411: A gestão na Atenção básica - experiências e desafios.
Debatedor: Heliana Raimunda de Macedo
Data: 31/10/2020    Local: Sala 06 - Rodas de Conversa    Horário: 16:00 - 18:00
ID Título do Trabalho/Autores
10060 PRÁTICAS INTERSETORIAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: QUE DESAFIOS?
Edna Mara Mendonça, Fernanda Moura Lanza, Ana Carolina Campolina Santos

PRÁTICAS INTERSETORIAIS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: QUE DESAFIOS?

Autores: Edna Mara Mendonça, Fernanda Moura Lanza, Ana Carolina Campolina Santos

Apresentação: Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Carta de Astana são documentos norteadores para os sistemas de saúde pois, reafirmam a garantia da oferta de saúde de qualidade em âmbito intersetorial devido sua atuação sobre os determinantes sociais. O presente estudo buscou compreender a concretude e os desafios das práticas intersetoriais na Atenção Primária a Saúde (APS). Pesquisa qualitativa ancorada no Interacionismo Simbólico desenvolvida em um município brasileiro de médio porte no período de fevereiro a julho de 2018. A fonte de evidência foi a entrevista semiestruturada com 59 profissionais e gestores ligados à APS e os dados foram analisados segundo a Análise de Conteúdo Temática. Os resultados mostram que a intersetorialidade é concretizada perante a demanda dos usuários por cuidado integral na APS. O Núcleo Ampliado de Saúde da Família e as Equipes de Saúde da Família buscam os arranjos necessários para formação de rede intra ou intersetorial. Percebeu-se o papel primordial da gestão para indução das ações intersetoriais nos territórios, como o fomento à inserção de práticas intersetoriais na agenda de trabalho; e em espaços de construção coletiva enquanto potencializadores das políticas públicas.

9527 O COLEGIADO DE COORDENADORES DE ATENÇÃO BÁSICA COMO ESTRATÉGIA DE AMPLIAÇÃO DA COBERTURA E DA QUALIDADE DA ATENÇÃO BÁSICA NA MACRORREGIÃO NORDESTE DO ESTADO DA BAHIA
Nilma Lima dos Santos, Aline Gomes Fernandes Santos

O COLEGIADO DE COORDENADORES DE ATENÇÃO BÁSICA COMO ESTRATÉGIA DE AMPLIAÇÃO DA COBERTURA E DA QUALIDADE DA ATENÇÃO BÁSICA NA MACRORREGIÃO NORDESTE DO ESTADO DA BAHIA

Autores: Nilma Lima dos Santos, Aline Gomes Fernandes Santos

Apresentação: A Atenção Básica requer alto nível de capilaridade na atuação de profissionais de saúde e gestores municipais, para atender às necessidades de saúde das populações e territórios. Nessa lógica, a Diretoria de Atenção Básica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (DAB/SESAB) organiza-se através de Equipes de Apoio Institucional, fundamentada no Método da Roda, para superar os obstáculos do modelo tradicional de relação entre gestores, tendo a cogestão e a educação permanente dos atores como aposta para ampliar as possibilidades de trabalho prazeroso, visando a qualificação dos coordenadores municipais de Atenção Básica e a organização desse nível de atenção nos territórios. A partir do fortalecimento da gestão municipal objetiva-se a ampliação da cobertura e da qualidade da Atenção Básica (AB), pois espera-se que as equipes sejam implantadas considerando as demandas do território e de suas populações adscritas. As equipes de Apoio Institucional estão dispostas no território baiano, uma para cada macrorregião de saúde, com o objetivo de apoiar os municípios na gestão e organização do processo de trabalho na AB, através de ofertas regulares voltadas aos coordenadores municipais e trabalhadores, bem como aos secretários municipais de saúde. Conforme disposto na Política Estadual de Atenção Básica, os Colegiados Regionais de Coordenadores de Atenção Básica (COCAB) são espaços de exercício do Método da Roda, onde pretende-se fortalecer o sujeito para que ele seja capaz de negociar e solidarizar-se com outros sujeitos ou instituições, reconhecendo-os como seres com desejos e interesses, sugerindo às equipes a possibilidade de interferência na produção de subjetividades, trocas de saberes, educação permanente, fortalecimento regional e cooperação mútua para solução de problemas da gestão. Na Macrorregião de Saúde Nordeste da Bahia, as reuniões do COCAB são facilitadas pelas apoiadoras institucionais da DAB/SESAB e do Núcleo Regional de Saúde Nordeste (NRS Nordeste/SESAB). Os temas discutidos são escolhidos pelos participantes ou de interesse da gestão estadual. O colegiado pretende atenuar o obstáculo dos entraves políticos, organizacionais ou subjetivos, através da autorização do Coletivo para o processo de cogestão e distribuição de poder. Além de qualificar os coordenadores para que disponham de instrumentos voltados a ampliação da qualidade das ofertas das equipes, através da construção de relações solidárias e compartilhamento de vivências, experimentados durante as reuniões do COCAB. A avaliação dos Colegiados objetivou verificar a relevância dos temas, a qualidade das discussões propostas, a utilização das metodologias nos municípios e o papel de ampliação das ofertas da AB. Foram avaliados os COCABs realizados em 2018, através de um formulário na ferramenta Google Forms®, a ser respondido pelos coordenadores municipais de Atenção Básica dos trinta e três municípios que compõem a Macrorregião Nordeste. O formulário foi composto por quatro seções: identificação dos respondentes, avaliação da relevância dos temas, avaliação do COCAB como ferramenta de qualificação da atuação do coordenador de AB e temas de interesse a serem discutidos no ano de 2019. Os resultados referentes a participação nos COCABs e de temas sugeridos para o ano de 2019 foram apresentados na última reunião do ano, para que o coletivo apontasse a ordem de prioridade das discussões dos temas. As respostas foram sistematizadas e descritas pelas apoiadoras institucionais DAB/SESAB e NRS Nordeste e apresentadas considerando o percentual e número absoluto das respostas. O formulário foi respondido por 78,8% (n=26) dos municípios da macrorregião de saúde, sendo 86,7% (n=13) dos municípios de região de saúde de Ribeira do Pombal e 72,2% (n=13) dos municípios da região de saúde de Alagoinhas. Em 2018 foram realizados seis COCABs em cada região. Nas regiões foram discutidos os temas: territorialização na AB, educação permanente em saúde, segurança alimentar e nutricional, Saúde Bucal, além de um Colegiado Integrado de AB e Vigilância em Saúde sobre Imunização. Considerando as especificidades regionais, foi realizado um COCAB sobre Policlínica Regional de Saúde, na região de saúde de Alagoinhas, e outro sobre Sistemas de Informação em Saúde, na região de saúde de Ribeira do Pombal. Quanto a avaliação dos COCAB, considerando a pertinência, a abordagem e o conhecimento sobre o tema por parte dos facilitadores, os respondentes atribuíram uma nota média de 7,4. Todos os responderam (n=26) reconheceram que os temas necessários para sua atuação na coordenação foram contemplados nas discussões do COCAB. Entre os principais motivos para tal afirmativa estiveram o auxílio na execução e gerenciamento dos serviços de AB, e a discussão de temas que consideravam as dificuldades dos municípios. Entre as necessidades de aprofundamento apresentadas pelos respondentes estão a oferta de instrumentos de gestão e a ampliação da discussão sobre monitoramento e avaliação das ações da AB. Todos os respondentes (n=26) afirmaram disseminar, completa ou parcialmente, as discussões dos COCAB com as equipes de saúde da família por eles coordenados e com outros membros da gestão municipal, a exemplo de outros coordenadores e dos secretários de saúde. Os principais espaços utilizados para essa disseminação são as reuniões de gestão e as reuniões mensais de acompanhamento das equipes. Os espaços de educação permanente foram apontados como espaços de disseminação das discussões do COCAB por 38% (n=5) dos respondentes em Alagoinhas e 15% (n=2) dos respondentes em Ribeira do Pombal. Quanto a incorporação de ferramentas e dinâmicas utilizadas nos COCAB em sua prática como coordenadores de Atenção Básica, 92% (n=12) na região de saúde de Alagoinhas e 100% (n=13) na região de saúde de Ribeira do Pombal afirmaram utilizar-se dessas ferramentas junto às equipes. As principais ferramentas utilizadas foram o trabalho em grupo, a problematização da situação vivenciada, o levantamento situacional, dinâmicas de grupo e estudos de caso. Apesar do reforço quanto a característica de ampliação da autonomia dos sujeitos e coletivos, como um dos objetivos das reuniões do COCAB, 31% (n=4) e 38% (n=5) dos respondentes não se disponibilizariam a ser organizadores e/ou facilitadores de um COCAB nas regiões de saúde de Ribeira do Pombal e Alagoinhas, respectivamente. No entanto, 77% (n=20) dos coordenadores em ambas as regiões, gostariam de apresentar as experiências de gestão e/ou de cuidado de seu município durante o COCAB. O principal motivo de ausência nas reuniões do COCAB foi a indisponibilidade de veículos no município para deslocamento dos coordenadores. Os temas sugeridos pelos respondentes para os COCAB em 2019 estiveram voltados para a articulação das redes de atenção, abordagem sobre a rede materno-infantil e a redes de atenção psicossocial, vinculação com a rede hospitalar. Outras solicitações versam sobre a construção de protocolos de orientação das práticas profissionais, monitoramento e avaliação das ações da AB, sistemas de informação da AB, ações e projetos estratégicos da AB como o Programa Academia da Saúde, Programa Bolsa Família e a discussão das dificuldades financeiras dos municípios e seus impactos na ampliação da cobertura e qualificação da AB. Para os coordenadores, o COCAB é um espaço de orientação e encontros dos coordenadores, onde é possível dividir experiências dos diversos cenários e dificuldades encontradas na região para a qualificação da AB, aproximando, também, a gestão estadual da realidade da organização municipal da AB. Ao ampliar o acesso dos coordenadores às informações e fortalecê-los como sujeito, ampliando sua capacidade de negociar e solidarizar-se, imprime-se segurança e qualifica-se a tomada de decisão dos mesmos, de forma que a ampliação da cobertura e a qualificação da AB sejam construídas conforme a necessidade de territórios e populações, considerando as demandas locais.

6174 QUALIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS: um estudo a partir do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica
Dayanna Mary Castro

QUALIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E INTERNAÇÕES POR CONDIÇÕES SENSÍVEIS: um estudo a partir do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica

Autores: Dayanna Mary Castro

Apresentação: Trata-se de um estudo ecológico que usou o banco de dados do segundo ciclo do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) para aferir a qualidade da Atenção Primária à Saúde (APS) nos municípios brasileiros e investigar sua relação com o número de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), no ano de 2014. Foram incluídos municípios com mais de 80% de adesão das equipes de saúde ao PMAQ-AB. A medida de associação entre o número de hospitalizações por condições sensíveis e a qualidade da APS foi calculada por Regressão Binomial Negativa com variância robusta e população total como offset, considerando uma significância de 20% na análise univariada e 5% na multivariada. Considerou-se uma modelagem hierárquica com entrada em blocos utilizando o método backward. A quantidade média de ICSAP no período analisado foi de 359,97 internações por município. Na análise ajustada, no bloco distal, municípios com maior proporção de idosos e alta vulnerabilidade apresentaram maior número de ICSAP. O número de internações apresenta um crescimento de 8% a cada aumento de 1% da população acima de 60 anos (IC: 1,07-1,10). O número de ICSAP de municípios com IVS alto é 1,53 vezes o número de ICSAP de municípios com IVS baixo (IC: 1,32-1,78). No bloco proximal, com exceção da cobertura de planos que não se manteve no modelo final, todas as variáveis analisadas mostraram associação significativa com o desfecho do estudo. A cada aumento de 1 unidade no número de leito por mil habitantes, o número de ICSAP aumenta 3,8% (IC: 1,02-1,06). Observou-se que municípios com maior cobertura de ESF apresentaram maior número de ICSAP. Municípios com cobertura alta apresentaram 1,71 vezes o número de internações de municípios com cobertura baixa (IC: 1,51-1,93). A qualidade da APS mostrou efeito protetor na ocorrência de ICSAP. Municípios mais bem avaliados (quartil 4) apresentam 17,5% menos ICSAP do que municípios com pior qualidade (IC: 0,75-0,91). Os resultados mostram que a qualidade da APS do país tem impacto na redução das ICSAP, mesmo em contextos de vulnerabilidade social. Dessa forma, investimentos políticos, institucionais e organizacionais devem continuar sendo feitos a fim de aumentar a qualidade dos serviços de APS do país.

6208 A REFLEXIVIDADE SOBRE O PROCESSO DE FORMAÇÃO PERMANENTE DOS GESTORES DA ATENÇÃO BÁSICA
SUELLEN Gomes Barbosa ASSAD, Geilsa Soraia Cavalcanti Valente

A REFLEXIVIDADE SOBRE O PROCESSO DE FORMAÇÃO PERMANENTE DOS GESTORES DA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: SUELLEN Gomes Barbosa ASSAD, Geilsa Soraia Cavalcanti Valente

Apresentação: Devido à complexidade da Atenção Básica (AB), e sua gama de conteúdos específicos do setor saúde, é necessário que seus gestores desenvolvam competências inerentes ao cargo. Entendida como uma manifestação humana que explica a atuação profissional no contexto de trabalho, a competência profissional permite o enfrentamento de situações complexas, dirigindo o gestor cada vez mais para a responsabilidade sobre os resultados, o que influencia diretamente sua prática. Para um processo de formação profissional permanente do gestor, é necessária a reflexividade crítica sobre a prática, partindo da ação, construindo novos conhecimentos, desenvolvendo competências, e buscando efetivar modificações em seu cotidiano profissional. Observa-se que os gestores com atuação voltada para a área da saúde, ao agregarem em sua formação profissional, além de conhecimentos a respeito do Sistema Único de Saúde (SUS), a reflexividade sobre sua prática, serão mais competentes gerencialmente para atuar. O presente estudo é um projeto de Tese de Doutorado, sendo definido como objeto: A formação profissional dos gestores da Atenção Básica dos municípios do Noroeste Fluminense e sua implicação para a assistência. É apresentado o seguinte objetivo geral: Analisar as implicações da formação dos gestores da Atenção Básica na qualidade da assistência prestada aos usuários do SUS em municípios do Noroeste Fluminense. E especificamente: Identificar o perfil profissional desses gestores; Descrever as competências necessárias para sua prática profissional; Avaliar a reflexividade sobre a própria prática e sua influência na formação profissional deste e Discutir sobre as implicações da formação profissional na prática dos gestores e na qualidade da assistência prestada aos usuários.  Desenvolvimento: Trata-se de uma pesquisa descritiva de abordagem qualitativa tipo Estudo de Caso. Os participantes constituir-se-ão por representantes da gestão da AB de municípios da Região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. O cenário de escolha, tal região, representada por 14 municípios limítrofes entre si, e que compreendem a mesma Região de Saúde. Seguir-se-á o estabelecido pela Resolução nº466/2012, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos. A coleta de dados se dará através de entrevista semiestruturada, a partir de um instrumento norteador, seguindo-se da técnica de observação não participante, com registro em diário de campo, e por fim será realizado um diagnóstico situacional da região, a fim de avaliar as implicações do processo reflexivo no processo de formação profissional permanente e para prática desses gestores. E, como método de análise de dados, além da análise de conteúdo de Bardin, será utilizado o método Ciclo da Reflexividade, que trata a Reflexividade na Prática Profissional com base no movimento de ação-reflexão-ação, dando forma ao movimento de análise. Resultado: Espera-se que o gestor da AB, a partir da reflexividade constante sobre a sua prática, obtenham subsídios em um processo permanente de formação profissional para o fortalecimento de habilidades e o desenvolvimento de competências necessárias ao trabalho na Atenção Básica. Considerações finais: Para o processo de formação profissional permanente é necessário reflexividade crítica sobre a prática, mostrando-se um desafio formar profissionais competentes para atuar na AB.

7056 AS PRÁTICAS DE GESTÃO NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Ana Carolina Menezes da Silva, Mônica de Rezende, Aluísio Gomes da Silva Junior

AS PRÁTICAS DE GESTÃO NAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Autores: Ana Carolina Menezes da Silva, Mônica de Rezende, Aluísio Gomes da Silva Junior

Apresentação: Desde 2009, o Município do Rio de Janeiro (RJ) sistematizou as diretrizes do plano de reforma de reestruturação da Atenção Primária à Saúde (APS), que se materializou no programa “Saúde Presente”, por meio da implantação de Clínicas de Família. A reforma inaugurou uma nova forma de gestão das Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio de um novo modelo de APS, através da parceria público/privada, na qual foram firmados contratos de gestão entre a Prefeitura e Organizações Sociais de Saúde (OSS). Os sujeitos da pesquisa foram os gerentes das UBS. A pesquisa buscou investigar o papel do gerente de UBS na ESF do município. Este cargo foi criado na etapa inicial da reforma e tem como principal atribuição garantir o desenvolvimento das ações de atenção à saúde na unidade e no território. O objetivo deste estudo foi analisar o papel do gerente de UBS na ESF do município do RJ a partir de 2009. Compreender e descrever como vem atuando os gerentes na linha de frente pode produzir subsídios importantes para o trabalho deste profissional, além de trazer reflexões que ajudam a entender melhor o modelo implantado na cidade do RJ. O cenário de pesquisa foi o município do RJ, que organizou uma APS através do modelo da Estratégia Saúde da Família (ESF). A saúde no município está dividida em 10 Áreas de Programáticas (1.0; 2.1; 2.2; 3.1; 3.2; 3.3; 4.0; 5.1; 5.2; 5.3). A pesquisa tem como recorte temporal de 2009 a 2018, quando começaram as implantações da reforma. Foram selecionadas para realização da pesquisa as três áreas de cada divisão (1.0; 2.1; 3.1). Desenvolvimento: descrição da experiência ou método do estudo Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, com caráter descritivo, analítico e reflexivo, acompanhando os conceitos trabalhados por Minayo (2006). A autora nos diz que a pesquisa qualitativa visa compreender a lógica interna de grupos, instituições e atores. Preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalha com o universo de significados, das ações, motivos, crenças, aspirações, valores, atitudes e relações humanas, captadas a partir do olhar do pesquisador. Como técnica para o levantamento de dados primários da pesquisa, foram realizadas nove entrevistas, o critério de seleção, foi o tempo mínimo de seis meses de atuação na função. As entrevistas foram realizadas em 2018, onde foi aplicado um questionário estruturado com perguntas abertas e fechadas. Para garantir o anonimato, os participantes foram codificados. Foi realizada análise documental, em documentos públicos como a carteira de serviço do município. Para análise dos dados, lançamos mão da Hermenêutica Dialética tal como proposta e discutida por Minayo (2006) na interface do “como fazer” e do “como pensar”. A hermenêutica e a dialética possibilitam uma reflexão que se funda na práxis. A união das duas abordagens é fecunda, pois oferece balizas para compreensão do sentido da comunicação entre os seres humanos, ao mesmo tempo em que crítico, ao considerar a realidade social. Na hermenêutica, entender a realidade e entender o outro, é também entender-se no outro, e a compreensão só é possível pelo estranhamento. Assim, para compreensão das análises é necessário mover-se entre o familiar e o estranho. Na dialética se estabelece uma atitude crítica. Resultado: Os efeitos percebidos decorrentes da experiência ou resultados encontrados na pesquisa Todos os nove gerentes entrevistados eram contratados pelas OSS. O perfil predominante encontrado foi: mulheres na faixa etária entre 27 a 38 anos, com formação de graduação em enfermagem. 66,6% tinha a gerência como primeiro cargo de gestão. Em relação à formação, 100% desses gerentes possuíam no mínimo duas pós-graduações. Entre as pós-graduações mais realizadas estavam as ligadas à Atenção Primária à Saúde e Saúde da Família. Os gerentes estudados afirmam à necessidade de ser um profissional de saúde, para assumir o cargo, alguns relataram que precisa ter o domínio dos processos que ele orienta. Ao buscar nas atribuições do gerente, descritas na Carteira de Serviços, o item que chega próximo desta afirmação, encontramos o seguinte: “Promover e facilitar a integração entre todas as equipes” (SMS (RJ), 2016). 100% dos gerentes afirmaram conhecer bastante todos os itens da carteira de serviço. Nas falas, os gerentes assumem o papel de líder e de organizador do processo de trabalho. Ao implantar este modelo, foi imposta aos trabalhadores uma relação de metas a serem alcançadas, em um ritmo acelerado. Estas metas estão relacionadas ao desempenho, que em alguns casos, são mensurados em números. Bravo et al. (2014) e Correia et al. (2015) afirmam que o gerencialismo na administração pública é uma forma de atacar as relações de trabalho, além de representar a diminuição dos direitos trabalhistas. Uma das gerentes entrevistadas, relata que o modelo da APS proposto pelo Ministério da Saúde não se aplica em município de grande porte, tendo em vista as diferenças de perfil da população. Para ela, a APS Carioca foi “repaginada” para atender uma cidade como RJ. Para os grandes centros, o modelo deve incorporar mais tecnologias, permitindo atender melhor a carga de doenças da população. Em áreas de concentração urbanas, outros fatores como violência e stress também interferem nesse processo de saúde e de adoecimento. Espera-se que o gerente, além de conhecer as rotinas – administrativas, de infraestrutura e de gestão de pessoas – e os conceitos da APS, consiga sensibilizar a equipe dessas informações. Dessa forma, ele tornou-se o principal indutor do modelo. Podemos dizer que encontramos na amostra pesquisada profissionais qualificação para atuação na gestão da UBS, assumindo múltiplas responsabilidades e com uma grande carga de trabalho. Considerações finais: Podemos destacar a partir deste estudo a importância dos gerentes em entender os processos da APS e conhecer as diretrizes da ESF, para reforma do modelo de APS carioca. Percebemos, de modo geral, que a função gerente está ligada a questões administrativas, técnicas, de liderança e de gestão de pessoas. Se compararmos modelos de atenção, é importante lembrar que até 2016, para a PNAB (2011), as equipes deveriam ser responsáveis por desenvolver ações de acordo com o levantamento das necessidades de saúde no território. Esse é um ponto que envolve, inclusive, os modos de gestão mais participativos. Logo podemos afirmar que o modelo carioca implantado em 2009 já não era o modelo de APS preconizado pelas políticas do Ministério da Saúde em 2016. É impossível dizer que essas metas não impactam na rotina do profissional, mesmo que de forma subjetiva. Entendemos que atuar nesta complexidade e com esse nível de cobrança pode gerar sofrimento e, por vezes, adoecimento. Neste processo solitário, recai toda cobrança sobre o gerente, que acaba repassando para a equipe, direta ou indiretamente. É muito importante ressaltar que o gerente é o único profissional que transita entre a comunidade, os profissionais, a OSS e a Secretaria de saúde, tornando-se uma peça estratégica e fundamental para implantação e fortalecimento do modelo. Talvez esse seja o seu principal papel.

7985 A GESTÃO DO CUIDADO E DE PESSOAS EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA
Nágela Aglaídes Calixto de Souza, Fabiola de Lima Gonçalves, Firmina Hermelinda Saldanha Albuquerque, Karla Maria Carneiro Rolim

A GESTÃO DO CUIDADO E DE PESSOAS EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA

Autores: Nágela Aglaídes Calixto de Souza, Fabiola de Lima Gonçalves, Firmina Hermelinda Saldanha Albuquerque, Karla Maria Carneiro Rolim

Apresentação: Gerenciar uma equipe implica em técnicas de motivação e treinamentos, visando melhorar a administração e eficiência da equipe dentro de um setor. Esse gerenciamento é importante, pois sem a equipe não há uma prestação de serviços de qualidade. Assim, o gestor deve estar ciente de todos os tipos de vínculos trabalhistas dos seus profissionais, identificar a quantidade de profissionais existentes, analisando as escalas e atividades que cada um desempenha. Além de ter ciência da percepção que os usuários/clientes, daquele serviço, têm sobre o serviço. Objetivo: Relatar a experiência da gestão de pessoas em uma Unidade de Atenção Primária de Saúde (UAPS), com ênfase no quantitativo de profissionais na área, parâmetro da estrutura das equipes e dos profissionais de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). Desenvolvimento: Trata-se de um relato de experiência, realizado em uma UAPS de Fortaleza-Ceará, no período de maio de 2018. Resultado: A escala dos profissionais enfermeiros, médicos e dentistas foram analisadas a partir dos tipos de vínculos, utilizando o cronograma de atividades dos profissionais, no dia em que foi visitado a UAPS. O dentista estaria em horário de trabalho, porém não estava presente na Unidade, além disso, observou-se algumas dificuldades como quanto à gestão dos profissionais, relacionadas ao tipo de vínculo: celetista, Recebimento por Pagamento Autônomo (RPA) e concursados. Outra dificuldade encontrada foi voltada ao acompanhamento dos usuários, segundo o Gestor da UAPS, havia 14.000 usuários, sendo 11.000 registradas, acompanhadas de três equipes incompletas (três médicos, quatro enfermeiras e um dentista). Constatou-se, por meio de um relato de uma usuária da UAPS, que ela sentia muita falta de uma consulta com o dentista e que nunca conseguia atendimento para tal profissional e que os outros profissionais não tinham uma visão holística sobre os pacientes. Com isso, percebeu-se que a inexperiência do gestor e a falta de compromisso de alguns profissionais, corroboram para a falta de atendimento a população e que o gestor precisa ser estratégico, com ações organizadas e garantir a motivação e comprometimento dos profissionais para melhora do atendimento. Considerações finais: Após a análise das informações sobre a gestão de pessoas na UAPS, constatou-se que a UAPS está fora dos padrões estabelecidos pela OMS e pela MS, possuindo apenas três equipes incompletas (pois só há um dentista) e seria necessário ter mais uma equipe, sendo 2.400 a 4.000 pessoas por equipe, para poder está dentro dos parâmetros da MS. E de acordo com a OMS é preconizado como parâmetro ideal de atenção a saúde da população é de 1 médico para cada 1.000 habitantes.

8390 ACESSO E ACESSIBILIDADE: TECENDO SOBRE A REALIDADE DE DUAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE EM CEILÂNDIA (DF)
Daniela Sousa de Oliveira, Juliana Félix Silveira

ACESSO E ACESSIBILIDADE: TECENDO SOBRE A REALIDADE DE DUAS UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE EM CEILÂNDIA (DF)

Autores: Daniela Sousa de Oliveira, Juliana Félix Silveira

Apresentação: Trata-se de pesquisa intervenção realizada no ano de 2018, na atenção primária de saúde do Distrito federal, aprovado pelo comitê 73150017.6.0000.5553. Após reuniões a gestão local de Atenção Primária percebeu- dificuldades de acesso e acessibilidade dos usuários em duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Região Administrativa (RA) de Ceilandia-DF. A RA Ceilândia surgiu a partir da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), levada a cabo pelo Governo do Distrito Federal em 1971. Ceilândia está localizada a 32 km do centro do Brasília. Hoje compreende como parte da região oeste de saúde do DF juntamente com Brazlândia-DF. A atenção primária é uma estratégia flexível, caracterizada através de um primeiro contato entre usuários e equipe de saúde, que garante uma atenção integral oportuna e sistemática em um processo contínuo; sustentada por recursos humanos cientificamente qualificados e capacitados; a um custo adequado e sustentável, que transcende o campo sanitário e inclui outros setores; organizada em coordenação com a comunidade, concatenada com os demais níveis da rede sanitária, para proteger, restaurar e reabilitar a saúde dos indivíduos, das famílias e da comunidade, em um processo conjunto de produção social de saúde. A decisão política de reorganizar a rede de assistência à saúde, mediante uma política que apontasse para a universalização do acesso da população brasileira à atenção básica e consolidasse o recente processo de descentralização, inaugurado com o advento do Sistema Único de Saúde (SUS), foi o norte inspirador da implementação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) nos mais diversos municípios brasileiros. A implementação da ESF transcende a amplitude limitada inerente à definição de um programa social de saúde. A ESF não deverá ser implantada somente para organizar à atenção primária no SUS temporariamente, mas, essencialmente para estruturar esse sistema público de saúde, uma vez que haverá um redirecionamento das prioridades de ação em saúde, reafirmando uma nova filosofia de atenção à saúde e à consolidação dos princípios organizativos do SUS. A ESF é, portanto, uma estratégia de saúde, e não apenas um programa setorial de saúde. As dificuldades de Acesso e acessibilidade no uso dos serviços de saúde revelam desigualdades e vulnerabilidades reais da sociedade. A garantia do princípio da equidade, preconizada pela Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), pode ser o ponto chave para ponderar as desigualdades produzidas em nível social. A desarticulação entre a oferta dos serviços e as demandas da população contribui para ampliar as iniquidades no acesso e acessibilidade causando ineficiência do sistema de saúde. Então, para redução ou até eliminação dos fatores que limitam o adequado acesso ao usuário do SUS, as ditas barreiras de acesso, faz-se necessário identificar quais são as barreiras a partir do itinerário terapêutico em consonância com as necessidades e interesses da população adscrita. O estudo foi desenvolvido em duas UBS de Ceilândia, cada uma com 5 equipes de saúde família (ESF), que passaram por processo de transição do modelo tradicional biomédico para de base comunitária, ESF. Instrumentos normativos (Portaria 77 e 78, de 14 de fevereiro de 2017), que estabeleceu a Política de Atenção Primária à saúde do Distrito Federal e o processo de conversão da APS do DF ao modelo ESF, respectivamente. A intenção da conversão do modelo de atenção foi atingir a cobertura por EqSF em 75% da população do DF. Mas para que isso aconteça, algumas equipes mistas e tradicionais precisam passar pela Planificação, com uma intervenção teórico-prática com os trabalhadores do SUS DF. Objetivo: do estudo foi analisar as barreiras de acesso e acessibilidade identificadas pelos usuários, profissionais e gestores e suas implicações nos processos de trabalho e cuidados da atenção primeira à saúde. É um estudo qualitativo que busca conhecer o cenário atual de acesso e acessibilidade em duas unidades, sobe a coexistência de trabalho no modelo tradicional e no modelo de ESF da atenção primária de saúde. Optou-se pela pesquisa-intervenção, pois tem enfoque no coletivo em um plano comum entre o sujeito e objeto um conjunto de pessoas reunida com as mesmas intenções. Objetivo: específicos foram: identificar características de acesso e acessibilidade assinaladas a partir da construção fluxograma descritor realizado por profissionais e gestores; apontar características de acesso e acessibilidade a partir do itinerário terapêutico na busca de cuidado com o usuário; contrastar possíveis interfaces sobre o ponto de vista do usuário, profissional e gestor relativas às barreiras de acesso e de acessibilidade; interpretar a aplicabilidade do fluxograma para identificação e enfrentamento das barreiras de acesso e acessibilidade. A ação interventiva se deu em três etapas: 1ª etapa foi realização de três encontros no formato grupo focal com representação de cada categoria profissional dos trabalhadores das UBS, incluindo o vigilante e serviços gerais. Para confecção do fluxograma descritor de acesso e acessibilidade no primeiro encontro. No segundo,  para validação das informações descritas e, no terceiro encontro, identificação de barreiras de acesso e acessibilidade a partir do produto criado. 2ª etapa foi realização de entrevistas semiestruturadas com usuários das UBS, com finalidade de trazer sua percepção de acesso e acessibilidade sobre os serviços ofertados pelas equipes. A 3ª etapa foi criação de um grupo de trabalho na Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde (DIRAPS) que visou analisar as informações coletadas e descrevê-las e posteriormente encontrar soluções executáveis sobre a realidade imposta. Todas as informações coletadas foram formatadas pela plataforma digital BIZAGI. As barreiras encontradas pelos trabalhadores, gestores e usuários eram, em sua maioria, semelhantes. A questão da acessibilidade foi mais enfatizada pelos usuários, e, em relação aos profissionais, a organização de filas e entregas de senhas foram as questões mais discutidas, objetivando padronização das equipes para que o usuário não madrugasse no equipamento. Quanto aos gestores, identificaram que as barreiras de acessibilidade desencadeavam barreiras de acesso e, após  discussões, construíram um plano de melhorias da ambiência e acessibilidade  da unidade, tais como: calçamento, sinalização para deficientes visuais e cadeirantes, placa de identificação, além  da mudança da porta de entrada da unidade, que antes era voltada para linha do metrô, o que dificultava a identificação da entrada. O trabalho do grupo focal foi importante, também, como ferramenta de aproximação das equipes diante do contexto de mudança do modelo de atenção à saúde, o trabalho colaborativo e matriciamentos entre profissionais das equipes se intensificaram. O fluxograma construído foi anexado a parede das UBS com o objetivo de informar aos usuários e demais profissionais da unidade. Esse formato se modificou inúmeras vezes durante as reuniões de equipe, para melhor adequação à realidade. A pesquisa oportunizou cenário de ensino e aprendizado para programa de residência multiprofissional em saúde coletiva como suporte às demandas que iam se renovando nas UBS. A pesquisa intervenção possibilitou novos arranjos organizacionais assim como a inclusão de novas tecnologias no processo de trabalho dos profissionais, tendo em vista a oferta de carteira de serviços distante da realidade do território. Acesso e acessibilidade constituem objeto de estudo por muitos pesquisadores da atenção primária do SUS. Sua aplicação legítima, conforme preconizado pela PNAB ainda é um desafio aos trabalhadores do SUS e reforça a necessidade de mais estudos que possibilitem uma mudança prática nos serviços de atenção primária.  

8561 DO SOFRIMENTO AO PRAZER: INFLUÊNCIA DA VIOLÊNCIA ARMADA NA VIDA DE TRABALHADORES/AS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Jéssyca Felix Silva Sampaio, Cristiane Batista Andrade

DO SOFRIMENTO AO PRAZER: INFLUÊNCIA DA VIOLÊNCIA ARMADA NA VIDA DE TRABALHADORES/AS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Autores: Jéssyca Felix Silva Sampaio, Cristiane Batista Andrade

Apresentação: Este trabalho é parte da dissertação de Mestrado que será apresentada em março/2020. Tem como objetivo apresentar as percepções de trabalhadores/as da APS sobre a influência da violência armada no seu cotidiano e quais as estratégias utilizam para permanecerem trabalhando. Foram entrevistadas/os 15 trabalhadoras/es, utilizando a abordagem da história oral. Podemos observar os sofrimentos enfrentados pela violência armada no território em que trabalhma (onde muitos também moram), as estratégias utilizadas para amenizar o sofrimento (entre elas o Plano de Acesso Mais Seguro), amplificando o sentimento de prazer pelo trabalho realizado.

9300 CARTEIRA DE SERVIÇOS DA APS DE TANGARÁ DA SERRA–MT: DA ELABORAÇÃO ÀS POTENCIALIDADES NA ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO
Josué Souza Gleriano, Itamar Martins Bonfim, Gicelly Maria Lorenzi Zanatta Sousa, Silvia Helena Henriques, Ione Carvalho Pinto, Lucieli Dias Pedreschi Chaves

CARTEIRA DE SERVIÇOS DA APS DE TANGARÁ DA SERRA–MT: DA ELABORAÇÃO ÀS POTENCIALIDADES NA ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO

Autores: Josué Souza Gleriano, Itamar Martins Bonfim, Gicelly Maria Lorenzi Zanatta Sousa, Silvia Helena Henriques, Ione Carvalho Pinto, Lucieli Dias Pedreschi Chaves

Apresentação: A carteira de serviço é instrumento que define o rol de serviços disponíveis, apresenta pactuações e expectativas nas práticas de atenção, que permite explicitar aos gestores, profissionais e usuários o elenco de serviços e a organização do nível de atenção. Nesse sentido, objetiva-se de apresentar o processo de elaboração da Carteira de Serviços da APS, do município de Tangará da Serra, estado do Mato Grosso, Brasil, como possibilidade de ampliação da organização do processo de trabalho, fortalecimento da APS e do acesso universal. Trata-se de um relato de experiência de integração ensino-serviço conduzido no município de Tangará da Serra, localizado no Estado de Mato Grosso. A adesão do município ao Programa Mais Médicos (PMM) resultou na ampliação da cobertura da APS, consequentemente, do acesso, requerendo da gestão local organização dos serviços. Atividades de parceria ensino-serviço culminaram, em 2014, em convite do gestor municipal de saúde da época para o desenvolvimento de uma agenda de trabalho com o Escritório de Qualidade para Organizações de Saúde (EsQualos), incluindo docentes e estudantes, para apoiar a gestão local. Foram propostos projetos de pesquisas para estabelecer o diagnóstico situacional da APS no município e os relatórios entregues à gestão em saúde, incluía possíveis intervenções entre elas o oferecimento de um curso de pós-graduação latu sensu de Gerenciamento da APS, destinado a enfermeiros e, a elaboração de uma carteira de serviços. Ambas as recomendações foram acatadas pelo gestor, entretanto, nesse relato de experiência o foco é a carteira de serviços. O processo de elaboração da Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde de Tangará da Serra – MT ocorreu no período do segundo semestre de 2017 até o segundo semestre de 2019. Portaria do gestor municipal de saúde estabeleceu um grupo de trabalho (GT) com profissionais da gestão municipal, coordenações de atenção à saúde, profissionais do serviço da APS, docentes e discentes do curso de enfermagem da UNEMAT para elaborar a carteira. O estabelecimento de uma agenda de reuniões permitiu elencar diferentes etapas do trabalho, instituídas pelo próprio GT. Inicialmente optou-se por revisar o conceito de carteira de serviços e de analisar as carteiras publicadas no âmbito nacional para favorecer a compreensão de diferentes objetivos/finalidades e modos de apresentação. Depois, foram realizados encontros com todos os coordenadores de atenção à saúde do município, para a apresentação do material disponibilizado pelo GT, definição conjunta da estratégia de organização e de ações que comporiam a carteira de serviços da APS do município. A etapa seguinte incluiu a redação preliminar da carteira, que ficou sob responsabilidade de coordenadores de atenção à saúde do município, docentes de enfermagem da UNEMAT, e estudantes de graduação em enfermagem e da pós-graduação latu sensu de Gerenciamento da APS. A versão preliminar, apresentada em oficina de trabalho, teve seu texto organizado em cinco eixos, recebeu contribuições de diversos setores da Secretaria Municipal de Saúde, passando por revisão e readequação. Essa versão foi submetida, por meio eletrônico, a uma consulta pública aberta a todos os profissionais da APS. Após essa consulta as sugestões foram analisadas pelo GT que promoveu as inclusões e adequações pertinentes. Para validar e encerrar o ciclo de revisão local foi realizado nova oficina de trabalho, com representantes indicados pelas equipes da APS. Pode-se afirmar que, a carteira de serviços estava elaborada, em uma proposta adequada ao contexto, construída coletivamente. Optou-se por uma revisão externa da carteira de serviços, oficializada por meio de portaria do gestor, incluindo experts na temática, a saber, docentes da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos. O material foi submetido à apreciação dos experts que fizeram sugestões ao material, que novamente foi revisado pelo GT, elaborando-se a versão final da Carteira, disponível em https://www.tangaradaserra.mt.gov.br/fotos_secretarias_downloads/78.pdf. A versão final da Carteira de Serviços foi aprovada pelo gestor municipal de saúde e Conselho Municipal de Saúde de Tangará da Serra-MT-BR. Para efeitos didáticos, apresenta-se a organização da carteira de serviços como resultado para potencializar o avanço no processo organizacional e assistencial ao acesso universal. A organização sumária do material: a carteira está organizada em cinco eixos: organização dos serviços, o acesso, o acolhimento e responsabilização, as atribuições dos profissionais e as ações coletivas/promoção da saúde/ações intersetoriais; ações, recursos humanos, materiais e descrição das ações relacionadas à atenção aos ciclos de vida; Telessaúde, regulação assistencial, de exames, de referência e contrarreferência, rastreamento na APS; vigilância em saúde, vigilância ambiental, epidemiológica, sanitária, alimentar e nutricional; planejamento, contrato de gestão, avaliação e monitoramento. Ações e serviços para Atenção Integral: atenção aos ciclos de vida busca envolver a equipe no cuidado e organizar as práticas assistenciais de maneira colaborativa. Disparam-se ações que integram a identificação, o tratamento e o acompanhamento das situações de saúde no território e na vigilância em saúde a promover espaços de promoção e prevenção nos ciclos de vida. Diferenciais da Carteira de Serviços: destaca-se o desenho do fluxo para o atendimento à demanda espontânea à saúde bucal, práticas de ações coletivas/promoção da saúde/ações intersetoriais na proposta de espaços coletivos, guia de apoio matricial com questões para a elaboração do Projeto Terapêutico Singular, uso do Telessaúde para a organização do acesso e da comunicação com a rede de atenção, planejamento e contrato de gestão. Potencialidades para o acesso universal: para enfrentar os desafios do fortalecimento da APS a instrumentalização é fundamental para conduzir processos de mudança e discussões nas equipes. Compreende-se que a implementação dessa carteira dar-se-á em uma dinâmica de construção contínua, fato que possibilita debate centrado em uma produção coletiva e que fomenta “re” olhares nas práticas, que tacitamente os profissionais promovem, em suas unidades de saúde, educação para o serviço e no serviço, já possibilitando ressignificação de suas práticas. Considerações finais: Considera-se que a elaboração da carteira favoreceu o olhar ampliado e reflexivo para o sistema local de saúde e acredita-se que é uma importante ferramenta gerencial na coordenação do cuidado, na qualificação do acesso, na diminuição das iniquidades. Trata-se de um conjunto de pactuações que envolve o gestor, a coordenação da APS e os profissionais, culminando em possibilidade de manutenção/continuidade do serviço mesmo com sucessivas trocas de gestão ou de profissionais.

9896 GERENCIAMENTO DO CUIDADO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL.
FRANCISCA BARROS, HALENE CRISTINA DIAS DE ARMADA E SILVA, MARIA REGINA BERNARDO DA SILVA, ÉRICA CRISTINA DO NASCIMENTO, SONIA ACIOLI OLIVEIRA, FABIANA TEIXEIRA DE FREITAS, EMANUELLE PERREIRA DE OLIVEIRA CORREIA, ANA CAROLINA BARBOSA, Jessica Andrade Limeira

GERENCIAMENTO DO CUIDADO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA PARA REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL.

Autores: FRANCISCA BARROS, HALENE CRISTINA DIAS DE ARMADA E SILVA, MARIA REGINA BERNARDO DA SILVA, ÉRICA CRISTINA DO NASCIMENTO, SONIA ACIOLI OLIVEIRA, FABIANA TEIXEIRA DE FREITAS, EMANUELLE PERREIRA DE OLIVEIRA CORREIA, ANA CAROLINA BARBOSA, Jessica Andrade Limeira

Apresentação: Trata-se de um relato de experiência, o qual objetiva discutir as ações gerenciais doenfermeiro para coordenação do cuidado visando a redução da mortalidade infantil naatenção primária à saúde. Desenvolvimento: Devido à elevada incidência na taxa demortalidade infantil no município do Rio de Janeiro, tornou-se necessária a discussãocom um grupo de gestão multidisciplinar de uma área programática do referidomunicípio, acerca das principais causas da mortalidade infantil, bem como de propostasde intervenção para redução desta. Dentre as principais causas foram identificadashipóxia neonatal, septicemia e má formações, prioritariamente ocorridas no períodoneonatal. O grupo compreendeu a necessidade de criação conjunta de uma matriz deintervenção a qual abordasse não apenas ações na puericultura mas fortalecimento dopré-natal sendo composta pelas seguintes atividades: treinamentos em serviço com osresponsáveis técnicos médicos e enfermeiros nas linhas de cuidado da saúde da mulhere da criança, utilizando metodologia ativa e discussão de casos clínicos paraqualificação da assistência; auditoria em prontuários do binômio mãe-filho pela equipeda coordenadoria de atenção primária e discussão com as equipes e gestores otimizandoo espaço de reunião de equipe; realização da comissão de revisão de prontuários pelasequipes, com apontamentos das fragilidades do processo de trabalho e coordenação docuidado; elaboração de cronograma e realização de visitas com os apoiadores da divisãode programas de saúde da coordenadoria de área programática para treinamento emserviço; confecção de planilha para oferta de vagas em pediatria via núcleo interno deregulação da coordenadoria, expandindo a avaliação e o apoio os especialistas àsequipes de atenção primária, com devido matriciamento; reforço nos grupos e nasconsultas de gestantes acerca do incentivo ao aleitamento materno; monitoramento viaplanilha eletrônica cruzando dados da data provável do parto com a primeira consulta depuericultura, a fim de buscar as mães e crianças faltosas; entrega dos norteadores dasaúde da criança para cada gestor como estratégia de qualificação das equipes;monitoramento dos indicadores com avaliações por performance das equipes em casode óbitos evitáveis, propondo melhorias e ou desligamentos dos responsáveis pelosóbitos. Resultado: Após tal apresentação aos gestores das unidades de atençãoprimária e pactuação das atividades com os mesmos, percebemos o início de umaredução do número de óbitos, os quais necessitam ser adequadamente monitorados paraque possam ser reavaliados e se necessário ajustados a um novo planejamento de acordocom as peculiaridades territoriais locais. Considerações finais: Na gestão do cuidadotorna-se essencial a avaliação contínua dos indicadores de saúde, bem como revisão doplanejamento estratégico com os atores envolvidos, para que indicadores sanitáriossatisfatórios possam ser alcançados e consequentemente garantida a saúde da populaçãoassistida.

11475 EXPECTATIVAS DOS GESTORES E PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE
Juliana Nunes Fernandes, Rosana Aparecida Salvador Rossit, Jaqueline Nunes Fernandes

EXPECTATIVAS DOS GESTORES E PROFISSIONAIS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE

Autores: Juliana Nunes Fernandes, Rosana Aparecida Salvador Rossit, Jaqueline Nunes Fernandes

Apresentação: A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde foi criada em 2004 e prevê estratégias para a formação e desenvolvimento dos profissionais atuantes no Sistema Único de Saúde. Apresenta-se como uma proposta de ação com o objetivo de contribuir para transformar e qualificar a atenção à saúde, a organização das ações e dos serviços, os processos de formação, as práticas de saúde e as práticas pedagógicas. A Estratégia Saúde da Família é uma estratégia de expansão, qualificação e consolidação da atenção básica por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de, propiciar uma importante relação custo-efetividade. A Educação Permanente em Saúde em conjunto com a Educação Inteprofissional e Prática colaborativa são visualizadas como práticas que podem proporcionar a transformação da prática profissional. Este estudo teve como objetivo analisar a expectativa dos profissionais e gestores da Estratégia Saúde da Família para criação e implementação da Educação Permanente em Saúde do Município de Umuarama (PR). A população foi constituída por 118 participantes, sendo 114 profissionais atuantes nas Estratégias Saúde da Família e 04 Gestores da Atenção Primária no ano de 2018. Para a obtenção dos dados optou-se pelo uso de instrumento próprio para preenchimento de 04 questões abertas e entrevista de aprofundamento.Houve a participação de 114 profissionais e quatro  gestores. As profissões dos respondentes foram, Médico (20), Enfermeiro (26), Auxiliar de Enfermagem (28), Técnicos de Enfermagem (15), Dentista (15), Auxiliar de Saúde bucal (12), Farmacêutica (1), Auxiliar de Farmácia (1).  Dos relatos dos participantes emergiram seis categorias, entre elas, oferta de atualização e inovação, transformação das práticas profissionais, necessidade de continuidade e efetividade, realização de acordo com as problemáticas locais para maior resolutividade e qualidade nos serviços oferecidos, fomento ao desenvolvimento profissional, e alguns profissionais não responderam por desconhecer a respeito da temática. O estudo demonstrou alta disponibilidade dos profissionais de saúde para a criação e implementação da Educação Permanente em Saúde no Município, além disso, os resultados fornecem subsídios para a elaboração de uma proposta de Educação Permanente em Saúde que atenda às expectativas e demandas dos profissionais, na perspectiva do desenvolvimento de ações formativas, no estabelecimento de parcerias com a gestão e os serviços de saúde, como uma possibilidade de transformação das práticas, melhoria na qualidade da assistência, obtenção de profissionais críticos, reflexivos e proativos para a efetividade dos serviços no âmbito da saúde.

11982 A RESOLUTIVIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE COMO COORDENADORA DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE – UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Mirna Neyara Alexandre de Sá Barreto Marinho, Maria Rocineide Ferreira da Silva, Ana Karoline Bastos Bezerra, Maria Sinara Farias, Ana Suelen Pedroza Cavalcante

A RESOLUTIVIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE COMO COORDENADORA DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE – UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Autores: Mirna Neyara Alexandre de Sá Barreto Marinho, Maria Rocineide Ferreira da Silva, Ana Karoline Bastos Bezerra, Maria Sinara Farias, Ana Suelen Pedroza Cavalcante

Apresentação: A evolução do processo da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) traz a ideia de rede para sua efetiva consolidação, de modo que as Redes de Atenção à Saúde (RAS) são consideradas como uma estratégia de reestruturação, especialmente, no que se refere à superação do modo fragmentado de operacionalizar a assistência e a gestão em saúde, com vistas a assegurar aos usuários o conjunto de ações e serviços que necessitam, com efetividade e eficiência. As RAS são organizadas de forma estratégica para um cuidado integral que atenda às necessidades de saúde da população, constituindo-se como arranjos articulados formados por ações e serviços de saúde com distintas configurações tecnológicas e missões assistenciais. Dessa forma, procuram oferecer atenção continuada, integral, de qualidade e humanizada à população, devendo ser coordenadas pela Atenção Primária à Saúde (APS) e tê-la como principal porta de entrada no sistema. A APS atua como coordenadora da assistência do sistema de saúde, sendo o primeiro contato na rede assistencial, apresentando como características a continuidade e integralidade, a atenção centrada na família e o controle social. Caracteriza-se pela descentralização e capilaridade, atuando como centro articulador da rede de atenção, devendo ser o contato preferencial dos usuários e principal porta de entrada para os demais pontos de atenção, orientando-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. Nesse direcionamento, conhecer os processos de gestão do SUS, suas diretrizes e políticas sobre a APS e RAS contempla a necessidade de analisar a conjuntura da atenção básica à saúde como coordenadora das redes de atenção à saúde. Assim, o estudo tem como objetivo identificar com base na literatura o que tem sido produzido a respeito da resolutividade da atenção primaria à saúde como coordenadora da rede de serviços de saúde no processo de gestão do SUS. Método: Estudo do tipo revisão integrativa, realizado em dezembro de 2018 através de busca nas bases SciELO , MEDLINE, LILACS, BDENF e IBECS, a partir da seguinte pergunta norteadora: ‘Qual a produção científica existente sobre a resolutividade da APS atuante como coordenadora das RAS no processo de gestão do SUS’? Foram utilizados os descritores ‘atenção primária’ e ‘coordenação’, e a palavra-chave ‘redes de serviço de saúde’ com o operador booleano AND para as permutações entre os descritores/palavra-chave. Foram inclusos no estudo os artigos em inglês e português, que trataram do objeto de estudo e considerando-se as publicações a partir do ano de 2012, encontrando-se inicialmente 1.058 publicações e após leitura e aplicação de critérios de inclusão, 10 resultaram a amostra dessa investigação. Aplicou-se o instrumento sistematizado por URSI e que foi adaptado, sendo que a organização se deu através na análise de conteúdo de Bardin com foco na literatura concernente à temática. Resultado: Dos dez artigos selecionados, um estava disponível na BDENF, três na SciELO e seis na LILACS. No que tange ao período de publicação, apenas um era do ano de 2012, dois do ano de 2014, um de 2015, três de 2016 e três de 2017. Considerando a tipologia destes, dois se tratavam de revisão de literatura, um de estudo descritivo, cinco de estudos de caso, um de editorial e um de pesquisa avaliativa. No que se refere aos níveis de evidência, um se configurava como nível 6, dois nível 4, quatro nível 3 e três nível 2. A partir de leitura e análise optou-se por elencar duas categorias: A utilização da Atenção Primária como coordenadora da RAS a partir das evidências encontradas na literatura e o Compromisso da gestão com a organização das redes. A utilização da Atenção Primária como coordenadora da RAS a partir das evidências encontradas na literatura O modelo das RAS requer uma APS forte e estruturada, responsável pela coordenação do cuidado integral do usuário e exercendo os papeis de ordenação e de porta de entrada nos serviços de saúde, sendo esta a coordenadora do cuidado. Um dos estudos aponta que o cuidado fragmentado é uma das principais causas da má qualidade da assistência, associada a custos mais elevados, duplicação e exacerbação de procedimentos diagnósticos, uso de múltiplos medicamentos e planos terapêuticos conflitantes, sendo as condições crônicas as que obtêm mais efeitos negativos na atenção ao cuidado. A centralidade da coordenação da APS na organização dos sistemas e redes de saúde vem sendo crescentemente contemplada na literatura, com destaque desse enfoque em três estudos. Para que a APS seja à base dos serviços de saúde e o centro da atenção, todas as informações devem estar disponíveis para profissionais e usuários. Diversos provedores independentes, sem um eixo articulador, não permitem a definição de suas responsabilidades. Uma coordenação do cuidado efetiva se sustenta em três pilares de coordenação: a da informação, a clínica e a administrativa/organizacional. A primeira compreende as diversas ações que garantem que as informações sobre o usuário estejam disponíveis em todos os pontos de atenção e para todos os profissionais envolvidos. A coordenação clínica parte de uma APS robusta e fortalecida, que permite a provisão do cuidado sequencial e complementar entre os níveis de atenção. A administrativa corresponde aos fluxos e processos organizativos da rede de atenção à saúde que permitem a integração entre os distintos níveis do sistema de saúde. Compromisso da gestão com a organização das redes Os estudos também apontaram para o enfoque da gestão clínica e manejo das condições crônicas, que estão intrinsecamen­te relacionadas a atual transição epidemiológica e demográfica. Diante disso, partem os projetos das RAS, visando essencialmente à supera­ção da fragmentação da atenção e da gestão dos serviços de saúde e aperfeiçoamento do funcio­namento político-institucional dos sistemas de cobertura universal em todo mundo. Por meio desse modelo tecnológico de produção de ações e serviços de saúde, vislumbra-se uma participação mais ativa dos gestores, aproximando-os dos pro­fissionais de saúde, dos usuários e das realidades da comunidade, instituindo uma cultura do com­partilhamento, ajuda mútua e reciprocidade. Para atingir tais objetivos, uma das pesquisas ressalta que gestores e profis­sionais de saúde devem aliar-se em prol de um objetivo em comum, com amplo acesso à informação, apoio técnico financeiro e dispo­nibilidade de recursos humanos, para além de mecanismos organizacionais e prestação dos cuidados em saúde. Outro destaque é que o ambiente institucional permita a definição de núcleo e campo de competência, com definição clara das responsabilidades que regem a divisão de trabalho entre as diversas categorias profissio­nais envolvidas na APS. Considerações finais: Verificou-se que a coordenação representa o principal instrumento de articulação e integração entre os vários sujeitos e instituições envolvidas no cuidado na RAS, no entanto, se as articulações não forem efetivas, essas organizações podem se tornar fragmentadas, com consequente prejuízo para a continuidade do cuidado à saúde do indivíduo e sua família. Faz-se necessário rever o modelo de cuidado em saúde, para que a coordenação não seja apenas uma experiência pontual de poucos estabelecimentos de saúde, mas uma estratégia consolidada que proporcione a ampliação e otimização da oferta de serviços, com fluxo contínuo de diálogo entre esses e os profissionais de saúde.  

12176 EDUCAÇÃO PERMANENTE DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE DE MANAUS-AMAZONAS: A ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE MONITORAMENTO COMO FERRAMENTA PARA MELHORIA DE INDICADORES DE SAÚDE.
PATRICIA MICHELLE MARQUES ROBALDI, TANIA REGINA ALMEIDA MUNIZ, CIRCE NOBREGA RIBEIRO, GILMARA ROCHA DE OLIVEIRA, JOCILANE LIMA DE ALMEIDA VASCONCELOS

EDUCAÇÃO PERMANENTE DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE DE MANAUS-AMAZONAS: A ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE MONITORAMENTO COMO FERRAMENTA PARA MELHORIA DE INDICADORES DE SAÚDE.

Autores: PATRICIA MICHELLE MARQUES ROBALDI, TANIA REGINA ALMEIDA MUNIZ, CIRCE NOBREGA RIBEIRO, GILMARA ROCHA DE OLIVEIRA, JOCILANE LIMA DE ALMEIDA VASCONCELOS

Apresentação: Manaus realizou um intenso movimento para capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde com um dos focos sendo o Cadastro Territorial. Após o treinamento de 200 agentes comunitários, público alvo, o Núcleo de Monitoramento e Avaliação (NUMOA) do Distrito de Saúde Sul deu continuidade ao processo de acompanhamento destes cadastros com avaliação do número de redução de inconsistências, cadastros realizados, unidades sem cadastro. Com a avaliação desse primeiro momento, foi realizada uma segunda capacitação com os enfermeiros e Diretores das equipes, cujo principal eixo dentro deste treinamento foi o ciclo PDCA, enfatizando a importância de identificar os problemas, planejar as ações de melhoria, executar o plano, acompanhar os resultados por meio de análise de gráficos, planilhas e relatórios de monitoramento e realizar ações corretivas quando necessário. Além disso, houve explanação sobre a nova forma de financiamento por captação ponderada, da importância do cadastro para acompanhamento do perfil epidemiológico do território, dicas sobre perfis comportamentais e ações motivacionais, mostrando a importância do trabalho em equipe e do acompanhamento contínuo dos agentes comunitários de saúde para a melhoria dos resultados. O presente relato teve por objetivo trabalhar o contexto de educação permanente de agentes comunitários de saúde quanto ao cadastro territorial na cidade de Manaus-Amazonas para que metas e indicadores fossem alcançados. Trata-se de um estudo descritivo a partir do relato de experiência de profissionais que atuam no núcleo de monitoramento do Distrito Sul de Manaus mediante educação permanente de agentes comunitários de saúde. A capacitação destes profissionais ocorreu de várias maneiras tais como: visitas locais para orientações quanto ao levantamento de causas, remanejamento de profissionais, orientações contínuas focais e estratégicas, utilizando todas as formas de comunicação possíveis (pessoalmente, por telefone, vídeos, e-mails, WhatsApp), alocação de novos computadores e a abordagem de como sanar determinadas inconsistências. Além dessa atividade foram desenvolvidos vídeos curtos sobre   como corrigir as inconsistências adequadamente para envio via WhatsApp para auxiliar na redução de dúvidas dos agentes comunitários. O que se pode perceber é que algumas unidades tinham melhor desempenho que outras, então foram promovidas diversas ações juntamente com o setor de Divisão de Atenção à Saúde. Vale ressaltar que todas as ações foram fruto do monitoramento diário e semanal, determinado no planejamento distrital; os resultados da evolução dos números tanto distrital quanto por equipes foram divulgados constantemente tanto por e-mail quanto por WhatsApp para agilizar o processo de comunicação. Além dessa atividade, o desenvolvimento de vídeos curtos sobre  como corrigir as inconsistências adequadamente favoreceu bastante quanto ao preenchimento correto das informações e o envio via WhatsApp para auxiliar na redução de dúvidas dos agentes comunitários foi uma ferramenta fundamental para minimizar tempo e assim, atender todas as equipes de saúde da zona sul de Manaus. Diante disso, esta experiência permitiu que, em 25 dias úteis (30 dias corridos), o Distrito de Saúde Sul aumentasse a quantidade do cadastro de usuários em 30% além de reduzir as inconsistências no cadastro territorial em 30%, tendo a ação se mostrada efetiva e considerada de sucesso.

7958 O TRABALHO DO MÉDICO RESPONSÁVEL TÉCNICO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: IMPACTO NO PROCESSO DE TRABALHO
Thais Façanha Lotfi Silva, Kathleen Tereza da Cruz, Clarissa Terenzi Seixas

O TRABALHO DO MÉDICO RESPONSÁVEL TÉCNICO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: IMPACTO NO PROCESSO DE TRABALHO

Autores: Thais Façanha Lotfi Silva, Kathleen Tereza da Cruz, Clarissa Terenzi Seixas

Apresentação: A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS Rio) implantou a Reforma dos Cuidados em Atenção Primária à Saúde (RCAPS) em seu território com grande expansão de cobertura de Estratégia de Saúde da Família (ESF) entre 2009 e 2016. Este modelo contou com a figura chave do médico de família e comunidade como responsável técnico (RT) em todas as unidades de Atenção Primária à Saúde (APS). Este estudo de abordagem cartográfica desenvolvido como dissertação para o Programa de Mestrado Profissional de Atenção Primária à Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MPAPS-UFRJ), toma como objeto de sua investigação o processo de trabalho do médico de família militante que atuou na implementação da RCAPS no município do Rio de Janeiro e tem como fonte o recolhimento da experiência vivida pela autora principal, através de uma cartografia a partir de narrativas como médica RT em uma clínica da família. Foi realizado um recorte desta experiência, focando no processo de trabalho do RT, que aconteceu no período de novembro de 2012 a dezembro de 2015. Ao se aproximar do trabalho em saúde desenvolvido por este profissional, foram discutidos os múltiplos papéis no dia a dia do médico RT e as tensões do cotidiano que impactam em seu processo de trabalho. Como resultado, obteve-se a imprescindível reflexão sobre o RT como um representante da gestão local, e além disso levou a questionamentos sobre o modelo de atenção à saúde adotado, sobre a própria especialidade e a repercussão na saúde do trabalhador. Esse estudo pode auxiliar na produção de saídas para os impasses vividos no trabalho que são fabricados tanto pelos próprios profissionais quanto pelo gestor.  

8611 ESTUDO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DIANTE DAS AÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE
Karoline Costa Silva, Dayane Vilhena Figueiró, Erielson Pinto Machado, Juliely Dias da Silva, Ednilson do Carmo Barroso, Ana Keila Alencar Ramos, Tania De Sousa Pinheiro Medeiros, Amanda Ouriques De Gouveia

ESTUDO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DIANTE DAS AÇÕES DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE

Autores: Karoline Costa Silva, Dayane Vilhena Figueiró, Erielson Pinto Machado, Juliely Dias da Silva, Ednilson do Carmo Barroso, Ana Keila Alencar Ramos, Tania De Sousa Pinheiro Medeiros, Amanda Ouriques De Gouveia

Apresentação: A implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e o Programa de Saúde da Família (PSF) vêm sendo desenvolvido como uma estratégia, no intuito de reorientar o modelo da atenção básica existente. Na Unidade de Saúde da Família (USF) é prestado o atendimento aos usuários pelos agentes e a equipe busca solucionar os casos mais simples na unidade ou encaminhá-los; e o Agente Comunitário de Saúde (ACS) é figura chave para organizar e intermediar o acesso dos clientes aos serviços de saúde. O ACS veio trazer um trabalho novo para modificar e promover o atendimento aos usuários da ESF no seu próprio domicílio, sendo membro efetivo nas ações de assistência à saúde por meio do PACS, PSF ou dentro de uma unidade de saúde; onde a ESF estabelece vínculo com o usuário, possibilitando o compromisso e a responsabilidade dos profissionais com os mesmos. Este estudo abordará os usuários da USF do Jardim Colorado como meio de identificar a satisfação dos mesmos quanto as ações desenvolvidas pelo ACS, mas para estudar as ações destes profissionais, adotando como critério a satisfação dos usuários. Com isso, torna-se necessário desenvolver uma análise sobre a qualidade do serviço prestado possibilitando a identificação da satisfação, observando se há qualidade nas ações desenvolvidas pelo ACS do ponto de vista dos usuários, baseando-se na experiência de vivida por cada um deles. Desenvolvimento: Este estudo trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa considerando características e opiniões. De caráter descritivo, onde este tipo de pesquisa observa, registra, analisa e correlaciona fatos e fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. O estudo é exploratório por desejar descrever características dos sujeitos, coletada em um único momento, considerando a influência de determinados fatores que possam interferir em sua satisfação. O trabalho foi executado nas residências dos usuários cadastrados e na USF do Jardim Colorado localizado no município de Tucuruí-Pa. Os sujeitos que participaram deste estudo, foram os usuários cadastrados na USF do Jardim Colorado, tendo como condições, pertencerem a famílias diferentes e ter idade igual ou superior a 18 anos, mantendo o mesmo número de usuários selecionados para cada uma das nove microárea, onde foram selecionados 20 participantes ao total. Para a coleta de dados foi utilizada a pesquisa de campo, que tem como objetivo conseguir informações sobre um problema que se procura resposta. Além disso, os usuários foram escolhidos de acordo com a demanda da USF nos dias correspondentes a entrevista, sendo a coleta de dados dividida em duas etapas. Na qual a primeira consistiu no convite aos usuários, na unidade quando procuraram espontaneamente a mesma; além da identificação da pesquisa, autorização e agendamento da entrevista estabelecendo (data, horário e local). Na segunda etapa ocorreu o registro da entrevista, por meio do aparelho MP3 Player ou registrado por escrito, seguindo um roteiro. Para a análise e interpretação dos dados, as respostas foram transcritas e comentadas, sendo relacionadas com os princípios teóricos do estudo. Outrora, houve a investigação detalhada das respostas, buscando esclarecer as indagações, já na fase da interpretação foi relatado o sentido dado as respostas a partir do conhecimento sobre o assunto em questão, facilitando a identificação do resultado. Ao se tratar de uma pesquisa que envolve seres humanos, de acordo com a Resolução n°196/96 do Conselho Nacional de Saúde sua aplicação somente ocorreu no mês de abril de 2009, com a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa por meio do Protocolo (CAAE) N° 0007.0.321.000.09/CEP/CAMPUS IV/CCBS/UEPA, e autorização da Secretaria de Saúde de Tucuruí, bem como a devida autorização de cada entrevistado com  assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido dos que atendesse os critérios estabelecidos pelo estudo, buscando desta forma respeitar os princípios éticos. Resultado: Com a finalidade de manter o anonimato, os 20 participantes foram identificados utilizando sigla para usuário (U), organizados em ordem numérica. Ademais, para uma melhor compreensão dos resultados das questões específicas, elas serão apresentadas em 4 categorias: A – A contribuição do Agente Comunitário de Saúde na Saúde da Família. B – O trabalho do Agente Comunitário de Saúde. C – A frequência e qualidade da visita domiciliar. D – Sugestões para melhoria das ações do Agente Comunitário de Saúde. Dentre os participantes a faixa etária variou de 18 a 65 anos, com predominância de usuários abaixo de 35 anos, em relação gênero foi maioria o sexo feminino e a profissão dona de casa que corresponderam 14 pessoas. A média encontrada entre a renda familiar dos usuários está em R$ 463,00; quanto ao tempo de residência no bairro variou entre 7 meses a 12 anos. Levando em conta a categoria A teve-se como resultado: “[...] Ela olha negócio de água, fala sobre a saúde, negócio de dengue, de lixo por causa dos meninos, quando campanha de vacina ela avisa [...].” (U3) “[...] Foi ela quem marcou o pré-natal pra iniciar, verifica se tem vacina atrasada, se peso ta normal [...].” (U5) “[...] Pela maneira que eles conversam com a gente, orientam o que deve fazer, o que não devo [...]. Orientam pelo cigarro, reclamam pelo quintal, lembra a de vir pro posto.” (U11) Considerando a categoria B foi possível obter-se: “Quase todo dia se a gente precisar dela, ela ta lá, porque ela mora lá.” (U6) “Acho bom, por que é um trabalho muito cansativo passar o dia batendo de porta em porta. Porque é sol, é chuva, eles estão no bairro em a gente lá. Eles estão vendo o sofrimento da pessoa.” (U4) “Ótimo. eu acho, devido à preocupação que ela tem com o pessoal do bairro, o trabalho ta agradando a todos.” (U5) Quanto à categoria C, obteve-se: “Acho muito pouco. Tinha que ser mais frequente. [...] nunca mais eu vi ela fazer visita pra lá. Em oito meses, ci ela fazer três visitas.” (U7) “O dever deles é ir uma vez por mês na casa, e isso não acontece. Tem que ir mais.” (U10) “Às vezes ela vem uma vez, tem vezes que não vem. Porque ela não para assim um tempo, eu acho determinado dela fica na casa da pessoa, as vezes ela só pede o cartão do meu filho e vai embora.” (U19) Na categoria D, colheu-se: “[...] tem que ter um acompanhamento melhor, o agente é pra isso, é pra andar, anotar todo mês ir na casa, ver como é que ta a criança, a puericultura e outras coisas...” (U14) “Olha a forma, é que nem todo mundo no posto tava falando, sempre que ela pode da um jeitinho.” (18) Considerações finais: Do total de entrevistados foi demonstrada satisfação diante das ações desenvolvidas pelo ACS, assim como foi manifestado seus anseios para aprimoramento das ações desenvolvidas não somente pelos agentes da USF do Jardim Colorado, mas chamar atenção para o serviço prestado pelo ACS nas demais unidades do município de Tucuruí. Tais ações são imprescindíveis para que o ACS realize seu trabalho de forma eficiente junto a equipe de saúde, tendo sua supervisão realizada por um enfermeiro. Tornando suas ações essenciais para o desempenho dos demais profissionais por ter seu trabalho junto à comunidade.

6097 GESTÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: UMA ANÁLISE DO PERÍODO 2017-2018
RENATO BERGALLO BEZERRA CARDOSO, Regina Fernandes Flauzino, Hélia Kawa

GESTÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO: UMA ANÁLISE DO PERÍODO 2017-2018

Autores: RENATO BERGALLO BEZERRA CARDOSO, Regina Fernandes Flauzino, Hélia Kawa

Apresentação: A implementação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município do Rio de Janeiro passou por diferentes fases: uma fase inicial, entre 1993 e 2008, de lenta expansão; a segunda, marcada pela rápida expansão da ESF entre 2008 e 2016; e uma terceira fase, iniciada com a nova gestão municipal, no ano de 2017. No último período, observa-se um conjunto de ações que parecem indicar um redirecionamento da condução das políticas de saúde no município, como cortes orçamentários, desabastecimento de insumos, atrasos salariais e greves de categorias profissionais. Este estudo tem o objetivo de analisar as mudanças recentes na gestão das políticas de Atenção Primária à Saúde no Rio de Janeiro, nos anos de 2017 e 2018, quando se iniciou a atual gestão municipal. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, de caráter exploratório, a partir de pesquisa documental e análise de dados secundários, com foco em 4 dimensões: indicadores de saúde da APS; cobertura populacional pela ESF no município; composição profissional das equipes de Saúde da Família; e características do financiamento municipal da APS. Os principais achados sugerem que a expansão e o financiamento da APS não foram prioridade para a atual gestão, com diminuição do investimento em saúde, propostas de mudanças de modelos de equipes, em alinhamento como contexto neoliberal no país. Pretendeu-se com este estudo contribuir para o monitoramen de todas políticas de saúde no futuro, bem como oferecer subsídios para a tomada de decisões no âmbito da gestão, no sentido de garantir a manutenção e qualificação da APS no município do Rio de Janeiro.

6875 RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O PROCESSO DE TRABALHO GERENCIAL NO SETOR DE HIPERDIA
Marcelo José dos Santos, Giulia Magalhães Mendonça Reis Ribeiro, João Victor Lima da Silva, Maritza Consuelo Ortiz Sanches, Maria Lelita Xavier, Miriam Marinho Chrizóstimo

RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O PROCESSO DE TRABALHO GERENCIAL NO SETOR DE HIPERDIA

Autores: Marcelo José dos Santos, Giulia Magalhães Mendonça Reis Ribeiro, João Victor Lima da Silva, Maritza Consuelo Ortiz Sanches, Maria Lelita Xavier, Miriam Marinho Chrizóstimo

Apresentação: A hipertensão arterial sistêmica e o diabetes mellitus são doenças crônicas, altamente prevalentes, de alto custo social, que vêm aumentando significativamente na população, representando importante problema de saúde pública, pois impactam negativamente na qualidade de vida. O Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos – HIPERDIA é uma estratégia importante para a sensibilização das pessoas acometidas por essas doenças quanto ao autocuidado, sendo uma das medidas preventivas de danos secundários. Dessa forma, segundo o DATASUS, o Hiperdia destina-se ao cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde – SUS, permitindo gerar informação para aquisição, dispensação e distribuição de medicamentos de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados. O sistema envia dados para o Cartão Nacional de Saúde - CNS, funcionalidade que garante a identificação única no SUS. Se tratando do processo de trabalho da enfermagem, podemos considerar que consiste no conjunto de ações de acompanhamento do usuário/população, no decorrer de doenças ou ao longo de processos sócio vitais, tais como a saúde da criança, a saúde do adolescente, a saúde da mulher, a saúde do homem, a saúde do idoso, entre outros, com o propósito de promover, prevenir e recuperar a saúde, assim como no atendimento das necessidades básicas de saúde. Este processo de trabalho se subdivide em vários processos como cuidar/assistir, administrar/gerenciar, pesquisar e ensinar. Dentre esses, o cuidar e o gerenciar são os processos mais evidenciados no trabalho do enfermeiro do que os outros. Dessa forma, pode-se observar que é função do enfermeiro, principalmente na atenção básica, assumir papel de gestor. Dentro do Hiperdia, esse papel é fundamental, para que possa ser planejado, organizado, executado e avaliado o serviço prestado ao usuário. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo relatar a experiência dos acadêmicos de enfermagem o desenvolvimento do processo de trabalho gerencial do enfermeiro no setor de Hiperdia em uma Policlínica Regional do município de Niterói-RJ. Desenvolvimento: o presente estudo é um relato de experiência, de abordagem qualitativa, desenvolvido a partir da observação da organização do processo de trabalho dos enfermeiros que trabalham no setor de Hiperdia de uma Policlínica Regional do município de Niterói-RJ. Realizada durante o segundo semestre acadêmico de 2019, com o intuito de observar e apreender o desenvolvimento das atividades do enfermeiro do setor. A pesquisa transcorreu durante o Ensino Teórico Pratico da Disciplina de Gerência em Enfermagem I, que faz parte da estrutura curricular do Curso de Enfermagem de uma instituição superior de ensino. Para compreensão e desenvolvimento de esta pesquisa, levaram-se em consideração os seguintes componentes do processo de trabalho: objeto, agentes, instrumentos, finalidade, método e produto. Resultado: Na dinâmica de atendimento ao usuário no Programa Hiperdia da unidade, faz-se o cadastro na recepção e a pré-consulta pelo enfermeiro, após, o usuário é encaminhando para consulta médica e orientado a realizar exames, assim, caso se enquadre, será cadastrado no programa Hiperdia. Uma vez cadastrado, o usuário recebe: fichas de mensuração diária de sua patologia, orientações sobre o funcionamento do programa e orientações - educação em saúde - instrumento fundamental para qualificar a assistência, estas ações objetivam capacitar usuários ou grupos para contribuir na melhoria das condições de vida e da saúde da população, pelo estímulo e a reflexão crítica das causas dos seus problemas, bem como, das ações necessárias para a sua resolução. Na unidade, o programa possui três técnicos de enfermagem e dois enfermeiros, que se organizam para que todos os dias se mantenha o processo de trabalho, que se dá através de uma escala feita pela chefia. É sabido que o dimensionamento de pessoal de enfermagem é definido como um processo sistemático, que fundamenta o planejamento e a avaliação do quantitativo e qualitativo de profissionais necessários para promover a assistência, assim a aplicação do dimensionamento de profissionais de enfermagem no Programa Hiperdia se faz necessário para organização do setor. São utilizados como instrumentos: ficha de entrada e saída de materiais (seringas, lancetas e fitas); ficha de fornecimentos de insumos para teste de glicemia; ficha de controle de pressão arterial e glicemia do Hiperdia; ficha de cadastramento e recadastramento de pacientes; ficha de retirada de insumos e retorno ao setor e a planilha de controle mensal de insumo do programa Hiperdia, para facilitar organização do processo de trabalho da equipe. Além disso, também é usado o livro de ordem e ocorrência da enfermagem como registro inicial e final das atividades do dia e anotações de problemas, caso tenham acontecido. O enfermeiro que atua no Programa também é responsável por inserir no sistema de informações ambulatoriais (SiaSUS) a produção com vistas a justificar os gastos de insumos diários, além de, comprovar a sua produtividade e da equipe. Dentre as finalidades do programa, destacam-se: a realização do cadastro e acompanhamento da situação dos portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus em todo o país; a geração de informações fundamentais para os gerentes locais, gestores das secretarias e Ministério da Saúde; a disponibilização de informações de acesso público com exceção da identificação do portador; e envio dos dados ao Sistema de Cadastramento de usuários do SUS -CadSUS. Nessa perspectiva, o enfermeiro faz parte da constituição desse setor, tendo em vista que a assistência de enfermagem possibilita avaliar as necessidades do usuário com comorbidade, assim como as variáveis que interferem na sua adesão terapêutica, favorecendo uma abordagem mais precisa e próxima da realidade. Por sua vez, a qualidade dessa assistência pode ser influenciada por fatores que incluem dificuldades pessoais, estruturais e organizacionais. Os desafios encontrados no setor, foram direcionados a recente troca da enfermeira responsável pelo Hiperdia, assim, ainda há o que ser aprendido e implementado. O setor de Hiperdia proporciona o acompanhamento de comorbidades importantes, dessa forma, se faz necessário estar presente na atenção básica para ficar mais próximo do usuário e produzir resultados satisfatórios. Observou-se implementação de nova rotina, criação de novos instrumentos, organização de registros de enfermagem, implementação de controle diário de atendimento e um bom relacionamento enfermeiro-paciente. Considerações finais: O programa hiperdia se mostra de grande importância para a Policlínica ofertando um atendimento humanizado e dentro das perspectivas do SUS. Ao coordenar esse setor, o enfermeiro garante acolhimento e acompanhamento das comorbidades, abordadas no Hiperdia, de forma preventiva para a diminuição de complicações. Um bom processo de trabalho desse profissional torna-se importante devido ao contato direto com o usuário e sua atuação no acolhimento, dispensação de insumos e na organização das atividades. Os enfermeiros devem estar preparados para serem gestores, pesquisadores, educadores e prestadores de assistência, pois são estes pilares que constroem o processo de trabalho da enfermagem. Dessa forma, observa-se que o gerenciamento do Hiperdia deve ser sempre inovador, e a cada demanda, deve-se ser pensado intervenções para solucionar os possíveis problemas. Descritores: trabalho, gestão em saúde, avaliação de processos, enfermagem EIXO TEMÁTICO 3: GESTÃO

9448 UM BREVE HISTÓRICO DO FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO BÁSICA NO BRASIL
Clara Guimarães Mota, Juliana Vieira Saraiva, Sônia Maria Lemos

UM BREVE HISTÓRICO DO FINANCIAMENTO DA ATENÇÃO BÁSICA NO BRASIL

Autores: Clara Guimarães Mota, Juliana Vieira Saraiva, Sônia Maria Lemos

Apresentação: A discussão acerca da necessidade de se estruturar o sistema de saúde com primordial aos cuidados primários foi amplamente discutida na segunda metade do século XX, e resultou na importante e referenciada Declaração de Alma-Ata. Neste documento, há a definição de cuidados primários de saúde como “cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter”, além de também apontar como pertencentes a estes cuidados a necessidade de se preservar características sócio-culturais e políticas da comunidade, com foco nos principais problemas de saúde da comunidade, assim como educação em saúde, prevenção e controle de doenças endêmicas da região, atenção à saúde materno-infantil, incluindo o planejamento familiar, promoção da distribuição de alimentos apropriados, previsão adequada de água e saneamento básico, imunização e também fornecimento de medicamentos essenciais. Pode-se notar, a partir desses exemplos do conteúdo do referido documento, que “cuidado primário em saúde” é um conceito amplo. Com relação ao papel dos governos, o documento afirma que estes têm como função organizar políticas, estratégias e planos nacionais a fim de sustentar os cuidados primários de saúde em coordenação com outros setores. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem como a ordenadora a Atenção Básica, que é referida como sinônimo de Atenção Primária, mas são verificadas as diferenças quando comparada ao conceito original desta segunda. Percebe-se no Brasil, uma diminuição gradual da valorização da Atenção Básica, seja pela restrição imposta ao seu papel nos “cuidados primários de saúde”, seja pelo seu gradual subfinanciamento. Relacionado a este último item, tem-se uma relevante preocupação, já que atinge diretamente a tentativa de implantação de um sistema universal. Frente a essas observações, este trabalho teve como objetivo realizar uma breve revisão de como vem sendo dado o financiamento da Atenção Básica no Sistema Único de Saúde, visto que mesmo após 30 anos da promulgação das Leis 8080/90 e 8142/90, que criaram o SUS e regulamentaram o seu financiamento, ainda assistimos a precariedade e descaso com relação a este nível de atenção à saúde. Desenvolvimento: A metodologia usada para a pesquisa foi do tipo qualitativa, baseada em análise crítica do artigo “Reflexões acerca do financiamento federal da Atenção Básica no Sistema Único de Saúde” de Mendes et al., além de estudo das portarias emitidas pelo Ministério da Saúde, no Diário Oficial da União, relacionadas ao financiamento da Atenção Básica. A partir de então, foi construída uma resumida linha temporal dos principais decretos referentes ao financiamento, acompanhada de reflexões e críticas para a análise. Resultado: As leis orgânicas do SUS tinham como ideia de financiamento o repasse do Fundo Nacional de Saúde para os fundos dos estados e municípios, além de até então ter-se a ideia de que os municípios poderiam realizar a atenção primária de acordo com as necessidades locais. Com a instituição da Norma Operacional Básica de 1993 (NOB 93), através da portaria nº 545/93, ocorreu o chamado processo de municipalização que visava aumentar a autonomia do município permitindo aos gestores realizarem uma gestão semi-plena. Em 1996, ocorreu a criação de mais uma NOB pela portaria nº 2.203/96. Uma de suas principais contribuições foi a criação do PAB (Piso da Atenção Básica), dividido em PAB fixo, que seria de acordo com quantidade de pessoas da comunidade e o PAB variável, que seriam financeiros conforme adoção de programas criados pelo Ministério da Saúde (MS). Essa forma de repasse resultou nas chamadas “caixinhas”, que seria uma enorme fragmentação da distribuição de recursos. Verifica-se a ideia de maior controle por parte da esfera federal, visto que essa medida poderia acabar por influenciar a gestão do município, não mais orientada pela necessidade da comunidade. Percebe-se então dificuldade para o cumprimento do princípio dos cuidados primários em saúde. Em 2007, com o objetivo de resolver o problema das “caixinhas”, a portaria nº 204/07 institui a criação de blocos de financiamento: bloco da atenção básica, bloco da média e alta complexidade, bloco da vigilância em saúde, bloco da assistência farmacêutica, bloco de gestão e bloco de investimento. Contudo, sabe-se que mesmo assim a alocação dos recursos não foi direcionada conforme as particularidades de cada local, pois não se podia ter deslocamento de recursos entre os blocos. Em 2012, a lei de nº 141, visando regulamentar a Emenda Constitucional 29/00, afirmava a necessidade de alterar a forma de rateio de recursos para ocorrer conforme a necessidade de saúde da região, o que não vinha sendo cumprido devido o controle do MS. Importante inserir aqui a instituição da Emenda Constitucional 95/2016, que paralisa a regulação dos gastos públicos, incluindo  a saúde, pelo próximos 20 anos. Em números, os recursos federais para o SUS que foram 1,7% do PIB em 2016, deve reduzir-se a 1% em 2036. Claramente a Atenção Básica é fortemente atingida por esse ato de desfinanciamento da saúde pública, o que representa mais um retrocesso em tudo que se tentava construir em cuidados primários de saúde. Em 2017, a portaria nº 3992/17 reduzia os blocos de financiamento para dois, o de custeio e de investimento, o que permitiu uma maior alocação de recursos dentro de cada bloco, contudo, ainda afirma o incentivo de recursos conforme adoção de programas, não dando a devida autonomia aos municípios, como entendia-se da lei nº 141/12. Em se tratando de quanto é alocado para os gastos em Atenção Básica, observou-se diminuição de 2014 para 2017, de 22.865 milhões para 21.797 milhões, o que não ocorreu com as despesas da assistência hospitalar e ambulatorial. Com a EC 95/16 e a não devida prioridade pelo Ministério da Saúde à Atenção Básica, é esperado uma ainda maior redução de recursos. Por fim, a mais recente e polêmica portaria instaurada pelo MS é a de nº 2979/19, com o chamado “Programa Previne Brasil”. Uma de suas finalidades é a captação ponderada, que seria a alocação de recursos conforme cadastro feito pela população, com peso quando for identificado fragilidades, assim como novamente reforço a incentivos às ações estratégicas. Ações como estas, contribuem para a centralização do controle de recursos, assim como também o limita a quesitos que não necessariamente conseguirão ser contemplados por dados do IBGE ou cadastro feito pela população. Este ato pode acabar resultando em mais uma contribuição para o subfinanciamento estrutural que a Atenção Básica vem enfrentando. Considerações finais: A subvalorização da Atenção Básica à Saúde pode ser observada através da história, seja por atos políticos que subfinanciam e controlam recursos, ou por restrições do poder de alcance deste nível de atenção, o que contribui para construí-la cada vez mais com um caráter residual e assistencialista, ferindo o que se entende por cuidados primários em saúde. Há necessidade de discutir esse assunto com a comunidade em geral, visto que é um tema pouco divulgado, fazendo com que a maioria das pessoas não conheçam o direito de participar das decisões que envolvem o SUS, não exercendo o controle social preconizado por suas leis orgânicas.

10731 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE EM UM MUNICÍPIO DA REGIÃO NORTE DO CEARÁ
Helena Marcia Dias, Bruno Cavalcante Frota, Izabelle Mont'alverne Napoleão Albuquerque, Fernando Daniel de Oliveira Mayorga, Marcos Aguiar Ribeiro

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE EM UM MUNICÍPIO DA REGIÃO NORTE DO CEARÁ

Autores: Helena Marcia Dias, Bruno Cavalcante Frota, Izabelle Mont'alverne Napoleão Albuquerque, Fernando Daniel de Oliveira Mayorga, Marcos Aguiar Ribeiro

Apresentação: A Atenção Primária à Saúde tem a Estratégia Saúde da Família como forma prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde desenvolvida para integralizar as ações em saúde, passando por desafios e transformando a prestação de assistência em um modelo que valorize as ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e atenção integral. Assim, emerge-se a necessidade de realização de pesquisas avaliativas de qualidade em virtude da sua capilaridade de ações destinada à maioria da população. A avaliação em saúde tornou-se uma ferramenta fundamental para gerar informações sobre a efetividade, funcionamento e custo-benefício do sistema de saúde. Este estudo tem como objetivo avaliar a qualidade da Atenção Primária à Saúde na ESF em Sobral, Ceará por meio da mensuração da presença e extensão de seus atributos a partir da perspectiva dos usuários. Desenvolvimento: Trata-se de uma pesquisa avaliativa com abordagem quantitativa, realizada no período de junho de 2018 a novembro de 2019 no município de Sobral-CE. Os participantes foram usuários adultos acima de 20 anos de idade, acompanhadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. A amostra foi de 593 usuários distribuídos proporcionalmente nas UBS, selecionadas por amostra por conglomerado. O modelo teórico proposto por Donabedian (Estrutura, processo e resultado) foi empregado para estruturar o PCATool – Primary Care Assessment Tool (Instrumento de avaliação da Atenção Primária- PCATool Brasil); instrumento padronizados para adultos. Os escores de cada atributo foram obtidos a partir da média dos valores das respostas. Para a tabulação utilizou-se o programa MICROSOFT EXCEL e o aplicativo para as análises estatísticas software estatístico SPSS V.21  e Graphpad Prism versão 6.0. Os testes estatísticos de Kolmogorov- Smirnov e Kruskal-Wallis, com Post Hoc de Dunn. A pesquisa respeitou os preceitos éticos, tendo seu projeto aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa. Resultado: Verificou-se que a faixa etária predominante dos usuários entrevistados foi de 42 anos, sendo 84% do gênero feminino e 49% recebendo entre 1 e 2 salários mínimos. O atributo Acesso de Primeiro Contato no componente Utilização obteve a melhor avaliação de todos os atributos com média geral de atributos 8,1. O componente Acessibilidade do atributo Acesso de Primeiro Contato apresentou baixo grau de orientação à APS pelos usuários entrevistados. A Integralidade apresentou baixa orientação para APS. No que diz respeito ao atributo Coordenação no componente Integração do Cuidado e Sistema de Informações houve uma boa avaliação pelos usuários. Da mesma forma aconteceu com a Longitudinalidade, revelando forte orientação para APS. Os dois atributos derivados, Orientação familiar e Orientação Comunitária, obtiveram baixo grau de orientação à APS pelos usuários entrevistados. Todas as unidades apresentaram diferença significativa entre elas, com exceção do componente de Integração de Cuidados. Considerações finais: Ao avaliar as políticas públicas, é possível não somente produzir informações com vistas à melhoria da eficácia de uma prática social, como também transformar essa prática à luz dos interesses dos envolvidos considerando suas relações contextuais. Estas ferramentas de gestão funcionam como mecanismos para a formulação de estratégias baseadas em evidências.

10946 PLANEJAMENTO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: A NECESSÁRIA REORGANIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO
Elisa Shizuê Kitamura, Maria Emilia Teixeira de Moraes, Lucia Helena Fernandes da Gama

PLANEJAMENTO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: A NECESSÁRIA REORGANIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO

Autores: Elisa Shizuê Kitamura, Maria Emilia Teixeira de Moraes, Lucia Helena Fernandes da Gama

Apresentação: A Estratégia Saúde da Família (ESF), eixo estruturante e principal estratégia política de saúde no Brasil, têm provocado grandes mudanças tanto de gestão organizacional quanto no próprio processo de trabalho. Reorganizar a práxis exige muito além de mudanças operacionais. Faz-se necessária a identificação de conflitos, a solução de dificuldades, o atendimento das demandas e o estabelecimento de relações de apoio mútuo entre os atores sociais, para que haja a estabilidade das novas propostas. Além disso, as práticas devem estar em sintonia com a realidade dos serviços levando a ambientes de solidariedade e resolutividade dentro das diversas possibilidades de se produzir saúde. Orientado pelas normatizações ministeriais, o processo de trabalho desenvolvido na ESF, revela-se na prática diária que exige habilidades técnicas e de relacionamento interpessoal. Neste formato, considerando os princípios da Atenção Primária à Saúde (APS), o uso de tecnologias leves, o enfoque no trabalho vivo e os aspectos relacionais, deve-se pensar em partilhar ideias, discussões, projetos, ações e resultados com toda a equipe da ESF e com a participação popular. Para que se atenda a toda essa conformação, há que se considerar o Planejamento Estratégico em Saúde (PES) e seus quatro momentos fundamentais (explicativo, normativo, estratégico e táticooperacional). Desenvolvimento: Dessa forma, as coordenações municipais de Saúde da Família e Saúde Bucal organizaram visitas a cada unidade de ESF no mês de janeiro de 2019, e, conjuntamente com todos os integrantes, traçaram um PES para cada equipe. No momento explicativo, as coordenadoras instigaram a equipe a analisar as situações e identificar os “nós críticos”. Já no normativo, foram elencadas prioridades e ações para resolver as demandas, os atores e recursos necessários para tal e os percalços esperados no caminho. No momento estratégico, utilizou-se a abordagem de negociação e cooperação como metodologia de enfrentamento de possíveis conflitos e ajuste de ações. Resultado: As equipes encontram-se no momento táticooperacional em que tudo o que foi planejado já foi posto em prática. As etapas estão sendo monitoradas e os impactos das ações acompanhados criticamente, considerando o caráter resolutivo. Considerações finais:  A abordagem do PES em ação conjunta da gestão com a APS apresentou-se como estratégia que levou a reflexão sobre o processo de trabalho, o planejamento em si e a própria trajetória profissional de cada um.

10475 OFICINAS DE ACOLHIMENTO E PROCESSO DE TRABALHO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA MÉDICO DE FAMÍLIA DE NITERÓI – REGIONAL NORTE 1
JULIANA PAULO SILVA, RAPHAELLA TAVARES

OFICINAS DE ACOLHIMENTO E PROCESSO DE TRABALHO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA MÉDICO DE FAMÍLIA DE NITERÓI – REGIONAL NORTE 1

Autores: JULIANA PAULO SILVA, RAPHAELLA TAVARES

Apresentação: O Programa Médico de Família (PMF), do município de Niterói, passou por mudanças na forma de contratação dos profissionais, em março de 2018. Esta mudança refletiu no processo de trabalho das equipes, pela insegurança, medo e incertezas, que toda mudança provoca. Assim, a equipe de supervisão da Regional Norte 1, planejou oficinas que tiveram como objetivo acolher estes profissionais, escutar suas demandas e reestruturar coletivamente o processo de trabalho das equipes. Desenvolvimento: Este trabalho foi realizado com todas as equipes do PMF da Regional Norte 1. Foram realizadas 07 oficinas, 01 por unidade de saúde, totalizando 15 equipes - 108 profissionais, durante os meses de abril e maio de 2018. Utilizou-se de metodologia ativa, com rodas de conversa sobre acolhimento e processo de trabalho. Após este primeiro momento, as equipes foram agrupadas em pequenos grupos e proposto a construção da Matriz FOFA e a planilha de intervenção dos principais pontos levantados pelas equipes sobre o processo de trabalho no PMF. O termo FOFA é a tradução do inglês: SWOT.  É uma ferramenta estrutural da administração que visa avaliar os ambientes interno e externo para subsidiar a definição de estratégias. Forças - pontos fortes internos à organização; Fraquezas - pontos internos passíveis de melhoria; Oportunidades - forças externas que influenciam positivamente a organização, onde não há controle sobre essas forças; Ameaças - forças externas que influenciam negativamente a organização, onde não há controle sobre essas forças. Resultado: As equipes apresentaram as seguintes questões na construção da Matriz FOFA- Forças: comprometimento da equipe; apoio da supervisão; reconhecimento/vínculo com a comunidade; implicação com a produção do cuidado; humanização do atendimento; diálogo interno; reconhecimento das limitações; parceria/respeito entre as equipes; experiência dos profissionais no PMF/qualidade técnica; resolutividade dos casos pelas equipes. Fraquezas: dificuldade de não envolver o pessoal/emocional com o profissional; angústias geradas pela demanda reprimida; desmotivação; fragilidade de integração da rede (especialidades); falta de reunião de equipe; gerenciamento de papéis; falta de registros/atualização nos sistemas de informação; não manter a unidade organizada. Oportunidades: integração com as lideranças locais; fácil diálogo com a coordenação; supervisão presente; instalação do prontuário eletrônico; ofertas de cursos/educação permanente/crescimento profissional; inserção de novos profissionais na equipe. Ameaças: violência no território/sentimento de impotência; fragilidade da forma de contratação/novo vínculo trabalhista; falta de apoio dos outros níveis de atenção. A partir da análise da matriz, construíram uma planilha de intervenção, onde foi possível definir estratégias para aproveitar ao máximo as forças e oportunidades identificadas, assim como desenvolver estratégias que amenizem as fraquezas e preparem para o enfrentamento das ameaças. Assim, as estratégias deixaram de ser genéricas para serem específicas e direcionadas às características do contexto local. Considerações finais: A gestão dos serviços de saúde tem um papel importante na organização do processo de trabalho e no desenvolvimento de dispositivos institucionais que contribuam para o trabalho em equipe, bem como possibilitem espaços coletivos para a troca de saberes, para a reflexão dos referenciais que orientam as práticas, para a análise e avaliação do sentido das ações produzidas.