309: Ser mulher e mãe em situação de rua: de que realidade estamos falando?
Ativador: Márcia Fernanda De Mello Mendes
Data: 29/10/2020    Local: Sala 16 - Távolas de trabalhos    Horário: 13:30 - 15:30
ID Título do Trabalho/Autores
9620 QUERO MEUS FILHOS DE VOLTA
Gláucia de Fátima Batista

QUERO MEUS FILHOS DE VOLTA

Autores: Gláucia de Fátima Batista

Apresentação: O ‘Movimento Mães Órfãs’ pretende mostrar a situação higienista de separação de bebês e suas mães vulnerabilizadas, criada a partir de normativas da justiça de Minas Gerais. Busca-se chamar a atenção de profissionais, gestores e movimentos sociais para a defesa da saúde e direitos humanos para mães empobrecidas e seus bebês e a necessidade de política pública sem viés manicomial e higienista. Tem como objetivo sensibilizar profissionais da saúde sobre o abrigamento compulsório de bebês e denunciar injustiças que recaem sobre mães vulnerabilizadas que lutam pelo seu direito de ficarem com os filhos retidos pós-parto em maternidades de Belo Horizonte. Metodologia Roda de conversa com projeção de vídeo e exposição de sapatinhos de recém nascidos representando mais de 300 bebês de mães vulnerabilizadas que tiveram seus filhos retidos na maternidade e/ou acolhidos em abrigos e delas separados, seus familiares e comunidade de origem. Na conversa com o público presente e interessados na temática busca-se articulação em rede e sensibilização para criação de políticas públicas sem viés manicomial/higienista e que considere os direitos humanos no atendimento a essa população. Políticas higienistas, abrigamento compulsório e manicômios não são solução. Materiais necessários: um varal, 300 pares de sapatinhos de bebês, pegadores de roupa, durex, papéis, caneta hidrocor, cartazes, flyers, Vídeo de Curta Metragem. Resultado: Conversar sobre normativas do poder Judiciário em Minas Gerais que levaram gestantes a se afastarem dos serviços de saúde, pois são mães vulnerabilizadas e na sua maioria negras com alta da maternidade, mas seus bebês ficaram retidos e acolhidos em abrigos, apesar da vontade delas e de seus familiares de permanecerem juntos. Mães e recém nascidos foram proibidos do vinculo afetivo e aleitamento materno. Profissionais envolvidos não consideraram a legislação de proteção integral existente em nosso país, assim como os direitos dessas mães, a existência da figura paterna e da diversidade familiar. O paradigma da desigualdade, repleto de estereótipos e preconceitos precisa ser mudado na saúde coletiva para evitar o que acontecia anteriormente em populações com hanseníase,  tuberculose e sofrimento mental. Considerações Busca-se sensibilização para que os direitos humanos, a equidade e a metodologia de redução de dano sejam considerados assim como mudança do paradigma de atuação nos serviços de saúde junto às pessoas em vulnerabilidade social. Garantir o direito à maternidade e paternidade possíveis é dar forte oportunidade de reconstrução de trajetórias de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade. Recomendam-se políticas públicas que garantam os direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade assim como local para permanecerem juntos com seus filhos após o parto sem viés manicomial e sem judicialização.

9787 “PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR A FORMA DE NASCER” – EXPERIÊNCIAS DE UMA OFICINA COM PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Gisseila Andrea Ferreira Garcia, Etna Kaliane Pereira da Silva, Gabriela Maciel dos Reis

“PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR A FORMA DE NASCER” – EXPERIÊNCIAS DE UMA OFICINA COM PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Autores: Gisseila Andrea Ferreira Garcia, Etna Kaliane Pereira da Silva, Gabriela Maciel dos Reis

Apresentação: A assistência ao ciclo gravídico puerperal, por décadas vem sendo demarcada por severas mudanças acometidas pelo processo de institucionalização, desnecessárias intervenções e medicalização da gravidez, parto e do corpo feminino. Diante disso, tem surgido uma onda de movimentos em resgate a humanização da assistência à mulher na gravidez, parto e pós-parto, a fim de reestabelecer o protagonismo da mulher sobre o seu corpo. Corpo esse que, muitas vezes é visto como objeto de control e pel a sociedade em especial pela equipe de “front off” da assi stência em saúde. Compreendendo que as experiências positivas ou negativas das mulheres em relação a sua gravidez e principalmente parto e pós-parto é influenciada pela assistência recebida pelos profissionais de saúde. E ste trabalho objetiva retratar de forma sistemática, os resultados de uma oficina intitulada “Para Mudar o Mundo é Preciso Mudar a Forma de Nascer”: O Protagonismo da Mulher e a Violência Institucional em Obstetrícia realizada em um congresso nacional em setembro de 2019 com profissionais de saúde que atuam na assistência à mulher no ciclo gravídico puerperal. Descrição da experiência: As atividades da oficina iniciaram com uma explanação e justificativa teórica acerca da violência obstétrica, do resgate das boas práticas de assistência a gestação parto e pós-parto, enfatizando os tipos de assistência obstétrica e o papel que os profissionais de saúde tem nos desfechos da e xperiência, negativa ou positiva, da mulher no ciclo gravídico puerperal. Após a explanação teórica decorreu-se a discussão de casos, a turma foi dividida em quatro grupos, e cada grupo discutiu um caso internamente, identificando práticas de humanização ou sinais de violência institu cionais obstétricas discutindo as condutas e abordan do estratégias para melhorias de enfrentamento das práticas violentas. Síntese das discussões de casos: Após as discussões internas em grupo, abriu-se a discussão de casos para toda a turma com a apresentação das condutas inadequadas e estratégias de enfrentamentos para tais condutas, sintetizados a seguir: 1) Para as condutas de imposição de um modelo humanizado de assistênci a sem profissionais e materiais necessários que respaldam a integridade física e psicológica da mulher e acompanhante, como várias parturientes e acompanhantes em uma mesma sala de parto - sem assistência uma individualizada e/ o u sem a oferta de uma ambiência que respeite a privacidade de cada parturiente a discussão se debruçou no sentido de que é válida a iniciativa da instituição em querer promover uma pol í tica da humanização da assistência obstétrica, entretanto considera-se importante a preservação da privacidade e da dignidade da parturiente. Desta forma, é necessário que se atente para a ambiência do espaço, boxes ou suítes individuais, onde a parturiente e o acompanhante possam estar vivenciando todo o processo de trabalho do parto, com toda a sua vulnerabilidade, de forma mais tranquilo possível; 2) O caso de gravidez na adolescência, acolhimento inadequado da adolescente grávida no pré-natal e violência obstétrica no parto, o grupo identificou sinais de violência como culpabilização da grávida por não ter feito o pré-natal; ausência de acompanhante; indicação de cesariana por conveniência profissional; falta de avaliação sistematizada; falta de políticas de prevenção da gravidez na adolescência, e para este caso traçaram as seguintes estratégias de enfrentamento: acolhimento adequado no serviço de pré-natal e maternidade, garantia de direito ao acompanhante, orientar sobre as condutas realizadas durante a internação, acompanhamento sistemático do trabalho de parto, baseado em evidências científicas, sem intervenções des necessárias, foco do cuidado na mulher e não na equipe, sensibilização/treinamento da equipe sobre as melhores práticas de assistência a gestação, parto e nascimento, integração da rede de assistência ao programa de estratégia de saúde da família; 3) Para o terceiro caso, sobre uma maternidade em que a política de humanização consisti em um o protocolo de analgesia no trabalho de parto (epidural) quando a mulher inicia o trabalho de parto ativo, desencadeando uma série de situações como dependência da monitorização n a cardiotocografia para isso a parturiente tem que ficar sempre deitada, não podendo realizar as sua necessidades fisiológicas de forma natura l utilização de intervenções como ventosa, fórceps e episiotomia, uma vez que chegando no período expulsivo a parturiente estava sem força e nenhuma sensibilidade para responder aos “puxos ”. O grupo considerou que essa pr á tica de humanização não foi efetiva, defendendo que é necessária a revisão do protocolo de analgesia, uma vez que está f oi realizada de forma precoce, o ideal seria a parturiente e star deambulando e não deitada, ademais avaliar a necessidade do uso continuo da sonda de alívio e do uso do fórceps e episiotomia.  Para este caso, apontaram as seguintes estratégias de enfrentamento: educação em saúde no pré-natal, para a mulher adquirir informações acerca dos seus direitos e atentar pela sua autonomia; realização de plano de parto e realização de um protocolo de boas práticas com base em evidências científicas ; 4) O último caso discutido foi de uma multípara que chegou na maternidade já evoluindo para o final de trabalho de parto (8 cm de dilatação e colo fino) e por isso foi logo encaminhada para a mesa de parto, colocada em posição litotômica o que gerou um certo estresse tanto na parturiente como na equipe que estava na assistência ao parto, e em consequência disso diminuíram as contrações uterinas na mulher, desencadeando uma série de condutas inadequadas (soroterapia com ocitocina, manobra de Kristeller e de a pagamento do colo, violência física como tapas nas pernas, laceração de terceiro grau, “ponto do marido”, etc.), condutas essas que o grupo identificou como violência institucional (falta de estrutura/ambiência apropriada, procedimentos não baseados em evidências científicas); violência de gênero (ponto do marido); violência física (tapas nas pernas, toques vaginais desnecessários) indicando as seguintes estratégias de enfrentamento dessas práticas inadequadas: educação em saúde da mulher, fisiologia do parto e mudanças de paradigmas, combate ao racismo institucional; maior vinculação entre gestante, hospital e profissional de saúde; uso de tecnologias de cuidado (ex: aromaterapia, mudanças de posições, spinnig babies, deambulação, banho quente, massagem, etc.). Considerações finais: As discussões de casos em grupos e a síntese dessas discussões ao identificar condutas e atos negligentes, imprudentes, omissos e desrespeitosos praticados por profissionais de saúde, consolid ou entre os participantes a violência obstétrica e de gênero. Além disso, fomentou o debate sobre o resgate d a humanização da assistência obstétrica, a fisiologia da gravidez, parto e pós-parto, as pr á ticas tradicionais, e a utilização de intervenções somente quando for necessárias e respaldadas pelas evidências científicas. Ademais, a realização dessa atividade educativa em um congresso nacional promoveu trocas de experiências entre profissionais de diversos estados brasileiros, possibilitando o fortalecimento de uma rede de combate à violência obstétrica e a multiplicação de estratégias de humanização da assistência.

11562 MULHERES/MÃES EM SITUAÇÃO DE RUA: APONTAMENTOS CRÍTICOS PARA A COMPREENSÃO DOS DEBATES SOBRE A MATERNIDADE NO CONTEXTO DA RUA
Gilney Costa, Tatiana Wargas de Farias Baptista, Patricia Constantino

MULHERES/MÃES EM SITUAÇÃO DE RUA: APONTAMENTOS CRÍTICOS PARA A COMPREENSÃO DOS DEBATES SOBRE A MATERNIDADE NO CONTEXTO DA RUA

Autores: Gilney Costa, Tatiana Wargas de Farias Baptista, Patricia Constantino

Apresentação: As experiências de mulheres/mães em situação de rua com (ou sem) trajetória de uso de drogas colocam na arena do debate público tensões entre garantias individuais e limites às ações do Estado. No imaginário social brasileiro, as ideias de mulher/mãe/maternidade ligadas à imagem de pureza, abnegação, sacralidade e, sobretudo, a crença de um amor maternal instintivo, inerente ao ser mulher, se opõe à imagem de abjeção, periculosidade e vulnerabilidade suscitado pelo modo como a ‘rua’ e o uso de drogas é socializado pela cultura. No contexto do cuidado e da proteção à díade mãe-bebê, a maternidade dessas mulheres deixa de ser uma questão da esfera ‘familiar/privada’ para se tornar um ‘problema’ de Estado, que em última análise arbitra de quem e quais direitos devem prevalecer: os da mulher/mãe em situação de rua, usuária (ou não) de drogas ou os da criança. Este trabalho é fruto de um estudo de doutoramento em saúde pública/coletiva, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ), que tem como objetivo analisar as experiências de mulheres/mães em situação de rua na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma Revisão Integrativa (RI) que combinou termos associados em duas estratégias de busca diferentes: Estratégia I, teve como objetivo ampliar a extensão do mapeamento, - (mulheres) AND (Maternidade OR Gravidez OR Gestação OR "Poder familiar" OR "Autoridade Parental" OR "Deveres e Direitos Parentais" OR "Deveres e Direitos dos Pais" OR "Direitos e Deveres Parentais" OR "Direitos e Deveres dos Pais" OR Maternalidade OR Maternidade OR "Poder Parental" OR OR "Relação Parental" OR "Responsabilidade Parental" OR "Responsabilidades Parentais") AND ("População em situação de Rua" OR "Situação de rua" OR "População não domiciliada" OR "Sem teto"); estratégia I – em inglês: (Women) AND (Motherhood OR Pregnancy OR Parenting) AND (Streets OR Homeless). Por sua vez, a segunda estratégia buscou delimitar os estudos recuperados nas bases, fazendo recorte territorial, para recuperar estudos que ainda que publicados em língua inglesa, tivessem sido produzidos no contexto brasileiro. Estratégia II - (mulheres) AND (Maternidade OR Gravidez) AND (Rua); estratégia II – em inglês: (Women) AND (Motherhood OR Pregnancy) AND (Streets). Ao todo foram recuperados 441 estudos nas bases de dados Scopus, Internet of Science, Scielo, Portal da Biblioteca Virtual em Saúde-Brasil (BVS) e Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto (OASIS). Os critérios de elegibilidade dos trabalhos foram: (a) estudos publicados em português, inglês ou espanhol; (b) estudos cujo título apontasse para a discussão da maternidade de mulheres na rua com trajetória (ou não) de uso de crack. Esta etapa foi validada por dois pareceres ad hoc; (c) estudos completos disponíveis em ambiente virtual de acesso público ou privado, desde que fossem possíveis recuperá-los a partir da assinatura institucional e (d) leitura dos resumos. Foram excluídos da análise os estudos que: (a) não apresentavam no título ou no resumo relação com a temática desta revisão; (b) trabalhos de evidências clínicas centrados em análise experimentais, que não tiveram como participantes mulheres em situação de rua; (c) estudos de análise de políticas ou de fluxograma voltados à assistência. Do número total de trabalhos 22 foram analisados buscando reconhecer neles quais os “sentidos produzidos” e “lugares de fala” que sustentam argumentos presentes no discurso científico sobre este debate. Analises preliminares sugerem lacunas na literatura que dizem respeito aos mecanismos de transmissão dos efeitos da(s) droga(s) usada(s) pela mãe para o bebê. Tais estudos, ancorados em perspectivas sociológicas tem apontado, ainda, falta de consenso quanto à quantidade necessária, a intensidade do uso, o tipo de droga e por quanto tempo, após o uso, a transmissão dos efeitos da droga para o bebê ocorre. No campo jurídico, a tendência dos debates internacionais tem sido a de expandir direitos fetais com redução ou até mesmo supressão de direitos maternos. Esses estudos colocam em evidência tensões entre os direitos maternos e fetais. No campo biomédico, duas ideias centrais sobressaem, uma que toma a maternidade dessas mulheres, como um grave problema de saúde pública e outra que considera a situação de rua dessas mulheres, e em alguns casos o uso de substâncias psicoativas, como fatores de risco à saúde mãe-bebê. Por fim, torna-se importante dizer que reconhecer sentidos às práticas de cuidado, tensões, às experiências de mulheres/mães na rua e sua trajetória de vida pode contribuir com a produção de conhecimentos científicos sobre a temática, e desse modo, com o fortalecimento da rede de serviços de cuidado à saúde.

10930 CHÁ DE BEBÊ – SAÚDE E DIGNIDADE DE GESTANTES EM SITUAÇÃO DE RUA. D
Monica Prado

CHÁ DE BEBÊ – SAÚDE E DIGNIDADE DE GESTANTES EM SITUAÇÃO DE RUA. D

Autores: Monica Prado

Apresentação: A gravidez sempre foi o momento mais sublime das mulheres. Nada muda tanto no organismo feminino durante a gestação quanto a sua produção hormonal. Como o corpo precisa se preparar fisicamente — e mentalmente — para a chegada do bebê, os hormônios femininos têm como obrigação mudar completamente o funcionamento de alguns sistemas para que eles estejam aptos a ajudar o desenvolvimento do bebê. Os hormônios gestacionais, portanto, aumentam a capacidade da mulher em estocar energia, preparam as glândulas mamárias para produzir leite e também afetam diretamente o humor e o emocional da mulher, que fica mais sensível, mais protetora e, em alguns casos, até um pouco mais mal-humorada do que o normal durante os próximos nove meses. Para a mulher que está em situação de rua não deveria ser  diferente, porém  existem alguns complicadores que visto a partir da ótica da saúde pública merece uma reflexão. O fato de não ter o que comer adequadamente, dormir ou tomar banho já são fatores que contribuem para uma gestação considerada de extrema vulnerabilidade. Sendo usuária de substâncias psicoativas, os riscos são maximizados.  A exposição a toda sorte de violência e de situações ameaçadoras e o medo da perda do bebê, somados aos aspectos psicológicos, deixam a mulher gestante em situação de rua bastante refratárias a qualquer proposta. Nos 15 anos que vem atuando, o programa Consultório na Rua,  voltado para a atenção à  saúde da população em situação de rua, tem se esmerado em entender estes complicadores e buscar alternativas para o atendimento das gestantes em situação de rua.As mulheres por estarem expostas às ruas, apresentam dificuldades em ora dizer sim e ora dizer não aos parceiros sexuais. Por serem frágeis, muitas vezes não conseguem se defender quando forçadas a praticar sexo, e algumas acabam fazendo o uso de bebidas alcoólicas, o que as deixam ainda mais vulneráveis. A gravidez pode ser considerada um fator de risco social na esfera da saúde pública e um reforço à marginalidade e pobreza, dependendo das condições em que se desenvolve. Assim, no caso da gestação em situação de rua, nossos Agentes de Saúde foram  identificando uma terrível precariedade das condições de vida e a dificuldade de acesso aos serviços como fatores de risco para mãe e bebê. O fato de estar nas ruas expõe a gestante a uma série de riscos, além de dificultar sua vinculação a um serviço de atenção básica que realize seu pré-natal. Nas maternidades de São Paulo, diariamente nascem filhos de mães dependentes do crack, situação de alta complexidade, causando grande prejuízo ao binômio mãe-filho, sendo o principal problema a separação destes no pós-parto imediato, ocasionando profundos transtornos para ambos, prejudicando profundamente a saúde do recém nascido, privando este do aleitamento materno, no principal momento da sua vida.Portanto a gestação é uma oportunidade para a reflexão dessas mulheres, no sentido de mudança de comportamento, buscando uma oportunidade de inserção social saudável. Em 2007, foi apenas um caso, de separação do binômio, segundo a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. No ano seguinte 15; em 2009 26. No ano 2010, a Vara da Infância e da Juventude determinou que 43 bebês de mães dependentes de crack, nascidos na maternidade Leonor Mendes de Barros fossem encaminhadas para adoção, um aumento de 65% de casos em relação a 2009. Outros hospitais da cidade, em 2011, também registraram dezenas de ocorrências: 13 no Hospital Geral de Pedreira, 14 no Hospital Geral de São Mateus e 32 no Hospital Estadual de Sapopemba.Além de ser garantido pelo SUS, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde através da Assistência ao Pré-natal, bem como em Protocolos Municipais, quando se trata de pessoas em situação de rua necessita-se de um “algo” a mais para incrementar e garantir os direitos previstos e por isso o Consultório na Rua BOMPAR/SMS, pensou a atividade do Chá de Bebê – Menino ou Menina como uma estratégia importante para garantia desse acompanhamento das pacientes em situação de rua que são atendidas. Objetivo:s1 - Identificação e vínculo da mulher gestante em situação de rua. 1.1 - Descrição - Os Agentes de Saúde de Rua, visitam o território, identificam a mulher gestante, fazem a abordagem de protocolo e procuram através da oferta, vincular a pessoa ao cadastro da equipe de CnR daquele território.1.2- Objetivo específico - Garantir que a gestante realize  o pré-natal;•  Promover a adesão ao pré-natal, tendo os seguintes impactos epidemiológicos: Diminuição das transmissões verticais (Sífilis, HIV), para as mães soropositivas, articular o cuidado e acompanhamento a criança aos SAES e com Consultório na Rua, afim de diminuir a incidência de crianças soropositivasDesenvolvimento2 - Encontros bimensais 2.1 - Visando a adesão da Mulher gestante em situação de rua, será proposto um encontro de cuidado, formação, lazer e saúde 2.2 - Promover recepção digna e afetiva às gestantes convidadas;Contribuir para restaurar e preservar a integridade da gestante e seus filhos em situação de vulnerabilidade e risco social;Trabalhar e Discutir mitos e verdades sobre a gestação e fomentar um espaço de integração e troca de experiências.3 - Oficinas Terapêuticas e de geração de renda 3.1 - Estimular o protagonismo e a autonomia, visando a saída definitiva da rua, para garantir o bem da mulher e dos filhos 3.2 - Assegurar à gestante encaminhamentos na área da saúde em geral, fortalecendo sua autonomia e estabelecendo relações personalizadas e em pequenos grupos;4 - Atividades Lúdicas e culturais 4.1 - Promover a criação de novos laços afetivos, culturais e do projeto de vida 4.3 -  Promover ações lúdicas/culturais e terapêuticas. Os grupos têm uma dinâmica multiprofissional, onde inicia-se  com uma roda de apresentação das gestantes e equipe de Consultório na Rua. Dentro desse contexto há a participação do enfemeiro, médico, dentista, assistente social, psicologo e agentes de saúde, os quais realizam uma ampla abordagem sobre os cuidados com a gestação, tais como: a importância da realização do pré-natal (aborda-se questões sobre exames, medicamentos etc.), mudanças fisiológicas gestacionais, higiene e tratamento bucal, cuidados com o recém nascido, aspectos emocionais e os direitos das grestantes - buscando envolver o parceiro nesse processo do cuidado, por isso é sempre fortalecido a importância da participação dele.Há a entrega dos enxovais para as gestantes que estão com 7 meses em diante e a realização dos books fotográficos para as que estão com 5 meses de gestação. Essa útima ação propocia um espaço de valorização do corpo feminino e da interação afetiva mamãe-bebê, somado a experiência - muitas vezes única - da primeira foto impressa da gestante em toda sua vida. Sem dúvida algo transformador para elas. Resultado: Maior adesão das gestantes ao pré-natal, diminuindo assim as incidências das trasmissões verticais, uma vez que os exames são colhidos e patologias são detectadas e tratadas em tempo hábil.Diminuiçao da juducializaçao precoce, uma vez que equipe e maternidade discutem os casos das gestantes mensalmente. Consideraçoes FinaisO Projeto Chá de Bebê tem três anos e meio de funcionamento e surgiu a partir das dificuldades que as equipes de consultório na rua traziam em abordar e vincular gestantes em situação de rua ao pré-natal e todo o calendário gestacional, demonstrando assim que torna-se necessário outras tecnologias de cuidado para atrair as gestantes para o cuidado.