autores: Gabriela Di Paula Dias Ribeiro, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, Márcio Mariath Belloc

DA REDEMOCRATIZAÇÃO ÀS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS: POR UMA PSICOLOGIA COMO PRÁTICA DO ENCONTRO E CONSTRUÇÃO DO COMUM

Autores: Gabriela Di Paula Dias Ribeiro, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, Márcio Mariath Belloc

Apresentação: A entrada da psicologia na saúde foi influenciada por diversos fatores entre eles a reforma psiquiátrica; fruto do movimento dos trabalhadores da saúde mental e do movimento da luta antimanicomial. Em 1985, o país vivia uma intensa mobilização popular, demandas políticas movimentadas pela redemocratização do Brasil somada à iminência da elaboração de uma nova constituição, com avanços sociais relevantes e algumas marcas conservadoras. Era um momento de luta e “esperança” para uma parte da sociedade brasileira que buscava a prevalência de direitos humanos, de cidadania, seguridade social, educação e saúde. Ademais das questões sociopolíticas o país estava imerso em uma crise econômica com o avanço neoliberal. Outro ponto relevante nesse período foi o rearranjo social que obtinha novos ares e retomava a sua organização, a citar uma maior ação política do Sindicato de Psicologia e do Conselho Federal, bem como do Conselho Regional de São Paulo. Tais mudanças em conjunto com o crescimento dos campos de atuação trouxeram um olhar sob a psicóloga para além do profissional autônomo, mas sim como um trabalhador constituído de atitude política, com uma intervenção sindical entre outras formas de organização do seu fazer e novas discussões acerca da profissão e da implicação psi nas discussões daquele período, como a sua inserção nas políticas públicas, a citar a área da saúde. É nessa conjuntura que a psicóloga adentra a saúde, a inclusão desse profissional nas políticas públicas é consequência de constantes transformações provocadas pelas práticas e demandas da população e não necessariamente em decorrência de um arcabouço teórico e metodológico, mas sim por meio de uma urgência da assistência. No Brasil, a psicologia insere-se no campo da saúde coletiva principalmente via SUS; seus princípios e diretrizes solicitam uma reinvenção da intervenção psicológica para além da atuação clínica individual, privativa e ambulatorial. Exige uma compreensão do processo saúde-adoecimento-atenção, uma intervenção contextualizada conforme a região do usuário, a sua história, condições econômica, social e cultural. Outrossim, a psicóloga tem a oportunidade de se reinventar a partir do acesso às demandas reais da população, de ações preventivas, educativas e de reabilitação para além do modo clínico individual; em contato com outros saberes – inclusive o saber do usuário. Inserida em equipes multiprofissionais, ao realizar grupos terapêuticos, ações que promovam autonomia, cidadania, bem-estar, protagonismo e a redução do sofrimento psíquico do usuário. O contexto da saúde convida a psicologia para posicionar-se a respeito da sua contribuição com as condições de vida da população brasileira em prol de uma assistência integral. Percebe-se, assim, que a psicologia ao longo dos anos ganhou espaço no campo da saúde, expandiu a sua área de atuação e a sua capacidade teórica/técnica para intervir. Um dos espaços que a psicologia adentrou foram os programas de residência multiprofissional em saúde. A primeira residência multiprofissional em saúde no Estado do Pará foi desenvolvida em 2010 no Hospital Universitário João de Barros Barreto em parceria com o Hospital Público Ophir Loyola, o Hospital Universitário Betina Ferro de Sousa e Unidades Básicas de Saúde vinculado à Universidade Federal do Pará, ofertou 20 vagas, 10 para a área de concentração em Oncologia envolvendo as seguintes categorias profissionais: Psicologia, Biomedicina, Nutrição, Farmácia, Enfermagem e Odontologia, e 10 para o programa Saúde do Idoso que abrangia Psicologia, Farmácia, Enfermagem e Fisioterapia. Uma formação coletiva inserida no cotidiano do serviço em saúde requer uma atenção integral, envolve saberes que se intercruzam a fim de dar conta da complexidade da pessoa que busca assistência e exige disponibilidade interna dos diversos profissionais que compõem o cuidado em saúde. Busca-se com este trabalho refletir acerca de como o fazer da psicologia dialogar com os diversos saberes que compõem a equipe de saúde a fim de construir uma assistência de modo coletivo a partir da sua inserção em programas de residência multiprofissional em saúde? Tal questão faz parte de uma pesquisa de mestrado desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Pará, apresentada em junho de 2019. Utilizou-se a metodologia clínico-qualitativa, foram entrevistadas sete psicólogas residentes egressas selecionadas, por meio da amostragem não probabilística “bola de neve”. Os resultados obtidos apontam que os espaços construídos para uma assistência à saúde a partir de uma perspectiva multidisciplinar, transdisciplinar e interdisciplinar são alcançados de modo mais efetivo e consistente entre os próprios residentes. Considerando que sentem que possuem em comum o ser residente que os vincula e traz um caráter de identificação entre elas, que as aproxima e facilita a troca de saberes e vivências. Assim como propicia disponibilidade interna para a psicóloga residente sair de um lugar de saber e transitar no não saber a fim de aprender com o outro a respeito de distintas áreas de conhecimento em prol do cuidado ao usuário e do serviço de saúde. Contudo, observou-se em alguns momentos a não compreensão acerca do lugar das residente multiprofissional, com impacto na integração das mesmas com a equipe de saúde, promovendo nos profissionais dos serviços atitudes que excluem as residentes da equipe. Uma incompreensão que passa obviamente pela organização do programa de residência, mas que é fruto de uma prática atravessada pelo discurso biomédico hegemônico e o modelo flexneriano centrado na especialidade, que toma ainda mais fôlego em um contexto de expansão do capitalismo neoliberal sobre as práticas e políticas de saúde. Esta situação merece atenção, visto que uma das ferramentas principais nos ambientes de saúde são as tecnologias leves, tratadas como menores no modelo em expansão, interferindo diretamente nas práticas de cuidado ofertadas aos usuários. Uma forma de trabalho que dificulta a necessária relação dialógica entre todos os atores que fazem parte das redes de atenção à saúde. É a partir do vínculo construído, das relações interpessoais entre os diversos profissionais de saúde que compõem o serviço que o cuidado em saúde acontece. São atos vivos em saúde que chegam até o usuário, a sua família, ou seja, é a partir da micropolítica que o diálogo entre os múltiplos saberes pode transitar e abrir frestas para uma assistência coletiva e inclusivo; considerando o saber do usuário. Um trabalho vivo acontece no tecido celular das relações que se permitem o não saber como uma ferramenta potente para a costura de um fazer saúde integral. Tecido por diversas mãos com um fim em comum. A residência multiprofissional ao facilitar práticas multiprofissionais, transdisciplinares e interdisciplinares, a despeito de ocorrerem de forma mais fluída entre os próprios residentes e com dificuldade entre os outros membros da equipe, tenciona práticas instituídas, movimenta e transforma os espaços de saúde, viabiliza a inserção de diversas categorias profissionais que com a sua presença sensibilizam e contribuem com a assistência e exigem da equipe do serviço competências e habilidades na dimensão subjetiva e relacional. Defendemos, assim, a formação e a prática de uma psicologia, que retoma os princípios da luta antimanicomial, que se funda na produção de vida e cidadania da redemocratização brasileira, no caráter multi-inter-trans das residências, na construção inventiva e contra-hegemônica de um comum que seja garantia da dimensão mais subjetiva. Uma prática do encontro, crítica e reflexiva, para uma construção coletiva de saúde, na qual, todos são parte do processo e precisam estar implicados com essa construção. 

8096 - SERVIÇO SOCIAL E SAÚDE: EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA DE QUALIFICAÇÃO DO TRABALHO MULTIPROFISSIONAL

Autores: Rhanna da Silva Henrique, Sophia Rosa Benedito, Bárbara Cristina Boscher Seixas Pinto, Adriele Campos Moreira, Marina Ribeiro dos Santos, Viviane Liria Costa de Souza, Sofia Camargo Collet

SERVIÇO SOCIAL E SAÚDE: EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA DE QUALIFICAÇÃO DO TRABALHO MULTIPROFISSIONAL

Autores: Rhanna da Silva Henrique, Sophia Rosa Benedito, Bárbara Cristina Boscher Seixas Pinto, Adriele Campos Moreira, Marina Ribeiro dos Santos, Viviane Liria Costa de Souza, Sofia Camargo Collet

Apresentação: O presente relato tem o objetivo de compartilhar a experiência de uma atividade de educação permanente em saúde, realizada entre residentes multiprofissionais do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz). A equipe é composta por assistente social, cirurgiã-dentista, educadora física, enfermeira, farmacêutica, nutricionista e psicóloga e desenvolve suas atividades de campo em uma Unidade de Saúde da Família, localizada na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio de Janeiro. No local, a composição do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) não conta com assistente social, o que impôs desafios para a inserção da residente da categoria no cenário de prática. Dessa forma, durante o processo de trabalho, foi notada uma lacuna decorrente da própria formação acadêmica de algumas profissões, muito centrada nos núcleos profissionais e pouco voltada para o campo de Saúde Pública. Assim, eram comuns os relatos das outras residentes sobre ter dificuldades de incluir o serviço social na dinâmica do processo de trabalho, uma vez já que as possibilidades de atuação são diversas e, muitas vez, não têm contornos muito óbvios. Essa dificuldade não se restringe ao serviço social, o que nos obriga a diariamente encontrar estratégias para tentar superar a fragmentação dos saberes, avançando rumo à integralidade. A atividade se constituiu como uma roda de conversa entre as residentes, mediada pela assistente social e contou com uma apresentação gráfica produzida pela mesma, como material facilitador. Foram usados três documentos legais como referenciais teóricos norteadores: Parâmetros para atuação de assistente sociais na Política de Saúde (2010), Código de Ética do Assistente Social (Lei 8662/93) e Caderno de Atenção Básica nº 27 (CAB 27), cuja abordagem é centrada nas diretrizes do NASF (2009). Num primeiro momento, foi abordada a relação entre serviço social e saúde. A profissão que não se restringe à saúde e se constitui como generalista, tendo várias possibilidades de inserção em diferentes políticas, tem como principal objeto de intervenção a “questão social”. Assim, convoca as outras profissões do campo da Saúde Pública a um olhar mais atento para o contexto e o processo de saúde e doença nele produzido. Foram apresentados autores e textos que relacionam o projeto ético político da profissão com a Reforma Sanitária Brasileira (Matos, 2003; Bravo & Matos, 2004), os princípios fundamentais da profissão, a atuação e competências específicas do serviço social na saúde, as competências profissionais de modo geral e as atividades privativas. O grupo foi reconhecendo dentro desses itens quais atividades se relacionavam com o processo de trabalho já estabelecido, podendo reconhecer o trabalho da assistente social em outras atividades para além das orientações sociais a indivíduos e famílias. Quanto às atribuições privativas, foram feitas duas perguntas para reflexão coletiva: “O que só você pode fazer? Como essas atribuições privativas do Serviço Social impactam o seu processo de inserção na equipe multidisciplinar na residência?” A partir desses questionamentos, viu-se que, dentro da saúde, poucas são as atividades que apenas a assistente social pode fazer. Isso explica, inclusive, esse “não lugar” muitas vezes relegado à profissão e dificuldade de acessar a profissional. Em seguida, foi apresentado um esquema para se pensar no acesso à assistente social. Foi dividido em duas dimensões para fins de didática: trabalhadores e população usuária. Entre os trabalhadores, havia três divisões: todas as equipes mínimas da clínica, a equipe de estratégia de saúde da família na qual a equipe de residentes está inserida e, por último, a própria equipe de residentes. Já no que tange à população, as demandas foram divididas em espontâneas e programadas. A visão das profissionais foi contrastada com a visão da própria assistente social, que elencou sua atuação centrada em demandas de desemprego/subemprego; questões burocráticas; problemas com INSS; acesso ao Benefício de Prestação Continuada; contato com a rede intersetorial; questões decorrentes da falta de rede familiar; casos complexos, nos quais as equipes já tentaram muitas vias e não obtiveram êxito, recorrendo ao serviço social em última instância; e, por fim, demandas que já chegam à assistente social com ações já definidas do que esperam dela. Outro tópico abordado na atividade de educação permanente foi a relação entre serviço social e psicologia. Como na gênese da profissão havia de fato uma visão psicologizante, ainda que a categoria tenha passado por um processo de reconceituação, essa perspectiva está arraigada na imagem da profissão. No contexto dessa unidade de saúde da família, a falta de assistente social no organograma pode ser um dos fatores que expliquem a sobrecarga de trabalho das psicólogas, tanto do NASF quanto das residentes, sendo delegadas somente à Saúde Mental questões diretamente ligadas com as condições sociais de vida da população. Após apresentado material elaborado pelo Conselho Regional em Serviço Social, foi proposta uma atividade a ser realizada coletivamente com o objetivo das residentes refletirem o potencial das duas profissões trabalhando conjuntamente. Foram elencadas 3 situações: abuso sexual infantil; abandono de idosos e violência doméstica. São demandas que aparecem com frequência na unidade e, geralmente, apenas a psicóloga é vista pela equipe mínima como profissional apta a conduzir o caso. Na continuidade, foram apresentadas demandas comumente delegadas às assistentes sociais, mas que não são atribuições das mesmas e na sequência, discutidas sete dimensões complementares e indissociáveis do trabalho de assistentes sociais na saúde: assistencial; mobilização, participação e controle social; planejamento e gestão; qualificação e formação profissional; assessoria; socioeducativa e equipe. Em cada uma delas foi realizado o exercício de associar os itens que as compõem com o trabalho desenvolvido pela própria equipe, de forma a reconhecer essas dimensões inseridas no cotidiano profissional. Por fim, foram apresentadas as partes do CAB 27 que tratam especificamente sobre as possibilidades de atuação conjunta com o serviço social. Novamente as residentes refletiram, baseadas em documentos legais, sobre seu cotidiano profissional. A partir dessa atividade, foi possível perceber que, além da capacitação das outras residentes para ampliarem o escopo de possibilidades conjuntas com o serviço social, foram visibilizadas as atividades que já eram realizadas. Assim, houve, na verdade, uma qualificação no sentido de saber reconhecer o trabalho já em curso, entendendo-o não como uma característica individual da assistente social residente, mas sim como competências e atribuições da profissão. Além disso, a própria assistente social, durante o planejamento e execução da atividade, estava em processo formativo. Ao refletir sobre a sua inserção na unidade e na equipe de residentes, pode traçar estratégias para qualificar seu processo de trabalho e refletir sobre aspectos antes invisibilizados. Por fim, a ferramenta utilizada se mostrou estratégica para o desenvolvimento do trabalho multiprofissional, apesar de não se esgotar nela, uma vez que é, majoritariamente, em ato, no cotidiano do trabalho, que vão se criando e expandindo as possibilidades de relações entre as profissões. Apesar da experiência descrita estar centrada no serviço social, a equipe planejou que essa atividade de educação permanente fosse realizada posteriormente, discutindo todas as profissões, bem como abrangendo trabalhadores não residentes da clínica. Nesse sentido, a residência multiprofissional se apresentou como um potente processo formativo com vistas a formar trabalhadores qualificados no âmbito do Sistema Único de Saúde, capazes de atuarem para além de seus núcleos profissionais e em consonância com os princípios do mesmo: integralidade, universalidade e equidade.

10319 - EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE- UM DISPOSITIVO PEDAGÓGICO DO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE MENTAL

Autores: Flávia Fasciotti Macedo Azevedo, Maria Paula Cerqueira Gomes, Leila Vianna dos Reis, José Carlos Lima de Campos, Carlos Eduardo Honorato

EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE- UM DISPOSITIVO PEDAGÓGICO DO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE MENTAL

Autores: Flávia Fasciotti Macedo Azevedo, Maria Paula Cerqueira Gomes, Leila Vianna dos Reis, José Carlos Lima de Campos, Carlos Eduardo Honorato

Apresentação: O campo da educação em saúde no Brasil, na primeira década desse século, sofreu importantes transformações. Incentivos na criação de cursos e propostas de formação surgem como forma de qualificar a formação de profissionais em saúde, aproximando a formação à real necessidade de saúde da população. Nesta direção surge em 2004 a política nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), representando um marco para a formação e trabalho em saúde no País. Esta política nasce como resultado de lutas e esforços promovidos pelos defensores do tema da educação dos profissionais de saúde, como forma de promover a transformação das práticas do trabalho em saúde. Este trabalho tem como objetivo apresentar o uso da educação permanente em saúde como um dispositivo pedagógico fundamental e orientador do programa de residência em saúde mental do IPUB/UFRJ e apresentar alguns de seus efeitos no processo de formação de profissionais. O tema da educação permanente no programa de residência multiprofissional do IPUB foi trabalhado em uma dissertação de mestrado (1) e uma pesquisa de pós doutorado (2). Desenvolvimento: O programa de residência multiprofissional em saúde mental do IPUB/UFRJ, foi criado em 2010 e, como muitos programas de residência no país, surge a partir do incentivo da parceria entre os ministérios da saúde e educação. (IPUB, 2013). Tem como objetivo desenvolver um curso de pós graduação nos moldes de residência multiprofissional e interdisciplinar em saúde mental, com base nas definições e determinações da Reforma Psiquiátrica e na antiga Políticas Nacional de Saúde Mental, implantada até 2018. Com duração de dois anos o curso se destina a psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, sob forma de especialização caracterizada por treinamento em serviço, em regime de dedicação exclusiva, sob orientação docente-assistencial, tendo como eixo o cuidado em saúde e a qualidade de vida. É em seu projeto político pedagógico que encontramos desde os marcos orientadores desse programa, suas inspirações filosóficas, bem como o desenho do curso, o modo como ele se organiza. Neste ponto identificamos a educação permanente (EP) como um importante dispositivo pedagógico. Tomamos o conceito de dispositivo pedagógico a partir das contribuições de Foucault. Para este Foucalt, o conceito de dispositivo foi definido incialmente como um dos operadores materiais do poder entendido como: técnicas disciplinares estratégias minuciosas e formas de assujeitamento e docilização dos corpos utilizadas pelo poder coercitivo, que opera na forma de dominação. Deleuze retoma o conceito de Foucault e dá destaque para a dimensão produtiva do poder, que não é somente da ordem da coerção e da opressão, mas da ordem daquilo que subverte, dobra, resiste. Trata-se de um conceito operatório multilinear composto por linhas de natureza diferente e alicerçado em três grandes eixos, que combinam campos de saber, relações de poder e modos de subjetivação. Para Deleuze (1999) todos estão imersos em dispositivos e eles nos atravessam o tempo todo, fazendo-se necessário instalar-se sobre as próprias linhas, separá-las desenhando um mapa, cartografando terras desconhecidas e, ao mesmo tempo, construindo novas linhas, criando novas possibilidades e realidades. Resultado: Neste programa de residência multiprofissional a educação permanente se constitui como um espaço semanal onde todos os alunos, tutores e demais atores do programa se encontram para discutir os impasses e questões apresentadas pelo cotidiano do trabalho. O mundo do trabalho é o foco deste encontro, onde a palavra circula e são trabalhados os vários aspectos do problema, processando-o e, assim, produzindo deslocamentos nos impasses, e, em algumas vezes inventadas soluções. Nesse espaço, de forma recorrente tiram-se posicionamentos coletivos e formas de intervenção na realidade. Este espaço coletivo tem se mostrado potente e inovador, mas apresenta-se como um desafio constante se manter um espaço democrático, horizontal cujo objetivo geral é manter a discussão visando a transformação dos impasses iniciais apresentados em propostas de ação e de transformação do cenário e da realidade vivida. Assim, promover um deslocamento da queixa inicial para uma atitude mais propositiva, implicando os atores e os seus fazeres cotidianos em uma mudança de posição ativa, como construtores e transformadores da realidade e no mundo no qual estão inseridos. Essa perspectiva é central no programa do curso: a identificação do problema, o processo de análise, a tomada de responsabilidade e a implicação no processo de transformação do problema e da realidade em si. Esse mecanismo é o centro do processo formativo desta proposta pedagógica. Alguns temas surgem com regularidade a cada ano. O tema da multiprofissionalidade com questões referentes ao que é o que é nuclear e o que é comum às diferentes categorias profissionais no cuidado em saúde. Os atravessamentos instituicionais no cuidado ao usuário com transtornos mentais é outro tema frequente e que promove discussões calorosas na tentativa de encontramos uma posição possível e produtiva. A formação dos alunos implicados e imersos no contexto institucional, caracteriza um processo de intervenção em que em seu fazer-saber promove um processo de transformação da realidade em ato. Considerações finais: O espaço de educação permanente se apresenta como lugar depositário dos impasses do trabalho, construção coletiva de saídas para os tema vivenciados no cotidiano, bem como de alinhavo pedagógico ao atribuir conceitos e identificar posições. Neste espaço, o conceito de transversalidade elaborado por Guatarri se torna pertinente, pois faz operar o plano em que a realidade, nas suas inúmeras dimensões, se comunica. Neste processo é possível identificarmos uma relação entre formação e intervenção na realidade. A realização desse processo mútuo de formação e de intervenção não é algo que ocorra de modo automático e nem direto. Requer um planejamento, um percurso formativo a seguir que é sustentado pela direção dada pelo curso na formulação do seu PPP, norteador de práticas, definidor de métodos e que aponta caminhos a serem trilhados, orientados pelo SUS e pelos princípios da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial. Neste contexto, um conjunto de ações são mobilizadas com foco na formação de uma nova geração de profissionais, por meio de um processo educacional inovador e transformador. Assim busca-se a excelência técnica e científica, contextualizada pela abordagem ética, singular e integral de cada pessoa com a defesa da vida e o direito à saúde. (1) Azevedo, 2013; (2) Gomes, 2016

10994 - O CONSULTÓRIO DE RUA COMO PONTO DE VIVÊNCIA NO SUS: REFLEXÕES SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL ENQUANTO ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE

Autores: Priscilla Victória Rodrigues Fraga, Wakyla Cristina Amaro Corrêa

O CONSULTÓRIO DE RUA COMO PONTO DE VIVÊNCIA NO SUS: REFLEXÕES SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL ENQUANTO ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE

Autores: Priscilla Victória Rodrigues Fraga, Wakyla Cristina Amaro Corrêa

Apresentação: A Residência Multiprofissional em Saúde se constitui na modalidade de ensino pós-graduação lato sensu, tendo sua característica o ensino em serviço. A residência multiprofissional em Saúde da Família/Atenção Básica do Hospital Odilon Behrens (HOB), possui a dinâmica de Rede em Saúde, onde o residente desse programa circula por diversos serviços de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, o que faz elucidar sobre o fluxo da REDE SUS/BH. As residências em saúde se situam como uma inovação da formação dos trabalhadores, compondo uma estratégia de educação permanente e acontecendo a partir dos problemas enfrentados na realidade. Neste sentido, o presente trabalho tem como foco relatar as reflexões acerca da relação ensino-aprendizagem estabelecida sob a ótica da residente e da preceptora do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família/Atenção Básica do HOB no Consultório de Rua (CdeR) como campo secundário de atuação da residente, entendendo a residência como espaço privilegiado de formação em saúde, de fortalecimento do SUS e da categoria profissional. Desenvolvimento: O CdeR é um dispositivo da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Belo Horizonte que atende a população em situação de rua do município, com atuação nas cenas públicas de uso de álcool e outras drogas na cidade na perspectiva da redução de danos. A equipe é composta por 1 enfermeira, 1 psicóloga, 2 assistentes sociais, 1 arte-educadora e 1 redutora de danos. Cabe explanar que todas participantes envolvidas neste estudo identificam-se como do gênero feminino. Desse modo, optou-se por utilizar o artigo “A”, no feminino, sempre que se refere a alguma das participantes da pesquisa ou sua coletividade. O CdeR desenvolve ações de forma intersetorial com as políticas públicas, estabelecendo vínculo e acompanhamento dos sujeitos que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas nas cenas públicas ou privadas (casas de uso) no território, reconhecendo a Redução de Danos como uma ética norteadora do cuidado, e a partir daí constrói junto aos sujeitos articulações e estratégias que façam sentido em suas vidas. A inserção da residente assistente social no CdeR, revela-se como importante ponto de  imersão do Sistema Único de Saúde (SUS) devido sua atuação junto a uma população historicamente negligenciada pelas políticas públicas. A vivência durou um período de 2 meses onde a residente atuava semanalmente junto a equipe multiprofissional. Torna-se importante ressaltar que a inserção do residente neste campo nem sempre se dá de forma tranquila, considerando as particularidades da atuação nestas cenas onde muitas vezes se apresentam de forma devastadora e/ou sob o domínio do tráfico. O CdeR se apresenta nestes territórios como oferta de escuta, cuidado, acolhimento, redução de danos e se propondo a ser ponte destes sujeitos até os demais serviços. Desta forma é fundamental que o preceptor esteja próximo e atento, buscando dar informações práticas e leituras da dinâmica territorial ao residente de forma que subsidie sua atuação. Durante a preceptoria é notório a dinâmica do serviço, desde os acompanhamentos dos usuários no território, nas cenas de uso e a articulação com outros serviços da REDE SUS/BH. Enquanto residente, estar presente em localidades que em sua maioria são marginalizados, com sujeitos invisibilizados, diante de uma lógica de exclusão dessas pessoas é estar em contato direto com as diversas expressões da questão social (objeto de intervenção do Assistente Social). Durante esses meses foi possível verificar a afirmação da luta pelos direitos sociais, reafirmando esses sujeitos como seres de direitos. Como preceptora do programa de residência multiprofissional, percebo grandes potencialidades no modelo de formação, principalmente no sentido de envolver e capturar os profissionais residentes na construção de um compromisso ético-político com o SUS. Atuar no CdeR traz uma experiência extremamente importante para formação profissional, principalmente no fortalecimento da magnitude do trabalho multiprofissional que por meio da troca entre os diversos saberes profissionais potencializa as possibilidades de construções do cuidado. Outro ponto relevante foi a troca preceptor versus residente, a abertura para o diálogo e a acolhida das sugestões de intervenção facilitam no processo de aprendizagem durante essa vivência, possibilitando um ambiente confortável para a profissional assistente social residente realizar intervenções. Resultados: A vivência da preceptoria/residência se revela como importante espaço para o processo formativo e de atuação profissional enquanto formação em serviço no SUS e para o SUS, bem como possibilita aprendizado e reflexões ao preceptor. A partir do momento que proporciona a vivência prática de atuação ao residente, traz também para o cenário de prática o olhar de fora, olhar este que muitas vezes é o que enxerga as incoerências e ou inconsistências estabelecidas no processo de trabalho e que muitas vezes já não é identificado pelo preceptor que se “acostumou” com aquele processo. Estar no CdeR trouxe para a residente uma abertura de intervenção importante. Enxergar e entender o fluxo da REDE SUS/BH, a partir dessa inserção está sendo importantíssimo para minha atuação na atenção básica. A vivência me trouxe algo muito concreto, no campo do real, fez entender a lógica da Educação Permanente em Saúde, onde a prática do dia a dia de profissionais está vinculado a uma transformação e qualificação das práticas de saúde. Atuar com a população em situação de rua, é entender as diversas ações vinculadas a sua sobrevivência nesse lugar árduo que é a rua, é perceber suas necessidades, é ter um compromisso ético e político com o SUS e é fazer uma abordagem a partir da redução de danos. Estar com os usuários em seus territórios dialogando e acolhendo suas demandas é promover saúde e cuidado. As acolhidas trouxeram a chance de percepção acerca do perfil dos usuários atendidos pelo serviço. É evidente o recorte de raça presente nos sujeitos acompanhados pelo CdeR, onde majoritariamente são pessoas negras e pobres, trazendo um reflexo do racismo estrutural presente nessa sociedade capitalista. Considerações finais: Para a preceptora, participar ativamente do processo formativo de seu colega de categoria profissional se revela como uma oportunidade ímpar de contribuir didaticamente na formação continuada de seus pares. Para a residente fica exposto o entusiasmo em poder conhecer a RAPS de Belo Horizonte, o CdeR e a política de redução de danos. Correlacionar prática e ensino possibilita abertura de novos horizontes em relação a intervenção profissional. Reconhecer esses sujeitos como seres de direitos é um compromisso ético-político profissional, pois é dever, enquanto assistente social estar na luta intransigente pela defesa dos direitos sociais. O crescente aumento da população em situação de rua, devido a perversidade do sistema capitalista, afirma a necessidade da existência e garantia do funcionamento de serviços de saúde sob uma ótica humanizada e alinhada com os princípios do SUS. Estar no CdeR exige observação, escuta, disponibilidade para o outro e se revela como um importante momento de vivenciar o SUS atuando com uma população que segue muitas vezes desassistida na cidade. Estar presente neste ponto da rede de saúde possibilita vivenciar a concretização do SUS como universal, integral e equânime, apesar das dificuldades postas no cotidiano, evidenciando a promoção de saúde. Finalizamos afirmando que o CdeR se revela como importante campo secundário que possibilita uma leitura ampliada da rede de saúde no município, bem como uma possibilidade de sensibilização dos profissionais residentes por meio da aproximação com essa realidade invisibilizada na cidade.


Távola - Educação
A potência transformadora da Educação Permanente em Saúde no mundo do trabalho
Facilitador: MICHELLY SANTOS DE ANDRADE    Data: 30/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 08:00 - 10:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
11296 - HUMANIZAÇÃO: UMA IMERSÃO NO COTIDIANO

Autores: Maria Luiza De Barba, Luana Manzini, Tatiane Basilio, Beatriz Marques

HUMANIZAÇÃO: UMA IMERSÃO NO COTIDIANO

Autores: Maria Luiza De Barba, Luana Manzini, Tatiane Basilio, Beatriz Marques

Apresentação: A Política Nacional de Humanização (PNH) foi instituída pelo Ministério da Saúde no ano de 2003, com o objetivo de contagiar e efetivar os princípios do Sistema Único de Saúde na realidade do cotidiano na gestão e na assistência. A PNH incentiva trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários, promovendo a comunicação entre estes três grupos para provocar uma série de debates em direção às mudanças que proporcionem melhores formas de cuidar e organizar o trabalho. Qualquer mudança na gestão e atenção é mais concreta se construída com a ampliação da autonomia e vontade das pessoas envolvidas, que compartilham responsabilidades. Dessa forma, os usuários não são só pacientes, os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um. Um SUS humanizado reconhece cada pessoa como legítima cidadã de direitos e valoriza e incentiva sua atuação na produção de saúde, buscando transformar as relações de trabalho a partir da ampliação do grau de contato e da comunicação entre as pessoas e grupos, tirando-os do isolamento e das relações de poder hierarquizadas. Transversalizar é reconhecer que as diferentes especialidades e práticas de saúde podem conversar com a experiência daquele que é assistido. Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma mais corresponsável. O presente trabalho é um relato de experiência de uma atividade desenvolvida pelo Núcleo de Educação Permanente da organização social Instituto de Atenção Básica de Avançada à Saúde - IABAS, nos dias 21, 22 e 23 de janeiro de 2020, com 259 profissionais de diferentes categorias e unidades das regiões Centro e Zona Norte da cidade de São Paulo, abordando a temática do acolhimento e humanização com base nas metodologias ativas. Os participantes foram convidados a vivenciar uma experiência de imersão no cotidiano de uma unidade, adentrando em um circuito que representava uma Unidade Básica de Saúde, cumprindo diferentes tarefas em equipe. O cenário foi pensado com o objetivo de dificultar a execução das tarefas propostas, com nomes em alemão, imagens em preto e branco, luzes apagadas e entradas estreitas, de forma que os participantes pudessem refletir como os usuários se sentem ao chegar em uma unidade de saúde, a qual não lhes é um ambiente “natural” e, por muitas vezes, intimidador e não acolhedor. A primeira atividade desafiou os participantes adentrarem no circuito em duplas, sendo um com os olhos vendados e o outro como guia, o qual deveria decifrar a charada que indicava o setor da unidade que estavam procurando e conduzir o colega vendado somente com comandos verbais. Esta atividade propôs o estranhamento do cenário, a dificuldade de identificação dos locais e a clareza das informações fornecidas, mas acima de tudo, discutiu a importância do estabelecimento do vínculo entre os usuários, os profissionais e os serviços. Para a segunda atividade, foram distribuídas letras aleatórias e os participantes tiveram que compor o nome do setor em que se encontravam. Entretanto, além das letras estarem embaralhadas, não foram passadas orientações claras do que podia ser feito. Nessa atividade, buscou-se discutir o trabalho em equipe, a necessidade de atuação intersetorial e a importância da troca de conhecimentos. Na terceira atividade, foram distribuídas cenas do cotidiano do mundo do trabalho, nos quais os grupos deveriam encenar um desfecho com base no cuidado humanizado. Visto que esta atividade retratava cenas do cotidiano das unidades, possibilitou aos participantes relatar e discutir seus processos de cuidado e atuação profissional. Após, foi realizada roda de conversa com a produção de um pacto pela humanização, contendo três metas-objetivos propostas pelos próprios participantes, o qual foi assinado por todos os presentes. Ao final, propôs-se um momento reflexivo avaliativo, no qual cada participante escreveu em uma folha o que era necessário para que tornasse sua prática mais humanizada, bem como o que sua unidade deveria fazer. Além disso, realizou a avaliação da atividade, com base no instrumento de avaliação de reação. Para o encerramento do encontro, foram entregues bombons aos participantes, que deveriam trocar entre si na atividade “amigo virtude”. O tema do acolhimento e da humanização do cuidado sempre é muito discutido nas atividades de educação permanente propostas pelos serviços de saúde. No entanto, na maioria das vezes, a metodologia utilizada baseia-se nas premissas do aprendizado formal, e sua abordagem coloca os profissionais em uma posição já conhecida pelos mesmos. A realização de atividades com base nas metodologias ativas ainda é um grande desafio para a educação permanente das equipes de saúde, todavia, seus resultados se mostram altamente eficazes no que concerne o aprendizado na prática do cotidiano. A utilização de instrumentos para  mensuração de indicadores de qualidade é de grande importância, garantindo que o profissional avalie sua satisfação com a atividade e a metodologia empregada, bem como a aplicabilidade prática da mesma. Nesta atividade em específico, mais de 90% dos participantes avaliou positivamente a metodologia utilizada, assim como a temática e a aplicabilidade no dia a dia. Entretanto, muitos são os desafios existentes para o desenvolvimento de atividades de educação permanente que desacomodem os sujeitos para pensar de forma a transgredir as fronteiras do conhecimento científico e do aprendizado formal. Ademais, a ampliação do escopo da discussão para além das proposições da PNH, considerando a humanização no cuidado consigo e com o outro, foi de um ponto relevante da atividade, evidenciando as fragilidades dos relacionamentos interpessoais, da atuação em equipe e das relações de poder existentes no sistema de saúde. Dessa forma, concluiu-se que a imersão proposta viabilizou a vivência dos participantes  em situações do seu próprio cotidiano de atuação profissional, possibilitando um exercício de reflexão sobre as condutas e atitudes próprias e das equipes de saúde, que impactam diretamente nos serviços e no cuidado ofertado aos usuários, impondo inúmeros desafios à consolidação do Sistema Único de Saúde, com acesso universal e equânime, bem como ao cuidado humanizado e integral. A aposta feita nesta atividade foi o rompimento do ciclo de reafirmação de saberes e certezas relacionados à prática do mundo do trabalho no que concerne o cuidado humanizado, propiciando o exercício da empatia com o outro por meio da inversão de lugares.

6456 - METODOLOGIAS COLABORATIVAS NA EDUCAÇÃO PERMANENTE DE PROFISSIONAIS FACILITADORES DE TAI CHI CHUAN

Autores: Adelyany Batista dos Santos, Aristein Tai-Shyn Woo

METODOLOGIAS COLABORATIVAS NA EDUCAÇÃO PERMANENTE DE PROFISSIONAIS FACILITADORES DE TAI CHI CHUAN

Autores: Adelyany Batista dos Santos, Aristein Tai-Shyn Woo

Apresentação: A Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde (EAPSUS) em parceria com a Gerência de Práticas Integrativas (GERPIS) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES DF) desenvolve desde 2016 uma ação de educação permanente em saúde com os profissionais facilitadores de Tai Chi Chuan, numa modalidade chamada de Educação em Ações Temáticas Orientadas aos Serviços de Saúde (ATOSS) em PIS – Tai Chi Chuan. A ação consiste em encontros mensais para aperfeiçoamento das Formas, para o trabalho de temas pertinentes à oferta dessa PIS no SUS e para troca de experiências, com atividades de dispersão entre os momentos presenciais. Esse relato tem por objetivo apresentar a experiência da ação educativa ao longo do ano de 2019.Um processo de Educação Permanente para profissionais facilitadores de  Tai Chi Chuan nas políticas públicas se faz necessária porque essa é uma técnica em que os diversos fundamentos devem ser sempre revistos e revisitados; é uma Prática Integrativa em Saúde (PIS), cujos efeitos serão tanto melhores quanto mais bem qualificados forem os facilitadores; é uma PIS ofertada no contexto do Sistema Único de Saúde, devendo ser integrada aos demais serviços e programas ofertados pelas unidades de saúde; e é um serviço que atua dentro de um sistema e de uma organização em constante adaptação e aperfeiçoamento. No ano de 2019 a coordenação da ação passou a se inspirar em algumas Metodologias Colaborativas, incorporando conceitos e práticas do Dragon Dreaming, da Facilitação Gráfica e da Arte de Anfitriar Conversas Significativas – Art of Hosting no desenho pedagógico. A cultura e a medicina chinesa também são bastante exploradas para potencializar o processo de aprendizagem. Os ciclos passaram a ser semestrais e temáticos. A partir de uma atividade realizada no final de 2018, sobre quais os sonhos dos participantes em relação ao Tai Chi Chuan na SES DF, foi possível elaborar uma matriz lógica de grandes objetivos a serem alcançados, que posteriormente foi trabalhada também de maneira coletiva e resultou em objetivos intermediários. Esses objetivos foram a base das atividades de dispersão ao longo do semestre. Na perspectiva de atender uma demanda institucional de reorganização dos serviços em Regiões de Saúde, foi desenvolvida uma narrativa baseada em um período histórico da China conhecido como Período dos Reinos Combatentes, fazendo uma analogia às Regiões de Saúde do DF. Cada participante foi considerado simbolicamente rei ou rainha de seu reino, no caso, de sua Região de Saúde sendo-lhes atribuídos nomes chineses. Foram realizados cinco encontros no primeiro semestre, com a participação de 34 profissionais em pelo menos um encontro, e cinco encontros no segundo semestre com a participação de 30 profissionais em pelo menos um encontro. Ao final do primeiro semestre os participantes realizaram uma atividade de planejamento do semestre seguinte. Divididos em cinco grupos menores, cada grupo foi responsável por propor a sequência de atividades de um encontro. O engajamento e a proatividade dos profissionais surpreendeu os coordenadores da ação. Espontaneamente se dispuseram a não só propor atividades, mas conduzir os próprios encontros de Educação Permanente, sob a supervisão da coordenação, indicando um amadurecimento impressionante do grupo e de cada indivíduo no sentido de reconhecer a importância do protagonismo no processo educativo. A EAPSUS realiza uma avaliação de reação por meio de um formulário padronizado que mede a satisfação dos participantes no final da ação educativa com um índice que varia no intervalo de 0 a 10, sendo 0 o resultado que demonstra insatisfação e 10 totalmente satisfeito. O índice de satisfação no primeiro semestre foi 9,9 e no segundo semestre foi 9,8. Nesse formulário há um espaço aberto para comentários. As respostas dos participantes no espaço para comentários aponta para o alcance dos objetivos relacionados ao aprimoramento das Formas (movimentos padronizados) e ao fortalecimento da integração dos participantes, entre si e com a coordenação técnica responsável pela oferta de Tai Chi Chuan na SES DF. Os participantes reconhecem esse como um espaço de troca de experiências e de muito aprendizado. Citam ainda que pessoalmente se sentem renovados e recarregados de energia para continuar o trabalho. No encerramento do segundo semestre, além da avaliação padronizada, os participantes foram convidados a avaliar em pequenos grupos a experiência de cada encontro ter sido planejado e executado pelos próprios sujeitos da ação, apontando os aspectos positivos e os negativos dessa experiência. Nos aspectos positivos os participantes avaliaram que foi um processo  muito interessante, pois a metodologia mais interativa permitiu sair de uma maneira já conhecida para outra, nova, mais dinâmica, mais lúdica e criativa, com ações mais diversificadas pela possibilidade de uma maior contribuição, o que permitiu ampliar a visão. Foi surpreendente para todos e todas a dedicação dos grupos para com cada encontro. Os aspectos negativos apontados foi que nem todo participantes se dedica igualmente a essa maneira mais colaborativa de fazer, e de que há um certa pressão e tensão pela responsabilidade assumida em conduzir um processo educativos entre pares. Alguns desafios ainda se apresentam para o total sucesso dessa modalidade de ação educativa. Pode-se perceber que a rápida aceitação por parte do grupo das metodologias colaborativas tem relação com o fato de já haver um consistente trabalho de Educação Permanente desenvolvido com esse grupo há anos. O que aconteceu foi a culminância de diversos fatores que contribuíram para o sucesso dessa experiência. Ainda é um grande desafio garantir a participação dos profissionais facilitadores na ação educativas, pois eles são profissionais da atenção à saúde de áreas diversas, e alguns gestores ainda acreditam que a oferta de Tai Chi Chuan compete com outras formas de atendimento em saúde, não autorizando ou dificultando a participação deles nos encontros de Educação Permanente. Faz-se necessário o desenvolvimento de uma política de monitoramento e avaliação da ação, principalmente que consiga relacionar os benefícios da ação educativa para os profissionais com o aumento da qualidade de vida da população que é atendida com a prática de Tai Chi Chuan. Há ainda um desafio pedagógico e institucional para a sustentabilidade de uma ação educativa que não tem início e fim, mas que se propõe a atender a necessidade de um espaço permanente de diálogo, troca de experiências e aprimoramento técnico nessa área. Um resultado precioso é o que uma facilitadores de PIS uma vez denominou de aumento do salário afetivo. É notório o incremento na realização profissional e pessoal nos profissionais que têm participado dessa ação educativa, aumentando o sentido do trabalho no SUS.

9839 - A POTÊNCIA TRANSFORMADORA DE OFICINAS EDUCATIVAS NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM ENFERMEIROS PARA ATUAR SOBRE AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA SAÚDE.

Autores: Vanessa de Souza Amaral, Nayara Rodrigues Carvalho, Amanda Morais Polati, Erica Toledo de Mendonça, Rayla Amaral Lemos, Bruno David Henriques, Tiago Ricardo Moreira, Deíse Moura de Oliveira

A POTÊNCIA TRANSFORMADORA DE OFICINAS EDUCATIVAS NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM ENFERMEIROS PARA ATUAR SOBRE AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA SAÚDE.

Autores: Vanessa de Souza Amaral, Nayara Rodrigues Carvalho, Amanda Morais Polati, Erica Toledo de Mendonça, Rayla Amaral Lemos, Bruno David Henriques, Tiago Ricardo Moreira, Deíse Moura de Oliveira

Apresentação: As desigualdades sociais ainda são um importante problema de saúde pública presente no Brasil. Isso vai ao encontro dos Determinantes Sociais de Saúde (DSS), que interferem e impactam negativamente a saúde da população, culminando em prejuízos muitas vezes de origem evitável, o que caracteriza as iniquidades sociais em saúde. Pensar em uma atenção à saúde mais equitativa pressupõe o reconhecimento das situações de desigualdade social presentes no país, que interferem diretamente no direito universal à saúde. A garantia de uma assistência pautada na equidade prevê a necessidade de profissionais com competência para mediar a prática deste importante princípio do Sistema Único de Saúde. Isso envolve conhecimentos, habilidades e atitudes que devem ser construídos no cotidiano do serviço, a partir da realidade das desigualdades sociais vivenciadas. Entretanto, sabe-se que a formação em saúde comumente não oferece um arcabouço teórico-prático para que os profissionais, incluindo o enfermeiro, atuem efetivamente nas desigualdades sociais presentes no território, sendo necessário o incremento de estratégias educativas que viabilizem esta formação. Neste contexto emergem as oficinas educativas, que se constituem espaços de construção coletiva, pautada na dialogicidade e na problematização da realidade vivenciada pelos atores sociais. Visa a construção de uma aprendizagem significativa, fundamentando-se no protagonismo dos sujeitos nela envolvidos. As oficinas educativas permitem a formação do pensamento crítico nas pessoas nelas envolvidas. Trata-se de um método de intervenção que que permite aos sujeitos envolvidos oportunidade de fala e de escuta, podendo expressar seus sentimentos, experiências e conhecimentos sobre a questão trabalhada. Trata-se de uma estratégia de caráter pedagógico em que os participantes aprendem e ensinam uns aos outros a partir da realidade vivenciada, procurando compreendê-la, e transformá-la. Ao transformarem a realidade os participantes transformam-se também, atuando individual e coletivamente na solução de problemas. Neste ensejo que se constituiu a experiência ora apresentada, acreditando serem as oficinas educativas um espaço capaz de transformar enfermeiros da Atenção Primária à Saúde que atuam cotidianamente com desigualdades sociais no território. O estudo tem como objetivo relatar a experiência de oficinas como estratégia pedagógica para a construção de competências para a atuação sobre as desigualdades sociais em saúde com enfermeiros da Atenção Primária à Saúde. Desenvolvimento: trata-se de um relato de experiência de oficinas inscritas em uma pesquisa-ação intitulada “O desenvolvimento de competências em enfermeiros da Atenção Primaria à Saúde para o enfrentamento das desigualdades sociais na saúde”. A atividade foi realizada com seis enfermeiros de um município no interior de Minas Gerais, entre os meses de março a maio de 2018, com duração de três horas. O critério de escolha dos participantes vinculou-se à participação dos mesmos na primeira etapa de uma pesquisa anterior realizada pelos autores do presente trabalho, em que investigou-se os desafios para o enfrentamento das desigualdades sociais por enfermeiros da Atenção Primária. Dos 11 enfermeiros que participaram da referida pesquisa seis se dispuseram a participar das quatro oficinas para a construção de competências para atuarem na pauta em questão.  As oficinas foram realizadas em quatro momentos distintos, por meio de metodologias ativas, que eram reconfiguradas de acordo com a participação e necessidade dos participantes. Na primeira oficina foi utilizada como estratégia metodológica o cine-debate, com um documentário que teve como objetivo problematizar e sensibilizar os participantes sobre a temática abordada, resgatando a prática profissional e as lacunas existentes no processo de enfrentamento das desigualdades sociais na saúde. Na segunda oficina aconteceu a problematização acerca das competências necessárias para atuar sobre as desigualdades sociais, com o objetivo de gerar reflexões sobre a atuação profissional nesse contexto. Na terceira oficina foi realizado um encontro entre profissionais atuantes na rede de atenção à saúde do município (da secretaria de saúde e assistência social) e os enfermeiros da ESF, na tentativa de aproximar e viabilizar a comunicação intra e intersetorial. Na quarta e última oficina foi realizado um grupo focal, com o objetivo de possibilitar a consolidação do tema na prática profissional, além da avaliação da evolução do aprendizado no que tange à construção das competências para o enfrentamento das desigualdades sociais na saúde. Resultado: A partir das oficinas foi possível revelar competências necessárias para os enfermeiros atuarem sobre as desigualdades sociais na saúde. Tais competências foram interpretadas a partir dos conhecimentos, habilidades e atitudes que as alicerçam e sob a ótica dos quatro pilares da educação estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO): o saber conhecer, fazer, ser e conviver, em diálogo com as competências previstas para o enfermeiro de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Enfermagem. Com relação aos conhecimentos destaca-se a importância desse profissional reconhecer o seu papel e dos demais profissionais presentes nas Redes de Atenção à Saúde. Além disso, foi destacado a importância de conhecer o funcionamento dos setores e leis disponíveis para o enfrentamento dessas desigualdades, de modo a contribuir para a sua atuação frente a complexidade envolta às questões sociais na APS. No que tange às habilidades as oficinas provocaram nos enfermeiros a consolidação dos seus papéis de agenciadores  da equidade na produção do cuidado em saúde. Em relação às atitudes desenvolvidas os participantes destacam que começaram a reconhecer nas práticas cotidianas o cuidado equitativo que requer competências relacionadas à tomada de decisão e comunicação, elencando atividades o acolhimento e a visita domiciliar como promotoras de equidade e, portanto, mediatizadoras para o enfrentamento das desigualdades sociais. Isso se deve ao fato de nestas práticas reconhecerem as reais necessidades de indivíduos e coletividades, atuando de modo a responder às particularidades de cada pessoa, circunstanciada em sua realidade social. Assim, nota-se que os enfermeiros passaram por meio das questões problematizadas nas oficinas a atuar de maneira mais consciente e assertiva sobre as desigualdades sociais, reconhecendo a importância do seu papel no enfrentamento das mesmas no cotidiano da Atenção Primária à Saúde. Considerações finais: As reflexões e os conhecimentos adquiridos durante as oficinas possibilitaram aos participantes refletirem sobre suas práticas no processo de enfrentamento das desigualdades sociais na saúde, conduzindo-os a ressignificações dos seus saberes e fazeres neste campo, formando competências para atuar sobre algo que, em um primeiro momento, se viam incapazes de intervir.  Como desdobramentos pôde-se identificar uma reconfiguração identitária do enfermeiro, que anteriormente às oficinas se compreendia e se colocava como o único responsável por conferir respostas sociais que transcendiam sua competência e governabilidade profissionais, o que os possibilitou alcançar outros espaços, onde até então não transitavam, fortalecendo a dimensão atitudinal de enfrentamento das desigualdades no território.

6530 - O APOIO REGIONAL DA SES (RJ): UMA FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE PARA A ATIVAÇÃO DE COLETIVOS

Autores: Marcela Cunha, Sara Gonçalves, Carina Pacheco, Adriana Justo, Regina Canedo, Cintya Veiga, Nicholye Gonçalves, Anna Tereza Moura

O APOIO REGIONAL DA SES (RJ): UMA FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE PARA A ATIVAÇÃO DE COLETIVOS

Autores: Marcela Cunha, Sara Gonçalves, Carina Pacheco, Adriana Justo, Regina Canedo, Cintya Veiga, Nicholye Gonçalves, Anna Tereza Moura

Apresentação: A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), instituída em 2004 pelo Ministério da Saúde, tem em sua base o fortalecimento do Sistema Único de Saúde por meio da formação crítica e reflexiva de seus profissionais. Visa a qualificação das práticas em saúde a partir do ambiente de trabalho como principal campo de atuação. Tem como premissa a articulação dinâmica e produtiva entre os trabalhadores da saúde, a população, os gestores e as instituições formadoras nesta área, e como eixo de análise o processo de trabalho, considerando as realidades dos territórios em saúde. A sua centralidade se dá no indivíduo, suas subjetividades, e concretudes, por meio de escuta qualificada (respeito aos diversos saberes, olhares, fazeres), nos cenários das unidades e instituições do SUS, objetivando a promoção da saúde, prevenção de agravos, cura e reabilitação, na busca da excelência da atenção à saúde ao usuário deste Sistema. Nesta Política são previstas Comissões de Integração Ensino-Serviço (CIES) Regionais e Estadual, consideradas como instâncias intersetoriais e interinstitucionais permanentes que participam da sua formulação, condução e desenvolvimento no âmbito estadual. As CIES Regionais atuam junto às suas respectivas Comissões Intergestores Regionais (CIR) e, consequentemente, aos municípios que compõem cada uma das nove (09) regiões de saúde do Estado do Rio de Janeiro; e a CIES Estadual opera como assessoria da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), com atuação mais ampla, em nível estadual. Em consonância com a PNEPS, estas instâncias têm sido consideradas pela Superintendência de Educação Permanente, da Subsecretaria de Educação e Inovação em Saúde da SES-RJ, como locais privilegiados de atuação do apoio regional, no que tange ao desenvolvimento e fortalecimento da Educação Permanente em Saúde para o Estado. Desta forma, este trabalho tem como objetivo relatar a experiência do apoio regional, como proposta da Superintendência de Educação Permanente (SUPES) da SES-RJ, para a ativação dos coletivos de trabalhadores da saúde que atuam no âmbito da Educação em Saúde no Estado. Entende-se que as CIES Regionais e Estadual, são veículos para a capilarização e transversalização dos fundamentos da PNEPS dentro dos seus contextos de atuação, primando por promover nos espaços coletivos, a democratização dos saberes e práticas no campo da saúde, para a qualificação dos processos de trabalho e das redes de atenção à saúde. No ERJ, a SUPES, em parceria com estas Comissões, vem entendendo que dada à importância deste tema, a função do apoiador regional é estratégica para o fortalecimento das ações de EPS, visto que estimula a criação e a ativação coletiva de espaços dialógicos locorregionais. No entanto, outros coletivos também são percebidos como espaço de articulação do apoio regional: CIR, Câmara Técnica da CIR e Grupos de Trabalho realizados em nível regional (GT Atenção Básica, GT Vigilância em Saúde, Grupos Condutores Rede Cegonha). Em 2019, a SUPES por meio do seu apoio regional, desenvolveu algumas ações, dentre as quais, destacamos: a participação em reuniões de CIES Regionais, de encontros da CIES Estadual, Oficinas Regionais EPS; reuniões de CIR Regionais; Plenária do COSEMS, Seminários Regionais de EPS e em reuniões do grupo de trabalho de Acompanhamento das Ações Regionais no Plano Estadual de Educação Permanente em Saúde (PEEPS). Este GT é composto por Coordenadores de CIES Regionais, representante de área técnica da SES, COSEMS, Escolas Técnicas do SUS e o Grupo de Pesquisa do Instituto de Medicina Social da UERJ. A participação do apoio regional nas reuniões das CIES tem contribuído para o fortalecimento da EPS no ERJ, já que estes encontros vêm ampliando a visão quanto às necessidades locorregionais, bem como ao longo do período, construindo efetivo vínculo com e entre os envolvidos, não somente pelo estreitando das relações técnicas e afetivas, mas pelo entendimento por parte destes técnicos, de que o ente estadual é uma instância gestora do SUS, de fundamental relevância para o seu desenvolvimento. Destacamos o encontro realizado no final de 2019, que reuniu os coordenadores e suplentes de CIES regionais, para fortalecimento da EPS como um espaço ampliado de debate, bem como reforçar o papel fundamental do apoio das CIES regionais para desenvolvimento das ações de educação das regiões e municípios do estado. Para esse evento foi convidado o Professor Ricardo Ceccim como ativador do debate. Todos os representantes das CIES apresentaram os avanços das suas regiões, as estratégias utilizadas para resolução de problemas e os entraves enfrentados no cotidiano do trabalho. No final, todos os participantes avaliaram o encontro como importante para produção de reflexões, de trocas de experiências, de problematização do processo de trabalho e de construção de conhecimento, principalmente, sobre as estratégias utilizadas pelos municípios e regiões que estão dar certo para lidar com as mesmas dificuldades vivenciadas em suas áreas. As reuniões do GT, além de cumprirem com o seu objetivo de acompanhar a execução das ações de EPS regionais contidas no PEEPS, promoveram o fortalecimento do vínculo entre os seus participantes, estimulando a socialização das informações, troca de experiências e favoreceram a construção e execução das Oficinas Regionais de EPS, que tiveram foco na elaboração de projetos nesta área, execução dos recursos financeiros regionais da PNEPS, acompanhamento das ações dos Planos Regionais e Estadual de EPS. As reuniões deste GT têm sido relevantes e ferramenta potente para desenvolvimento das ações de educação nas regiões e municípios. Os espaços de debate desse grupo vêm se estendendo e se consolidando por meio de um aplicativo de mensagens; e desta forma, se definindo como objeto de pesquisa do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), dada a efetiva participação de todos os envolvidos. A participação em reuniões das CIR das regiões Serrana e Centro Sul e Plenária do COSEMS-RJ, também foram estratégias estabelecidas para o fortalecimento da EPS junto aos secretários municipais de saúde, pois buscaram reforçar a sua importância como ferramenta de gestão, de qualificação dos profissionais e de organização das redes de atenção à saúde. Outra ação importante foi a participação em Seminários Regionais de EPS, da Baía da Ilha Grande e do Médio Paraíba, visando ampliar o conhecimento respectivamente dos secretários e técnicos municipais de saúde sobre EPS e sensibilizá-los quanto à sua importância. Para apoiar os processos que envolvem a EPS nas regiões, a SUPES entende que se faz necessário considerar uma modelagem ampla de trabalho que inclua ferramentas criativas, de cogestão, de processos formativos democráticos, participativos e problematizadores. Para a capilarização deste trabalho e o fortalecimento do trabalho das CIES, o apoio regional da SUBPES aposta na aproximação dos diversos saberes, olhares e práticas produzidos nos distintos territórios regionais do ERJ, bem como no respeito às suas diversidades como fundamentais no processo construtivo de vínculos que promovam a transformação dos processos de trabalho e, consequentemente, a qualificação da atenção à saúde no SUS. A SUPES vem sendo reconhecida pelo trabalho realizado no ERJ, e a função apoio regional, considerada por este setor, pelas CIES e o GT, como uma estratégia bastante importante na construção coletiva e na ativação dos coletivos, requeridas por isso, no fazer cotidiano da Educação Permanente em Saúde.


Távola - Educação
A construção de saberes na formação dos profissionais da saúde
Facilitador: Ana Paula Guljor    Data: 28/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 13:30 - 15:30
Trabalhos nesta Távola: 5 (clique para ver todos)
5931 - INTERAÇÃO ENSINO-SERVIÇO NA FORMAÇÃO DE GRADUANDOS EM ODONTOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Fernanda Maria Dinelly Gomes, Amanda do Perpétuo Socorro Andrade Araújo, Marciney Conceição Peixoto Coelho, Adriana Beatriz Silveira Pinto, Shirley Maria de Araújo Passos, Lauramaris Regis Aranha Arruda, Ângela Xavier Monteiro

INTERAÇÃO ENSINO-SERVIÇO NA FORMAÇÃO DE GRADUANDOS EM ODONTOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores: Fernanda Maria Dinelly Gomes, Amanda do Perpétuo Socorro Andrade Araújo, Marciney Conceição Peixoto Coelho, Adriana Beatriz Silveira Pinto, Shirley Maria de Araújo Passos, Lauramaris Regis Aranha Arruda, Ângela Xavier Monteiro

Apresentação: A formação do cirurgião-dentista, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, deve contemplar o Sistema Único de Saúde, orientando para uma mudança de paradigma da formação do profissional, para que este tenha competência para o trabalho em equipe multiprofissional, levando em consideração a realidade local, com olhar crítico e humanizado. Dessa forma, a inserção do aluno de graduação no cotidiano do serviço público de saúde é parte fundamental de sua formação profissional, contribuindo com a formação de um profissional comprometido com a saúde da população. Desta forma, o objetivo deste relato de experiência é abordar a vivência teórica-prática adquirida pelas acadêmicas do 8° período do curso de odontologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que por meio da disciplina de grade curricular obrigatória chamada “Estágio Supervisionado em Atenção à Saúde”, puderam vivenciar o cotidiano do trabalho desenvolvido pela equipe de saúde bucal de uma equipe de saúde da família na Unidade Básica de Saúde São Vicente de Paulo, no bairro São Raimundo na cidade de Manaus (AM) em 2019. O cenário de práticas foi a Unidade Básica de Saúde da Família O-35 (UBSF O-35) e toda a sua área de abrangência. A UBSF O-35 fica localizada no Bairro São Raimundo, zona Oeste da cidade de Manaus, Amazonas. As atividades foram desenvolvidas ao longo do segundo semestre de 2019, 4 horas semanais, sob a supervisão da professora da disciplina, da cirurgiã-dentista preceptora e da auxiliar de saúde bucal. As discentes vivenciaram a rotina de trabalho da equipe de saúde bucal (ESB) em diferentes cenários na comunidade, frente às metas a serem cumpridas pela ESB da UBSF O-35. Foram realizadas atividades de acompanhamento aos atendimentos odontológicos dos usuários, bem como realização de procedimentos clínicos como: delineamento do plano de tratamento, procedimentos restauradores definitivos, tratamento expectante, e raspagem e alisamento radiculares supragengivais. Os atendimentos e procedimentos clínicos eram realizados na referida unidade sob a supervisão da cirurgiã-dentista e auxiliar em saúde bucal, além de atendimentos de urgência e encaminhamentos de casos de maior complexidade aos Centros de Especialidades Odontológicas do município. Compõe também este grupo, as práticas em educação em saúde realizadas durante visitas domiciliares programadas, as quais envolviam uma equipe multiprofissional, formada por um agente comunitário de saúde (ACS), enfermeira, técnica de enfermagem, cirurgiã-dentista e discentes do curso de Odontologia da UEA, as quais eram conduzidas com pacientes idosos, acamados, puérperas, ou outros usuários que não podiam se deslocar até a unidade. Para o exercício da prática epidemiológica, as discentes tabularam os dados previamente coletados do Índice de cárie dentária por meio do Índice de dentes cariados, perdidos e obturados, CPOD/ceod. Esses dados foram coletados em abril de 2019, pela ESB, como atividade do Programa Saúde na Escola (PSE) no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Madre Elísia, também localizado no bairro São Raimundo. As discentes realizaram o cálculo e tabulação dos resultados do índice CPOD/ceod e Índice Significativo de cárie dentária (SIC), que avalia a polarização da doença cárie,  distribuídos de acordo com o turno e turmas. As discentes participaram do evento realizado na unidade referente à campanha Novembro Azul, expondo dados sobre fatores de risco, prevenção do câncer de boca, esclarecendo dúvidas e instruindo a correta forma de fazer o autoexame bucal através de banner cedido pela UBS. Ao longo de um semestre de atividades extramurais na Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi alcançado um crescimento profissional das acadêmicas inseridas neste espaço. No atendimento realizado no consultório odontológico da unidade houve uma oportunidade de desenvolver de forma prática os conteúdos aprendidos na universidade e foi oferecida às discentes a oportunidade de se familiarizar com a rotina do processo de trabalho na atenção básica, vivenciando as dificuldades a serem transpostas para promover uma atenção a saúde bucal de qualidade à população.  O espaço ofereceu a liberdade para as estudantes compartilharem seus conhecimentos com os profissionais do local, havendo uma relação de ensino-aprendizagem bidirecional. O acompanhamento e participação das acadêmicas nas visitas domiciliares proporcionaram às mesmas o dimensionamento da abrangência do SUS, que oferece serviço de qualidade mesmo aos usuários impossibilitados de chegarem fisicamente até ele, e vivência da realidade das condições de vida da comunidade e o impacto em sua saúde. Destaca-se ainda, a importância do trabalho coletivo para saúde da comunidade. Com o auxílio de um banner na sala de espera da unidade, foi realizada atividade de educação em saúde bucal para os usuários que aguardavam atendimento na unidade, esses foram orientados sobre a realização do autoexame bucal e fatores de risco para o câncer bucal. Por fim, os usuários expuseram dúvidas e curiosidades sobre o tema, mostrando confiança e estruturando o diálogo. Quanto ao levantamento epidemiológico dos dados previamente coletados, as discentes observaram que estes serão utilizados para subsidiar o planejamento de ações educativas, preventivas e curativas às crianças da escola, direcionando as ações de acordo com sua necessidade, colaborando com a organização do processo de trabalho da equipe. Ao longo de um curso superior da área da saúde, sobretudo na Odontologia, não é incomum que se observe um modelo de ensino centrado na técnica que propõe um serviço assistencialista em saúde, onde busca-se tratar a doença e a oferta de conteúdos programáticos divididos em compartimentos, fragmentando o ser humano conforme os serviços especializados que necessita. Na tentativa de transpor estes obstáculos há a necessidade de tornar intrínsecos os universos de saúde e educação. Uma maneira de conseguir tal feito é através da integração ensino-serviço, utilizando-se espaços diversificados de aprendizagem, onde há um vínculo entre universidade e serviços de saúde. Um desses possíveis cenários é o Sistema Único de Saúde, que permite a incorporação de docentes e estudantes ao sistema de serviço de saúde, oferecendo ao estudante a possibilidade de se inserir ativamente no oferecimento de serviços e desenvolver um perfil profissional preparado e capacitado para atuar na esfera pública de serviços de saúde e ao profissional da rede a contribuição na formação deste discente e troca de aprendizado. Essa prática foi realizada sem dificuldades pelas acadêmicas, devido ao contato ao longo de todo o curso com disciplinas focadas em desenvolver atividades de educação em saúde. Foi observado pelas acadêmicas que mesmo com espaços e recursos simples é possível transformar locais simples em ambientes de aprendizagem, oferecendo ao usuário conhecimento e por fim, autonomia e um papel ativo no cuidado de sua própria saúde. A oportunidade de participar de um estágio extramural na Estratégia de Saúde da Família ainda na graduação constituiu para as acadêmicas um bem de valor inestimável. As atividades permitiram colocar em prática todo o conhecimento que adquiriram ao longo da faculdade num ambiente diferenciado. De forma geral não houve obstáculos para a realização dos serviços e a comunidade atendida e toda a equipe profissional da unidade recebeu respeitosamente as discentes, as quais vivenciaram experiências importantes para a sua formação. Para as acadêmicas, o período foi de grande ganho teórico-prático no âmbito profissional, e as relações interpessoais criadas durante o estágio forneceram grande confiança para manejos futuros entre profissional-profissional e profissional-paciente.

6112 - A DISCIPLINA TRABALHO DE CAMPO SUPERVISIONADO 1 (TCS1) E A FORMAÇÃO MÉDICA: O OLHAR DOS ESTUDANTES DA UFF

Autores: Mônica de Rezende, Emmanuelle Batista Florentino, João Paulo Werdan Curty Estephaneli

A DISCIPLINA TRABALHO DE CAMPO SUPERVISIONADO 1 (TCS1) E A FORMAÇÃO MÉDICA: O OLHAR DOS ESTUDANTES DA UFF

Autores: Mônica de Rezende, Emmanuelle Batista Florentino, João Paulo Werdan Curty Estephaneli

Apresentação: Este projeto de pesquisa de iniciação científica insere-se no debate acadêmico sobre a educação médica. Visa aprofundar a reflexão sobre o papel do médico na sociedade e a formação profissional necessária para atuar na melhoria da qualidade de vida da população, pensando a saúde de maneira ampliada, conforme consta nos referenciais legais do Sistema Único de Saúde (SUS). Interessa-nos conhecer o entendimento dos estudantes de Medicina sobre a disciplina Trabalho de Campo Supervisionado 1 (TCS1) no currículo e como eles vivenciam essa experiência. Por ser uma disciplina que se baseia em referenciais das ciências humanas e sociais, muitas vezes, parece ser mal compreendida pelos alunos, confrontando-se com suas expectativas em relação ao processo formativo. Partimos da seguinte questão investigativa: os estudantes reconhecem a disciplina como um espaço durante a formação para conhecer experiências dos cenários reais de trabalho e questões de saúde que enfrentarão futuramente? Método do estudo Buscamos analisar a relação estabelecida entre o TCS1 e a formação médica, a partir das representações dos alunos do curso de medicina da UFF. A técnica selecionada para o levantamento de dados empíricos foi a entrevista semiestruturada, contendo questões abertas e fechadas, que permite, dentre outras coisas, identificar o perfil do aluno-entrevistado. Serão entrevistados alunos em diferentes momentos da formação: (1) enquanto estão cursando TCS1B (2º período), quando estão no meio do curso (6º período) e quando estão na fase final da formação (12º período). As entrevistas serão transcritas na íntegra e analisadas a partir do método de análise do discurso proposto por Mary Jane Spink (2013), que indica a elaboração de ‘Mapas de Associações de Ideias’ de acordo com as categorias analíticas diretamente relacionadas aos objetivos da pesquisa. Estes recursos permitem a análise dos múltiplos sentidos que um discurso pode conter. A pesquisa em dados secundários é uma fase eminentemente descritiva do estudo e representa uma importante etapa do trabalho, pois permite compreender a organização curricular atual da Medicina na UFF, bem como a proposta e inserção do TCS1 neste currículo, resultado de um processo de mudança ocorrido nos anos 90, em consonância com a reforma sanitária brasileira e a implementação do SUS. Essa pesquisa bibliográfica e documental é complementada por conversas com informantes-chave que participaram ativamente do processo de mudança curricular na UFF e que apresentam, em suas narrativas, questões e informações que não constam na bibliografia disponível. Os resultados apresentados aqui referem-se à esta primeira etapa da pesquisa, ainda em desenvolvimento. Resultado: Para alcançar sua atual conformação, o currículo da Medicina da UFF passou por intensas modificações em sua estrutura desde o início da década de 1990. O processo de discussão e avaliação do currículo vigente, propriamente dito, foi iniciado na década de 1970, a partir da formação de um grupo de trabalho que contou com a participação do corpo docente e discente da Universidade. Sofreu diversas interrupções, mas sua construção foi retomada em 1983, concluída no ano de 1992 e sua implementação feita a partir de 94, com a Resolução No. 37/94, do Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP). A reformulação curricular foi pensada a partir do descontentamento de alunos e professores com a inadequação do currículo antigo às reais necessidades do sistema de saúde e da população atendida por ele, além da pouca atenção dada à formação de professores e aos métodos de ensino-aprendizagem. As principais críticas incluíam grande ênfase dada à doença e não à saúde, a fragmentação do curso médico em um número excessivo de disciplinas, a grande ênfase dada às especialidades, a inexistência de vínculo entre ensino básico e profissional, o frequente despreparo do profissional médico sobre o aspecto pedagógico e didático, a ênfase no conteúdo a ser ensinado sem a preocupação com a aprendizagem real do estudante, a teorização excessiva e a massificação do ensino resultante do grande afluxo de candidatos que ingressam nas escolas superiores, sem obedecer a uma planificação adequada. De certa forma, o contexto político de maior influência para a reformulação curricular da UFF foi o da Reforma Sanitária Brasileira, caracterizada por um movimento pela democratização da saúde que iniciou-se a partir da segunda metade da década de 1970 e culminou com a criação da base legislativa e institucional que deu origem ao SUS. Além disso, esse movimento buscou questionar o modelo biomédico adotado pela maioria das escolas de Medicina do Brasil. As críticas em relação ao modelo adotado pelas escolas médicas de todo o país e a incapacidade de formar profissionais capazes de atender à novas demandas do sistema envolveram os profissionais da área médica, a sociedade em geral e os meios de comunicação. Na Universidade, as discussões referentes à reformulação curricular contaram com a participação de docentes e servidores da Faculdade de Medicina, do Instituto de Biologia e do Instituto Biomédico. Dentre o grupo de docentes da Faculdade de Medicina, merece destaque a colaboração de professores do então Departamento de Saúde da Comunidade que participavam ativamente da ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica) e que, por isso, estavam em sintonia com as tendências de mudanças curriculares de outras faculdades do país. Assim como quaisquer alterações que modifiquem estruturalmente uma instituição, a reformulação curricular do curso de Medicina não foi isenta de disputas. Segundo os informantes-chave, pode-se dizer que havia dois grupos distintos formados por docentes e servidores: um grupo favorável ao movimento de reforma e outro que se opunha. Contudo, não há uma delimitação muito clara de opiniões, já que a maioria dos docentes não participou ativamente deste processo. A disciplina Trabalho de Campo Supervisionado surgiu como uma das expressões da mudança curricular ocorrida num cenário de disputas e enfrentamentos que nunca deixaram de ocorrer. Em defesa da disciplina instituída, autores preconizam que, por serem atividades desenvolvidas em grupos de 10 a 12 alunos, possibilita a construção de vivências em espaços como movimentos sociais, organizações não governamentais e nas unidades do SUS. Ocupa-se, assim, cerca de 20% da carga horária da formação em campos de prática diversificados, junto aos diferentes níveis de complexidade tecnológica da rede pública de saúde de Niterói. Nesse sentido, destaca-se a vivência, por parte dos estudantes, em espaços do SUS, onde se pratica uma atenção à saúde centrada nas necessidades e demandas dos usuários, com escuta ativa e responsabilização por parte dos profissionais e da rede de saúde. Diferentes autores acreditam que essa reflexão é capaz de potencializar uma formação mais centrada não só nas necessidades da sociedade, mas dos próprios estudantes e outros sujeitos, principalmente gestores, trabalhadores e usuários do SUS, permitindo a vivência do aluno na construção das linhas de cuidado. Considerações finais: O presente estudo encontra-se em fase inicial e ainda buscando compreender os argumentos daqueles que de alguma forma se contrapunham à reforma curricular. Acreditamos que a perspectiva contrária apresentada naquele momento pode, de alguma forma, ainda estar presente na resistência de alguns alunos, encontrada atualmente, em relação à disciplina. O que tem sido observado, nas discussões em sala de aula, nas avaliações realizadas na disciplina e nas conferências curriculares que ocorrem anualmente há 10 anos, sugere como contraponto o favorecimento de uma formação mais tecnicista e instrumental e menos reflexiva e crítica em relação à realidade socioeconômica e política, tanto dos usuários do sistema de saúde quanto dos próprios profissionais.

10014 - EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO-TRANSMISSÍVEIS (DCNTs)

Autores: Leila Miranda, José Neto, Mariana Paiva, Isabelle Barbosa, Uendel Almeida

EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO-TRANSMISSÍVEIS (DCNTs)

Autores: Leila Miranda, José Neto, Mariana Paiva, Isabelle Barbosa, Uendel Almeida

Apresentação: No Brasil, no ano de 2008, o Ministério da Saúde (MS) publicou um documento com as principais Diretrizes e Recomendações para o Cuidado Integral de DCNT, dentre elas o Fortalecimento das Ações de Promoção da Saúde. Assim, entende-se que, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), é possível desenvolver ações de promoção da saúde, prevenção e atenção às DCNT, para reduzir sua prevalência. As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT’s) fazem parte de um grupo de morbidades com múltipla etiologia, curso prolongado, de origem não infecciosa e associadas com incapacidades funcionais, representadas principalmente pelas doenças cardiovasculares (em destaque a hipertensão arterial), neoplasias (em destaque câncer de colo de útero e mama), diabetes mellitus e doenças respiratórias crônicas (em destaque asma, bronquite e enfisema pulmonar). Dentre os fatores de risco destacam-se sexo, idade, caráter genético, tabagismo, alimentação não saudável, sedentarismo, consumo de álcool etc. Considerando que as DCNT’s se apresentam como um problema de saúde pública no Brasil, a educação em saúde (ES) é uma importante ferramenta para a conscientização da população em relação ao adequado cuidado à sua saúde e adoção de novos hábitos, podendo ser realizada pelo Técnico em Enfermagem. Com isso é possível construir saberes e práticas relativos ao modo de viver saudável de cada cultura, incorporando novas práticas saudáveis, que tragam benefícios à população e promovendo assim o autocuidado.  Objetivo: Relatar uma atividade de educação em saúde, realizada pelos discentes do quarto período do curso Técnico em Enfermagem do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Campus Almenara, sob supervisão da orientadora professora, no segundo semestre de 2019, bem como conscientizar os discentes do curso Técnico em Enfermagem, sobre a relevância das ações de educação em saúde para as DCNTs, em prol da melhoria na qualidade de vida dos usuários. Desenvolvimento: Este relato de experiência faz parte de um projeto de extensão intitulado “Educação em saúde sobre doenças crônicas não transmissíveis na Unidade Básica de Saúde do município de Almenara - MG”, desenvolvido por três discentes do quarto período do curso Técnico em Enfermagem do IFNMG, mediante parceria do IFNMG – Campus Almenara com a Prefeitura Municipal de Almenara (concedente do campo de estágio para os discentes do curso Técnico em Enfermagem do IFNMG), na unidade de saúde – Santo Antônio. Trata-se de uma metodologia do tipo participativa, uma vez que esta, além de fornecer conhecimentos/informações importantes sobre as DCNTs, valoriza também as vivências e experiências de vida dos usuários, envolvendo-os na discussão e participação ativa sobre o tema. Os temas abordados nos encontros foram sobre Hipertensão Arterial (HA), Diabetes, Câncer e Doenças respiratórias crônicas, durante um período de quatro meses entre agosto a dezembro de 2019. As atividades foram desenvolvidas mensalmente na Unidade Básica de Saúde (UBS) Santo Antônio, com um tempo programado de 60 minutos para cada encontro, sendo o público-alvo os indivíduos cadastrados e acompanhados pela UBS, escolhido pelos agentes comunitários de saúde e enfermeira responsável. Antes de dar início às atividades, foram feitos encontros (reuniões) entre os discentes e coordenador, para definição das atividades (palestras e vídeos educativos) e confecção de materiais educativos (folders), que seriam distribuídos nos encontros. Os discentes bolsistas ficaram responsáveis por elaborar o registro de todos os encontros, em que constariam número de participantes, dificuldades e facilidades durante o desenvolvimento das ações, além das considerações/sugestões demandadas pelos usuários. Ressalta-se que cada participante recebeu, previamente em sua casa, um convite para participação nos encontros. Durante os mesmos foram abordadas questões relativas a cada doença, bem como suas manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e ações preventivas. Ao final de cada encontro os participantes poderiam sanar suas dúvidas ou relatar, aos demais, alguma experiência vivida, como forma de interação entre eles. Ao final de cada encontro também era distribuído um café coletivo entre todos os participantes. Resultado: No primeiro encontro, realizado em cinco de setembro, estiveram presentes vinte e sete usuários hipertensos cadastrados e acompanhados pelo serviço de saúde. As três discentes, participantes do projeto, inicialmente aplicaram um questionário com cinco perguntas abordando sobre o conhecimento do usuário em relação à sua patologia. Em seguida foi aferida a PA de todos os presentes e, logo após, iniciou-se uma breve palestra sobre conceito de HA, etiologia, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e medidas preventivas, com a participação também dos usuários tirando dúvidas e relatando suas experiências de vida. No segundo encontro foi abordado o tema sobre o Diabetes Mellitus, em que compareceram 21 pessoas, dentre elas diabéticas e pré-diabéticas. Antes de dar início à palestra, foi aferida a glicemia capilar de todos os presentes.  Logo após iniciou-se a palestra, com exposição de vídeo informativo sobre o diabetes, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento, as complicações da doença, bem como medidas que podem ser adotadas para se ter uma boa qualidade de vida, enquanto portador da doença.  Após exposição do conteúdo, houve uma roda de conversa para sanar dúvidas. No terceiro encontro foram abordadas as doenças respiratórias, especificamente asma, bronquite e enfisema pulmonar. Neste encontro compareceram cerca de 15 pessoas. Logo após, iniciou-se uma roda de conversa onde os convidados puderam tirar suas dúvidas. O quarto e último encontro abordou a temática do câncer, especificamente o de mama e o de colo de útero. Compareceram cerca de 14 pessoas, sendo a maioria mulheres. Muitas relataram suas experiências de vida sobre a temática e, por fim, abriu-se uma roda de conversa para sanar dúvidas. Considerações finais: A prática de educação em saúde consiste numa forma de conscientizar a população sobre sua patologia e consequente mudança de hábitos, para uma melhor qualidade de vida. Acredita-se que o presente projeto possibilitou alcançar resultados positivos na saúde dos usuários, através da conscientização sobre sua patologia e seus impactos na qualidade de vida destes. Ademais o projeto, além de estabelecer maior proximidade entre o IFNMG e a comunidade local, proporcionou aos discentes aplicar e adquirir conhecimentos e experiências no âmbito de sua formação profissional.  

10353 - TRABALHO E EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO EM SAÙDE

Autores: Joelma Fernandes

TRABALHO E EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO EM SAÙDE

Autores: Joelma Fernandes

Apresentação: O presente estudo é parte da dissertação de mestrado do programa de mestrado da escola Politécnica da FIOCRUZ/Rio de Janeiro e tem com objetivo de discorrer sobre os conceitos de Economia da Educação para a formação do trabalhador me saúde e suas contradições. Faz-se necessário ir às bases filosóficas dos conceitos de trabalho e educação para compreender a formação e, sobretudo forjar profissionais críticos e reflexivos sobre seu papel na sociedade e no ensino. Para que o profissional enfermeiro possa desenvolver práticas de educação em saúde nas escolas ele precisa primeiramente entender e refletir sobre sua própria formação. Desenvolvimento: O interesse pelo tema “Educação e Saúde” surgiu, a partir de experiências como docente no cenário de IETC do Curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário Serra dos Órgãos, onde é desenvolvida a atividade de educação em saúde na escola. Com o objetivo de atender as competências do curso e promover uma formação comprometida com as questões de saúde da população, seja onde for o cenário, entende-se que o cenário da escola é um local de produção de cuidados. A educação é uma ferramenta de transformação social, em que a educação formal e toda ação educativa promova a reformulação de hábitos, aceitação de novos valores e que estimule a criatividade e desenvolvimento intelectual. Mas afinal, como ensinar e aprender em locais de grandes contradições onde deveria ser um ambiente de reprodução e produção de conhecimento, valores, atitudes e significados. O estudo foi fruto de reflexões a partir da revisão e fichamento de literatura sobre os temas e autores na disciplina de Economia da saúde e trabalho e saúde. Resultado: A primeira reflexão foi sobre: A origem da relação trabalho e educação A relação de trabalho e educação são práticas sociais da natureza humana e se constituem na forma de viver em sociedade e, portanto somente desenvolvidas por seres humanos. Apenas o ser humano de educa e trabalha. Toda sociedade vive porque consome; e para consumir depende da produção. Isto é, do trabalho. Toda a sociedade vive porque cada geração nela cuida da formação da geração seguinte e lhe transmite algo da sua experiência, educa-a. Não há sociedade sem trabalho e sem educação. Para que se desenvolva o trabalho é necessário perguntar que características são importantes para que o homem possa trabalhar e educar. Como os homens vão transmitir adiante suas experiências na ação de educação e trabalho para que outras gerações possam também produzir sua subsistência? Segundo (Saviani, 2007), que o “homem é essência e é produzido historicamente de transformação e apropriação da natureza para si, com outros homens”. Portanto o trabalho ou a necessidade e capacidade histórica de trabalhar de várias formas ao longo da vida se constituem um fenômeno da própria essência humana e a base de sua existência O conceito de trabalho tem duplo sentido, um no sentido de produção do ser e outro no sentido histórico e de formas especificas do modo de produção no modelo capitalista. Portanto educação e trabalho têm intima relação por que pelo trabalho a necessidade de educar-se para manter a relação de produtiva da vida, diferentemente dos animais, que se adaptam à natureza, os homens têm de adaptar a natureza a si. Agindo sobre ela e transformando-a, os homens ajustam a natureza às suas necessidades. Neste sentido, o homem tem a essência do agir para própria necessidade humana que é caracterizada pelo trabalho e isso é historicamente construído no momento que em que se produz a existência, ou seja, se aprende a trabalhar trabalhando. Esse fundamente é histórico porque são referidos de uma construção ao longo do tempo pelo próprio homem. Quanto a educação ela coincide com a existência humana, ou seja, a sua origem está relacionada a origem do homem. Diferente dos animais que se adaptam ao meio ambiente – na natureza, o homem precisa produzi-la. Isto faz com que a vida do homem seja determinada pelo modo como ele produz sua existência. No Brasil historicamente há uma dualidade na concepção de educação. No século XIX a educação profissional era para a elite que preparavam os dirigentes. Basicamente ela tem origem assistencialista para amparar os mais pobres e órfãos para não praticarem atividades contraordem. No século XX surge a necessidade de formação para a classe trabalhadora com interesse de preparar mão de obra qualificada para trabalhar nas indústrias e fabricas que estava em plena expansão, até então esses trabalhadores eram do campo e com o desenvolvimento e consolidação do capitalismo houve necessidade do Estado criar uma política educacional que atendesse essas exigências de qualificação para o trabalho. Portanto o que vemos é que a educação prepara para o trabalho, ou seja, para o mercado com caráter dual educação para o Trabalho. Considerações finais: Durante o semestre ao estudar na disciplina todos os elementos históricos de trabalho e educação e sua relação com modo de e meio de sobrevivência das sociedades podemos compreender a educação nos dias atuais. A fragmentação da educação, as contradições na formação dos indivíduos e, sobretudo do pensamento neoliberal com a concepção de produzir mais e melhor e com mínimo de recursos e fazendo da educação uma mercadoria e precarizando a formação e os trabalhadores da educação.

11769 - POLÍTICAS CURRICULARES NA FORMAÇÃO EM SAÚDE E AS PERSPECTIVAS DISCURSIVAS DE INVESTIGAÇÃO

Autores: Carlos Eduardo Colpo Batistella

POLÍTICAS CURRICULARES NA FORMAÇÃO EM SAÚDE E AS PERSPECTIVAS DISCURSIVAS DE INVESTIGAÇÃO

Autores: Carlos Eduardo Colpo Batistella

Apresentação: Neste trabalho – que é parte de pesquisa realizada no projeto de doutoramento em educação – discuto a pertinência das perspectivas discursivas para o estudo das políticas curriculares da formação em saúde no Brasil. Meu argumento parte da consideração de que as investigações nesta área têm se concentrado em análises da implementação de políticas, na defesa de propostas curriculares inovadoras ou de inclusão de conteúdos e disciplinas consideradas relevantes. No caso específico das políticas curriculares de formação técnica em saúde, são raros os estudos que se propõem a investigar a produção de sentidos e as disputas e negociações envolvidas na elaboração e interpretação destas políticas. Entendo que as abordagens discursivas, principalmente aquelas vinculadas à Teoria do Discurso de Ernesto Laclau, fornecem um arcabouço teórico e metodológico mais potente para interpretar a emergência, a sedimentação e os efeitos dos discursos que hegemonizam as políticas curriculares na saúde. Desenvolvimento: Seguindo a contraposição de Chantal Mouffe à ideia de política como construção de consensos, assumo a inerradicabilidade dos conflitos e a sua produtividade como ontologia do social. Com a autora, entendo que o privilégio conferido às dimensões ônticas da política – restrita às práticas e instituições – têm diminuído a importância de seus aspectos ontológicos, referentes ao espaço público no qual vigoram os antagonismos e conflitos que constituem as sociedades. No marco das leituras verticalizadas – sejam elas estadocêntricas, prescritivas ou cotidianistas – ficam prejudicadas as possibilidades de se interpretar a complexidade da produção da política para além de seus aspectos racionais e objetivos. Para sustentar minha argumentação, este trabalho inicia por uma breve discussão dos usos disseminados da noção de discurso no campo da saúde, buscando diferenciá-los daqueles abertos pelas perspectivas discursivas no campo da teoria política. Em seguida, buscando mapear o redirecionamento que o debate pós-estrutural introduz nos estudos das políticas educacionais, exploro as contribuições de Stephen Ball a este campo, em especial sua noção de política como texto e como discurso. Essa perspectiva será radicalizada no campo do currículo pelos trabalhos de Alice Casimiro Lopes e Elizabeth Macedo e a apropriação que fazem da teoria do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, bem como da desconstrução derridiana. Tomando o material empírico investigado como superfície de inscrição que faculta leituras diversas de sentidos dispersos nas formações discursivas, esse enfoque rejeita as atitudes epistemológicas empiristas e objetivistas, que fazem uso de estratégias discursivas como revelação de um mundo transparente que se dá ao pesquisador que o investigar objetivamente. Ancoradas na descrição, tais estratégias estão voltadas a produzir um argumento evidenciário. Em sentido contrário, ao declarar o caráter discursivo dos objetos (e da realidade), a teoria do discurso não busca questionar sua existência externa ao pensamento, mas antes a afirmação bastante diferente de que eles próprios possam se constituir como objetos fora de qualquer condição discursiva de emergência. Em outras palavras, implica considerar sua significação em um sistema de regras socialmente construídas e compartilhadas: em nosso intercâmbio com o mundo, os objetos nunca são dados a nós como meras entidades existenciais; eles são sempre dados a nós dentro de articulações discursivas. Resultado: Assumindo o currículo como uma produção cultural e como luta pela significação, as perspectivas discursivas buscam a reativação das contingências envolvidas nos processos de hegemonização dos discursos nas políticas curriculares. Oferecendo uma teorização da especificidade relacional do vínculo hegemônico, a abordagem discursiva de Laclau e Mouffe parte da contingência e da retoricidade das relações antagônicas envolvidas nas práticas articulatórias. Dá destaque às lógicas políticas (diferença e equivalência) e fantasmáticas (fantasias beatíficas e horroríficas) envolvidas na instalação e adesão aos discursos, bem como aos mecanismos que permitem os fechamentos (precários e contingentes) do fluxo da significação. O engajamento com a fantasia que se refere ao desejo de recuperar o estado de harmonia supostamente perdido - se desenvolve inicialmente com a identificação de uma falta, geralmente uma identificação imaginária com um outro ilusório, que passa a ser a referência do que ainda não se tem, um estado de completude impossível para o qual se dirigem as projeções e as decisões estratégicas. Nas políticas de formação em saúde, essa fantasia pode ser o tanto a saúde para todos, o profissional competente, a eficiência dos serviços medida por indicadores de produtividade, a completa integração entre escola, serviços e a população etc. Esse enfoque também possibilita o questionamento de uma origem para a política – geralmente localizada no Estado –, compreendendo a sua produção como traduções que operam nos diferentes contextos das políticas curriculares no campo da saúde, o que põe em destaque a atuação de comunidades epistêmicas e de redes políticas, como redes de escolas, associações de planos de saúde etc. Do mesmo modo, a apropriação da teoria do discurso de Laclau e Mouffe ao campo das políticas curriculares coloca a noção de identidade sob rasura, e com ela, toda pretensão de definir – de uma vez por todas – os melhores perfis profissionais, as melhores competências ou os melhores conteúdos do currículo. Afastando-se de perspectivas objetivistas e essencialistas, assume que as identidades são relacionais e contingentes, construídas no interior dos sistemas de significação e estabilizadas precariamente em formações discursivas históricas e sociais muito específicas. Considerações finais: Tanto a possibilidade de de-sedimentar as cadeias de equivalência que permitiram a hegemonização de determinados discursos, conhecimentos ou práticas, como a desconstrução de fundamentos usualmente enunciados como universais no debate da formação profissional, favorecem o questionamento da normatividade e da centralização curricular. Com isto não se coloca em questão a possibilidade de projetos educacionais ou curriculares, mas a tendência prescritiva que busca definir uma interpretação para e no lugar do outro. Ao explicitar as contingências do que se apresenta como necessário ou obrigatório, a teoria do discurso favorece a ampliação dos espaços de poder e de luta pelo controle da tradução. Uma vez que toda normatividade é decorrente de uma articulação discursiva, não há como sustentar um fundamento universal que seja capaz de guiar a política. Não há um lugar fora da ordem discursiva a partir do qual se possa justificar uma decisão. Se, nas tentativas de fixação do sentido o currículo encontra sua definição última, sua completude, cessa a disputa por sua encarnação, reduzindo-se os espaços democráticos de sua significação.


Távola - Educação
Os saberes populares na formação em saúde: desafios da Educação Popular
Facilitador: PATRÍCIA APARECIDA DA SILVA    Data: 30/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 13:30 - 15:30
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
10270 - INTERPROFISSIONALIDADE E EDUCAÇÃO POPULAR: UMA ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA PARA A EQUIDADE DE VOZES NOS AMBIENTES DE CUIDADO EM SAÚDE

Autores: Felipe Garcia Camargo, Ana Augusta Penteado de Oliveira, Maicolau Cibils Ferreira, Suzana Castanho Di Creddo, Ricardo Roberto Matter

INTERPROFISSIONALIDADE E EDUCAÇÃO POPULAR: UMA ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA PARA A EQUIDADE DE VOZES NOS AMBIENTES DE CUIDADO EM SAÚDE

Autores: Felipe Garcia Camargo, Ana Augusta Penteado de Oliveira, Maicolau Cibils Ferreira, Suzana Castanho Di Creddo, Ricardo Roberto Matter

Apresentação: Diversos obstáculos do cotidiano de trabalho em saúde, dentro do modelo biomédico, dão gênese a estratificações entre os trabalhadores da área de saúde, de modo que certas profissões tornam-se subjugadas dentro dessa lógica profissional fragmentária. Com o intuito de identificar as barreiras e desafios, existentes à implementação da interprofissionalidade enquanto prática institucional nos ambientes de cuidado em saúde, este trabalho relata a experiência do projeto Pet-Saúde Interprofissionalidade, Ministério da Saúde, em sua inserção inicial com os Agentes Comunitários de Saúde(ACSs), dentro de uma Unidade de Saúde da Família no município de  Foz do Iguaçu-PR. Utilizando os conceitos indissociáveis de “sociabilidade” e “subjetividade” como dimensões presentes nas relações interpessoais, buscou-se no processo diagnóstico com os ACSs em três encontros em campo, a partir de rodas de conversa, a expansão de conceitos que se mostraram chaves para compreender o universo institucional e profissional desses sujeitos e como esses significam e compreendem tais elementos e a sua própria realidade. Entre esses conceitos que foram trabalhados estão: saúde ambiental, território, promoção da saúde, cuidado, vínculo, violência, saúde mental, hierarquia, entre outros. A partir de levantamento bibliográfico, foi possível apreender elementos históricos constitutivos da sociedade e das políticas de saúde e dos modos de organização dos ambientes de cuidado em saúde, o que nos apontou quatro principais barreiras existentes que sustentam e dificultam a prática interprofissional nesses espaços, são esses: 1. hierarquia profissional; 2. conceito limitado de saúde (dualidade saúde-doença); 3. paradigma cartesiano/positivista da relação de pesquisa sujeito-objeto; e  4. linguagem tecnicista/academicista. Todos decorrentes do modelo biomédico, que em suas reproduções e naturalizações funcionam como meio de exclusão e segregação de outros conhecimentos existentes nos espaços. Já em campo, a partir das rodas de conversa com os ACSs, foi possível  compreender caminhos que se caracterizam desafios para superar as 4 barreiras mencionadas anteriormente. Elencamos quatro eixos direcionadores, respectivamente, em resposta às barreiras, são esses: 1. problematizar práticas naturalizadas e normativas do campo de trabalho (que são elementos estruturados e estruturantes dos modos de organização do serviço); 2. ampliar as noções de saúde ambiental, território, cuidado, promoção da saúde e outros referenciais de saúde existentes, de modo a expandir a dicotomia saúde-doença; 3. enquanto Projeto do Pet-Saúde construir uma relação de pesquisa sujeito-sujeito ‘tecendo a várias mãos’ os espaços de trocas horizontais com os ACSs, outros profissionais e usuários onde haja possibilidade de exercitar a produção coletiva do conhecimento. e 4. valorizar e legitimar os conhecimentos populares existentes nos ambientes de cuidado em saúde, promovendo a diversidade de vozes e linguagens existentes, para trazer outras formas de vínculos e sociabilidades no horizonte da promoção da saúde. É dizer, a superação do modelo biomédico se dará com a efetiva ampliação de práticas na perspectiva biopsicossocial. Na experiência com os ACSs, nesse primeiro momento do projeto, foi possível entrar em contato com um complexo de percepções que dão sustentação cotidiana às normativas, às naturalizações de modos de organização do trabalho, hábitos e dinâmicas nas práticas profissionais do ambiente de cuidado em saúde. Por outro lado se pôde enxergar que esses mesmos elementos  estruturais são os que produzem as invisibilidades temáticas e discursivas, silenciamentos e fragmentações que não permitem outras práticas de organização e cuidado em saúde. A não validação das vozes e do conhecimento desses sujeitos na interação com outras profissões não permite avanços coletivos dentro das dinâmicas da política de saúde. Eles relatam que havia um espaço de reunião com a equipe uma vez por semana, mas este espaço, pela reorganização de horários foi perdido, deixando-os sem nenhum momento de interação entre a própria categoria e com as outras equipes profissionais. O que percebemos é que nas ações das equipes de Saúde da Família que acompanhamos não há atividade reflexiva, na perspectiva de rodas de conversa horizontais, para permitir a articulação das diferentes subjetividades ali presentes. A subjetividade é um elemento central para compreender o conteúdo das rodas de conversa que trouxeram temáticas como desvalorização e desmotivação no ambiente de trabalho, a percepção da hierarquia como elemento estático e limitante quando se pensa em propor resoluções que não estejam pactuadas anteriormente, a fragmentação, descaracterização dos critérios de cuidados das políticas em saúde, a falta de insumos e materiais de trabalho, entre outros temas provenientes da estrutura institucional. No campo das temáticas territoriais que apareceram estão os diferentes hábitos culturais dos usuários perante à saúde, higiene, cuidado com a casa, a família, a violência, o uso de drogas, o tráfico, a pobreza, entre outros. Buscou-se por meio deste estudo compreender os entraves originadores e perpetradores de desigualdades entre as diferentes classes profissionais no ambiente de saúde. Nessa experiência foi possível aprender, apreender e refletir coletivamente sobre o espaço multidimensional de relações e sentidos que coexistem nesse espaço e identificar elementos, presentes e ausentes, relacionados às dificuldades e potencialidades dos sujeitos e das práticas de cuidado em saúde naquele território. A experiência das rodas de conversa com os ACSs, num ambiente de proposição horizontal e de escuta nos proporcionou participar enquanto ouvintes e aprendizes de um espaço potente de aprendizado coletivo, com trocas de conhecimentos sobre as temáticas da saúde. Diversas compreensões subjetivas ali presentes puderam ser relatadas, discutidas e ampliadas que, segundo os profissionais, não aparecem ou não encontram espaço no cotidiano profissional. O questionamento que nos fizemos é: porque não há possibilidade dessas questões aparecerem, serem debatidas, problematizadas e encaminhadas interprofissionalmente, quando há uma articulação entre toda a equipe. A resposta vem dos próprios ACSs que já na segunda e terceira roda de conversa, com algum processo de vínculo estabelecido, nos relatam sobre a desvalorização de sua profissão perante as outras categorias e as limitações da estrutura institucional. Para nós, a dificuldade de se construir um espaço de diálogo horizontal, aberto e realmente democrático ao exercício de valorização das diferentes vozes, suas cargas históricas, emocionais e afetivas, presentes nas subjetividades das categorias profissionais e usuários, é um diagnóstico para compreender a limitação e/ou a inexistência de sociabilidades equitativas, empáticas  e transformadoras. Ao lidar com as problemáticas reais, as que não são ditas ou não são escutadas, vai ficando claro os elementos espaciais, as barreiras, que impossibilitam o exercício propositivo da interprofissionalidade. Esses são elementos chaves para se pensar outros modelos e propostas para o desafio coletivo da inserção de práticas interprofissionais nos ambientes de cuidado em saúde. As reflexões e problematizações do grupo interprofissional do Pet-Saúde, a partir das rodas de conversa com os ACS, nos permitiu compreender que a potência de transformação dos ambientes de cuidado em saúde está na construção de espaços a partir da metodologia de participação popular. “Des-invisibilizar” as diferentes vozes profissionais existentes e então “des-naturalizar” o que habitualmente está fortalecido pela carga normativa, institucional e hierárquica estabelecida historicamente, é caminho para os sujeitos políticos presentes nos ambientes de cuidado em saúde retomarem a afetação, a construção de pertencimento coletivo e a concepção de novos lugares  que caibam práticas mais inclusivas e diversas, como o que sugere os preceitos da interprofissionalidade.

10364 - DESAFIOS DA INTEGRAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE E ATENÇÃO BÁSICA PARA O CONTROLE DE ENDEMIAS EM SANTOS

Autores: FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, KARINA FRANCO ZIHLMANN

DESAFIOS DA INTEGRAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE E ATENÇÃO BÁSICA PARA O CONTROLE DE ENDEMIAS EM SANTOS

Autores: FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, KARINA FRANCO ZIHLMANN

Apresentação: O município de Santos enfrenta atualmente o desafio de enfrentamento de endemias (como a dengue, a febre amarela, a doença Chikungunya e a doença aguda pelo vírus Zika) especialmente em regiões de grande vulnerabilidade social como a região Noroeste, onde se encontram muitas moradias precárias do tipo palafitas. Surgem algumas propostas de intervenção e, uma das mais significativas, tem sido a proposta de integração das ações de Vigilância em Saúde e Atenção Básica, articulando ações efetivas do Agente de Combate às Endemias (ACE) e o Agente Comunitário de Saúde (ACS). Esta proposta de integração parte do pressuposto de que esses profissionais atuam diretamente em contato com os cidadãos atingidos pelas endemias e atuam nos territórios onde as endemias costumam se expressar de forma contundente, e além disso, acredita-se que esses agentes tenham conhecimento aprofundado sobre a realidade da população envolvida nessa questão. Embora tal proposta possa ser tomada como um evidente avanço, na prática se observam desafios e desencontros que exigem uma construção de estratégias que facilitem o processo de integração entre os atores envolvidos na rede de Atenção Básica em Saúde. Para tanto, há que se identificar, a partir dos saberes dos agentes envolvidos, quais os desafios, as dificuldades e as potencialidades dessas propostas, levando em consideração seus pontos de vista singular. Objetivo: Investigar a possibilidade de implementação da integração dos Agente de Combate às Endemias (ACE) vinculados ao trabalho de Vigilância em Saúde da cidade de Santos (SP), às equipes da Estratégia de Saúde da Família, articulando, portanto com o trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS). A proposta da pesquisa será identificar dificuldades e potencialidades no processo de trabalho em conjunto em territórios onde se apresenta significativa vulnerabilidade social e risco de endemias, construindo estratégias de ação embasadas nas experiências dos próprios atores envolvidos nesse contexto, em uma troca dialógica e que privilegia o protagonismo dos participantes. Desenvolvimento: será realizada uma pesquisa qualitativa com articulação de várias estratégias, privilegiando a proposta da estratégia da pesquisa- intervenção, realização de oficinas de reflexão e entrevistas individuais. O projeto será realizado em duas unidades da região da Zona Noroeste deSantos (SP), que abrange uma região de moradias precárias tipo palafitas, com características socioambientais que propiciam prevalência de endemias. Serão desenvolvidas oficinas de reflexão e construção de propostas envolvendo os ACE e ACS que atuam em equipamentos de saúde região Noroeste de Santos. As oficinas serão constituídas de forma a levar em conta os saberes e as experiências cotidianas dos ACE e ACS, enquanto protagonistas do processo, sendo estruturadas por uma série de três encontros no próprio serviço de saúde, de modo a permitir entrosamento, reflexão, discussões e construção de material visual/educativo que contemple as necessidades de cada grupo. As propostas e materiais construídos em cada oficina serão apresentadas em um encontro geral, que tratará dos diferentes pontos de vista e levantará ações necessárias para a continuidade do trabalho, de modo a apontar consonâncias e dissonâncias e, além disso, evidenciar necessidades de intervenção e implicação individual e grupal. Além das oficinas, serão convidados para participar de entrevistas individuais participantes que se destacaram como informantes-chave para o aprofundamento de aspectos ou dúvidas que se apresentarem durante as realizações das oficinas. Todas as atividades serão gravadas com autorização explícita de todos os participantes e os discursos serão categorizados pela técnica de Análise de Conteúdo temática, sendo trabalhados no âmbito da pesquisa de mestrado. Aspectos éticos: osparticipantes assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) conforme a Resolução 422/12 do CNS. O projeto de pesquisa foi avaliado e aprovadopela Secretaria de Saúde de Santos e pelo Comitê de Ética da UNIFESP. Os resultadosdas discussões e as propostas construídas serão compartilhadas com a gestão da área da SMS-Santos, bem como a dissertação de mestrado profissional construída a partir dessa pesquisa, tomando o cuidado para preservar o sigilo dos dados dos participantes. Resultados esperados: a necessária discussão sobre a proposta da integração pode levar à implantação desse tipo de ação no contexto onde se avalia que há uma demanda de integração de políticas públicas. Há uma expectativa de que esta experiência de pesquisa-intervenção traga impactos nas ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, colaborando para o controle de endemias no município de Santos, especialmente nas regiões mais afetadas por endemias. Além disso, o formato proposto por esta pesquisa também poderá contribuir para a construção de um protagonismo dos ACE e dos ACS, como agentes potentes e detentores de um saber que permite ir além das práticas cotidianas e levar ao processo de implicação criativa que transforma as práticas cotidianas. Para tanto, a própria estrutura da pesquisa traz em seu bojo a inovação a partir de estratégias fora dos padrões, confiando nos saberes e capacidades a priori dos envolvidos, considerando seus pontos de vista e os implicando em seus fazeres. Considerações finais: Espera-se que, além da construção de uma integração efetiva das ações de cuidado – que levam em consideração as propostas de integralidade do Sistema Único de Saúde, haverá a potencialização das ações e resultados, pois este projeto poderá viabilizar a proposta de criação de modos de operação homogêneos e funcionais para os ACE e ACS nessa região de grande vulnerabilidade socioeconômica. Além disso, a pesquisa poderá trazer luz para agentes do cuidado em saúde, seus olhares, seus saberes e seus desejos, para além do ponto de vista técnico, vislumbrando a construção de um projeto ético implicado com a realidade do contexto do cuidado em saúde.

5859 - DESAFIOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO POPULAR NA FORMAÇÃO EM SAÚDE: COMO PENSAR A VALORIZAÇÃO DOS SABERES POPULARES EM TEMPOS DE CRÍTICA OBSCURANTISTA À CIÊNCIA?

Autores: Ana Paula Massadar Morel

DESAFIOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO POPULAR NA FORMAÇÃO EM SAÚDE: COMO PENSAR A VALORIZAÇÃO DOS SABERES POPULARES EM TEMPOS DE CRÍTICA OBSCURANTISTA À CIÊNCIA?

Autores: Ana Paula Massadar Morel

Apresentação: A Educação Popular em Saúde (EPS) se constitui com base em princípios como: diálogo, emancipação, respeito aos saberes populares e indígenas, compromisso com projeto de transformação social. A EPS contrapõe-se, então, à educação bancária, que parte do modelo biomédico, curativo e prescritivo, e consequentemente, contrapõe-se também ao paradigma do cientificismo ancorado na suposta neutralidade e universalidade da ciência. Tal paradigma partiria da exclusão de outras racionalidades médicas e saberes, enquanto a EPS tem como ponto de partida do processo pedagógico o saber anterior das classes populares. Mais do que um método ou uma atribuição do trabalho em saúde, a EPS se constitui como uma visão de mundo voltada para a transformação do setor saúde e da sociedade. Considerando que a EPS está ancorada em questões concretas do contexto social, buscamos trazer reflexões a partir do crescimento atual do conservadorismo que tem como uma de suas bases a crítica obscurantista da ciência. Tal proposta foi elaborada a partir de experiência como docente na Universidade Federal Fluminense (UFF) em cursos de graduação na área da saúde em disciplinas na área de Educação em Saúde. Ao trabalhar ao longo dos cursos os princípios da EPS, principalmente, no que tange à valorização dos saberes populares e a crítica ao paradigma biomédico, nos deparamos com os seguintes questionamentos dos educandos futuros profissionais de saúde: como questionar o cientificismo nesse momento de crítica obscurantista e conservadora à ciência? Como valorizar os saberes populares em tempos de fake news e movimento antivacina? Tais questões nos fizeram refletir sobre como o movimento da EPS precisa se deparar com as reflexões trazidas atualmente. Mais do que responder definitivamente a estas questões (pois este seria um trabalho muito amplo e coletivo), buscaremos apontar caminhos e possibilidades. Desenvolvimento Nosso trabalho é desenvolvido a partir de diálogo com a bibliografia sobre Educação Popular em Saúde, como Paulo Freire, Victor Valla, Eduardo Stotz, e da sistematização de experiência da docência na área de Educação em Saúde. As aulas abordaram questões como a dimensão educativa e o compromisso político do profissional de saúde, as concepções de educação em saúde e sociedade, e tiveram como desfecho a elaboração de projetos educativos em saúde. Buscamos uma interpretação crítica das questões trazidas por essa experiência, dialogando com reflexões trazidas pelo movimento da educação popular. Temos como foco o problema da valorização dos saberes populares e a crítica ao cientificismo propostas pela EPS, que ganha novo sentido neste momento de crescimento do obscurantismo. Por fim, esperamos trazer contribuições para pensar sobre tal pergunta: como pensar a prática da educação popular como um caminho de resistência e uma perspectiva que encontra agora novos desafios? Resultado: Ao longo dos cursos ministrados na graduação, chegamos à conclusão ser tarefa importante identificar a crítica obscurantista à ciência, que muitos estudantes escutam reproduzidas nas falas de seus familiares e vizinhos, com os mecanismos de reprodução de uma ordem neoliberal que tem como pilares o fundamentalismo religioso e o militarismo.  O terraplanismo, o movimento antivacina, o negacionismo climático, para citar os três maiores expoentes do atual movimento obscurantista, produzem um tipo de confusão que favorece as forças conservadoras hoje em ascensão e esvaziam qualquer diálogo e debate político. Vivemos em um mundo da autoverdade, onde há a valorização de uma verdade pessoal e autoproclamada, uma verdade do indivíduo, que não se relaciona com fatos concretos, mas com uma performance vinculada a uma luta do bem contra o mal de fundo fundamentalista. A autoverdade associada ao obscurantismo esconde seu machismo, homofobia, racismo e elitismo, por trás da dramaturgia aparentemente rebelde proferida pela extrema-direita. O exercício de compreender e identificar esses discursos acabou se tornando parte importante dos cursos, nos permitindo atualizar coletivamente as questões trazidas pelos referenciais teóricos de educação e saúde com que estávamos trabalhando e trazendo novas provocações para o trabalho em saúde. Outro ponto importante diante da relutância dos estudantes com a crítica ao paradigma do cientificismo foi propor uma diferenciação entre a crítica obscurantista da ciência e crítica da EPS ao cientificismo. Enquanto a primeira critica a ciência a partir do relativismo individualista da autoverdade, se proclamando apolítica e anti-ideológica, causando confusão em prol dos ideais da extrema direita, a segunda, critica a ciência pelo seu viés biologicista e universalizante, visando explicitar os mecanismos de poder e exploração presentes na sociedade, a partir do diálogo com diferentes realidades e saberes populares. Enquanto a primeira nega a ciência para reforçar os ideais conservadores da família heteronormativa, que tem como referência o homem branco rico, a segunda critica o cientificismo em prol da diversidade e protagonismo dos oprimidos (mulheres, gays, negros, índios, pobres). Nesse ponto, parece interessante sublinhar que um desafio da EPS atualmente é não ter simplesmente uma postura reativa de defender uma volta ao cientificismo e autoritarismo presentes no modelo biomédico. Não podemos simplesmente retornar a ideia de que o problema é só a “falta de informação” da população nos serviços de saúde. É preciso considerar que o crescimento das forças obscurantistas, tem suas raízes também no fosso existente entre a população e os serviços de saúde, entre a população e os movimentos sociais. A revolta da vacina, por exemplo, ocorrida em 1904, anterior ao movimento obscurantista atual, não pode ser vista como simples ignorância das classes populares, mas mostra as consequências nefastas do autoritarismo e distanciamento da ciência da população. Há algo do conhecimento da população que deve fazer parte do trabalho em saúde e vice-versa. Esse “algo” pode ser inclusive conhecer e problematizar como são produzidos os discursos conservadores atuais e criar estratégias para dialogar com eles e transformá-los. Por isso, retomar o diálogo, dar sentido ao debate político, desfazer confusões, nomeando concretamente os movimentos e palavras nos parecem desafios fundamentais. Nesse sentido, cabe destacar que a elaboração de projetos educativos em saúde desenvolvidos em grupos pelos educandos focaram justamente no diálogo com a população sobre temas polêmicos mencionados ou então se debruçaram sobre formas de popularização do conhecimento científico. Alguns grupos propuseram trabalhos educativos sobre a importância das vacinas junto à população, organizando rodas de conversa; outros trabalhos buscaram levar o tema da educação sexual às escolas; outros elaboraram revistas de divulgação científica e materiais educativos sobre os mais diversos temas com linguagem acessível à população. A iniciativa dos estudantes de propor esses projetos nos parece ter como intencionalidade importante a ênfase no diálogo e no trabalho com a população, em caminho contrário a “autoverdade”, sem, com isso, abandonar temas tidos como polêmicos pelos movimentos conservadores. Os projetos apontam, assim, caminhos interessantes para pensarmos a EPS como um caminho de resistência ao obscurantismo hoje. Considerações finais Como considerações finais gostaríamos de destacar dois pontos que nos parecem importantes a serem desenvolvidos no campo da EPS. O primeiro é uma melhor qualificação do que seriam os “saberes populares” atualmente. Seria preciso diferenciar e perceber as coexistências e tensões entre as práticas populares anti-hegemônicas, como benzedeiras, curandeiros, xamãs, dos discursos obscurantistas de cunho fundamentalista. O segundo é enfatizar de que mais do que uma retomada do positivismo, necessitamos tornar a ciência popular. É preciso construir uma ciência que esteja à serviço das classes populares e que não se imponha de maneira autoritária e distanciada, mas dialogue com a multiplicidade e favoreça o protagonismo dos oprimidos.

6162 - EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL (EAN) E FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR (AF) NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE PARACAMBI (RJ)

Autores: Bruno Ribeiro da Mota

EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL (EAN) E FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR (AF) NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE PARACAMBI (RJ)

Autores: Bruno Ribeiro da Mota

Apresentação: O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública e determina que pelo menos 30% do valor repassado a estados, municípios e Distrito Federal pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) deve ser utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da AF. A Secretaria Municipal de Educação e Esportes (SMEE) de Paracambi (RJ) por muitos anos vem conseguindo atingir esta meta, mantendo uma relação muito boa com estas famílias de produtores rurais sendo referência em seu Estado federativo. A escola é propícia à aplicação de programas de educação em saúde em larga escala, incluindo programas de educação nutricional. Estes devem consistir em processos ativos, lúdicos e interativos, que favoreçam mudanças de atitudes e das práticas alimentares dos escolares e seus responsáveis, dos professores e outros funcionários. Através do matriciamento do nutricionista responsável técnico pela alimentação escolar os professores das escolas da rede municipal de Paracambi (RJ), foram realizados trabalhos multidisciplinares que abrangiam o estímulo do consumo de alimentos saudáveis oriundos da agricultura familiar. Além das conquistas nutricionais nestes escolares, o consumo destes gêneros fortalece a rede social dos agricultores melhorando a economia através do aumento da produção destes alimentos. Este projeto visa o trabalho da equipe de nutrição sob o olhar da EAN com discentes e profissionais da rede municipal de educação de Paracambi, através do matriciamento e atividades intersetoriais de cunho longitudinal focadas no estímulo do consumo de alimentos oriundos da produção de famílias da zona rural da nossa cidade. Para estimular a economia local e melhorar a saúde dos estudantes envolvidos. Pude perceber que uma grande parcela de alunos não consomem a alimentação escolar oferecida nos refeitórios, e consequentemente um consumo exagerado de produtos ultraprocessados, tanto trazidos de casa pelos escolares, quanto adquiridos pela compra em estabelecimentos próximos as 20 escolas municipais, e os fornecidos nas cantinas presentes dentro destas unidades escolares. Estes alimentos são muito calóricos e pobres em nutrientes, além de conter uma alta quantidade de açucares simples, gordura trans, sódio e aditivos sintéticos. A ingestão destes lanches não saudáveis aumentam o risco de vários tipos de doenças crônicas (obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus etc.), alergias, carie e etc. Por estes motivos, foram elaboradas algumas alternativas para a diminuição do consumo destes produtos e incentivos a ingestão dos alimentos in natura ou minimamente processados oriundos da AF. Por ser um trabalho de cunho longitudinal, ele tem como objetivo promover o consumo alimentar saudável através da educação nutricional através do fortalecimento da AF pelo público alvo; Incentivar os professores a estar apresentando o refeitório e as refeições servidas neste, como à alimentação prioritária para os estudantes dentro do ambiente escolar; Promover métodos de incentivo dos responsáveis pelos alunos a oferecer estes alimentos saudáveis nas refeições fora do ambiente escolar; Combater a aquisição de lanches não saudáveis dentro e nas proximidades das escolas, através da educação alimentar, utilizando ferramentas lúdicas; Tornar professores, diretores, merendeiras e demais funcionários da escola multiplicadores dos conhecimentos em torno da alimentação escolar saudável; Incentivar a participação social dos agricultores familiares em atividades escolares; O trabalho de educação permanente com os professores responsáveis está sendo realizado para mostrar a importância de trazer os alunos para dentro do refeitório e também levar os alimentos do refeitório para dentro da sala de aula como parte do plano de estudo dentro das disciplinas (interdisciplinaridade); Informamos aos responsáveis que a alimentação servida na escola é saudável, saborosa e supre as necessidades nutricionais dos alunos. Caso haja necessidade de envio de merenda de casa, elaboramos um informativo impresso, para montar uma lancheira com alimentos saudáveis; Estamos realizando matriciamento com os profissionais das escolas para serem realizado atividades lúdicas como teatro, fantoches, recreações, musicas (paródias), entre outras para estar promovendo a alimentação saudável e o combate do consumo de alimentos não saudáveis (biscoitos e refrescos industrializados, doces, refrigerantes etc.) dentro e aos arredores das escolas; Este processo de educação permanente com os educadores para que utilizem os refeitórios das escolas como um local formal de construção do processo educativo. Também está sendo estimulado atividades multidisciplinares dentro de sala de aula onde o tema nutrição saudável está atrelado ao cotidiano das disciplinas formais da ementa escolar. Este tipo de metodologia torna o processo educativo mais eficiente, além de dinamizar o cotidiano das práticas escolares. Enquanto as cantinas escolares, estamos buscando alternativa para que nossas escolas consigam produzir renda sem que haja necessidade de vender estes alimentos ultraprocessados, frituras e etc. Foram levantados hipóteses de organização de bazares de roupas doadas pela comunidades, alugueis do espaços escolares para eventos nos finais de semana, venda de lanches típicos em festas comemorativas, ou até mesmo a substituição desses alimentos não saudáveis por opções menos nocivas a saúde dos estudantes e etc. Mas infelizmente, há uma hegemonia cultural muito forte em pró as cantinas, poucas escolas baniram as suas, pois em sua grande maioria alegam necessitar do dinheiro gerado pelas mesmas. Através do teste de aceitabilidade escolar, a equipe de nutrição pode constatar que as escolas municipais que possuem cantinas em Paracambi, tem uma baixa adesão dos escolares a alimentação saudável fornecida nos refeitórios, onde são servidos os gêneros da AF. Também foi constatado que as escolas rurais e as que não possuem cantinas avaliaram a alimentação escolar com uma maior pontuação, fato que nos leva a levantar a hipótese que de alguma forma os lanches não saudáveis podem estar interferindo no paladar quando é ingerido alimentos in natura ou minimamente processado. Com olhar do matriciamento, na semana nacional de segurança alimentar e nutricional foram intensificado os trabalhos para a realização de atividades variadas com o tema alimentação saudável, onde os educadores e os alunos das unidades escolares foram os protagonistas na elaboração de atividades lúdicas, piqueniques ao ar livre, oficina culinária e etc. Também foi realizada pela SMEE uma feira literária municipal para as criancinhas denominada Flipapinhas, que além do incentivo à leitura com a presença várias editoras de renome e etc. O processo de mudança desses hábitos culturais deverá levar algum tempo, mas pude perceber que a alimentação escolar ainda é tida como pouco interessante pelos educadores, sendo necessário investir em estudos que promovam maior esclarecimento sobre este tema. Há também a necessidade de se entender qual a percepção de alimentação saudável por esses profissionais e como trabalham a EAN. 


Távola - Educação
Experiências de Educação Permanente no âmbito da Atenção Básica
Facilitador: Fátima Moustafa Issa    Data: 29/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 16:00 - 18:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
9537 - ESPIRAL CONSTRUTIVISTA: METODOLOGIA ATIVA EM CURSO INICIAL DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

Autores: Wellington Bruno Araujo Duarte, Roberta Rayssa Magalhães da Silva, Jaslene Carlos da Silva, Juliana Menezes Teixeira de Carvalho, Uêdja Nascimento de Oliveira, Priscila Tamar Alves Nogueira

ESPIRAL CONSTRUTIVISTA: METODOLOGIA ATIVA EM CURSO INICIAL DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE

Autores: Wellington Bruno Araujo Duarte, Roberta Rayssa Magalhães da Silva, Jaslene Carlos da Silva, Juliana Menezes Teixeira de Carvalho, Uêdja Nascimento de Oliveira, Priscila Tamar Alves Nogueira

Apresentação: Sendo um conjunto de ações e serviços de saúde prestado por órgãos e instituições públicas das três esferas governamentais, o SUS baseia-se em princípios organizativos e diretrizes doutrinárias que visam garantir o atendimento universal, igualitário e integral à saúde da população. A nova concepção de saúde trazida com a criação do SUS mudou também a forma com que a APS era vista no Brasil, passando a ser adotada pelo nome Atenção Básica à Saúde. As primeiras iniciativas do Ministério da Saúde dedicadas à alteração na organização da atenção à saúde com ênfase na atenção primária surgiram no momento em que foram estabelecidos o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), em 1991, e o Programa Saúde da Família (PSF), em 1994. Essas estratégias foram inovadoras no Brasil contando com a participação de agentes comunitários de saúde (ACS). A partir dessas experiências, percebeu-se a importância dos Agentes nos serviços básicos de saúde e começou-se a enfocar a família como unidade de ação programática de saúde. Apesar dos trabalhos realizados anteriormente, a categoria profissional de ACS foi reconhecida por lei apenas em 2002. O ACS é um cidadão que trabalha exclusivamente no SUS e emerge das próprias comunidades e se integra às equipes de saúde, sendo capacitado para o trabalho pela instituição executora das políticas públicas de saúde.Já é reconhecida a importância da profissão e definido o perfil de competências desses profissionais. Além disso, para o exercício das atividades de Agente Comunitário de Saúde, um dos critérios obrigatórios é ter concluído, com aproveitamento, curso de introdutório, com carga horária mínima de quarenta horas. Segundo o Art. 2º da Portaria Nº 243/ 2015, são conteúdos obrigatórios ao curso Políticas Públicas de Saúde e Organização do SUS; Legislação específica aos cargos; Formas de comunicação e sua aplicabilidade no trabalho; Técnicas de Entrevista; Competências e atribuições;Ética no Trabalho; Cadastramento e visita domiciliar; Promoção e prevenção em saúde; e Território, mapeamento e dinâmicas da organização social. Para a qualificação desses agentes, é fundamental a implementação da Política Nacional de Educação Permanente, já que esta é parte essencial de um sistema de formação e desenvolvimento dos trabalhadores para a qualificação do SUS, devendo contemplar diferentes metodologias e técnicas inovadoras de ensino-aprendizagem. Com base na articulação de diferentes políticas e normativas que sustentam a operacionalização do SUS, impõe-se a consideração do importante papel dos ACS nas equipes de saúde e o reconhecimento de necessidades específicas de educação permanente desses profissionais. A EPS não é só um processo didático-pedagógico; é um processo político-pedagógico que trata de mudar o cotidiano do trabalho na saúde e de colocar o cotidiano profissional em invenção viva, em equipe e com os usuários. Ela se apoia no conceito de ensino problematizador e de aprendizagem significativa, isto é, ensino-aprendizagem embasado na produção de conhecimentos que respondam a perguntas que pertencem ao universo de experiências e vivências de quem aprende e que gerem novas perguntas sobre o ser e o atuar no mundo. As metodologias ativas, por fazerem parte de um processo de aprendizagem interacionista, possibilitam a construção do conhecimento apartir do conhecimento prévio e da interação entre os sujeitos e objetos de aprendizagem. Estudos revelam que as pessoas elaboram o novo conhecimento e entendimento baseado no que já sabem e no que acreditam. Sabe-se que a aprendizagem significativa é caracterizada pela interação entre o novo conhecimento e o conhecimento prévio, sendo que o novo conhecimento adquire significado para o aprendiz, e o conhecimento prévio deste fica mais enriquecido, ou é ressignificado. O conhecimento prévio é isoladamente a variável que mais influencia a aprendizagem, ou seja, só se aprende a partir daquilo que já se conhece. Objetivo:Relatar a experiência da capacitação de Agentes Comunitários de Saúde para atuação no cuidado em saúde na Estratégia Saúde da Família, visando à formação inicial desses profissionais baseando-se no perfil de competências dos mesmos no município de Jaboatão dos Guararapes-PE. MetodologiaO curso foi dividido em 6 encontros, entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020. Os agentes comunitários de saúde foram divididos em 5 turmas, cada grupo com uma facilitadora. A metodologia ativa utilizada foi a Espiral Construtivista (EC). Diferentemente da Aprendizagem baseada em Problemas e da problematização, a EC utiliza a concepção de problema como sendo uma realidade insatisfatória, ou um desafio que gera inquietude, curiosidade ou desconforto e que pode ser transformada em uma realidade mais favorável. Considerando as diversas formas que as pessoas aprendem foram usadas diversas ações educacionais como Processamento de Situação Problema utilizando a EC; Oficinas de trabalho; Viagem educacional através de filmes e outros dispositivos que mobilizem as emoções e criatividade; Portfólio reflexivo e Reflexão da prática. O processo avaliativo foi realizado a cada ação educacional e por encontro, além da avaliação somativa baseada no Percentual de presença de 90% nas atividades presenciais; Conceito satisfatório nas atividades de dispersão; e Conceito satisfatório no Portfólio. Os conteúdos obrigatórios foram abordados nas açoes educacionais. Resultado: Foram capacitados 84 agentes comunitários de saúde. A medida que o curso acontecia aumentavam os vínculos entre eles e entre eles e os facilitadores, isto foi significativo no processo de ensino aprendizagem. Foram construidos planos de ação baseados nas dificuldades dos agentes comunitários de saúde em seus processos de trabalho, tendo um momento de apresentação e contribuição das áreas técnicas da secretaria municipal de saúde. Os temas dos planos de ação versaram sobre dificuldades para lidar com casos de pessoas com doenças infecto contagiosas, como hanseníase e tuberculose; dificuldade no cuidado a pessoas com transtornos mentais; dificuldade de trabalho em equipe; falta de compreensão sobre o esquema vacinal nos ciclos de vida, entre outras. Ao final do processo, o curso foi considerado de grande importância para a formação dos agentes comunitários de saúde, contribuindo para o cuidado dos usuários na rede. Considerações finaisÉ comprovada a importância das metodologias ativas, em especial a Espiral Construtivista, nos processos de ensino aprendizagem. Essa metodologia contribuiu para a efetividade do curso, a resolução de problemas antes presentes no processo de trabalho, ampliação do conhecimento sobre as competências profissionais e garantiu aumento de vínculos entre os agentes e entre estes e a rede de atenção à saúde e a gestão.

10613 - CONCEPÇÕES DOS PROFISSIONAIS SOBRE ENSINAR A APRENDER A PARTIR DO APOIO MATRICIAL

Autores: Thayna Larissa Aguilar dos Santos, Julia Costa Oliveira, Cláudia Maria Filgueiras Penido

CONCEPÇÕES DOS PROFISSIONAIS SOBRE ENSINAR A APRENDER A PARTIR DO APOIO MATRICIAL

Autores: Thayna Larissa Aguilar dos Santos, Julia Costa Oliveira, Cláudia Maria Filgueiras Penido

Apresentação: O Núcleo de Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) possui como organizador de seu trabalho o apoio matricial. Os profissionais do NASF-AB são apoiadores matriciais, especialistas em determinado núcleo de saber que apoiam as Equipes de Saúde da Família (eSF), referência do cuidado. Tal estratégia matricial é, portanto, formada por diferentes profissionais que buscam trabalhar a fim de alcançar objetivos comuns, operando a partir da lógica de cogestão. Nesse contexto, destaca-se que o apoio matricial pressupõe apoio educativo com e para a eSF, o que pode ser realizado através discussões clínicas e intervenções conjuntas. Tais ações contemplam a dimensão técnico pedagógica do apoio matricial, a partir da qual os apoiadores podem contribuir com o aumento da resolubilidade das eSF, possibilitando uma qualificação para uma atenção ampliada. Dentre as correntes pedagógicas existentes, o apoio matricial possui uma afinidade conceitual com a pedagogia progressista, nova ou construtivista, que entende que o educador, por meio de uma relação horizontal, orienta e direciona o sujeito para o saber. Nesse sentido, o apoio sustentaria o viés ativo da educação. Partindo da compreensão de que existem outras formas de pedagogia e que as práticas matriciais são diversas, este estudo tem como objetivo abordar quais são as concepções e experiências sobre ensinar e aprender a partir do matriciamento, por parte de seus protagonistas, a saber, profissionais da eSF e NASF-AB. Este estudo é um recorte de uma pesquisa mais ampla que estuda o caráter técnico-pedagógico do apoio matricial em Belo Horizonte. Trata-se de uma pesquisa-intervenção participativa. A produção de dados se deu por meio de três grupos de reflexão inspirados em grupos focais, com profissionais da Atenção Primária à Saúde de dois distritos sanitários de Belo Horizonte (MG). Participaram da pesquisa: médicos e enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde (eSF); profissionais de diversas categorias profissionais do NASF-AB. A análise dos dados aconteceu por meio da análise temática. Além disso, as análises foram ampliadas através de discussões com um coletivo ampliado de pesquisadores, composto por membros da universidade e da rede municipal de saúde. Profissionais da eSF alegaram, inicialmente, que não há “ganho de aprendizado” no matriciamento, pois nas reuniões só se “passa” caso e recebe orientação, não havendo ensino e aprendizagem. Porém, ao longo do grupo, tais profissionais reconheceram a existência de aprendizado, sobretudo depois de perguntados se haviam mudado suas práticas a partir do matriciamento, o que foi confirmado. Acerca de haver habilidade pedagógica específica para se ensinar, profissionais da eSF indicaram ser mais relevante haver boa vontade ou saber trabalhar em equipe. Um médico considerou que o processo de aprendizagem dos adultos é diferente, no sentido de se aprender a partir da discussão pontual de problemas frequentes. Esse ponto de vista condiz com uma metodologia ativa em educação chamada de problematização, que se desenvolveu a partir da educação popular freiriana. Alguns profissionais consideraram que há diferentes maneiras de “passar” o conhecimento. Essa perspectiva não condiz com a proposta do apoio, pois esse termo é mais voltado para uma educação bancária. Indicaram haver práticas mais voltadas para uma transmissão do saber, relacionadas a princípios tradicionais de aquisição de conhecimento ou práticas de modo dialógico. A princípio, os profissionais que pontuaram que o ensino no matriciamento acontece raramente, associaram esse processo à discussão de algum tema sob responsabilidade de algum profissional. Alguns profissionais defenderam que a dimensão técnico-pedagógica do apoio deveria acontecer em espaços de encontro já existentes entre as equipes, sendo necessário aproveitá-los melhor. Relatam que tentativas de promover educação permanente fora da reunião de matriciamento são geralmente impossibilitadas por não haver tempo previsto para isso nas agendas. Apesar dos profissionais buscarem um momento pré-estabelecido para a realização das ações consideradas por eles como técnico-pedagógicas, foi relatado que a aproximação entre eSF e apoiadores permite que eles tirem suas dúvidas fora da reunião de matriciamento, assim, o "apoio técnico-pedagógico" acontece em outros espaços.  À alegada restrição de tempo para o exercício da dimensão técnico-pedagógica do apoio se associa uma compreensão mais “formal” da situação de ensino e aprendizagem, tal como uma aula sobre um tema específico. Há, portanto, uma dificuldade em se assumir as situações de aprendizado diluídas no cotidiano, como sendo atividades técnico-pedagógicas. Isso indica um entendimento de que as ações educativas são cursos, treinamentos ou capacitações. Nesse escopo, os profissionais consideram que o NASF-AB não tem base técnica de pedagogia, mas consegue fazer uma educação informal. Os apoiadores pontuaram que o matriciamento proporciona aprendizado e ampliação da visão sobre o usuário quando os profissionais do NASF-AB conversam entre si e têm a oportunidade de conhecer mais sobre a área um do outro. Os processos de trabalho parecidos e a afinidade entre profissionais do NASF fazem com que seja mais fácil os apoiadores planejarem atividades entre si do que com a eSF. Ressalta-se que, corroborando a literatura recente, o apoio matricial atua em uma lógica multidirecional, ou seja, o apoio pedagógico se dá do NASF-AB para as eSF e o contrário, sendo um processo dialógico, que como tal não se constitui em via de mão única. Nesse contexto, amplia-se as possibilidades do apoio matricial se sustentar como dispositivo produtor de saberes construídos de forma coletiva e a partir do caso em questão, para além dos saberes especialísticos instituídos. O processo de ensino e aprendizagem pode ser considerado um elemento analisador do apoio matricial, pois traz à tona diversas questões que atravessam as práticas de trabalho dos profissionais. A dificuldade apresentada por parte dos profissionais da eSF e NASF-AB, de se colocarem no lugar de quem aprende, pode afetar o cuidado integral à saúde do usuário, pois não é possível que apenas uma categoria profissional tenha o conhecimento relativo a todas as demandas em saúde. Ainda que os profissionais não reconheçam a dimensão técnico-pedagógica do apoio nas relações dialógicas informais de construção de conhecimentos o desconhecimento dessa dimensão não impede que ela se dê, mesmo nos corredores. Nessas situações, a dimensão técnico-pedagógica do apoio se sustenta menos na reprodução dos elementos instituídos pela política ou pelas portarias, e mais nas necessidades surgidas “a quente” no cotidiano do cuidado, a partir do ineditismo dos casos. Incorporar essa potência instituinte do apoio em favor do alargamento das possibilidades pedagógicas para ampliação da clínica de uns e de outros talvez se constitua em um de seus maiores desafios.

10685 - A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA (NASF) EM UM MUNICÍPIO RIBEIRINHO: EXPERIÊNCIA VIVENCIADA POR ACADÊMICOS

Autores: Isabela Pantoja da Cruz, Vanessa Khrisllen Pinheiro Ferreira, Natália Cristina Silva Siqueira, Paula Regina Barbosa de Almeida, Simone Gomes da Silva, Joyce Regina Pereira, Neuza Gabriella Valle Medeiros, Elisângela da Silva Ferreira

A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA (NASF) EM UM MUNICÍPIO RIBEIRINHO: EXPERIÊNCIA VIVENCIADA POR ACADÊMICOS

Autores: Isabela Pantoja da Cruz, Vanessa Khrisllen Pinheiro Ferreira, Natália Cristina Silva Siqueira, Paula Regina Barbosa de Almeida, Simone Gomes da Silva, Joyce Regina Pereira, Neuza Gabriella Valle Medeiros, Elisângela da Silva Ferreira

Apresentação: Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) de 2017, a Atenção Básica é a porta preferencial de entrada para a Rede de Atenção à Saúde, suas ações visam integrar os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) de universalidade, integralidade e equidade, englobando um conjunto de intervenções tanto individuais quanto coletivas que envolvem, sobretudo, promoção e prevenção em saúde. Dessa forma, a equipe multi e interdisciplinar é de suma importância para a concretização dessas ações. A criação das residências multiprofissionais de saúde da família possibilitou fortalecimento dessa concepção de desenvolvimento do trabalho em equipe de maneira interdisciplinar, fato tão relevante para atuação em saúde primária que foi destacado no PNAB, por meio de criação do NASF. Dessa forma, objetiva-se descrever com base na vivência acadêmica a importância do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) em um município ribeirinho no estado do Pará. Desenvolvimento: Trata-se aqui de um estudo descritivo, observacional do tipo relato de experiência realizado por meio de uma vivência no Programa de Capacitação em Atenção à Saúde da Criança, da Universidade Federal do Pará (UFPA), nomeado de Multicampi Saúde, no município de Abaetetuba, estado do Pará. O projeto é ofertado para dez cursos de graduação em saúde da universidade: Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional, com o objetivo de estimular a interdisciplinaridade entre os graduandos, com foco em Atenção Integral à Saúde da Criança. A unidade básica de saúde designada aos estudantes atende, prioritariamente, os habitantes das ilhas ao redor de um município do estado do Pará. Na unidade em questão os atendimentos ocorrem de segunda à sexta e apresentam diversos programas de saúde, como Planejamento Familiar, Saúde da Criança, Saúde da Mulher, PCCU e outros. Atuam 4 equipes, sendo lideradas por enfermeiros e compostas por aproximadamente 6 Agentes Comunitários de Saúde em cada uma. No entanto, é no Núcleo de Apoio de Saúde da Família (NASF), que se concentra maior diversidade de composição de equipe. Tal núcleo tem como objetivo apoiar a inserção da Estratégia de Saúde da Família na rede de serviços, tendo como foco o território sob sua responsabilidade, priorizando o atendimento compartilhado e multidisciplinar, com troca de saberes, capacitação e responsabilidades mútuas, gerando experiências para todos os profissionais envolvidos, mediante amplas metodologias, tais como estudo e discussão de casos e situações, projetos terapêuticos, orientações e atendimentos conjuntos. O município conta com duas equipes de NASF, uma para a população urbana do município e outra para a população adscrita da zona rural, aqui abordaremos a equipe que atende a população urbana, contudo, ainda sim ribeirinha, devido à geografia da cidade. Há nessa equipe de NASF uma assistente social, uma psicóloga, uma nutricionista, um educador físico e uma fisioterapeuta. Dessa forma, é de suma importância, expor de que forma se dá o trabalho desses profissionais. Inicialmente, ter o serviço nesse núcleo de Atenção Básica é demasiado significante, pois a assistente social desenvolve escuta e acolhida dos usuários, fortalece a autonomia do usuário, apoia esses na construção e ressignificação de seu projeto de vida, cria espaços grupais de troca de experiência e rede de apoio, desenvolve ações integradas com os profissionais da equipe e demais políticas públicas e constrói a participação e a organização de trabalho comunitário, bem como incentiva a participação e a mobilização social; a psicóloga, além dos atendimentos, atua na orientação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) quanto ao processo de escuta sensível, identificação de pacientes com necessidades psicológicas e o grau de urgência de atendimento de cada paciente, além do manejo de grupos de apoio e terapêuticos, vale ressaltar que os ACS são fundamentais no enfrentamento e identificação do sofrimento mental, haja vista que estão mais próximos da população; o profissional da nutrição tem o objetivo de promover aos usuários práticas alimentares saudáveis, busca combater distúrbios nutricionais, bem como obesidade, desnutrição, doenças e agravos transmissíveis e deve estimular o consumo de alimentos saudáveis e regionais, além de orientar e promover nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) ações sobre aspectos alimentares, nutricionais, aleitamento materno exclusivo, e alimentação complementar, bem como atividades de educação permanente para as ESF’s. Quanto ao fisioterapeuta atuante no NASF, esse promove na unidade programas coletivos de ações terapêuticas preventivas à instalação de processos que levam à incapacidade funcional, à patologias músculo esqueléticas, com o objetivo de minimizar aquelas já instaladas, realiza abordagem familiar e institucional no que diz respeito a postura de crianças e adolescentes, desenvolve atividades voltadas para adultos e idosos, visando a prevenção e reabilitação de complicações decorrentes de patologias e realiza também atendimentos domiciliares para pacientes com doenças crônicas e/ou impossibilitados de se locomover, fazendo o encaminhamento a serviços de maior complexidade, quando necessário. Por fim, o trabalho do educador físico do NASF dentro da unidade Básica de Saúde é também de suma importância, pois é esse profissional que proporciona práticas e atividades de caráter educacional, voltadas à promoção da saúde bem como prevenção de doenças crônicas, para os usuários que precisam desse atendimento também facilita o tratamento e o controle de doenças cujo fatores estão relacionados ao sedentarismo, fortalecimento muscular e aceleração do metabolismo. Resultado: Observou-se que há inúmeras demandas para a equipe multiprofissional do NASF na Unidade de Saúde citada. O NASF constitui-se como apoio essencial às Equipes de Saúde da Família, atuando em situações cada vez mais comuns e graves na Atenção Básica. Nesse sentido, podemos citar algumas situações observadas na prática, por exemplo, cabe ressaltar a importância do fisioterapeuta na reabilitação de pacientes após Acidente Vascular Encefálico ou após danos graves ocasionados por Hanseníase, além disso, o serviço social é imprescindível para condução de situações de vulnerabilidade, esclarecendo sobre formas de obtenção de auxílio de instituições governamentais ou não e apoio financeiro em caso de baixa renda mensal disponível para gastos básicos de sobrevivência, ou ainda ofertando apoio para resolução de casos de exploração de menores ou de abuso sexual; o psicólogo torna-se cada vez mais necessário frente aos crescente números de transtornos mentais, sobretudo, ansiedade e depressão e o nutricionista e o educador físico são fundamentais na reorientação de estilo de vida frente ao aumento de casos de síndrome metabólica, principal comorbidade associada a alto risco cardiovascular, maior causa de morte do Brasil. Sendo assim, o atendimento multiprofissional é essencial para a resolução e prevenção de patologias frequentes na população e sua atuação na atenção primária desobstrui o já congestionado nível de atenção secundária. Considerações finais: Portanto, a inserção de uma equipe multidisciplinar na Atenção Básica é essencial, pois os profissionais que a compõem tornam mais completa a atenção ao paciente e o atendimento mais resolutivo, sanando assim, as demandas locais. Dessa maneira, a atuação do NASF fortalece o Sistema Único de Saúde, garantindo os direitos da população, contribuindo para a efetivação da sua integralidade. Salientamos a necessidade de mais estudos na área para geração de melhores evidências sobre o impacto do trabalho da equipe do NASF sobre os indicadores de saúde na região, bem como desenvolvimento e aplicação de políticas públicas voltadas às especificidades do território e da população atendida. Concluímos que o desenvolvimento e suporte à Atenção Primária é essencial ao ordenamento dos fluxos e resolução das demandas dos usuários do SUS.

11811 - ROTEIRO DE APOIO E FACILITAÇÃO PARA CRIAÇÃO DE PROCESSOS FORMATIVOS EM SAÚDE MENTAL PARA PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: Nina Soalheiro, Karina Caetano, Raquel Tavares de Lima, Amanda Linhares Gonçalves

ROTEIRO DE APOIO E FACILITAÇÃO PARA CRIAÇÃO DE PROCESSOS FORMATIVOS EM SAÚDE MENTAL PARA PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: Nina Soalheiro, Karina Caetano, Raquel Tavares de Lima, Amanda Linhares Gonçalves

 Apresentação: Realizada na Escola Politécnica Joaquim Venâncio, Fiocruz, a pesquisa “Desafios para a saúde mental na atenção básica: construindo estratégias colaborativas, redes de cuidado e abordagens psicossociais na ESF (RJ)”, apresenta como um de seus resultados o Roteiro de Apoio e Facilitação para Criação de Processos Formativos em Saúde Mental para Profissionais da Atenção Básica. A pesquisa se desenvolve a partir do diálogo e defesa da função estratégica da Atenção Básica e dos processos formativos realizados com e para profissionais de saúde. O Roteiro de Apoio sintetiza as proposições oriundas de anos de estudo deste grupo de pesquisa sobre a Saúde Mental na Atenção Básica e todo seu conteúdo foi elencado e debatido em sucessivos encontros ao longo do ano de 2019 usando a metodologia ágil Sprint. Os cursos de Saúde Mental disponíveis para trabalhadores da Atenção Básica possuem em geral um direcionamento evidente para a visão biomédica, com ênfase em classificações psiquiátricas e na consequente supervalorização dos diagnósticos e fármacos, o que reflete em uma noção já posta de que a saúde mental é naturalmente medicalizante e institucionalizante. Na nossa visão de processo formativo, pretendemos sistematizar e incluir os conteúdos de natureza psicossocial, valorizando conceitos e práticas originários de diferentes campos de saber, para reforçar uma visão interdisciplinar da Saúde Mental. Objetivo: Preencher uma lacuna gerada pela insuficiência de investimento na formação em Saúde Mental para os profissionais da Rede Básica. Tendo em vista as condições políticas adversas, constatamos nestes profissionais uma demanda importante de formação para qualificar seu repertório de ações e práticas de cuidado ao sofrimento psíquico das mais diversas origens. Propomos sistematizar conceitos, estratégias e ferramentas facilitadoras em um roteiro de apoio, defendendo uma concepção de saúde mental que promova autonomia e acolhimento, sem institucionalização. Queremos, sobretudo, que os profissionais possam refletir criticamente acerca de suas práticas, reconhecer nelas potenciais metodologias de trabalho em Saúde Mental e expandir as possibilidades de cuidado em Saúde Mental na Atenção Básica, identificando e mobilizando recursos do território. Método: A equipe inicialmente fez uma busca nos currículos de cursos virtuais ou presenciais em Saúde Mental para a Atenção Básica em instituições de ensino de âmbito nacional. Investigamos os processos formativos direcionados para a rede pública de saúde e saúde mental e percebemos que eram deficientes em conteúdos pertinentes ao campo da Atenção Psicossocial. Foram analisados vinte e um cursos encontrados nos mais diversos tipos de instituições privadas e públicas para diferentes graus de escolarização. Os achados da pesquisa apontaram para uma limitação que tornou relevante nosso esforço de construção de um piloto de processo formativo compatível com uma visão mais interdisciplinar da saúde mental. Munidos de leituras e preparações nos reunimos por três dias inteiros – com muita alegria, disposição e vontade de trabalhar; sem celulares, internet, nem distrações da vida – para se debruçar sobre a primeira sistematização do que então nomeamos de um protótipo curricular de processo formativo utilizando uma adaptação da metodologia Sprint. Nesse primeiro Sprint realizado em maio de 2019, nos dedicamos a montar uma primeira versão do documento base, do que viria a ser um documento orientador para criação e programação de práticas educacionais (cursos, módulos, disciplinas, palestras, projetos etc.) voltados para profissionais da Atenção Básica, no qual se queira trabalhar a saúde mental na perspectiva das abordagens psicossociais e da desinstitucionalização. Neste primeiro encontro sistematizamos os princípios norteadores, eixos estruturantes e algumas propostas de atividades e temáticas. No segundo Sprint, em novembro de 2019, nosso objetivo foi melhorar e fechar este primeiro documento, para que ele pudesse ser concluído e disseminado a nível nacional, contribuindo para educadores, gestores e trabalhadores construírem atividades pedagógicas nesse tema. Foram 3 dias de trabalho intensivos, organizados segundo a metodologia Sprint. No primeiro dia de trabalho, revisamos as tarefas às quais nos dedicamos nos últimos meses, fazer pequenas experiências e testes com o protótipo ainda inacabado, tal como ele se encontrava, e debater as demandas e contribuições que serão o foco do segundo dia. No segundo dia, contando com uma equipe maior e acrescida de convidados, o objetivo foi realizar dinâmicas de design thinking para “preencher” as lacunas do documento, validá-lo como documento pedagógico e incrementá-lo com ideias e propostas novas. Os profissionais e pesquisadores convidados leram o documento, ainda inacabado e deram sugestões e feedbacks. No terceiro dia, nossa equipe de pesquisadores se dedicou à síntese e redação do documento final, produto do projeto que vai ser entregue no final de março. Resultado: Ao longo dos últimos dez anos nos dedicamos a discutir a potencialidade das abordagens psicossociais para a desinstitucionalização do cuidado em saúde mental. Diversas pesquisas nas quais nos envolvemos mostraram que um elemento chave deste processo está na esfera de atenção básica, nível do sistema de saúde em que equipes multiprofissionais se veem diante de muitos tipos de desafios no seu dia a dia de trabalho. A atenção à saúde mental na Atenção Básica é um dos desafios que mais causam sofrimento, dúvidas e incertezas a estes trabalhadores: como lidar com o sofrimento psíquico das pessoas que chegam até eles nas unidades básicas de saúde? Por meio do Roteiro de Apoio e Facilitação para Criação de Processos Formativos em Saúde Mental para Profissionais da Atenção Básica queremos estimular a reflexão sobre suas histórias de vida, sobre aquilo que os profissionais produzem, sobre as possibilidades de ressignificar suas práticas. Temos consciência que os saberes psis não esgotam as possibilidades de abordagens da subjetividade e todas as questões que envolvem o processo de adoecimento e cuidado. Por isso este Roteiro busca ir além do campo psi para falar diretamente aos profissionais das equipes de atenção básica. Esses trabalhadores lidam com uma variedade de casos e desafios que aparecem no cotidiano da atenção. Como pesquisadores, sempre ouvimos desses profissionais que eles não se sentiam preparados o suficiente para atender a essa demanda e que, por não terem uma formação especializada na área psi, se sentiam inseguros e carentes de recursos para esse cuidado. Diante disso, começamos a projetar uma forma de dar visibilidade às potencialidades do trabalho que eles já fazem no seu cotidiano, e ajudá-los a lidar com os casos de saúde mental que lhes chegam, superando a lógica do encaminhamento, medicalização e institucionalização. Pensamos as pessoas e os territórios como centrais no processo de trabalho do profissional da Atenção Básica. Consideramos a relevância do trabalho de equipes multiprofissionais e dos saberes trans/interdisciplinares, além da articulação inovadora e lúdica dos conteúdos programáticos, colocando os profissionais como atores essenciais da (des) construção do conhecimento. Pensamos também na importância de resistir à lógica produtivista dos serviços de saúde e de dar visibilidade às práticas inovadoras já existentes que são facilitadas por trabalhadores do SUS. O Roteiro de Apoio, a ser divulgado em um site para trabalhadores do SUS, se desenvolveu pautando a desconstrução e transformação de estereótipos e preconceitos sobre imaginários diversos, dos processos de saúde e de doença, da loucura e do uso social do diagnóstico, das especialidades psi, da autonomia das pessoas em sofrimento psíquico, da desinstitucionalização, além da história social do território e da contextualização das violências.


Távola - Educação
Interprofissionalidade na formação em saúde: as experiências do PET-Saúde
Facilitador: Riksberg Leite Cabral    Data: 28/10/2020    Local: Sala 15 - Távolas de trabalhos    Horário: 16:00 - 18:00
Trabalhos nesta Távola: 4 (clique para ver todos)
9298 - PET SAÚDE - INTERPROFISSIONALIDADE: O ESTUDO DE CASO DO PROCESSO FORMATIVO NA FCE- UNB.

Autores: Gabriel Ribeiro do Valle, Bruno Brunelli, Isamara Caetano de Lima, Jéssica Mello de Oliveira, Ketully Oliveira, Luana Matias Fernandes, Patrícia Escalda, Poliana de Sousa

PET SAÚDE - INTERPROFISSIONALIDADE: O ESTUDO DE CASO DO PROCESSO FORMATIVO NA FCE- UNB.

Autores: Gabriel Ribeiro do Valle, Bruno Brunelli, Isamara Caetano de Lima, Jéssica Mello de Oliveira, Ketully Oliveira, Luana Matias Fernandes, Patrícia Escalda, Poliana de Sousa

Apresentação: Como política indutora da formação interprofissional, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), na sua nona edição, cujo eixo central foi  a Educação Interprofissional em Saúde, possibilitou que a FCE-UnB em parceria com a ESCS (DF) fosse contemplada para coordenar o projeto que submeteu nesse último edital. Esse projeto tem na sua composição 4 grupos tutoriais e o grupo tutorial 3 vem desenvolvendo a formação dos seus componentes na perspectiva interprofissional e do trabalho colaborativo, com base nas competências colaborativas. O objetivo desse estudo foi descrever o processo formativo dos componentes do grupo tutorial 3, na perspectiva da educação interprofissional e do trabalho colaborativo. Desenvolvimento: Este trabalho trata de um relato de caso, desenvolvido pelo grupo tutorial 3 do Pet Interprofissionalidade da FCE-UnB, no período de janeiro de 2019 a janeiro de 2020. Esse grupo conta com 12 estudantes distribuídos entre os 6 cursos de graduação da área da saúde da FCE-UnB, a saber: enfermagem, saúde coletiva, farmácia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia e 4 preceptores com formações distintas, enfermeira, odontóloga, terapeuta ocupacional e médico. Para além de estudantes e preceptores, este grupo conta com uma tutora e uma coordenadora tutorial. Nesse primeiro ano elaboramos um plano de trabalho em que na sua primeira etapa foi apresentado e discutido com os participantes os conceitos relativos à temática do projeto. Para a instrumentalização do grupo na busca de artigos e manuais nas principais bases de dados constantes na Biblioteca Central da UnB, foi realizada uma oficina com o bibliotecário da FCE/UnB, momento muito importante para que as leituras fossem as mais atualizadas e assim contribuir com as nossas discussões. Foram reconhecidos os autores nacionais e internacionais pertinentes à temática. Uma outra possibilidade foi o Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS). A nossa estratégia coletiva para as discussões foram os encontros sistemáticos, em que os textos eram indicados para leitura, com as questões norteadoras e discussão prévia de estudantes com os respectivos preceptores. Após a consolidação dos conceitos teóricos e apropriação do estado da arte sobre a interprofissionalidade e trabalho colaborativo, o momento requeria que os estudantes pudessem observar o trabalho em saúde e para isso foi proposto que sempre acompanhados dos respectivos preceptores, tivessem a vivência nas 3 UBS que contávamos para o desenvolvimento do projeto. Esta etapa gerou a realização de relatórios que foram apresentados e discutidos conjuntamente. Identificou-se a necessidade de aprofundamento teórico sobre as competências colaborativas, o que motivou o convite à coordenadora do projeto para uma apresentação e discussão sobre o assunto. A etapa seguinte relacionada às competências consistiu nas observações na UBS com os preceptores e estudantes considerando o processo de trabalho em saúde. Esse processo contou com diversas negociações entre coordenação do projeto, coordenação do grupo e tutor referente ao PET e gestora e preceptora da UBS. Essas ações foram necessárias para viabilizar as observações nas UBS pelos estudantes, no sentido de que todos os trabalhadores(as) das unidades de saúde soubessem da proposta do estudo, o que facilitaria a participação dos estudantes na UBS e nas visitas domiciliares com o agente comunitário de saúde. Foi elaborado um roteiro para orientar as observações pelo professor tutor que foi apresentado e discutido com o grupo, que após as considerações, foi adotado. As(o) preceptoras(r) elaboraram uma escala para as observações na UBS, em que os estudantes estivessem sempre em dupla e com as preceptoras(r). Esta etapa foi realizada no período do recesso acadêmico de julho de 2019. Os estudantes sistematizaram na forma de relatórios as suas observações, que foram apresentadas e discutidas nos encontros sistemáticos. Como etapa seguinte considerando duas das competências colaborativas: cuidado centrado no paciente e comunicação interprofissional foram construídos e sistematizados os relatos de casos observados na UBS. Cada relato de caso foi construído por estudantes de formação distinta e preceptoras(r). Pensando na metodologia de estudo de caso para a educação interprofissional foi identificada que a simulação poderia ser uma boa estratégia de ensino e assim foi convidada uma professora da FCE-UnB para apresentar para o grupo aspectos do ensino com o uso da simulação. Nessa discussão dos casos foram identificados vazios teóricos conceituais que precisavam ser resgatados, assim como uma articulação teórica entre os temas. Para tanto realizamos imersões teóricas com releituras sobre EIP e trabalho colaborativo, leitura e interpretação dos termos multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar e unidisciplinar. Uso de metodologias para a EIP. Aprofundamento sobre as competências colaborativas, com interpretação de cada uma delas e por fim a leitura das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da área da saúde, para identificação da presença das competências colaborativas nos respectivos textos. Nesta etapa todos os estudantes do grupo foram responsáveis pelas apresentações, levantamento das questões norteadoras para a discussões e dinâmicas. Essa atividade foi realizada durante o recesso acadêmico de janeiro e fevereiro de 2020. Resultado: A aproximação com os serviços de saúde possibilitou a compreensão dos estudantes sobre o trabalho em saúde na atenção básica no âmbito de Ceilândia-DF. No processo formativo a experiência de observação do processo de trabalho na UBS demonstrou que a participação do preceptor foi necessária para viabilizar o trânsito do estudante na UBS e portanto a aproximação com os profissionais de saúde. Realizar a atividade com estudantes dos diversos cursos da saúde e preceptoras (r), levando em conta as competências colaborativas, favoreceu a discussão da educação interprofissional, trabalho colaborativo e as competências. A presença do estudante na UBS, às vezes causou estranhamento e a necessidade de esclarecimento sobre a atividade a ser realizada. Foi possível presenciar negociações, comunicação e realocação de profissionais no âmbito da UBS, pela gerência, demonstrando disposição dos profissionais de se ajudarem mutuamente. Para os estudantes observar consistiu em uma atividade “trabalhosa” uma vez que  exigiu bastante iniciativa e esforço, como também ter o foco em aspectos nunca antes observados, como as relações interprofissionais e práticas colaborativas, ou seja, como os profissionais da unidade agiam e conversavam e contribuíam juntos ou não para resolver da melhor forma a demanda dos usuários do sistema de saúde, levando em conta também a família e comunidade como apoiadores deste processo, seja na tomada de decisão ou quanto ao cuidado em saúde. Em relação a atenção centrada no paciente foi observado que os profissionais estão preocupados com a integridade do usuário, desde o momento de triagem nas salas de acolhimento até a consulta individual com o médico ou enfermeira, com escuta atenciosa, recomendações e informações prestadas importantes, mas ainda muito na perspectiva uniprofissional. A comunicação interprofissional e resolução de conflitos, foram identificadas como uma dificuldade no trabalho em saúde, em que a reunião de equipe poderia ser o local apropriado para os consensos. Foram identificadas UBS receptivas com os estudantes, com equipes de saúde que se mostraram abertas para o aprendizado, o que constituiu em troca de experiência podendo sinalizar maior estímulo a interprofissionalidade e ao trabalho colaborativo nessas UBS. Considerações finais: Foi identificada que a EIP é necessária na formação e educação permanente dos colaboradores do Sistema Único de Saúde (SUS), com ênfase no trabalho colaborativo, levando-se em conta as competências colaborativas. Apoio: MS-PET/UnB/ESCS/SES-DF

7831 - “A PIPA AVOADA”: CONHECENDO AS COMPETÊNCIAS INTERPROFISSIONAIS EM UMA OFICINA NO ÂMBITO DO PET-SAÚDE A PARTIR DA PROBLEMATIZAÇÃO

Autores: Penha Faria Cunha, Priscila Starosky, Francelise Pivetta Roque, Lorraine Pereira Busquet, Gustavo Manso Fernandes, Esther Pinho

“A PIPA AVOADA”: CONHECENDO AS COMPETÊNCIAS INTERPROFISSIONAIS EM UMA OFICINA NO ÂMBITO DO PET-SAÚDE A PARTIR DA PROBLEMATIZAÇÃO

Autores: Penha Faria Cunha, Priscila Starosky, Francelise Pivetta Roque, Lorraine Pereira Busquet, Gustavo Manso Fernandes, Esther Pinho

Apresentação: A concepção ampliada de saúde reconhece a necessidade de (re)significar o trabalho em saúde, valorizando o trabalho em equipe interprofissional e interdisciplinar, assim como as ações intersetoriais, como forma de avançar no fortalecimento do princípio de integralidade da atenção nos contextos de cuidados primários e redes de atenção de saúde. A interprofissionalidade é considerada, portanto, uma estratégia potente capaz de transformar as relações entre os atores de diferentes profissões na área da saúde, tanto no contexto da formação como no trabalho em saúde. Além disso, os problemas de saúde da população ao longo do tempo vêm mudando seu perfil epidemiológico. O envelhecimento da população, a prevalência de doenças crônicas, o surgimento de problemas complexos que envolvem questões sociais acarretaram em importantes modificações no processo saúde-doença e fizeram com que as necessidades e demandas de saúde tornassem mais complexas. Paralelo a esse contexto, a fim de aumentar a resolutividade das práticas de saúde faz-se necessária a atuação de vários profissionais de diferentes áreas, que, no entanto,  trabalham somente dentro dos saberes de sua própria profissão o que não  demonstra não ser suficiente para o cuidado com o paciente. A cada dia fica mais evidente a importância do trabalho na lógica da interprofissionalidade e de formar um profissional para trabalhar em equipe oferecendo um serviço de saúde de melhor qualidade. Esse relato de experiência tem como objetivo principal apresentar a proposta e discutir a realização de uma oficina de educação interprofissional que trabalhou competências colaborativas a partir do modelo da Universidade Europeia  (NUIM; FRANCISCO, 2019). Como objetivos específicos trabalhamos com a discussão e o fortalecimento dos marcos teóricos e metodológicos da Educação Interprofissional, procuramos entender o conhecimento do papel do outro e de si e a interação entre eles e observamos as fortalezas e fragilidades frente à necessidade de educação permanente. Desenvolvimento: Tendo como cenário três unidades de saúde situadas de um bairro próximo ao Centro do município de Nova Friburgo, sendo duas policlínicas e uma Estratégia de Saúde da Família, realizamos a oficina de construção de um projeto terapêutico singular, convidando os profissionais de saúde trabalhadores dessas duas Unidades de Saúde, assim como estudantes e docentes de diferentes áreas da saúde que participaram de atividade junto aos usuários (sala de espera). Para desenvolvimento das oficinas foi utilizada como metodologia de aprendizagem a problematização, partindo de casos reais, transversalizando à discussão sobre as competências colaborativas. A partir da intencionalidade de trabalhar principalmente o conhecimento do papel do outro e de si e a interação entre eles em nível de exposição (observar e identificar em situações externas) que é o primeiro contato com a realidade no processo de desenvolvimento. A metáfora da “pipa avoada” surgiu da experiência de uma preceptora do projeto, em outro contexto de atuação que trazia a narrativa de uma usuária que foi assim caracterizada negativamente pela equipe, a princípio. As reflexões advindas do caso geraram a metáfora do usuário(a) como uma pipa que constrói sua autonomia junto aos profissionais e alça voo. Este voo, necessário à função da pipa, é orientado pela sua rabiola, que passamos a entender como as estratégias e as competências da equipe construídas na relação com o usuário(a). A partir da metáfora da pipa avoada construímos narrativas calcadas em realidades locais que foram usadas como problematização e, a princípio, apresentadas como “pipas avoadas” para que, através da oficina fosse construído um processo de ressignificação. A oficina foi realizada em grupos de 4 a 6 estudantes, docentes e profissionais de diferentes profissões. A proposta era discutir e elaborar uma ação de intervenção para o caso apresentado – Projeto Terapêutico Singular - considerando as áreas/profissões da saúde dos integrantes e/ou outras) relacionando à uma das competências interprofissionais apresentadas, dizendo de que forma esta poderia ajudar ou ser exercitada nesta intervenção. O caso apresentado foi escolhido a partir de um caso real de uma das Unidades de saúde visitadas, que contemplasse as questões da diabetes, já que as ações ocorreram na semana de combate ao diabetes em novembro de 2019. A terceira oficina foi realizada durante a semana de combate às IST/AIDS e apresentou o caso de uma gestante que teve a sífilis identificada no parto, também caso real ocorrido na rede. O primeiro caso foi apresentado por escrito e contou com aprofundamento por parte dos profissionais da ESF na qual a usuária era atendida. O segundo caso inspirou o desenvolvimento de uma dramatização roteirizada por docente tutor e estudantes do projeto, pensando em nós e problemas na atuação da equipe no que concerne sua prática colaborativa. A dramatização da narrativa dos atendimentos da usuária em uma unidade de saúde até o momento do seu parto e identificação da sífilis, foi gravada em vídeo e apresentada aos participantes da oficina. Cada grupo escolheu um domínio e uma competência colaborativa, elaborou e apresentou uma proposta de ação seguindo a lógica do PTS, refletindo ainda como esta poderia ser potencializada pela competência escolhida. A colaboração, inerente à atividade, foi também compreendida como ferramenta utilizada para o cuidado e a construção da qualidade de vida do paciente e o fortalecimento da rede. A medida que os grupos iam apresentando suas propostas de ações, os domínios e as competências escolhidos eram fixados a rabiola da pipa, que estava sendo utilizada como objeto concreto da metáfora, representando o cuidado colaborativo da equipe e o seu comprometimento para com o usuário. Resultado: Trabalhar os papéis profissionais na dimensão micro tem proporcionado desconstruir os estereótipos entre as profissões, o que gera um campo mais profícuo para o respeito, a interação e a comunicação (Costa, 2019), não só entre os profissionais, como também entre docentes – pois a maioria não vivenciou isso em sua formação, estudantes, como também, usuários, famílias e a comunidade que encontram-se impregnadas também por esses estereótipos e sofrem as consequências negativas de ações em saúde desintegradas. As dinâmicas realizadas causaram impactos positivos tanto aos participantes em processo de formação, quanto aos participantes já atuantes na rede de serviço de saúde pública. Foi possível provocar o pensamento crítico e reflexivo de situações cotidianas, às vezes tidas como simples de resolver, mas na verdade se olharmos a fundo, não são bem assim. Existem muitas lacunas e déficits deixados por conta de um atendimento focado na situação patológica do paciente e não na sua integralidade. Foi possível perceber também que os marcos teóricos e metodológicos da Educação Interprofissional foram fortalecidos, pois cada vez mais as ações desenvolvidas nos serviços tem mostrado aos profissionais uma nova visão em saúde voltada para a importância do trabalho colaborativo e em equipe para o fortalecimento dos serviços de saúde pública e  qualidade de vida dos usuários. Considerações finais: Apesar de estarmos delineando um caminho para a intencionalidade das ações, principalmente no que se refere às competências que têm sido trabalhadas (papéis e comunicação), as dimensões da realidade e os níveis de desenvolvimento, reconhecemos que precisamos avançar na sistematização da frequência, dos cenários de prática e das metodologias usadas, assim como na avaliação dos impactos destas ações, e no diálogo com os gestores educacionais para a introdução permanente dessas iniciativas na formação. É preciso que os futuros profissionais de saúde, e os que já estão inseridos na realidade do trabalho em saúde, desenvolvam competências que assegurem a mudança no modelo de atenção à saúde através da colaboração, para melhorar as relações pessoais e profissionais entre os atores de diferentes categorias profissionais e entre usuários, pacientes, família e comunidade. Assim, profissionais colaborativos podem assegurar práticas em saúde integrais por meio do trabalho colaborativo com maior capacidade de respostas aos problemas e às necessidades de saúde (REEVES, 2016).  

7807 - PROGRAMA PET SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE COMO DISPOSITIVO DE FORTALECIMENTO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS EM SAÚDE NA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: Fabrício Gonçalves Ferreira, Nunila Ferreira de Oliveira, Gabriela Ferreira Mendes, Ana Carolina Silva Busse, Renata Alessandra Evangelista

PROGRAMA PET SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE COMO DISPOSITIVO DE FORTALECIMENTO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS EM SAÚDE NA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: Fabrício Gonçalves Ferreira, Nunila Ferreira de Oliveira, Gabriela Ferreira Mendes, Ana Carolina Silva Busse, Renata Alessandra Evangelista

Apresentação: O modo como tem se dado as condições de vida da população na contemporaneidade tem exigido novos dispositivos de trabalho para o cuidado em garantia aos princípios e diretrizes preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os processos de mudanças culturais, políticas, científicas, econômicas, têm dificultado o acesso a direitos básicos em saúde. Além disso, as mudanças no perfil de morbimortalidade da população brasileira acentua desafios ao SUS, evidenciando a necessidade de repensar novas formas de cuidado integral e contínuo do indivíduo. Alinhado à demanda  de aprimorar  estratégias de fortalecimento do SUS, surge a proposta do Programa de Educação para o Trabalho em Saúde/Interprofissionalidade (PET Interprofissionalidade) lançado pelo Edital n 10, de 23 de julho de 2018 - Ministério da Saúde, que objetiva o desenvolvimento de projetos com vistas ao estudo, prática e aprimoramento de ações e mudança dos currículos de cursos de graduação a partir da aliança entre docentes, discentes e profissionais atuantes no campo da saúde. A iniciativa propõe uma construção baseada na integração ensino, serviço e comunidade, na busca de assegurar aos participantes protagonismo no desenvolvimento de atividades e serviços que serão ofertados, além de reformular os modos de atuação. Nesse contexto, o PET Interprofissionalidade possibilita o encontro da universidade com os serviços de saúde e gestão, em ações que promovem o repensar das práticas de cuidado e da formação buscando uma atuação colaborativa frente às potencialidades e desafios da área da saúde. O presente resumo tem o objetivo de compartilhar as experiências do PET Saúde Interprofissionalidade, desenvolvido no município de Catalão (GO), retratando as oportunidades desse programa para o fortalecimento de políticas públicas e qualificação do cuidado na Atenção Primária em Saúde (APS). Desenvolvimento: As políticas públicas podem ser compreendidas como fruto de várias lutas, as quais envolvem diversos atores sociais, interesses e relações de poder, cujo objetivo é construir dispositivos jurídicos para solucionar impasses nos bens públicos. Contudo, a partir do momento que as políticas públicas são instituídas, costuma-se formular protocolos de trabalho baseados em projetos locais que obtiveram êxito em determinado território. Assim, são geradas práticas uniformizadoras que deixam pouco espaço para a inovação de ações que contemplem a diversidade humana. Um exemplo de inovação em saúde é a Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma macropolítica do Ministério da Saúde, com resultados significativos na APS e que se tornou um eixo reorientador do SUS. Outra iniciativa do Governo Federal para o aperfeiçoamento da saúde foi o Pró-Saúde (Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde), sendo este um dos antecessores do PET Interprofissionalidade, o qual visava integrar o ensino aos campos de atuação profissional, ser efetivo na reorientação da formação, fomentar uma compreensão mais ampliada que fortalecesse os princípios da consolidação da APS e dos determinantes sociais no processo de saúde-doença, assim como promover a articulação com a rede de serviços. As atividades do PET Interprofissionalidade Catalão (GO) iniciaram-se em outubro de 2018 com a formação da equipe de docentes dos Cursos de Graduação que formulou e  propôs o projeto submetido ao Ministério da Saúde. A operacionalização desse projeto partiu de docentes da Universidade Federal de Goiás-Regional Catalão (com anuência da Gestão Municipal) e participação dos profissionais da Rede de Atenção à Saúde (RAS) como convidados a partir de seleção interna (sem participação direta na concepção e estruturação da proposta enviada). Os estudantes foram incluídos após a aprovação do Edital, em processo seletivo, estando determinados a também seguir projeto, ações, plano de trabalho e orientações designadas pela equipe de docentes. Ao propor a formação de Grupos Tutoriais (GT) com propostas colaborativas e compartilhadas, a partir da execução do PET Interprofissionalidade, houveram modificações na estrutura das ações propostas, fruto da interação com a realidade dos serviços. Assim, foram feitas adequações como consequência direta do desenho colaborativo na operacionalização do PET: reuniões periódicas da equipe, formação de grupos de trabalho, capacitações, formalização junto à gestão municipal e da universidade frente às atividades realizadas no contexto do PET, com possibilidade de reserva de carga horária e pagamento de bolsas. Resultado: O PET Interprofissionalidade propicia experiências enriquecedoras e singulares na medida em que cada GT possui autonomia para planejar e discutir as ações que serão promovidas com base no diagnóstico situacional do território. Ainda que as ações do Programa, realizadas no município, tenham ocorrido em diferentes cenários institucionais, verifica-se a possibilidade de melhoria significativa nos serviços prestados em toda RAS. O programa desenvolve-se no contexto de GTs com as seguintes temáticas: 1) Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF): uma experiência piloto para intento de consolidação; 2) Práticas integrativas e complementares e Educação Popular em saúde como ferramentas para estruturação de grupos de promoção de saúde; 3) HIPERDIA: Interprofissionalidade no fortalecimento da atenção às pessoas com Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus; 4) Atenção à Saúde da Mulher e da Criança e Adolescente; 5) Fortalecimento das Redes em Atenção à Saúde: foco na transição do cuidado. Com as estratégias do PET Interprofissionalidade, os objetivos propostos foram alcançados e trouxeram impactos diretos no fluxo e funcionamento da RAS como: acordos e vínculos com a Secretaria Municipal de Saúde, empenho na implementação de programas pilotos como Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) e Programa Melhor em Casa, introdução de atendimentos com Práticas Integrativas e Complementares (PICS) na APS, capacitação de funcionários e usuários da RAS, mapeamento do perfil epidemiológico de morbimortalidade de pessoas com diabetes e hipertensão em Unidades de Saúde do  município, além da realização de palestras, fóruns e encontros com vistas na colaboração e integração para reformulação da RAS. Desafios foram encontrados no processo de consolidação, como dificuldades em acordos e vínculos entre instituições, número reduzido de recursos e profissionais na rede, além dos impasses recorrentes na atuação interprofissional de cada subgrupo. Outrossim, coordenadores, preceptores, alunos e demais membros participantes, desenvolveram estratégias a partir das demandas apresentadas para possibilitar o funcionamento efetivo da rede, movimento no sentido de repensar práticas de formação e de cuidado em saúde, da capacitação profissional, oferta de ações inovadoras de cuidado no contexto da RAS e vivência de práticas colaborativas entre trabalhadores e estudantes de diferentes profissões/áreas de atuação. Considerações finais: Espera-se que o PET Interprofissionalidade/Catalão contribua para ampliação do cuidado e da resolutividade na APS, com objetivo principal em fortalecer as políticas públicas, trazendo maior eficiência e equidade aos serviços, além de garantir a integralidade no cuidado dos usuários do SUS. Por conseguinte, para ocorrer tal consolidação, é essencial que o trabalho dos integrantes do projeto, equipes e serviços de saúde, dos gestores e dos usuários, seja de forma interativa e participativa para atender a proposta da interprofissionalidade, através de ações que abarcam o ensino, pesquisa, extensão e participação social em um constante diálogo entre os atores envolvidos. Nesse sentido, a troca de saberes e a diminuição do distanciamento entre governantes e governados, trabalhadores e usuários, professores e estudantes, vislumbra-se como dispositivo pertinente na elaboração de propostas de saúde que preveem uma abordagem integral, equânime e resolutiva, especialmente no âmbito da APS. Como desafio na própria execução, a equipe percebe, após acompanhamento em assessoria da Organização Pan-Americana da Saúde e avaliações internas do processo de trabalho, a demanda de agregar as ações dos GTs, ampliando o diálogo no contexto dos participantes e propostas do PET Interprofissionalidade/Pet-Saúde Catalão.

6394 - PET-SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE: UMA EXPERIÊNCIA INTEGRADORA, SIGNIFICATIVA E PROBLEMATIZADORA DA GRADUAÇÃO EM SAÚDE

Autores: Caline de Almeida Barbosa, Vitória Regina Nunes Maia, Sara Micaelle dos Anjos Lopes, Vitor Bonfim Nunes Maia, Wvelton Mendes Pereira, Yuri Caetano Donato, Andreza Honório dos Santos Costa, Bruno Klecius Andrade Teles

PET-SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE: UMA EXPERIÊNCIA INTEGRADORA, SIGNIFICATIVA E PROBLEMATIZADORA DA GRADUAÇÃO EM SAÚDE

Autores: Caline de Almeida Barbosa, Vitória Regina Nunes Maia, Sara Micaelle dos Anjos Lopes, Vitor Bonfim Nunes Maia, Wvelton Mendes Pereira, Yuri Caetano Donato, Andreza Honório dos Santos Costa, Bruno Klecius Andrade Teles

Apresentação: Este relato de experiência é fruto de uma das atividades desenvolvidas pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), alinhada com a proposta norteadora do atual edital, a Interprofissionalidade. Esta é compreendida, no geral, como o encontro de diferentes conhecimentos, que ocorre quando os profissionais de saúde aprendem dentro e entre as disciplinas, obtendo conhecimentos, habilidades e valores para trabalhar com outros profissionais de saúde. Em junho de 2019, a intervenção foi elaborada e mediada por petianos coordenadores, tutores e discentes, sendo executada pelos últimos, que eram dos cursos de Farmácia, Medicina e Nutrição. Além disso, a ação teve, como público-alvo, os acadêmicos ingressantes dos cursos de Nutrição e Farmácia da referida Universidade. Nesse contexto, a realização da atividade foi motivada através da necessidade de discutir e problematizar a Educação Interprofissional no ambiente acadêmico. Os integrantes do PET-Saúde, constataram anteriormente, em uma análise dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) de Farmácia e Nutrição, termos como “interprofissionalidade”, “multiprofissionalidade” e “interdisciplinaridade”. Apesar disso, observou-se, na UFOB, uma prática interprofissional insuficiente, bem como baixo incentivo ao contato e às relações acadêmicas entre discentes dos cursos de Saúde. Desse modo, tornou-se imprescindível uma ação que aproximasse os estudantes dessa lógica tão difundida, porém pouco implementada. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é relatar a ação realizada, analisando-a criticamente, e relacionando os resultados com os aspectos tangentes à educação e à prática interprofissionais, indispensáveis na formação de indivíduos aptos a atuarem de maneira colaborativa na área da Saúde. Desenvolvimento: A ação, realizada no Centro de Convivência da Universidade, dividiu-se em quatro momentos principais: a princípio, houve uma Dinâmica de Acolhimento, com o intuito de possibilitar a integração entre os estudantes, sucedida por uma apresentação: com Mural das Profissões, um Estudo de Caso e uma Dinâmica de Mitos e Verdades sobre os projetos pedagógicos (PPC) dos cursos em questão. O primeiro momento, a Dinâmica de Acolhimento, objetivou ambientar e apresentar os acadêmicos dos diferentes cursos, através de discussões sobre atividades preferidas nas horas vagas e motivações para a escolha da futura profissão, por exemplo. Em seguida, houve a execução do Mural das Profissões, de modo que os estudantes de um curso deveriam escrever palavras representativas acerca da outra graduação, advindas do conhecimento geral. Ao final da atividade, os próprios discentes concluíram que existiam muitos estereótipos entre os cursos. Então, em um momento enriquecedor, eles mesmos compartilharam com os colegas a respeito das diferentes áreas de atuação que podem seguir, que se estendem muito além de uma “dieta”, na Nutrição, e “medicamento”, na Farmácia. Logo depois, realizou-se um Estudo de Caso, o qual se guiou em uma breve apresentação teatral protagonizada por estudantes do PET-Saúde. A dramatização se fundamentou na história de um idoso hipertenso, que procurou a farmacêutica do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica, com queixa de insônia, devido ao uso indiscriminado de um fármaco anti-hipertensivo, não orientado corretamente pelo médico da Unidade de Saúde da Família (USF). Nesse contexto, a encenação suscitou críticas do público-alvo, o qual defendeu que não era a insônia, tampouco a hipertensão, o problema principal da história, mas a carência de uma abordagem interprofissional entre médico, nutricionista e farmacêutico no caso, indispensável para a adequação dos níveis pressóricos do idoso. Por fim, houve a Dinâmica dos Mitos e Verdades, na qual foram apresentados trechos correspondentes aos PPC de Nutrição e Farmácia. Assim, os discentes deveriam levantar balões vermelhos, que representavam “mito”, ou verdes, que significavam “verdade”, para cada afirmação lida. Desse modo, realizou-se uma análise sobre o conhecimento que os estudantes possuíam sobre o conteúdo dos documentos norteadores dos cursos mencionados. Resultado: A atividade proposta despertou, nos acadêmicos, o senso crítico e reflexivo acerca da Educação Interprofissional em Saúde. Assim, a Dinâmica de Acolhimento contribuiu para a promoção do diálogo entre os discentes de Farmácia e Nutrição, que é de suma importância nas equipes de saúde. O Mural das Profissões, por sua vez, evidenciou a existência de estereótipos preestabelecidos sobre os profissionais farmacêutico e nutricionista. Dessa forma, os estudantes perceberam a importância de conhecer os papéis desempenhados por cada profissão, de forma que possam trabalhar conjuntamente, com o intuito de promover a melhoria da qualidade de vida dos usuários. Já no Estudo de Caso, o público-alvo defendeu que, se não houver interprofissionalidade e trabalho em equipe, fragmenta-se a Atenção em Saúde, que deveria ser integral, e surgem desde problemas pontuais, como uma hipertensão mal controlada, a consequências fatais para o usuário. Ademais, na Dinâmica dos Mitos e Verdades, verificou-se que os estudantes pouco conheciam a respeito dos seus PPC, assim como não puderam definir adequadamente termos, como “interprofissionalidade”, presentes nesses documentos. Desse modo, urge a necessidade de discussões mais aprofundadas sobre essas temáticas nos demais semestres dos referidos cursos. Finalmente, os discentes opinaram sobre a vivência que tiveram no dia, afirmando ter sido uma experiência enriquecedora, visto que, antes disso, nunca houve um contato tão próximo com pessoas de outra graduação da Universidade. Além disso, puderam aprofundar o conhecimento sobre ambos os cursos e, assim, compreenderam outras abordagens da Farmácia e Nutrição, que ainda não haviam sido exploradas em sala de aula. Logo, o principal objetivo da ação, que era apresentar a relevância da Interprofissionalidade, a qual ocorre somente quando as diferentes profissões aprendem entre si, com e sobre as outras, para melhorar a colaboração e a qualidade dos cuidados, foi aparentemente alcançado. Considerações finais: Diante do exposto, constata-se que práticas relacionadas à Interprofissionalidade ainda não são realizadas corriqueiramente no espaço universitário. Assim, ressalta-se a relevância de atividades que fomentem formações acadêmicas interprofissionais, as quais estimulem os estudantes a conhecerem os campos de atuação de outras profissões. Desse modo, desmistifica-se estereótipos e, sobretudo, implementa-se o trabalho em equipe com uma visão menos segmentada e mais holística, com o propósito de promover o bem-estar dos usuários. Considerando-se a fragilidade do profissional diante da formação embasada no modelo fragmentador e biologicista, a Educação Interprofissional advém como alternativa importante para o alcance do atendimento integralizado e humanístico, que supra as necessidades da comunidade. Portanto, espera-se que haja a difusão da relevância atual da Interprofissionalidade por outras experiências nos cursos de graduação em Saúde.